Em um aeroporto. Está chovendo pesado. Várias pessoas estão no aeroporto olhando para uma pista, chocadas. Nessa pista, Karma e Hanako estão imóveis, chocadas com a situação. Noelle está caída, inconsciente, mas em uma poça de sangue misturado com água. Há alguns machucados pelo corpo dela e cristais vermelhos quebrados pelo chão.

Kuzuha também está no local. Ele está em pé, olhando para Noelle sério, também com alguns machucados pelo seu corpo. "…Considere isso um aviso. Não quero ver sua cara na minha frente nunca mais..." — O delinquente vai embora.

Horas antes. É o começo de uma tarde. O céu está escuro. Em um vagão de trem, com várias pessoas sentadas à mesa. Duas pessoas, vestindo sobretudos e chapéus pretos estão sentadas uma de costas para a outra. Cada um está com uma xícara em uma mesa. Um deles está com uma grande mala marrom.

A pessoa da maleta parece começar a murmurar para a outra pessoa atrás. "O que acha desta nublada tarde, Jill ?"

Jill, a outra pessoa, dá um gole na xícara e, logo em seguida, o responde. "Hah… O chá sim é algo lindo. Mas respondendo sua pergunta, Jack, adoro tardes assim. O céu negro promete uma refrescante chuva. E estamos em um dos trens mais seguros e belos do mundo, com uma paisagem estupenda. O que poderia ser melhor ?"

"Não acha a calmaria deste trem um pouco… suspeita ?" — Jack pergunta.

"Jack, Jack. Meu querido Jack. Vejo que minhas palavras não lhe chegaram aos ouvidos." — Jill diz. "Este trem é completamente seguro. Aqueles que ousarem o roubar, sofrerão uma horrível punição pela nossa lei."

"Acho que está certa. Não há como roubarem nossa carga, então ? Bom, não haveria modo de roubá-la de qualquer jeito, afinal, só eu possuo a senha." — Jack diz.

O trem entra em um túnel. O vagão se escurece.

"Ora, se não nos encontramos em uma bela e calma escuridão." — Jill diz.

Um homem no vagão se levanta e senta ao lado de Jack.

"A que devo está sua presença ilustre, bom homem ?" — Jack pergunta.

"Vamos direto ao ponto. Jack é seu nome, não ?" — O homem pergunta.

"Se bem me lembro, sim." — Jack diz.

O homem pega Jack, dá um mata leão nele e sussurra em seu ouvido. "Soube que você está com uma carga considerável de nanotecnologia. Se importaria em me mostrar ?"

"Ora, seu-" — Jack diz, sendo interrompido pelo homem.

"Shh. Mais uma palavra e meus homens matam sua esposa." — O homem diz.

O trem sai do túnel, se iluminando novamente. Vários homens estão segurando Jill, e outros apontado armas para elas.

"J-Jack !" — Jill diz, assustada.

"Jill ! Droga ! Caímos em uma armadilha !" — Jack diz, frustrado. "Tudo bem, eu lhes entrego o carregamento."

"Não, Jack ! Por favor, não faça isso !" — Jill diz.

"Jill, eu não posso arriscar sua vida. Não sei o que eu faria se te perdesse…" — Jack diz.

"Isso mesmo. Nos obedeça, se não quiser sua mulher morta-" — O homem diz, sendo interrompido por Jack.

"…é o que eu diria, se estivéssemos mesmo em perigo." — Jack diz.

"O quê-" — O homem diz, sendo interrompido quando Jack dá um chute na mesa, fazendo o chá em sua xícara cair no rosto dele. O homem solta Jack e começa a agonizar de dor. "Gah ! F-Filho da puta !"

"Eu te disse. 'Se bem me lembro, sou Jack.'" — Jack diz. "Bom…" — Ele tira o sobretudo e o chapéu. Na verdade, Jack é Kuzuha. "…infelizmente, minha memória não é uma das melhores." — O delinquente pega o chapéu e o põe na cabeça. "Até que fica bem em mim."

"Matem essa puta !" — O homem diz, furioso.

Os homens que estavam segurando Jill caem no chão, espumando pela boca.

"H-Homens !?" — O homem diz, surpreso.

"Meu querido Jack, acho que me esqueci de pegar leve." — Jill diz. Ela também tira o sobretudo e o chapéu. Jill, na verdade, é Karma. "Que povo fraco, hein. Bom, fiz minha parte. Minha remuneração deve ter menos dias agora."

Os dois vão embora.

"Se não vai ser tão fácil assim !" — O homem diz. Ele pega um barra de ferro no chão e corre na direção deles. "Isso vai ensinar vocês a não mexerem comigo, desgraçados !" — De repente, ele cai no chão e começa a espumar pela boca.

Uma cobra branca com olhos roxos e um chocalho dourado sai do homem, rasteja até Karma, e sobe pela perna até seu ombro. A Zenith faz carinho na cabeça do animal. "Bom trabalho~"

"Huh, esqueci que você faz isso." — Kuzuha diz. "Vejo ela por todo canto, lá no apartamento. Nunca perguntei o nome dela."

"O nome dela é Yoko Shimomura. Ela está comigo desde que eu nasci. Pode ficar tranquilo, ela não morde." — Karma diz. "…Sem eu mandar…"

Yoko sibila para Kuzuha, balançando sua longa língua azul de uma maneira amigável.

"…Ok..." — Kuzuha diz.

"Ela é bem especial para mim." — Karma diz.

Os dois vão para a cabine do maquinista. Alguns helicópteros aparecem e começam a sobrevoar o trem.

"Tch. Qual é o problema desses caras ?!" — Kuzuha pergunta, bravo.

"Eu gosto de homens persistentes, mas isso já é demais." — Karma diz.

Faíscas começam a sair do teto.

"Eh ?" — Kuzuha diz, confuso.

Em cima da cabine. Alguns homens estão cerrando o teto com uma serra elétrica. Atrás deles, há vários outros homens com armas em mãos.

"Quando eu der o sinal, vocês atiram pra matar !" — O chefe diz.

"Certo, chefe !" — Os homens dizem.

"…Três... Dois… Um…" — O chefe diz. Quando ele chega perto do buraco, um pilar de fogo sai dela, cobrindo completamente o corpo dele com chamas. O chefe começa a se debater de agonia e acaba caindo do trem.

"O-O quê !? Chefe ! Chefe ! O senhor está bem ?! Grr ! Esses desgraçados ! Eles vão se ver com a gente ! Não é, homens ?!" — O novo chefe diz.

"É ! — Os homens dizem.

Algo cai atrás deles.

"Mas o quê ?!" — O novo chefe diz, surpreso.

Kuzuha foi quem caiu atrás dos homens. "Vão querer fazer isso do jeito difícil ou do mais difícil ?"

Os homens correm na direção dele.

"Que bom que escolheram a resposta que eu queria ouvir." — Kuzuha diz. Ele corre na dos homens. "É melhor curtirem churrasco, porque é assim que vocês vão morrer !"

"Você fala muito, amigo !" — Um homem com um cano de ferro diz. Ele tenta bater na cabeça de Kuzuha, que se defende e pega a arma. "C-Como !?"

"Hah… Eu tava mesmo precisando de um aquecimento." — Kuzuha diz. Ele derrete o cano.

O homem cai de costas, assustado. "O-O que é você !? Um monstro !?"

"Pra vocês, eu sou um pesadelo." — Kuzuha diz.

Mais homens chegam perto dele. Um deles tenta cortar Kuzuha com uma espada, mas ele também a pega e se defende de outro homem que atirou nele pelo lado.

"Ah, qual é ! É só isso ?! Vocês não servem nem pra aquecimento !" — Kuzuha diz. Ele soca o homem que estava atirando nele, que sai voando, em chamas, e derruba outros homens. "Tão curtindo, né ? Não param de vir pra cima." — O delinquente cospe a rajada de chamas em um homem na frente dele, o queimando completamente. "Qual é ? Vocês não-" — Ele toma um soco nas costas, que o derruba no chão. "…Ugh… Anotaram a placa… ?"

Um homem extremamente musculoso o pega pela perna.

"Tu tá fudido, pivete de merda ! Nosso Juggernaut vai te arregaçar !" — Um homem diz.

O Juggernaut levanta Kuzuha e começa a batê-lo no chão com força.

O delinquente cospe sangue. "Ugh- Gah !"

O Juggernaut o levanta mais uma vez e se prepara para batê-lo no chão de novo.

Um homem chega com a maleta grande que estava ao lado do Kuzuha. "Peguei a maleta ! Ugh… É pesada pra caralho ! Deve ter coisa pra cacete aqui !"

"…N… Não... Não abre isso… !" — Kuzuha diz.

"Cala a boca, trouxa." — O homem diz. Ele abre a maleta. Uma forte ventania o joga para fora do trem.

"M-M-Mas o quê !?" — Outro homem diz, assustado.

Uma ventania sai da mala, jogando pessoas perto para fora.

"Heh, eu avisei." — Kuzuha diz, confiante.

A perna dele se enche de chamas. Kuzuha chuta o braço do Juggernaut, que acaba o soltando.

Hanako sai de dentro da mala. "Eu não sou pesada !"

"Mandou bem, filha." — Kuzuha diz.

O trem começa a andar mais rápido.

"Cuidem desses arrombados ! Eu vou na cabine do maquinista desacelerar o trem-" — Um homem careca diz, sendo interrompido quando um fio branco, quase transparente, com um pêndulo dourado se enrola na perna dele e o joga para fora do trem.

Karma sai da cabine do condutor com uma manivela em mãos e a joga fora. "Depois de ler o manual, eu percebi que era só usar um pouquinho de carinho, que a máquina me obedecia~♥"

"Porra ! O trem tá desgovernado ! Vamos vazar daqui !" — Um homem calvo diz.

"Pra isso, vocês vão ter que passar pela gente !" — Hanako diz.

Todo correm na direção uns dos outros.

Hanako se joga no chão, passando por debaixo das pernas de um homem. Ela se levanta rapidamente e empurra esse homem para a frente, fazendo ele cair em cima de outro. "Vocês que pediram por isso."

Alguns homens rodeiam Karma.

A Zenith solta um suspiro. "Mulher nenhuma gosta de homens apressados."

Um homem com um pé de cabra se aproxima dela e a ataca. A Zenith consegue desviar, amarra o fio no pescoço do homem e o puxa para perto. Outro homem atira nela, mas as balas acabam acertando o escudo humano de Karma. Ela pega um revólver e atira na mão do homem que atirou, desarmando ele. A Zenith roda o corpo do homem que está com ela, derrubando os outros em volta.

"É isso aí !" — Kuzuha diz. Ele pula para trás, desviando de um soco do Juggernaut. O delinquente revida, mas seu soco não causa nenhum efeito. "…Oh…"

O Juggernaut pega ele e o bate no chão. Kuzuha se recupera e segura os punhos do homem. O Juggernaut dá uma cabeçada nele, o jogando um pouco para trás. O nariz de Kuzuha começa a sangrar. Ele limpa o sangue. O Juggernaut corre na direção dele.

"…Minha vez..." — Kuzuha diz, sério. Ele enche seu punho com chamas e soca o Juggernaut, que se defende cruzando os braços e indo para trás com o impacto. O delinquente aparece na frente dele e tenta soca-lo, mas o homem junta suas mãos e soca a cabeça de dele. Kuzuha se apóia em suas mãos, cobre suas pernas com chamas e chuta a cabeça do Juggernaut, que cai no chão, inconsciente. "Mexeu com o cara errado, otário."

Todos os homens no local estão inconscientes.

"Tava demorando." — Kuzuha diz. "Arregaçou eles, filha."

"Obrigada, papai." — Hanako diz, sorrindo. "Foi mais difícil ficar escondida dentro daquela mala."

"Huh, essa sua filha é curiosa. Qual o Requiem dela mesmo ?" — Karma pergunta.

"Uh… Muito raro... ?" — Kuzuha diz, forçando um sorriso.

A Zenith da de ombros. "Faz sentido."

"Uh… Uma pergunta." — Hanako diz, preocupada. "Se nós estamos aqui, os passageiros do trem eram os inimigos e a alavanca de controle foi arrancada, como vamos parar ?"

Kuzuha respira fundo. "…Merda…"

O trem começa a descarrilar. Os três entram dentro dele.

"Se segurem em alguma coisa ! Essa vai deixar uma marca !" — Kuzuha diz.

Eles saem da rota e acabam caindo em um penhasco. Depois de muito rolar, o trem cai em uma pista de vôo. Há um avião na pista. As pessoas estão desesperadas. Kuzuha soca uma janela. O trio sai de dentro do trem, com poucos machucados pelo corpo.

"Ugh… Essa foi por pouco…" — Kuzuha diz, zonzo.

"Não me dou bem com altas velocidades…" — Karma diz, também zonza.

"Eu gosto de girar." — Hanako diz.

"Pelo menos, ALGUÉM gostou…" — Kuzuha diz. Ele põe sua cabeça dentro do trem e vomita.

A Zenith nota algo. "Eh… ?"

Há um pouco de fumaça saindo do trem. Algumas chamas começam a se alastrar.

"Eeekkk ! E-Essa coisa vai explodir !" — Karma diz, assustada.

"Mete o pé, rapaziada !" — Kuzuha diz, desesperado.

Eles começam a correr.

Kuzuha vê que Noelle está na pista de vôo, com uma mala em mãos. Ele alcança sua amiga. "Hah… Hah… L-Loira !? O que você tá fazendo aqui !?"

"Eu é que pergunto ! Quem foi que te disse que eu estava aqui ?! O que é AQUILO ?!" — Noelle pergunta, brava.

"Eu tava em uma missão, daí o trem caiu, e agora eu tô aqui." — Kuzuha diz.

O trem explode.

"…Vixe…" — Kuzuha diz, preocupado.

O Vizer dele começa a tocar.

"E-Eu não quero atender isso !" — Kuzuha diz.

"O que você aprontou dessa vez ?" — Noelle pergunta.

"Você vai ouvir..." — Kuzuha diz. Ele atende a ligação.

King é quem está o ligando. Ele parece desapontado. "Agente Joker..." — O líder solta um suspiro. "Por favor, me diga que as notícias que acabei de receber são falsas e a minha carga de materiais importantes NÃO explodiu…"

"Tá bom, eu não digo." — Kuzuha diz.

"Volte à sede imediatamente, precisamos conversar…" — King diz. Ele desliga.

O delinquente engole seco.

"Jura, Kuzuha ?" — Noelle diz, nem um pouco surpresa com a situação.

"Então... Eu peguei uma missão bem legal de escoltar uma carga MUITO importante de nanotecnologia e meio que eu obriguei a Hanako e a Karma a virem comigo, já que você não queria me responder." — Kuzuha diz. "Nós estávamos no trem, quando vários ladrões de carga apareceram do nada. Daí, enfrentamos eles, caímos em um penhasco, e estamos aqui. Agora, a carga explodiu e o King quer me comer vivo. Fim. Qual é a SUA explicação de estar aqui ?" — Ele nota a mala. "Você tá indo visitar seu pai ? Tá ruim de novo ?"

A jovem força um sorriso. "I-Isso. É isso aí."

"Mentira... Se fosse verdade, a empregada ia estar aqui também." — Kuzuha diz, suspeitando de sua amiga. "Você mentiu pra ela também, né ? Loira, o que tá fazendo ?"

"Eu…" — Noelle diz, hesitante. Ela respira fundo e junta coragem. "Eu estou voltando para a França. Para sempre."

Começa a pingar. Em segundos, uma fore chuva começa.

O delinquente está em choque, sem saber o que fazer. "O quê ?"

"Madeleine arranjou um casamento para mim, daqui um mês, e eu estou sendo forçada a voltar." — Noelle diz, triste.

"M-Mas você é menor de idade…" — Kuzuha diz.

"E você acha que isso impede aquela mulher de fazer o que ela quiser ?" — Noelle pergunta. "Acredite em mim, eu sou a primeira pessoa a ir contra. Mas não tem o que fazer."

"M-Mas… Mas…" — Kuzuha diz, não conseguindo mais achar palavras.

Noelle abraça ele. "Desculpa, mas é assim que as coisas têm de ser. Eu queria poder ficar mais aqui, passar mais tempo com todo mundo, mas, infelizmente, não sou a dona da minha própria vida."

O delinquente abraça sua amiga de volta. "Não... Eu que peço desculpas por não poder fazer nada pra te ajudar."

"Não que tenha muito o que fazer." — Noelle diz.

Eles se soltam.

"Então... É um adeus ?" — Kuzuha pergunta.

"Vou tentar ao máximo manter contato com vocês." — Noelle diz.

"Eu vou ficar esperando, hein." — Kuzuha diz.

"É..." — Noelle diz.

Silêncio toma o local. Só o barulho da chuva pode ser ouvido.

"Melhor entrar, né ? A chuva tá bem pesada." — Kuzuha diz. Ele tenta ir embora, mas Noelle o impede, segurando sua mão. "O que foi ?"

"Eu estou cansada de máscaras e mentiras. Essa pode ser a última que nos encontramos, então preciso saber da verdade." — Noelle diz. Ela respira fundo. "Foi realmente você que matou a Satsuki ?"

O delinquente fica sério.

"Meses atrás, Rinko me contou que um acidente aconteceu e ela nunca mais foi vista, como se tivesse desaparecido do mundo, e que você foi a última pessoa que estava com ela." — Noelle diz. "Desde então, eu venho fazendo uma investigação própria, juntando informações de pessoas que conheciam ela, da Rinko e qualquer coisa, mas nada leva a nada. A única conexão forte com ela é você. Mas é óbvio que você não fez isso. Você não mataria sua melhor amiga à sangue frio e sumiria com o copo dela. Vocês eram inseparáveis, e crianças. Só que também é óbvio que você sabe de alguma coisa e não quer contar. Então, eu tenho uma teoria: na verdade, você não matou ela, foi o Draugr. E você sente culpa."

Kuzuha continua em silêncio.

"Fala que eu tô certa…" — Noelle diz. O silêncio de seu amigo só faz o nervosismo dela aumentar. "Anda ! Fala que eu tô certa !"

O delinquente solta um suspiro. "Pra alguém com um cérebro grande, você pensa pouco."

"Eh… ?" — Noelle diz, confusa.

Kuzuha tira seu tapa olho. "Essa é a primeira vez que eu vou dizer isso. Esse cara aqui não tem nada haver com essa história. Não tem nenhuma história complicada, ou criatura mística. O único monstro sou eu. Eles não tão errados. Eu fui a última pessoa que viu a Satsuki. Não porque ficava perto dela o tempo inteiro, mas sim porque foi eu quem matou ela. Feliz ? Você não presta pra ser detetive. O culpado tá na sua cara, e você fica procurando em outro lugar."

A jovem fica chocada. "…Não..."

"Tá com essa cara por quê ? Não era isso que você queria ouvir ? Quem procura, acha." — Kuzuha diz. "Anda, vai lá. Fala pra polícia, pro exército, pro governo. Até pro Papa, se quiser. Não vai fazer diferença nenhuma." — Ele vai embora. "E não precisa se preocupar em mandar mensagem. Seu número tá bloqueado." — O delinquente tira seu Vizer e joga fora. "E eu tô fora desse seu time."

Noelle fecha seus punhos, frustrada. "…Chega disso…" — Ela cria uma parede de cristais na frente de Kuzuha, o impedindo de prosseguir, e caminha até ele. "Eu já estou cheia disso ! O que me deixa mais brava não é você mentir para mim, mas sim, para si mesmo ! Não tá vendo que isso machuca mais você do que tudo ? Quer você queira ou não, vou arrancar algumas respostas."

"Acha que manda em mim ? Não consegue nem dizer um não pra uma mulher." — Kuzuha diz, ridicularizando a jovem. "Essa coisa na sua nuca nem é de verdade. Sem isso, você é só um vegetal inútil. Anda. Pode voltar correndo pra sua-"

De repente, Noelle soca o rosto dele tão forte, que o delinquente é jogado para trás violentamente, quebrando a parede de cristais. Hanako e Karma se aproximam dela.

"Por que tá batendo no papai ?!" — Hanako pergunta, brava.

"Ficou maluca !?" — Karma pergunta, surpresa.

"Não se intrometam." — Noelle diz, séria. Ela prende as duas em um cubo de cristal.

"O-O que é isso !? Tira a gente daqui, agora, sua maníaca !" — Karma diz, brava.

Hanako joga uma esfera de vento no cubo, mas nada acontece. "Papai ! Sua amiga ficou maluca !"

Kuzuha se levanta e limpa um pouco de sangue em sua boca. Ele se joga para o lado. Um cristal cai, onde ele estava. "É assim, que vai ser, huh."

"Se o único jeito de te convencer a sentar e conversar comigo é quebrando a sua cara, então que seja." — Noelle diz. Ela cria um cristal e o usa como espada.

O delinquente tira o cristal que quase o atingiu do chão e também o usa como espada. Os dois correm um na direção do outro. Quando chegam perto, eles colidem os cristais, jogando estilhaços para os lados com o impacto.

"Tem certeza de que consegue fazer algum coisa com esse pedaço de lixo falso na sua nuca ?" — Kuzuha pergunta, irritando sua amiga.

"É o suficiente para fazer você calar a boca." — Noelle diz. Ela empurra Kuzuha para trás com sua espada. A jovem cria vários cristais pequenos e joga nele.

O delinquente gira o cristal em suas mãos, destruindo os estilhaços em pequenos cacos. Noelle fecha seu punho. Os cacos de cristal no chão começam flutuar e rodar em volta de Kuzuha, o cortando. Ele soca o chão, criando uma cortina de chamas que destrói os cristais. O delinquente cobre seu punho com chamas e corre na direção de Noelle, que cobre seus braços com cristais e faz o mesmo. Quando os dois se aproximam, Kuzuha soca a jovem, que se defende com seus braços. O soco causa uma forte explosão que a joga para trás e faz com que ela bata no cubo de cristal com as garotas.

Os cristais nos braços dela se quebram. "Ugh ! Droga…"

"Você escolheu isso, Vermillion. Arque com as consequências." — Kuzuha diz.

"Eu não vou desistir de você tão fácil assim !" — Noelle diz. Ela cobre os braços com cristais novamente.

O delinquente solta um suspiro. "Odeio essa sua persistência." — Ele cobre os braços com chamas.

Os dois correm na direção do outro. Eles colidem seus punhos. Na colisão, várias chamas jogam Noelle para trás e quebram os cristais em seus braços. Os cacos de cristal acertam Kuzuha e o jogam para trás.

A jovem se levanta, ofegante, e cobre seus braços com cristais novamente. Dessa vez, com menos. "…Hah… Hah… Não posso deixar ele saber que estou quase no meu limite…"

Os dois correm na direção um do outro novamente. Chegando perto, Noelle tenta acertar Kuzuha, que desvia e soca o peito dela.

"Eu avisei que você arcaria com as consequências." — Kuzuha sussurra no ouvido da sua inimiga.

"Gah… ! N… Não..." — Noelle diz.

"Eh ?" — Kuzuha diz, confuso.

Noelle pega a mão dele e o joga no chão com força.

"Ugh ! Então, você ainda tem forças ?" — Kuzuha pergunta.

A jovem cria uma marreta grande com os cristais e a pega. Ela bate a marreta em Kuzuha.

O delinquente cospe sangue. "Ugh- Gah !"

"…Você..." — Noelle diz. Ela bate a marreta de novo. "…vai…" — A jovem bate mais uma vez. "…me-"

Kuzuha cospe uma rajada de chamas na marreta, a quebrando. A rajada também acerta a jovem de raspão. Uma rachadura aparece no cubo de cristal que ela criou.

"Aquilo é maluquice ! Desse jeito, aqueles dois idiotas vão se matar !" — Karma diz, preocupada.

"Eu tentei o máximo possível, mas não consegui quebrar isso." — Hanako diz.

"Yoko não achou nenhuma fresta, também." — Karma diz. Ela solta um suspiro. "Vamos ter que esperar um milagre acontecer, ou um assassinato..."

"Você é patética." — Kuzuha diz. Ele dá uma joelhada na barriga de Noelle.

"Ugh !" — Noelle diz, em dor.

Mais uma rachadura aparece no cubo.

"…Eu… preciso… aguentar… mais… um pouco…" — Noelle pensa, fraca. Ela cobre a testa com cristais e dá uma cabeçada em Kuzuha, que vai para trás. Ele cospe outra rajada de chamas.

Noelle cria uma parede de cristais, se defendendo. Ela começa a fraquejar. "…N… Não dá... mais..." — A jovem quebra a parede e joga os pedaços em Kuzuha.

Alguns pedaços de cristal acertam os braços e pernas do delinquente, que acaba caindo no chão. "Gah !"

A jovem começa a andar com dificuldades na direção dele. Quando chega perto, ela cria um pedaço de cristal e aponta para o peito do delinquente.

Kuzuha sorri. "…Ha…"

"Eh… ?" — Noelle diz, confusa.

O delinquente começa a rir maniacamente. "…Aha… Ahahaha !"

"Do que… você está rindo… ?!" — Noelle pergunta, brava.

"De você." — Kuzuha diz. "Achei que fosse mais forte do que isso." — Ele se levanta vagarosamente.

A jovem acaba hesitando. Kuzuha pega ela pela garganta e a levanta. "Ugh !"

"O que foi ? Cadê seu sorrisinho irritante ? Cadê o papo de amizade ?" — Kuzuha pergunta, irritando sua inimiga. Ele afunda a cabeça de Noelle no chão e a levanta novamente. "Quer enfrentar sua mãe assim ? Você sequer tem forças pra ganhar de mim. Não sei o que você queria fazer na França, garota inútil. Você é fraca..." — O delinquente bate a cabeça de sua inimiga no chão novamente. "…nasceu fraca…" — De novo. "…cresceu fraca…" — Mais uma vez. "…e vai continuar sendo fraca." — Kuzuha bate a cabeça de Noelle no chão novamente. Há sangue espalhado em suas mãos e espalhado pelo asfalto molhado. "Na verdade, de todas desse seu timinho de 'guardiões da paz', VOCÊ é o peso morto. Por que não faz um favor e morre logo de uma vez ?" — O delinquente começa a apertar mais a garganta dela.

"…Eu… Minha… respiração... Preciso… fazer… alguma… coisa…" — Noelle pensa, em agonia. Ela pega o braço de Kuzuha com dificuldade e começa a tentar tirá-lo de sua garganta. Mas, já sem forças, ela o solta.

"Últimas palavras, loira ?" — Kuzuha pergunta. Ele cobre seu outro punho com chamas.

"…Não..." — Noelle diz.

"Ótimo." — Kuzuha diz.

"…Eu… não… vou… deixar… você... agir… assim…" — Noelle diz. Ela põe as mãos no braço dele.

"Desista logo. Você sabe que não consegue ganhar." — Kuzuha diz.

"…Eu não… preciso ganhar…" — Noelle diz. Com dificuldades, ela mexe um pequeno cristal no chão e finca ele no braço de Kuzuha, que acaba soltando ela. A jovem recupera seu fôlego. "Hah.. Hah… Consigo respirar agora..."

"Ugh ! Merda !" — Kuzuha diz, bravo. Ele tira o cristal e o quebra em sua mão. O delinquente tenta socar sua inimiga, mas ela desvia e o joga para trás com um ataque.

"Eu vou ter de usar aquela AQUILO, ou não tenho chances de ganhar..." — Noelle pensa.

"Por que você não morre logo de uma vez ?!" — Kuzuha pergunta, bravo.

"Porque eu não desisti de você. E nunca vou. Não importa o quanto você se negue seus sentimentos, ou esconda suas emoções, eu NÃO VOU desistir de você." — Noelle diz. "E é por isso que você não me dá mais opções." — A jovem respira fundo, meio hesitante. "…Ativar Nemesis…" — Imediatamente, ela põe uma mão em seu peito e outra em sua cabeça, como se sentisse uma dor agonizante. O chão em volta dela começa a se cristalizar. "Configuração: Empunhadura Dupla !" — Duas espadas de cristal se formam nas mãos dela.

"Acha que eu fiquei com medo só porque você conseguiu uma habilidade nova ?! Eu tenho o Draugr." — Kuzuha diz. Ele cobre seus punhos com chamas.

Os dois correm na direção um do outro.

Kuzuha tenta socar Noelle, mas ela se defende com as duas espadas. "Ugh ! Essas merdas de cristais ficaram mais fortes ?!"

A jovem bate suas duas espada em Kuzuha e o mesmo se defende com os braços.

O delinquente é jogado para trás. "Não são só os cristais, ela também ficou mais forte."

"Essa forma… Nemesis… Isso é uma das vantagens da minha Singularidade. Minha habilidade de manusear os cristais, eu e eles próprios ficamos mais fortes." — Noelle diz. "Mas como todo poder, ele tem uma parte ruim: Quanto mais tempo eu fico com isso ativado, mais células Requiem meu corpo vai perdendo, até que minhas habilidades e meus órgãos têm uma parada total. Resumindo…"

"O-O quê !?" — Kuzuha diz, surpreso.

"…esse é meu botão de autodestruição." — Noelle diz.

"Por que ativar isso agora ?!" — Kuzuha pergunta.

"No começo, eu pensei que nunca precisaria disso, já que eu tinha amigos fortes ao meu lado, e isso inclui você ! Mas na situação que me encontro, não tenho mais opções." — Noelle diz. Ela corre na direção de Kuzuha.

"Se é assim, então, eu vou acabar com você o mais rápido possível !" — Kuzuha diz.

Noelle o alcança. Ela bate os cristais em Kuzuha, que os segura.

"Tch ! Só um idiota pra ter uma habilidade dessas !" — Kuzuha diz. Ele força, até que consegue fazer sua inimiga fraquejar, e soca as espadas, criando algumas rachaduras nelas.

"Ugh ! O problema é que eu tô usando esse poder já fraca. Mesmo assim, não vou desistir !" — Noelle pensa, se recompondo. Ela finca as espadas no chão, pega um dos braços de Kuzuha e cobre uma de suas pernas com cristais. A jovem dá uma joelhada na cabeça de Kuzuha.

O nariz dele começa a sangrar. "Chega." — Ele joga as espadas de cristal para cima. O delinquente tenta socar Noelle, que se abaixa e soca o peito dele. "Ugh !"

As espadas de cristal caem no chão. Kuzuha consegue socar sua inimiga, a afastando delas. Ele às pega e corre na direção dela. Quando chega perto, Kuzuha bate os cristais em Noelle, que consegue desviar.

"Eu não seria idiota de deixar você usar minhas armas contra mim." — Noelle diz.

As espadas criam espinhos. Furando e rasgando as mãos de Kuzuha. "Gah !" — Ele larga as espadas. "Ugh ! Poder desgraçado…" — Ele pega a perna de Noelle e começa a rodá-la no ar.

"Me solta !" — Noelle diz.

"Não." — Kuzuha diz. Ele começa a apertar a perna da jovem.

"Ugh !" — Noelle diz, em agonia.

Os cristais na perna dela se quebram. Kuzuha bate sua inimiga no chão com força várias vezes.

"Isso vai te ensinar uma lição." — Kuzuha diz. Ele a joga no chão e dá um soco no peito de Noelle, que cria uma explosão de chamas que a afunda no chão. "Hah… Hah…"

"…Eu…" — Noelle diz, extremamente fraca. Ela tenta levantar as mãos, mas as deixa cair. "…Ugh…"

O cubo de cristal e as espadas se quebram.

"Essa não..." — Hanako diz, preocupada.

"Eu… Whoa… Essa é a primeira vez que fico sem palavras." — Karma diz. "Não sei o que fazer…"

"…Eu te avisei…" — Kuzuha diz, sério. "Considere isso um aviso. Não quero ver sua cara na minha frente nunca mais." — Ele põe seu tapa olho e vai embora.

O vendo ir embora, Noelle levanta seu braço. "…Ku… zu… ha..." — Sem forças, a jovem desmaia.