Notas iniciais
Eu sei que falei que ia ser o último, mas ia ficar tão grande que eu decidi separar :)

Noelle está sentada em seu quarto. As janelas estão fechadas, tampadas com as cortinas, e as portas trancadas. "Eu tranquei as janelas, as portas, tampei tudo, mandei a Excalibur comprar uma coisa. Agora que tô sozinha, posso ver o que tem nessa tal fita." — Ela pega a fita cassete e a põe em um toca-fitas. A jovem engole seco. "T-Tout ce que Dieu veut..." — Ela liga.


Um vídeo começa a tocar.


Madeleine aparece nele. "Bem-vindos ao meu mais novo show: 'Como Esquartejar Uma Pessoa Da Maneira Mais Horrível Possível' !"


Um corpo aparece em uma maca. Noelle se assusta e pega o controle para desligar.


"Pfftt ! Ahahaha ! Cara, eu tenho certeza de que você se assustou ! Seja lá quem você for, é bem assustadinho, hein." — Madeleine diz.


"Eh... ? Por que ela tá… ?" — Noelle murmura, confusa com as ações da mulher.


"Olá. Eu sou a doutora Madeleine Vermillion-" — Madeleine diz, sendo interrompida por uma outra voz feminina.


A mulher solta um suspiro. "Vermillion. O que você está fazendo ?"


"Nem pensa em cortar o meu barato ! Eu tô fazendo os registros do nosso experimento." — Madeleine retruca.


Uma mulher de cabelo curto preto, com uma mecha branca quase cobrindo seu olho direito, olho esquerdo castanho, com uma pinta debaixo dele, usando um tapa olho preto com dentes de tubarão laranjas nele no olho direito, vestindo uma camiseta laranja, com um jaleco com as mangas puxadas para trás jogado nos ombros, calça jeans, usando três cintos, um preto, um vermelho e um branco, e sapatos pretos aparece na filmagem. "Sendo assim… Fala aí, galerinha ! Eu sou a Lilyum-"


Madeleine empurra ela. "Eu sou a estrela desse show ! Humpf !"


"Tá bom... Tá bom… Eu vou voltar a fazer uma coisa que REALMENTE importa." — Lilyum diz. Ela vai embora.


Madeleine se lembra de algo. "Verdade ! Resumindo bastante." — Ela limpa sua garganta. "Olá ! Eu sou a doutora Madeleine Vermillion. Sou uma cientista do projeto Requiem. Bom, decidimos chamar assim por causa da oração aos mortos que as igrejas faziam. Mas por que oração aos mortos, você se pergunta ? Simples…" — A mulher pega a câmera e aponta para uma criatura parecida com uma tartaruga, com seu corpo completamente feito de pedras e lava, dois olhos amarelos penetrantes e ameaçadores, e com dois vulcões em seu casco. "Me fala que isso não é incrível ! Ele é uma, uh… Como é que você chamou isso mesmo, Lily ?"


"Primal Beast !" — Lilyum fala, distante.


"Isso ! Essa coisa aí que a Lily falou. Bom, Primal Beasts são criaturas de outra dimensão. Maneiro, né ? Pois é. Eu mal posso esperar pra descobrir mais sobre esse carinha. Essa Primal Beast aqui foi encontrada dormindo, debaixo de uma área vulcânica no Havaí." — Madeleine diz. "Ah, claro ! A gangue toda tá aqui. O Simon também. Ele é bem rabugento e mandão, mas é uma pessoa boa, no fundo. Beeem no fundo. Ahahaha ! Bom, eu tenho que voltar ao trabalho. Tchau~❤️"


Noelle está em choque. Ela não faz ideia de como processar essas informações. "O que... O que é isso ? Ela parece tão… feliz."


Outra gravação começa.


"Segunda entrada do meu diário. Woah ! Eu sempre quis dizer isso !" — Madeleine diz, super animada. Ela limpa sua garganta. "Alguns dias se passaram, desde a primeira vez que eu gravei. Fizemos mais uma descoberta revolucionária. Estudando mais um pouco sobre esse carinha, descobrimos que ele possui um tipo de DNA totalmente diferente do que conhecemos. Eu não falo isso porque ele é um monstro gigante. É porque ele é, na verdade, um pequeno ecossistema. Esse cara não é uma criatura com uma carapaça de pedra e lava. Ele LITERALMENTE é um vulcão andante ! Uma pedra com vida ! Uma placa tectônica ambulante ! Não existe carne ali, só rocha e lava. Dá pra acreditar no quão louco isso é ?"


"Eles não sabiam sobre as criaturas de Azeroth..." — Noelle pensa.


"Precisamos estudar mais sobre essa coisa. Eu não tenho muito mais o que falar. Quando descobrir mais, com certeza vou gravar ! Tchauzinho~❤️" — Madeleine se despede.


Mais uma gravação começa.


Madeleine está com seu cabelo bagunçado e uma aparência cansada. "Terceira entrada do meu diário. Vocês não vão acreditar nisso ! A-Aquela coisa acordou e abriu um portal ! Claro, como bons cientistas, nós seguimos ela. Quando saímos, estávamos em um mundo totalmente diferente. Tudo bem, eu disse que aquilo era de outra dimensão. Mas era só brincadeira ! Não achei que fosse de outro lugar mesmo ! Enfim, conseguimos voltar para cá, sãos e salvos. A coisa mais estranha é que…" — Ela aponta a câmera para a criatura. "…ele voltou com a gente. Eu sei ! Esquisito, né ? Acho que estava tentando mostrar alguma coisa pra gente... Vou ver o que descubro. Tchau-"


Outra gravação começa, por cima dessa.


"Droga ! Acho que comecei a gravar por cima da outra !" — Madeleine diz.


"Não tem problema. Seja lá o que você disse aí, tenho certeza que tem em algum papel." — Lilyum diz.


"Eu não sou tão previsível assim, Lily !" — Madeleine reclama.


"Sim, você é." — Lilyum diz.


"Não sou !" — Madeleine reclama novamente.


As duas começam a discutir como duas crianças.


A voz de um homem solta um suspiro, interrompendo ela. "Mantenham o profissionalismo, vocês duas…"


Um homem de cabelo preto bagunçado, olhos também pretos, pele escura, vestindo um sweater de lã cinza, um jaleco, calças jeans, sapatos marrons e usando óculos aparece.


"Você viu que foi ela quem começou, Simon !" — Madeleine diz.


"Não ! Foi ela !" — Lilyum diz.


Simon solta um suspiro, não parando de trabalhar. "Vocês são adultas. Comportem-se como tal."


"Você é chato ! Humpf !" — Madeleine cruza seus braços, fazendo birra.


"Lilyum. Vá ajudar Ito a pegar mais amostras. Madeleine. Desligue essa câmera e vá ajudar Maria e Tatsuro a examinar as amostras que já coletamos. Eu e Jacques vamos estudar as células que conseguirmos." — Simon diz.


"M-Mas eu que queria estudar as células com o Jacquezinho !" — Madeleine diz.


A gravação para.


"Lilyum... Ito... Que esquisito... Eu tenho certeza que já ouvi alguns desses nomes antes..." — Noelle murmura, pensativa.


Outra gravação começa.


"Quinta entrada do meu diário. Nós conseguimos um portal que não se fecha. Depois de entrarmos nele várias vezes, nós nos acostumamos com o ar daquela dimensão. Não vou mentir, é muito melhor que o ar daqui. Isso se deve ao fato de que não há carros que poluem a atmosfera." — Madeleine diz. "Existem várias formas de vida curiosas lá. Algumas hostis, outras pacíficas. Ainda não confirmamos vida inteligente, mas definitivamente achamos sinais de alguma espécie de civilização. Precisamos de um nome para aquela dimensão..."


"Pra que se preocupar tanto com isso ? É simples. É só chamar Azeroth, ou sei lá." — Lilyum diz.


A gravação para. Outra começa rapidamente.


"Sexta entrada do meu diário. Enquanto explorávamos Azeroth, nós achamos ruínas ainda maiores do que parece ter sido uma antiga civilização. Também achamos uma biblioteca. Ela estava quase intacta. Tinham muitos livros esquisitos lá, todos com escritas ilegíveis." — Madeleine diz. "Eu falei para os outros que aquilo poderia ser importante, mas eles disseram que não, e ignoraram o local. Sei que não deveria fazer isso, mas eu vou voltar lá... Alguma coisa me diz que aquela biblioteca é mais especial…"


A gravação termina.


"Até agora são coisas 'normais'. Eu não entendo o que tem de tão importante nessa fita." — Noelle diz.


Outra gravação começa.


Madeleine está ofegante e com um corte em seu braço, sangrando. Ela parece preocupada. "T-Tinha alguma coisa lá ! Uma coisa esquisita ! Eu não vi direito o que era. Senti que alguma coisa estava atrás de mim e me virei, mas não tinha nada. De repente, fui atacada. E-Eu não consegui ver o que me atacou ! Preciso estancar esse sangue..."


Outra gravação começa.


Madeleine está com olheiras. "Isso… tá ligado ? Ah, tá. Então-" — Ela boceja. "…Vigésima quarta entrada... Vigésima quarta... ? Eu não consigo mais dormir. Ando tendo muita insônia. Simon me disse que é pelo trabalho. Ele disse para eu tirar uma semana de folga. Bom, eu realmente venho me dedicando muito. Sabe, o plano do projeto Requiem é achar uma forma de usar aquela criatura, aquela dimensão, para beneficiar a humanidade. O problema é que acabamos descobrindo muito… mais..." — Ela dorme.


"Ela tá horrível..." — Noelle diz.


"…N… Não..." — Madeleine murmura. "…Não... chegue perto…"


"Tá tudo legal com você-" — Lilyum diz, sendo interrompida quando encosta em Madeleine e a mulher a empurra para trás, desesperada.


A câmera acaba caindo.


"NÃO ENCOSTE EM MIM !" — Madeleine berra desesperadamente, como se estivesse prestes a ser assassinada.


Noelle se encolhe por força do hábito. Ela limpa sua garganta. "É-É só uma gravação… Calma..."


Outra gravação começa.


Madeleine está com mais olheiras ainda, e seu cabelo está bagunçado. Ela mal consegue deixar seus olhos abertos e se manter sentada direito na cadeira. "...Entrada sei lá... Faz um ano, desde a última vez em que gravei algo aqui... Nossos estudos não estão indo bem… Desde que Simon decidiu sair do time de pesquisas, as coisas ficaram mais lentas. Aparentemente, a afilhada dele está muito doente, então ele vai se focar em tomar conta dela." — Ela fica com uma expressão mais amargurada, como se tivesse sido traída. "Homem idiota. Por que uma criança é mais importante que um experimento ? Ele deveria ser mais como a Lily. Ela também está grávida, mas continua fazendo a pesquisa." — A mulher limpa sua garganta. "Nós estamos namorando, a propósito. Eu... Eu ouvi uma voz nos meus sonhos. Primeiro, eu achei que fosse uma aberração, um pesadelo. Mas, só por curiosidade, comecei a ouvir ela. E não é que deu certo ? Ela me ajudou a conquistar o Jacquezinho, e agora estamos namorando. Talvez essa 'divindade' não seja tão ruim assim... Eu... Eu sempre quis ser mãe. Ter uma criança para chamar de minha, segurar nos meus braços, fazer carinho nela, ensinar sobre a vida, encher de amor. Mas eu nunca tive coragem de dizer isso para o Jacques. Será... Será que a divindade me ajuda com isso também ?"


"Qualquer um ia preferir cometer suicídio do que ter você como madrinha !" — Noelle diz, brava.


Outra gravação começa.


Madeleine está ofegante e com um olhar desesperado de alguém que está sendo caçado. "…Eles… Eles estão por toda parte… Os sussurros da divindade não param… Eu não sei se vou conseguir aguentar… N… Nidhogg... ! Gah-"


A gravação para repentinamente.


Um arrepio corre pelo corpo da jovem. "I-Isso já tá ficando macabro. Melhor eu desligar..."


Outra gravação começa.


Madeleine parece uma maníaca. "Eu voltei na biblioteca ! Você não vai acreditar no que descobri ! Existem livros legíveis ! Eu disse que eram legíveis ! Eles falam sobre uma criatura suprema, que alcançou o paraíso, o rei de todas elas. Seu nome é Yggdrasil. Também haviam alguma coisas chamadas Raiz de Yggdrasil. São criaturas geradas a partir do corpo dele, como células. Elas possuem uma quantidade de poder extrema, pelo que dizem os livros. Ao todo, são cinco: Pon, Rook, Knight, Bishop e Queen, como as peças do xadrez. Assim como o xadrez, também há um King. Ele é Yggdrasil, o rei de todas as criaturas."


"Então é realmente verdade… Foi ela quem descobriu sobre as Bestas do Caos." — Noelle diz.


"Quando eu voltei, fui correndo contar para Lily o que eu descobri. Até levei o livro comigo. Mas, quando cheguei lá e contei tudo, ela só começou a rir, e me disse que eu fiquei maluca. Eu, maluca ?! Eu nunca ficaria maluca ! Ela me disse que não havia nada escrito lá ! Espera aí…" — Madeleine pega um livro velho e o aponta para a câmera. Ele está cheio de escritas completamente ilegíveis. "Viu ? Dá pra ler perfeitamente ! Ahahaha !"


Outra gravação começa.


Madeleine está chorando. "Eu preciso de ajuda, por favor ! Você que está vendo isso ! Você precisa me parar ! Não ! Pare Nidhogg ! A coisa que me atacou fez isso comigo ! Ela se infiltrou no meu corpo ! Eu preciso que você me mate, por favor ! Eu imploro ! Não aguento mais essa dor ! Ela só estava me manipulando ! Tudo de bom que fez na minha vida foi só para eu abaixar minha guarda ! Por favor, não me deixe machucar ninguém ! Me mate !" — Um pouco de gosma preta começa a escorrer da pele dela. "Espere ! O que você vai fazer-"


Noelle não sabe o que dizer. Ela está boquiaberta e aterrorizada. "Tudo… Tudo isso é culpa de uma criatura, não dela… ?"


Outra gravação começa.


"Grr ! Aquela maldita Lilyum ! Ela abandonou as pesquisas porque sua maldita criança estava nascendo ! Mas que droga !" — Madeleine reclama. Ela joga alguns vidros no chão. "Será que ninguém percebe o quão importante isso é para mim ?! Não... É isso… Isso é um plano deles… Os dois pararam com os experimentos e as explorações de propósito para pegarem o crédito ! Grr ! Como pude ser tão cega ?! Isso não vai ficar assim ! Eu vou ter minha vingança !"


Outra gravação começa.


"Olá, minha querida pessoa desconhecida~ Alguns anos se passaram, desde nosso último encontro. Como pode ver, eu não envelheci um segundo. Devo tudo isso ao sangue da D.E.V.I.L que me atacou, Nidhogg. Graças a isso, eu não envelheço mais. Também fiquei extremamente forte, resistente, regeneração e possuo a capacidade de absorver poder e convertê-lo em força própria. Sou uma deusa além do alcance de qualquer outra coisa !" — Madeleine diz.


"E-Então isso significa que o Kuzuha não matou ela, naquele dia !? Merde ! Putain ! Essa mulher ainda tá solta por aí !" — Noelle diz, preocupada.


"…Ou melhor dizendo... Ainda há uma coisa. Lilyum." — Madeleine diz.


"Eh ? A outra cientista ?" — Noelle diz, confusa.


"Aquela desgraçada sabia de tudo ! Ela era uma Raiz de Yggdrasil esse tempo todo ! Eu fui muito cega, para não perceber ! Mas isso não importa. Hoje, meu plano de vingança entrará em ação." — Madeleine diz. Ela aponta a câmera para Magdra, a Besta Ancestral que acharam no começo. "Eu estudei tudo sobre ele, e descobri que posso controlá-lo facilmente, apenas com uma pequena Singularidade modificada pessoalmente."


"Singularidade das Trevas..." — Noelle murmura.


"Hoje… Hah… Hoje será o dia mais belo de toda a história desse planeta. O dia em que aquela traidora morrerá." — Madeleine diz.


Outra gravação começa.


"Finalmente consegui ! Acabei de voltar do funeral daquela vadia. Todos estavam chorando, inclusive aquele maldito Simon. Ele é o próximo na minha lista. Ele e aquela maldita filha, Satsuki." — Madeleine diz.


"I-Isso é só uma coincidência... Não é possível que ela esteja falando da mesma... Não... É só uma coincidência…" — Noelle diz, chocada.


"Vou fazer todos pagarem ! Aquela explosão foi apenas o começo. Tudo que preciso fazer agora é descobrir quem é a criança de Lilyum, e torturá-la. Torturá-la, assim como sua mãe fez comigo." — Madeleine diz.


"Essa mulher- Não. Essa COISA é psicopata ! Chega disso. Preciso contar aos outros, antes que alguma coisa aconteça-" — Noelle diz, sendo interrompida por outra gravação.


"Olá, pessoa que ainda vou conhecer~ Olha que presente magnífico tenho para seus olhos." — Madeleine diz, animada. Ela aponta a câmera para Satsuki, que está inconsciente. "Ela estava prestes a morrer para Magdra, mas... que graça teria matar ela agora ? Não... Uma morte rápida não me satisfaz. É por isso que vou dar uma nova vida para ela. Uma vida onde a verei sofrer aos poucos. Destruirei tudo que ela gosta. Tudo que preciso fazer é mudar o rosto dela. Como ainda é uma criança, suas memórias ainda não são firmes. Isso significa que não preciso me preocupar com o passado dela."


"Isso significa que…" — Noelle diz.


"Eu temo que essa seja a última vez que nos falamos, cara pessoa. Mas eu prometo te encontrar em pessoa. Adeus… Esse, minha odiada Satsuki, será seu novo aniversário. O começo do seu inferno." — Madeleine começa a cantarolar "Parabéns Para Você" de uma maneira feliz e animada, enquanto desfigura completamente, e possivelmente dolorosamente, o corpo da garotinha.


A fita é ejetada.


"…Satsuki ainda está viva..." — A jovem termina.


Na sede da Devil Slayer. Kuzuha está na sala do King, junto de Yasumi.


"E é isso." — King diz.


"Eu... Eu não sei o que dizer... Droga..." — Kuzuha diz, frustrado. "Tem certeza de que não tem nenhuma-"


"KING !" — Noelle entra no lugar, balançando seus braços desesperadamente.


"Acalme-se, agente Lancelot." — King diz. "Qual é a urgência ?"


"Yo, loira ! Tudo legal ?" — Kuzuha pergunta, cumprimentando sua amiga com um sorriso.


"Alguma coisa te mordeu, Noelle ?" — Yasumi pergunta.


"King ! Aquele dia, eu menti pra você ! Eu achei sim uma fita ! E é horrível !" — Noelle diz.


A expressão do chefe imediatamente fica mais séria. "Vocês dois, saiam daqui. Preciso ter uma conversa particular séria com a agente Lancelot."


"Não ! É pior do que isso !" — Noelle diz.


"Loira. Respira. Tu tá completamente desesperada e não tá falando nada com nada." — Kuzuha diz.


"É. Tá mais quieta que o normal." — Yasumi diz.


"Kuzuha ! Aquela maldita mulher ainda tá viva !" — Noelle diz.


"S... Só pode ser brincadeira..." — Kuzuha diz, chocado.


"Agente Lancelot ! Eu ordeno que fique em silêncio, antes que eu a cale !" — King ameaça.


"Não, senhor King ! Isso é importante ! Ele precisa ouvir !" — Noelle diz.


"Precisa ouvir o quê ?" — Yasumi pergunta.


"Kuzuha..." — Noelle respira fundo. "Kuzuha, Satsuki ainda está viva."


A notícia atinge o delinquente como um soco no rosto. Ele fisicamente recua. Kuzuha segura os ombros de Noelle, suas mãos trêmulas. "O-Olha. Eu sei que conversamos sobre isso, e que eu disse que estava mais aberto para falar sobre isso. Mas não é coisa pra ficar fazendo piada, loira."


"Kuzuha, eu não tô brincando. Madeleine salvou ela do ataque de Magdra para fazer ela sofrer mais ainda. Ela mudou a aparência da Satsuki." — Noelle explica. "Kuzuha, ela tá viva !"


"E-Esse nome... Qual nome você disse ?" — King pergunta, visivelmente abalado.


"Satsuki. Satsuki Himiko." — Noelle diz. "Enfim, também descobri a fraqueza dela-"


"Foca na Satsuki." — Kuzuha diz. "Você viu como ela ficou ?"


"Infelizmente, não." — Noelle diz.


"Você tá legal, moço careca ?" — Yasumi pergunta.


Pela primeira vez, King não está sério. Ele está completamente abalado.


"K-King !?" — Noelle diz, surpresa.


"Tá em choque por quê ? Desde quando você conhece minha melhor amiga ?" — Kuzuha pergunta.


"Eu é que pergunto. Desde quando você conhece minha filha ?" — King pergunta.


"F-Filha !?" — Todos na sala dizem juntos, surpresos.


"Simon !?" — Noelle exclama, surpresa. "Você parece completamente diferente dos vídeos."


"M-Mas isso não pode ser. A não ser que..." — Kuzuha e King dizem juntos. Os dois se aproximam um do outro.


King soca o rosto do jovem com força, o fazendo atravessar uma parede. "Então quer dizer que você era o maldito moleque que fazia minha querida Satsuki fugir tanto de casa !"


Kuzuha entra pelo buraco que fez e se aproxima de Simon. Ele dá uma joelhada na barriga do seu chefe, o pega pelo sweater e joga ele com força, o fazendo atravessar uma parede também. "Satsuki não ia precisar fugir se vocês se tratassem ela de um jeito normal, em vez de uma boneca de porcelana !"


Simon volta. Os dois se encaram, centímetros de distância um do outro. Eles levantam seus braços e, em um rápido movimento, se abraçam.


Noelle não faz ideia do que está acontecendo. "Eh... ?"


"Elas estava feliz ?" — King pergunta, com lágrimas se formando em seus olhos.


"Eu fiz o meu possível pra fazer ela a menina mais feliz do mundo." — Kuzuha responde, também com lágrima se formando em seus olhos.


Os dois enxugam suas lágrimas, se soltam um do outro e dão um toque de mãos.


"Mundinho pequeno, huh ?" — Kuzuha diz.


"Você não faz ideia." — Simon diz.


"Cela ne peut être qu'une blague... Esqueçam disso ! Esse não é o maior problema aqui !" — Noelle exclama. "Tem uma psicopata indestrutível e solta por aí !"


"Aquela moça assustadora que você não gosta ?" — Yasumi pergunta.


"Ela mesma, Yasumi." — Noelle diz. "Mas ela mesma não é indestrutível. Na fita, Madeleine- Nidhoggr, confessou que a única pessoa que consegue deter ela é a criança da Lilyum, Simon."


"Lilyum ?" — Kuzuha e Yasumi repetem, um pouco chocados.


Simon permacene em silêncio por alguns segundos que parecem minutos. Depois, ele solta um longo suspiro. "Creio que não tem mais por quê esconder isso." — O chefe limpa sua garganta. "O que a agente Lancelot disse é verdade. A única pessoa capaz de derrotar Nidhoggr é o filho da minha antiga parceira de laboratório, melhor amiga, uma Raiz de Yggdrasil, e a mulher que me ajudou a construir a Devil Slayer do zero e sempre me deu esperanças de um futuro melhor." — Ele aponta para Kuzuha. "Você, Kuzuha."


"E-Eh !?" — Yasumi exclama, confusa.


"V-Você é engraçado, cara. Essa é boa. Meus pais são normais." — Kuzuha diz, confuso com a situação.


"A mamãe estudava bichos." — Yasumi diz.


"Não estão errados. Sua mãe realmente era uma bióloga. E ela amava cada segundo da profissão." — Simon diz. "Kuzuha. Já se perguntou de onde vem sua vontade de lutar contra inimigos fortes ? Seu apetite voraz ? São as células de Yggdrasil em você contendo o desejo da criatura original de dominar e consumir tudo."


"I-Isso é… Qual é. Agora não é hora pra piadas, cara..." — Kuzuha diz.


"Você é o primeiro e único humano híbrido com uma criatura de Azeroth na existência." — Simon diz. "Já se perguntou como foi que Draugr foi parar em você ? Quando nasceu, você pegou a maior parte das células da sua mãe. Graças a isso, ele não conseguiu tomar controle sobre o seu corpo. Foi logo depois do seu nascimento. Sua mãe estava fraca por causa do parto, e tanto ela quanto Ito não queriam fazer aquilo, mas selar Draugr dentro de você foi a única escolha."


Kuzuha tenta retrucar, mas não consegue achar nenhuma palavra. Ele fecha seus punhos.


"…Mamãe era um monstro... ?" — Yasumi pergunta, cabisbaixa.


"Muito pelo contrário. Sua mãe era mais humana do que muitas pessoas que conheci." — Simon diz. "A paixão que ela tinha pela humanidade era imensa. Ela era uma pessoa que conseguia motivar qualquer um, independente da situação. Sempre sorria, alegrava e ajudava todos em sua volta. Uma pessoa que tinha paixão pela vida." — Ele se vira para Yasumi. "Você, Yasumi, por outro lado, é 99,9% humana. Você puxou seu pai. Em termos científicos, você é mais humana do que qualquer um nessa empresa, porque possui menos células que qualquer um."


"Eu sou... ?" — Yasumi pergunta, confusa.


O delinquente range seus dentes. "…Por quê ?! Por que nunca me falou nada ?!"


"Olhe como você está reagindo agora, sabendo sobre Yggdrasil, Azeroth, Bestas do Caos, D.E.V.I.L, e etc." — Simon diz. "Como acha que iria reagir se não soubesse de nada disso e simplesmente recebesse toda essa informação e uma só vez ?"


"Mas você devia- Mas isso- Mas... Mas..." — Kuzuha não tem um argumento. Ele soca a parede mais perto, frustrado. "O que você quer que eu pense ?! Um dia, eu sou só um idiota normal, fazendo idiotices com meus amigos. No outro, eu descubro que nem humano eu sou. Que merda você quer que eu pense ?! Me fala !"


"Kuzuha..." — Noelle diz, sentindo pena do seu amigo.


"A única pessoa que tem direito de responder isso é você mesmo." — Simon diz. "O que você é ?"


"Eu... Eu não sei…" — Kuzuha diz, confuso. Ele entra no elevador e vai embora. Antes da porta fechar completamente, uma fungada de choro pode ser ouvida.


Noelle fecha seus punhos, se sentindo inútil por não poder ajudar seu amigo.


"Eu não acho que a mamãe era um monstro... Tudo que as pessoas me falam sobre ela e o papai é legal. Todo mundo gostava deles. Meu irmão também é assim." — Yasumi diz.


"Eu concordo plenamente com você, mas essa é uma decisão que só seu irmão pode fazer. O que podemos fazer é esperar." — Simon diz. Ele se vira para Noelle. "Agente Lancelot, eu peço que destrua aquela fita. E todas as informações que ouviu aqui são extremamente confidenciais."


A jovem está perdida nos seus pensamentos. "E-Eh ? Ah. Sim, senhor." — Ela vai embora.


Simon a para. "E, agente Lancelot. Muito obrigado. Por me dar esperanças novamente."


Noelle só concorda com a cabeça e continua.


Algum tempo depois. Kuzuha chega em sua casa.


Karma está limpando a sala. Ela nota o delinquente. "Oi. As outras duas foram dar uma volta, então eu decidi fazer uma limpeza-"


Kuzuha passa por ela.


"Ei ! Dizer 'bom dia' não machuca, sabia ?!" — Karma diz, ofendida.


O delinquente entra no seu quarto e bate a porta. Ele fecha seu punho e começa a procurar alguma coisa para socar, mas sabe que vai quebrar algo, então desconta a raiva socando seu travesseiro. Kuzuha se joga na cama. Ele quer gritar o mais alto que consegue, mas sabe que se fizer isso, vai começar a chorar novamente.


Karma bate na porta três vezes e entra no quarto. Ela solta um suspiro. "Brigou com quem ? Quando saiu, tava tudo tranquilo. Agora, parece que o mundo vai acabar."


"Karma... Vai embora daqui..." — Kuzuha diz.


"Tá tão ruim assim que não quer nem conversar um pouquinho ?" — Karma pergunta.


"Não, você tem de ir embora dessa casa." — Kuzuha diz.


"E-Eh !? O que eu fiz !?" — Karma exclama, suspresa. "E-Eu juro que foi uma vez só, beleza ? Eu prometo que nunca mais como seu bife de hambúrguer. É que você cozinha bem, e eu tava com tanta fome."


"FOI VOCÊ ?!" — Kuzuha pergunta, surpreso e bravo. Ele volta ao seu estado de depressão. "Isso não importa. Todo mundo precisa ficar o mais longe possível de mim, principalmente você."


"Do que você tá falando ?" — Karma pergunta, confusa.


Kuzuha se senta na cama e respira fundo. "Eu sei que isso vai ser um choque pra você, e eu sinto muito por ter traído sua confiança, mas eu acabei de descobrir que minha mãe era uma Raiz de Yggdrasil." — Ele fecha seus olhos. "O que significa que eu tenho células de Yggdrasil dentro de mim. As mesmas células da criatura que destruiu seu mundo várias vezes, congelou sua irmã e destruiu seu reino." — O delinquente se prepara para receber um soco, tapa, ou qualquer forma de agressão, mas tudo que ele sente é sua cama ficando um pouco mais pesada e Karma encostando sua cabeça no ombro dele.


"Acho que nós dois precisamos pedir desculpas um pro outro." — Karma diz.


"Eh... ?" — Kuzuha diz, confuso.


"Se lembra daquela dia em que colocaram aquele colar idiota em mim e eu vim morar com você ?" — Karma pergunta. "Lembra que eu peguei uma faca e te ameacei, depois ameacei me matar e não queria ficar perto de você de jeito nenhum ?"


"O que isso tem haver ?" — Kuzuha pergunta.


"Desde aquele dia, eu sabia. O King me contou quem você realmente era." — Karma diz. "Eu queria te matar de tudo quanto era jeito, ou me matar. Só não queria estar no mesmo lugar que você, a pessoa cujo carregava o mesmo sangue que aquele que completamente destruiu minha vida. Era o meu pior pesadelo." — Ela se aproxima um pouco mais. "Mas não importava quantas vezes eu te machucasse, ou machucasse alguém que você gostava, assim como sua raça fez comigo, você sempre me perdoava. Sempre estava lá por mim. Sempre ficava do meu lado. Meu ódio era tão grande, que não me deixava perceber que o verdadeiro monstro, no final do dia, era eu mesma."


"Mas você tava errada. Sou eu." — Kuzuha diz.


"Pode parar por aí. Posso deixar você se chamar de diversas coisas, mas monstro você não é." — Karma diz. "Você é uma das pessoas mais gentis, carinhosas, divertidas, e animadas que eu conheço. Te ver triste é a mesma coisa que ver um arco-íris. Acontece, mas é muito raro. Se você acha que é um bicho, ótimo. Ninguém vai te tirar o direito de decidir quem é. Mas você não pode simplesmente sentar e fechar os olhos pra todas as coisas que fez. Um monstro ia acolher uma pessoa que jurou acabar com todos da raça dele ? Um monstro ia adotar uma garotinha perdida ? Um monstro ia ficar amigo de alguém que tentou matar ele e todos que ele conhece inúmeras vezes ? Um monstro arriscaria sua vida para salvar um reino repleto de pessoas que mau sabem, muito menos se importam com existência dele ? Um monstro acordaria todos os dias de manhã para arriscar a vida todos os dias por pessoas que nunca vão reconhecer absolutamente nada que ele fizer ?"


O delinquente tenta responder, mas não consegue.


"Exatamente. Você sabe que não é um monstro. Nunca foi e nunca será." — Karma diz.


"Então o que eu sou ?!" — Kuzuha pergunta, mais confuso do que realmente bravo.


"Você é você. E isso já é o suficiente para mim." — Karma diz.


Kuzuha respira fundo. Ele põe o travesseiro no rosto e grita o mais alto que consegue. O delinquente começa a chorar.


A Orgen dá espaço para ele. "Eu vou estar aqui, quando precisar. Todos nós vamos." — Ela vai embora e fecha a porta.


É uma bela manhã. O sol está brilhando. Há poucas nuvens no céu. Os pássaros estão cantando. E a brisa fresca matinal está agradável. Mitsuro bate na porta do quarto de Kuzuha. Ela é recebida com silêncio. A bruxa carinhosamente encosta sua mão na porta e diz algo, cabisbaixa.


Está de tarde. O brilho alaranjado do pôr do sol pinta o céu como se fosse o chão no outono coberto por folhas. Hanako bate uma vez na porta do quarto de Kuzuha e conta uma piada. Mas ela também é recebida com silêncio. A garotinha bate outra vez, essa mais brincalhona e energética. Novamente, silêncio. A felicidade no rosto de Hanako desaparece lentamente com cada segundo de silêncio. Ela encosta suas costas na porta e escorrega até se sentar no chão. A garotinha não perde suas esperanças e começa a contar sobre como foi seu dia, as coisas que fez e aprendeu, enquanto balança seus pés de uma maneira infantil e inocente.


Já é noite. Karma se aproxima da porta do quarto de Kuzuha e pensa em bater, mas desiste. Ela encosta sua testa nela e fecha seus olhos. A Orgen fica assim por alguns minutos, e, sem dizer uma única palavra, vai embora.


Na manhã seguinte. As três garotas estão sentadas à mesa, na cozinha, discutindo planos para melhorar a situação.


"Já fazem quatro dias. Quatro dias sem falar com ninguém. Quatro dias sem ir para a escola. Quatro dias sem ir para a empresa." — Karma diz.


Mitsuro solta um suspiro. "N-N-Não sei mais o que f-fazer..."


"Nada." — Hanako diz. "Infelizmente, não tem nada pra a gente fazer, mamãe…"


"Bom, pelo menos, ele está comendo e tomando banho. Enquanto a gente tá dormindo." — Karma diz.


"O papai até lavou a louça." — Hanako diz.


"M-M-Mesmo depressivo, ele a-ainda pensa na gente..." — Mitsuro diz.


"Alguma de vocês… já teve coragem de ir falar com ele, quando sai do quarto ?" — Karma pergunta.


A bruxa e a garotinha negam.


"Nem eu..." — Karma diz. "A criança tem razão. Não tem nada que a gente possa fazer. Infelizmente…"


As três ficam debruçadas na mesa, com a cabeça entre os braços, e soltam um suspiro uníssono.


Hanako levanta sua cabeça, como um cão ouvindo algo. "Papai saiu do quarto."


"Deixa. Só deixa. Finge que não ouviu, e dá o espaço que ele precisa." — Karma diz.


"M-M-Mas..." — Mitsuro não termina. Ela sabe que a Orgen está certa. Só não quer admitir sua impotência na situação.


Kuzuha entra na cozinha. Ele está com olheiras. As três garotas fingem que não estão prestando atenção nele.


O delinquente solta um suspiro. "…Bom dia..."


Mitsuro imediatamente o reponde. "B-Bom dia !"


"Não consegue fingir nem se sua vida dependesse disso..." — Karma resmunga com um suspiro.


"Escuta..." — Kuzuha solta um suspiro. Ele começa a mexer em uma linha solta na barra da sua camiseta, nervoso. "Desculpa... Ficar trancado dentro do meu quarto por quatro dias sem dar satisfação nenhuma não é o melhor jeito do universo de melhorar meu humor. Foi imaturo da minha parte, eu admito."


"Não, não ! A gente que pede desculpas, papai !" — Hanako diz. Antes de ela continuar, Kuzuha a interrompe.


"Vocês três fizeram muito mais do que deveriam." — Kuzuha diz. "Eu admito que não fiz a melhor escolha. Isolar todo mundo que te ama nunca é uma boa opção, e nunca vai ser. Mas... eu tava tão… confuso. Assustado. Quanto de mim sou eu ? Quanto é aquela coisa ? Meus pensamentos são realmente meus, ou eu tô constantemente sendo influenciado pelas minhas células ?"


Nenhuma das garotas responde. Essas não são perguntas que elas sequer podem responder.


"Foi quando eu lembrei de uma coisa meio idiota e aleatória que o meu pai me disse." — Kuzuha diz. "Eu gostava pra caramba de suco de uva e de laranja. Um dia, misturei os dois e não ficou muito legal. Eu perguntei pro meu pai o porquê e ele disse que se eu misturar uma coisa boa com outra coisa boa, não vai necessariamente fazer uma coisa melhor ainda. Na verdade, vai fazer uma coisa nova, que não é nem boa e nem ruim porque é nova, ainda não tem uma identidade." — Ele passa a mão em sua nuca, um pouco incerto. "Eu meio que sou assim, eu acho. Sou tão único que não nem um, nem outro."


"E-E o que você acha disso ?" — Mitsuro pergunta.


"Eu acho isso perfeito." — Kuzuha diz, com determinação em seus olhos. Ele fecha seu punho e olha para ele. "Assim, eu vou poder criar o meu próprio caminho. Mostrar pras pessoas quem eu realmente sou. Afinal, eu só posso ser eu mesmo, e isso é mais que o suficiente."


Karma dá um leve sorriso e fica um pouco corada, ao ouvir isso.


"Vou aproveitar essa oportunidade pra fazer um eu melhor. E eu já sei exatamente qual vai ser a minha primeira ação." — Kuzuha diz. Ele vai embora.


As garotas estranham, mas estão felizes que seu amigo melhorou.


Minutos depois. Kuzuha chega na casa de Noelle. Ele toca a campainha.


"Já vai." — Noelle grita, distante. Ela atende e não consegue acreditar que é seu amigo. A jovem o abraça. "Kuzuha !"


O delinquente a abraça de volta. "É bom te ver também, loira. Eu posso entrar ?"


"É óbvio que pode. Você sempre foi, e sempre será, bem-vindo aqui." — Noelle diz, com um sorriso em seu rosto.


Kuzuha entra e caminha até a sala. "A Excalibur está aqui ?"


A jovem confirma. "Cali ! O Kuzuha tá aqui !"


Excalibur chega na sala. Ela se aproxima de Kuzuha.


Antes mesmo da empregada dizer qualquer coisa, Kuzuha se curva. "Eu sinto muito. Você é uma das pessoas que eu mais tenho de me desculpar."


Silêncio toma conta do lugar.


Esse silêncio é quebrado por Excalibur, que solta um suspiro. "E eu preocupada pra cacete... Desde que voltou da França, não falou mais comigo. Achei que aquele negócio tinha fritado seu cérebro e você se esqueceu de mim." — Ela puxa Kuzuha pelo pescoço e bagunça o cabelo dele. "Me assusta assim mais não, pô."


"M-Mas eu matei-" — Kuzuha diz, sendo imediatamente interrompido por Excalibur.


"PAPAI... não era um anjo. O que era dele tava guardado, e ele sabia muito bem. Uma hora ou outra, ia acontecer." — Excalibur diz. "Além disso, se você acha que ele morreu, tá completamente errado. Eu, Noelle, Chase, Harmony, o povo de Provins, e todo o povo que meu pai ajudou não vamos nos esquecer dele. Nunca. E enquanto tivermos memórias dele, o papai nunca vai morrer."


"…Mas... alguma justiça tem de ser feita. Eu mereço algum tipo de punição." — Kuzuha diz.


"Tu não vai deixar isso quieto, huh ? Quer punição, então toma." — Excalibur dá um cascudo na cabeça de Kuzuha.


"Ugh ! Qual é, empregada ! Isso doeu !" — Kuzuha reclama.


"Prontinho. Tá aí tua punição." — Excalibur diz. "Não faz isso de novo, se não vai tomar outro, hein."


"Você tá ficando maluca-" — Kuzuha se interrompe e solta um suspiro. "Tá bom. Eu prometo."


Noelle revira os olhos. "Agora que os dois já pararam de namorar. Kuzuha. Quer comer ou beber alguma coisa ?"


"Não tô querendo me gabar, mas eu faço um croque monsieur sinistro. E eu comprei os ingredientes tem uns dois dias. Se quiser, faço uns agora." — Excalibur diz, com um sorriso confiante.


"Eu, uh, não faço a mínima ideia do que isso é. Mas, valeu, não tô com fome, nem sede." — Kuzuha diz. "Só passei aqui pra pedir desculpas mesmo. Tem muita gente que eu ainda preciso me desculpar."


"Não sei pelo que você precisa se desculpar, mas beleza. Pode ir." — Excalibur diz.


O delinquente se despede delas e vai embora. Ele põe as mãos nos bolsos e começa a caminhar, perdido nos pensamentos. Kuzuha vai até o parque que sempre costuma ir. Ele se senta em um banco e apenas… observa. O jeito com que o vento balança as plantas. Como os animais se comportam. Como as pessoas conversam e vivem. Os diferentes sons e cheiros. A velocidade que as nuvens se mexem. O calor confortável do sol em seu rosto.


Kuzuha encara suas mãos e se imagina salvando todos. Então, ele imagina um cenário pior, onde mata todos, queima tudo em sua frente até virar cinzas. "…Como é que eu vou saber quem desses sou... ?" — O delinquente nota que Alucard está se exercitando, correndo pelo parque. Kuzuha se levanta e vai atrás dele, acompanhando seu ritmo. "Yo, Alucard."


Alucard faz um som de desgosto e o ignora.


"Tá indo aonde ? Só passeando por aí ? Tem um tempinho pra responder uma pergunta ? Talvez umas duas..." — Kuzuha pergunta.


As perguntas incessantes tiram o jovem do sério e ele para. "O que você quer, troglodita maldito ?!"


"Eu... tô meio confuso com umas coisas. Você é um cara inteligente. Preciso da sua ajuda." — Kuzuha diz.


"Eu não tenho tempo para suas perguntas inúteis-" — Alucard se interrompe e pensa. "Não… Essa é a hora de provar minha superioridade novamente." — Ele limpa sua garganta. "Eu já dei sessenta e sete voltas no parque, e faltam trinta e três. Se conseguir dar trinta e três voltas mais rápido do que eu, irei responder suas perguntas, troglodita irritante." — Sem esperar uma resposta, o jovem volta a correr.


"E-Eu- Mas- Droga, cara !" — Kuzuha começa a correr.


Não demora muito para Kuzuha acompanhar o ritmo de Alucard. Os dois brigam entre si, ultrapassam um ao outro, e, em um momento, Alucard até ajuda Kuzuha a recuperar o ritmo que perdeu, enquanto correm. Eles correm por uma hora, duas, três, e, quando terminam, percebem que já se passaram cinco horas. Ambos se sentam em um banco, ofegantes e suados.


"Hah... Hah... Eu... Hah... Eu... venci... Hah…." — Kuzuha diz.


"…I... Hah... Isso... não vale... Hah... Foi... por... Hah… poucos centímetros..." — Alucard reclama.


"…Ch... Chora mais..." — Kuzuha zomba, mesmo cansado.


O jovem pega uma garrafa de água, bebe um pouco e joga um pouco no seu cabelo. Ele nota Kuzuha também cansado. Em um gesto de compaixão que surpreende até si mesmo, Alucard oferece o resto para o delinquente. Ele estala sua língua, irritado. "Não se acostume."


Kuzuha o encara, solta um suspiro com um sorriso e bebe a água também. "Hah... Essa é uma das vantagens e ter você como amigo. Água geladinha sempre~"


Alucard franze as sobrancelhas, irritado. "Faça logo sua maldita pergunta, antes que perca minha paciência, troglodita incompetente."


O estômago de Kuzuha ronca. "Antes, vamos bater um rango. Eu tô morrendo de fome. Conheço um lugar maneiro. Eu pago."


O jovem olha as horas. "Tch. Certo. Mas que seja rápido. Tenho de buscar Nyra na escola."


"Você colocou ela na escola !? Ela é uma Viridy !" — Kuzuha exclama, surpreso.


"Algum problema com isso ? Aqueles que não quiserem aceitá-la por quem ela é, vão ter de conversar comigo." — Alucard diz, no seu tom frio e ameaçador de sempre.


"Huh… Até que isso é legal da sua parte-" — Kuzuha diz, sendo imediatamente interrompido por uma adaga que Alucard cria e encosta na garganta dele. "S-Sem mais nenhuma palavra... ! Saquei… !"


Os dois caminham por alguns minutos, até chegarem em um restaurante. Eles se sentam e Kuzuha pede.


"Eu tô falando. Soba de Leão é incrível. Você vai curtir. É o meu favorito." — Kuzuha diz. "Tem esse nome porque é tão picante que parece a mordida de um leão. Ou porque terminar de comer ele dá a mesma sensação de lutar contra um leão. Alguma coisa assim."


"Ridículo." — Alucard reclama. "Anda. Faça sua maldita pergunta para que esse momento ridículo acabe."


"Pô. Tu é um pé no saco, hein." — Kuzuha reclama. Mas a postura dele muda. O delinquente apoia seus braços na mesa, junta suas mãos e começa a girar seus polegares, evitando contato visual. Ele respira fundo e solta um longo suspiro. "Escuta... Você é o cara mais esforçado que eu conheço. Mesmo sendo cheio de problemas que eu não faço a mínima ideia do que são, você não deixa nada, nem ninguém, te impedir de fazer o que quer. Como… Como é que você sabe que suas coisas foram conquistadas por você mesmo, não por uma ideia que colocaram na sua cabeça ? Como sabe se você realmente quer uma coisa ?"


Com seu olhar comum de desdenho, Alucard observa a fragilidade na pergunta de Kuzuha. A forma como ele fica inquieto e não sabe para onde olhar. A ansiedade que o delinquente sente para receber uma resposta. Seus lábios partem, e... "Patético." — Frio. Indiferente. A resposta que se dá a um inseto que você odeia.


Kuzuha continua evitando contato visual e solta um suspiro. A decepção dele por não receber uma resposta é praticamente palpável. "É… Foi o que eu pensei que você ia falar..." — Ele dá uma risada sem jeito. O delinquente sente um nó em sua garganta e seus olhos começarem a esquentar um pouco. Ele morde seu lábio inferior forte o suficiente para machucar um pouco, só para não ter que chorar. Kuzuha abre sua boca para dizer algo, mas é imediatamente interrompido por Alucard.


"…Se pensa dessa maneira patética, já significa que não merece nada." — Alucard diz.


Um pouco de esperança, mas principalmente confusão, aparece no rosto do delinquente. "Eh... ?"


"Eu vou te dizer isso apenas uma vez, troglodita energúmeno." — Alucard diz. Ele também evita contato visual. "Você é uma das pessoas mais irritantes e ignorantes que conheço, mas também é uma das pessoas mais determinadas. Sua capacidade de sempre conseguir enxergar o melhor em tudo e todos, ser sociável com qualquer um e amado por todos, nunca desistir, independente da situação, e sempre superar seus limites, não importando o adversário, são formidáveis." — O jovem murmura "…e até invejáveis…" para si mesmo num tom um pouco melancólico. Ele limpa sua garganta. "A maioria das pessoas que conheci sonham em ser uma fração da pessoa que você é. Por isso, erga sua cabeça e não a abaixe para ninguém. Continue trilhando seu caminho, pois ele leva a um futuro tão brilhante quanto suas chamas. Fim de papo."


Ao ouvir isso, Kuzuha não consegue segurar suas lágrimas. Ele não sabe como, mas está sorrindo, e não consegue parar. O delinquente percebe a bagunça que está em seu rosto e enxuga suas lágrimas com as mangas do seu sobretudo. Ele demora alguns instantes para parar de sorrir. "Valeu... Sério mesmo. Você não faz ideia do quanto isso importa pra mim."


"Fim. De. Papo." — Alucard repete, mais sério. Um pouco de fumaça começa a sair da mão dele, enquanto ameaça criar uma espada ou alguma arma.


"Tá, tá. Eu já saquei." — Kuzuha diz.


A comida chega. Os dois começam a comer, ocasionalmente reclamando da quantidade de pimenta, mas elogiando o sabor. Eles terminam de comer. Kuzuha se despede, Alucard não, e cada um segue seu caminho. O delinquente caminha pela movimentada cidade, refletindo sobre sua vida, suas escolhas, mas definitivamente com um ar com um pouco mais de aceitação e conforto sobre si mesmo.


Alguém põe a mão no ombro dele. "Um momentinho aí, criminoso. Você está preso."


Kuzuha congela e levanta suas mãos. "E-Eu juro que não fiz nada !"


"Por ser tão bonitinho~" — ??? diz.


O delinquente estranha e se vira. A pessoa misteriosa é Harmony. "Oh. Oi, Harmony."


"Tem um tempinho ? Coisa de uns minutinhos." — Harmony diz.


Kuzuha dá de ombros. "Meh. Não tô fazendo nada melhor mesmo."


Eles caminham juntos.


"Tá fazendo o que aqui ?" — Kuzuha pergunta.


"Te procurando. Vô te contar, hein. Tu é mais difícil de achar do que o ritmo num prog rock." — Harmony diz. "Por todo lugar que eu fui ou não te viram ou você já tinha passado. Tive de usar minhas habilidade incríveis de detetive pra te encontrar."


"Huh... Eu nunca parei pra pensar nisso, mas, como é que você consegue... você sabe." — Kuzuha pergunta, tentando não soar insensível.


"Tá tranquilo. Eu não ligo." — Harmony diz. "Bom, é tudo graças… Ah, é. Você já sabe disso. Então... É tudo graças a sua mãe."


"Uh... E ela curava cegueira ?" — Kuzuha pergunta, confuso.


"Não, não. Eu acho… ? Quando fiquei cega, ela me treinou e me ensinou como 'enxergar' a corrente elétrica nas coisas. Quase todos os seres vivos em qualquer universo emite um leve pulso eletromagnético. Eu consigo ver esse pulso."


"E como é isso ?" — Kuzuha pergunta.


"Eu meio que vejo o contorno das coisas. Mas é só isso. Não faço a mínima ideia de como elas se parecem. Por exemplo, eu sei o quão alto você é, mas não sei se você tá vestindo roupas, muito menos sei como é seu rosto. O resto é tudo preto." — Harmony diz.


"Deve ser horrível…" — Kuzuha diz.


"Depois de um tempo, você acostuma." — Harmony diz. "Mas eu prefiro mil vezes ter isso do que não poder enxergar nenhum pouquinho do meu afilhado querido~"


"E-Eh !?" — Kuzuha exclama, surpreso.


"Huh. Achei que o King tinha te dito." — Harmony diz. "O Chase e eu somos seu padrinho e sua madrinha."


Kuzuha tenta dizer algo, mas desiste. "Quer saber ? Isso nem me surpreende mais."


"E olha que foi contra nossa vontade, hein." — Harmony diz. "Não que a gente te odeie, é que não achamos que éramos dignos de cuidar dos filhos da mulher mais incrível de todos os mundos."


"Vocês tão me devendo muitos presentes de aniversário." — Kuzuha diz.


"Confia em mim, pelo que a gente tá fazendo por você nas escondidas, vai compensar, no final." — Harmony diz. Ela se lembra de algo. "Ah ! É mesmo ! Eu vim aqui pra falar disso."


"Falar de... ?" — Kuzuha pergunta.


"Não posso entrar em muito detalhes." — Harmony diz. "Sei que parece estranho, mas... você já recebeu uma cartinha de amor, ou alguma coisa assim ? Especificamente escrita em vermelho, com um cheiro meio esquisito e um 'fio' rosa ?"


"Uh... Bem específico…" — Kuzuha estranha. "Mas, uh, sim. Bastante delas, até. Uma por dia, se não me engano."


A mulher engole seco, nervosa. Ela põe as mãos nos ombros de Kuzuha e olha diretamente nos olhos dele. "E o que você achou delas ?"


"Normais... ? Eu sei lá ! Nunca recebi uma cartinha de amor antes, pra saber !" — Kuzuha diz. "Eu li umas, mas tô jogando o resto fora. A brincadeira já perdeu a graça."


"Não é isso que eu quero saber. O que você achou delas ? Elas fizeram você tremer ? Se apaixonar ? Se sentir com vontade de namorar ?" — Harmony pergunta, preocupada.


"Eu, uh, achei legalzinho. Mas só isso. Nada demais. Achei uma piada sem graça." — Kuzuha diz. "Você tá esquisita..."


Harmony solta um suspiro, aliviada. "Ainda bem... Seguinte. Entrega todas as cartinhas que você tem, e que vai receber, pro King, beleza ?"


"Eu tô em perigo ?" — Kuzuha pergunta.


"Você ? Não. Ela nunca ia te machucar. Agora, já não posso dizer a mesma coisa de todas as outras garotas em volta de você." — Harmony diz. "Promete uma coisa pra sua dindinha aqui. Se qualquer garota, QUALQUER GAROTA, independente de você conhecer ela ou não, se confessar pra você, ou demonstrar qualquer sinal afetivo, você tem de fazer uma busca completa sobre o passado dela. Ou melhor, chama eu e o Chase, que nós fazemos."


"Pra que-" — Kuzuha é interrompido.


"Promete !" — Harmony diz.


"T-Tá bom..." — Kuzuha diz, estranhando a situação.


"Ótimo~" — Harmony volta ao seu comportamento normal. "Agora, tenho de ir. Trabalho demais pra fazer. Mas foi bom ter uma conversa normal com você. A gente precisa sair juntos, um dia desses, hein. Au revoir~" — Ela vai embora.


"Ok... Isso, uh... foi aleatório." — Kuzuha diz, observando Harmony ir. Ele volta a caminhar. Depois de algumas horas caminhando, o delinquente vê que já está tarde e vai embora para sua casa. Ele é recebido por suas amigas e filha e passa o resto do dia conversando com elas.


Já é noite. Kuzuha está dormindo. Ele se mexe um pouco na cama, como se estivesse tendo um pesadelo. Quando o delinquente abre seus olhos, vê um céu noturno estrelado, com uma única estrela específica brilhando mais que as outras. Ele está em pé, assim como também está flutuando. Deitado, assim como boiando. Não há nada que não seja céu em cima ou em baixo, e não se pode ouvir nenhum barulho. O silêncio é tanto, que Kuzuha consegue sentir seu sangue correndo por suas veias e cada batida de seu coração. Ele reconhece que está no seu sonho de antes.


A pessoa encapuzada também está no lugar. As vozes ecoam na cabeça de Kuzuha novamente. "...Bonvenon reen..."


"Eu não faço a mínima ideia do que você tá falando." — Kuzuha pensa.


As vozes ecoam mais e mais. "…ender... ?"


"Eu quase entendi isso aí." — Kuzuha pensa.


"Consegue me entender ?" — A pessoa pergunta.


"Opa ! Agora sim, melhorou." — Kuzuha pensa.


"Pensei que antes podia, Pon." — A pessoa diz.


"Nope." — Kuzuha pensa. "E meu nome é Kuzuha, não Pon, ou sei lá."


"Curioso. Nega até sua própria lacuna." — A pessoa diz.


"Tu tem nome ?" — Kuzuha pensa.


"Não sou teu aliado, muito menos teu inimigo. Apenas sou um... observador." — A pessoa diz.


"Tá falando bastante pra alguém que 'só observa'." — Kuzuha pensa.


"Curioso, não acha ? Que uma entidade omnipresente tenha se interessado por apenas um mísero ser." — O observador diz.


"O que tu quer ? Eu já tô melhorando. Não vem me deixar pior." — Kuzuha pensa.


"Eu sei de tudo que aconteceu, vai acontecer, e que poderia acontecer." — O observador diz.


"Ah, é ? Então o que minha filha tá fazendo agora, sabichão ?" — Kuzuha pensa.


"Hanako ou... Perdão. Quase revelei informações demais." — O observador diz. "Eu apareço quando sinto interesse nos acontecimentos que estão prestes a acontecer, e no futuro que pode acontecer."


"Uh... Ok... ?" — Kuzuha pensa. "Tu é esquisito, cara... ? Moça ? Vozes ?" — Kuzuha pensa.


"Observador." — O observador diz. "Algo vai acontecer, assim que acordar, e você tem o poder para mudar o destino dessa situação."


"Eu, uh, não ? Sim ? Depende do que vai acontecer." — Kuzuha pensa.


"Muito interessante." — O observador diz. "Estou ansiosa para descobrir o caminho que irá tomar."


"Dá pra explicar isso melhor ?" — Kuzuha pensa.


O barulho baixo de uma sirene pode ser ouvido.


"Eh ? O que é isso ?" — Kuzuha pensa.


O observador continua parado. O barulho acontece novamente, mais alto.


"Cara, o que é isso ? Sério." — Kuzuha pensa.


Mais uma vez, ainda mais alto. De novo. De novo. E de novo. O barulho está ensurdecedor. Kuzuha acorda, suado. Uma sirene está tocando. O barulho de desespero pode ser ouvido. Ele se levanta rapidamente e corre para uma janela. Fogo está se espalhando pela cidade. Fumaça negra está cobrindo completamente o céu. Está chovendo bolas de magma, destruindo as coisas. Na distância, Magdra pode ser visto, se aproximando lentamente da cidade.

Notas finais
Eu não lembro se mencionei que comecei a praticar piano, mas eu comecei a praticar piano há uns meses atrás. E já tô ficando melhor. Além disso, também comprei uma mesa digitalizadora e vou criar vergonha na cara e começar a desenhar. Logo, vou estar adicionando imagem, e até músicas, nas minhas histórias. Eu também seu um pouco de coding, e consigo fazer um jogo a base de texto, mas se eu já demoro pra escrever, imagina pra fazer um jogo. Bom, é isso. Até a próxima, que provavelmente vai ser semana que vem, se eu me esforçar.