Devil Would'n Recognize You

1 Devil Would'n Recognize You


Notas iniciais
Boa leitura
Recomendo ouvir a música enquanto esteja lendo a estória

E a noite estava mais uma vez calma e silenciosa. Lea aproveitava a tranquilidade para se deitar no telhado da pousada. Efina se divertia em uma conversa com Neil, capitão do cadáver zero, Breth, o sub-capitão, e Lina, a nova integrante do batalhão. Como Lea não queria participar da conversa entre os dragões, preferiu se retirar e por isso estava ali, observando o céu noturno e as estrelas. Olhando as constelações e o belo luar, a jovem acabou ficando entretida de tal forma que esquecera o fato de Teobaldo ainda não ter voltado com um bom disfarce. Ela estava curiosa. Será que o rapaz acreditava que estava a salvo sob o manto negro da noite? Lea se levantou e pelos telhados da cidade caminhou, buscando o amigo atrasado. O cheiro fraco de doces a chamou a atenção e ela correu em sua direção a fonte. Em um dos edifícios, ela encarou uma casa comum com dedicação e esperou ali mesmo, sob a lua minguante e as estrelas prateadas.

Tempos depois, um rapaz muito bem vestido saiu da residência e caminhou pelas ruas. Lea ficou confusa e decidiu seguir aquele sujeito. Algo lhe dizia para não faze-lo, porém a jovem ignorou o alerta. Ela podia jurar que estava certa e que aquele homem era o que procurava, mas havia a probabilidade de estar errada. Ela decidiu descer o edifício e se aproximar lentamente do alvo. Após algumas quadras, Lea já estava quase lado a lado da rapaz e ainda assim, mantinha a cautela. Seu cheiro confundia a jovem, uma mistura excitante de perfume e doces... Talvez ele estivesse usando um produto com ferormônio muito forte.

- Com licença... — chamou a jovem e o rapaz parou, encarando-a surpreso. Lea encarou encantadores olhos dourados e sentiu-se ainda mais atraída pela beleza do rapaz. — Teo?

O rapaz ainda estava em uma espécie de transe pela surpresa e rapidamente este sorriu.

- Deve ter-me confundido. — disse docemente. — Meu nome é Aidan. É um prazer conhece-la.

A jovem ainda continuou o encarando. Por algum motivo, sabia que ele estava forçando-se a fazer isso. Seu sorriso parecia falso de alguma forma. Olhando aquele rosto, ela via Teobaldo. Poderia até ser influência daquela atração pecaminosa, afinal, ela estava interessada no rapaz há algum tempo. Ela olhava com tanta atenção que o mesmo estava se incomodando com isso. Lea viu tristeza naqueles olhos... uma tristeza tão conhecida que a jovem sentiu-se aliviada por descobrir quem era o homem.

- Desculpe-me, mas tenho que ir. — o rapaz deu um passo a frente, mas a jovem segurou seu pulso e este fora obrigado a permanecer onde estava.

- Você quase provou quem é desta vez. — a garota sorriu divertida. — Quase não consegui reconhece-lo. Devo dizer que se empenhou até mais do que esperei. Usou até mesmo um perfume forte e desnorteante para se esconder.

- Realmente, você está me confundindo com outra pessoa. — aquele que se nomeava "Aidan" parecia nervoso e irritado, deixando a garota com mais controle da situação.

A jovem tocou a face do rapaz gentilmente, acariciando a área e retirando a maquiagem sobre a cicatriz do rosto do jovem.

- Você tem que admitir. Eu estou ficando boa nisso.

- Não sei do que está falando.

- Seu disfarce está se quebrando por você mesmo. Seus olhos dizem a verdade, diferente de suas palavras obscuras. Agora que estou mais "sóbria", você não vai me convencer do contrário. Obrigada por passar um perfume tão entorpecedor... estou me sentindo tonta.

- Eu sugiro que vá embora. — o rapaz suspirou cansado e derrotado. — Tenho coisas a fazer.

- Não quer ajuda?

- Acho que uma garota tão jovem andando pelas ruas de uma cidade tão violenta chama atenção demais.

- E suas roupas não?

- Isso é gosto pessoal.

- Ok, "Aidan". — a garota se afastou. — Não vou acompanha-lo. — o rapaz deu um pequeno sorriso ao ouvir isso e retomou o caminho que seguia. A jovem sorriu travessamente. — Porém não disse nada sobre segui-lo.

Lea seguia os passos do companheiro acima dos prédios novamente. Por mais que ele sempre a afastava, a garota queria ajuda-lo. Ela simplesmente deveria ir embora, mas nunca conseguia. Além do mais, algo, naquela noite, dizia que coisas ruins aconteceriam. Esta viu Teobaldo cruzar a rua e adentrar um beco mais adiante. Enquanto caminhava tranquilamente, também pode enxergar um grupo de homens estranhos correndo para a mesma direção e isso a assustou. Ela correu e acima do beco, encarou o rapaz encurralado a planejar uma escapatória dali. A jovem pode ouvir os homens pedindo dinheiro e alguns pensando em mata-lo para vender os órgãos mais tarde. O beco era um pouco estreito e apesar de ter um fim, era arriscado Teobaldo fugir simplesmente. Os bandidos avançaram e a jovem os acompanhou. Pulando de onde estava, lançou chamas poderosas sobre os homens, queimando-os completamente e encobrindo qualquer vestígio de suas existências. Lea tomou todas as precauções possíveis para não machucar o rapaz e este a encarou surpreso com tão situação.

- Você está bem? — a jovem demonstrava sua preocupação de maneira que o rapaz sentiu-se um idiota de precisar de sua ajuda com algo que poderia, talvez, ter dado conta.

- Estou... — o rapaz viu que apenas cinzas restaram dos corpos e pensou consigo se não estava sendo duro com a garota. Afinal, ela o salvara. — Obrigado. — a jovem assustou-se, mas logo mostrou um doce sorriso.

- Que bom que está b...

Um tiro fora disparado e Lea sentiu o ombro arder terrivelmente. Caindo pela dor interminável, a jovem viu uma sombra a cobrindo. Um último e ileso homem, o que parecia ser o líder, a encarava maliciosamente.

- Um dragão... — o homem se aproximava perigosamente. — Que dia de sorte!

Ao que o homem lambia os lábios assustadoramente, Lea sentiu o pavor correr suas veia enquanto ainda via a loucura nos olhos do mesmo. Seu corpo não conseguia se mover pelo medo que lhe dominava. A cada passo mais próximo, a jovem tentava reagir o quanto antes. Atrás de si, três facas cortaram os ares e adentraram uma na testa, uma no pescoço e outra no peito do bandido, que caiu em seguia, falecido. Lea ainda sentia o corpo tremer, mas o pânico, aos poucos, desaparecia.

- Lea! — o rapaz se aproximou nervoso e abaixou-se ao lado da garota. — Tudo bem?

- Tire... — pediu a jovem pressionando o ombro atingido, sentindo novamente a dor intensa. — Tire a bala do meu ombro.

Teobaldo atendeu ao pediu e pegou mais uma faca para fazer o possível para remover o projétil. Lea segurou-se e não gritou, mas gemia alto pela dor. Assim que a bala fora removida, a garota suspirou mais calma e a ferida foi se fechando. Lea massageou o local atingido e constatou que já havia se curado.

- Obrigada por detê-lo... Entrei em choque.

- Eu percebi... — o rapaz ajudou-a a se levantar e a garota agradeceu. — Mas paguei a minha dívida com isso. — ele recolheu suas facas para não deixar rastros do ocorrido e encarou o ombro da jovem. — Está tudo bem mesmo?

- Não se preocupe. — ela sorriu gentilmente. — Cura é meu poder especial. Não importa a profundidade ou a gravidade da doença ou ferimento, eu consigo curar sem problemas.

- É bom ouvir isso. — ele suspirou aliviado e voltava para ficar ao lado desta. A jovem viu-se novamente perdida enquanto encarava-o. Ela não podia negar que ainda estava desnorteada com a aparência do jovem e seu cheiro. Os cabelos tingidos de preto com mechas azuladas lhe caiam muito bem. — Algum problema? — o rapaz notara aquela atenção total da jovem sobre si e decidiu perguntar, pois isso o incomodava muito.

- Desculpa. — ela desviou o rosto levemente corado. — Você está muito bonito e seu perfume é muito bom. Nem o diabo te reconheceria agora.

- É essa a ideia... E por algum motivo ainda não consigo passar despercebido por você.

- Trabalhe um pouco mais e talvez consiga. — ela sorriu bobamente e isso deixou o rapaz feliz por dentro.

- E além disso, já sou bonito naturalmente. — a jovem riu e o rapaz deixou um sorriso escapar de seus lábios.

- Só quis dizer que o disfarce está magnífico.

- Vou voltar ao trabalho. — o rapaz deu um passo a frente e logo parou. A garota estranhou. — Vem comigo?

- Claro. — Lea se sentiu realizada e acompanhou o rapaz. — E quais são os nossos papeis desta vez?

- Sou Aidan, um diplomata de Giran e que está na cidade de passagem. — o rapaz ajeitou as roupas e inesperadamente puxou a jovem para mais perto de si, como se fosse sua namorada. A jovem corou violentamente, sendo impedida de andar mais afastada e obrigada a caminhar daquele modo. — Você é Lea, minha esposa.

- Sou um pouco nova para se casar, não acha? — a jovem perguntou timidamente, mas apreciando aquele contato, fazendo questão de gravar aquele momento em sua mente para o resto de sua vida.

- Não importa pra mim. — ele deu um sorriso e acariciou os longos cabelos verdes sutilmente. — É o disfarce mais que perfeito...

Lea sentiu a malícia naquelas palavras e inocentemente desejou que algum dia aqueles papeis se concretizassem algum dia.

E dali, se foram, desaparecendo noite a dentro.

Notas finais
Recomendo >>> Devil Would'n Recognize You: https://www.youtube.com/watch?v=zCAt7gvbZC8

Caros leitores de todas as idades. Gostaria que, humildemente, deixassem uma palavra a esta escritora que aqui vos escreve. Não é pedir muito um simplório Review para dar a luz que um escritor necessita.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!