Devil Hill
2 MELISSA
Notas iniciais
-Esse vai ser o ANO, esse ano vou fazer a minha matéria que vai me deixar na historia dessa cidadezinha.
Enquanto Melissa abria os olhos após ouvir o incessante som do despertador durante cinco minutos, e pronunciava suas primeiras palavras no dia, uma frase esperava ela, ser uma profecia à se concretizar. Melissa era uma garota que aspirava alto, tinha metas, a qual não ia medir esforços para concretizar.
Levantando da cama naquele dia ela sabia de uma coisa, apenas uma coisa, que lhe havia sido dito pelo seu pode-se chamar assim “sexto sentido”, e ele sempre acertava, hoje vai ser o dia do inicio da minha vida, hoje tudo vai começar.
Após fazer os preparativos para a escola, tomar banho, escolher uma roupa adequada, se arrumar ela parou para dar uma rápida olhada no espelho e ver se estava arrumada para o sucesso, e ela gostou do que viu. Uma garota com aproximadamente 1,72 metros, cabelo cacheado avermelhado escuro, olhos fortes cor de mel faces levemente avermelhadas, que lhe proporcionavam um falso ar de garota tímida, uma bela garota decidiu melissa, sabendo que sua aparência e sua capacidade de dissimulação sempre lhe abriram muitas portas, decidindo largar esses pensamentos ela desceu a escada para tomar café da manhã, sozinha como sempre.
Não que ela se incomodasse, com sua mãe trabalhando como consultora de risco de bancos ela sempre tinha que viajar, e acabava deixando melissa sozinha em casa, feito que ela conseguiu a 2 anos atrás, após meses tentando mostrar responsabilidade para a mãe e assim não precisar mais da companhia da tia Mirtes durante as viagens.
Após o café ela foi até a garagem pegar seu carro para ir a escola, para encontrar pregado no para-brisas um dos famosos bilhetes de sua mãe, esse até que era bem curto, dizia apenas o necessário:
Você tem 17 anos, mas ainda continuo sendo sua mãe, seja prudente, nada de trazer garotos pra casa, e nada de sair depois das 11 durante a semana. Beijos, volto em 15 dias Dinheiro no banco, só sacar.
Após ler duas vezes o bilhete da mãe Melissa entrou no carro e dirigiu até a escola conseguindo assim chegar cedo.
Quando ela estava chegando na frente da escola, parou um minuto para tirar fotos da entrada ainda vazia da escola com sua câmera nikkon professional nova, quando esbarrou num garoto que estava vindo na sua direção no sentido oposto e muito distraído com o papel que estava lendo não reparou em Melissa, acabando assim por esbarrar nela.
— opa, desculpa, não tava olhado por onde estava andando. tentou se desculpar o garoto.
-sem problema eu também tava distraída tirando fotos da escola. Falou Melissa, enquanto reparava no garoto.
Definitivamente ele era novo na escola concluiu Melissa, nunca tinha visto ele aqui e com certeza não teria o esquecido se o tivesse visto, ele tinha cerca de 1,85 metros cabelos castanho claro meio depenteados, um sorisso muito simpático, e parecia ser forte, tipicamente o tipo que não teria problemas para se enturmar na nova escola.
-você sabe me dizer porque a escola ta tão vazia, porque eu to quase começando a achar que eu errei o dia do inicio das aulas.
-não errou não, disse Melissa
-hoje sendo o primeiro dia de aula, tem apenas uma palestra de volta as aulas, apenas as 10 horas, e ainda é só 8:30 da manha, ou seja, você chegou bem cedo.
-eu não sabia, e você, porque você ta aqui tão cedo se não tem aula?, quer dizer você estuda aqui não é?
-tá, sim, eu estudo aqui, so que eu cheguei hoje mais cedo pra poder tirar umas fotos da escola no primeiro dia de aula, foi o que ela falou.
Ta bom, isso era so meia verdade, mas eu não vou falar pra um garoto estranho que eu to na escola no primeiro dia de aula antes de todo mundo pra vasculhar as coisas do meu professor de geometria porque eu acho que ele esconde algum segredo obscuro, pensou Melissa.
-sou do jornal da escola e isso é pra matéria de volta as aulas, e falando em volta as aulas é melhor você saber que não vem quase ninguém pra essa palestra do primeiro dia, então se quiser, volta pra casa, esse é meu conselho.
-a gente mal se conheceu e em menos de 5 minutos você já quer se livrar de mim? A proposito meu nome é Andrian, mas todo mundo me chama de Andy. Falou o garoto estendendo a mão e com um sorriso brincalhão dançando no seu rosto.
-eu sou Melissa, mas todo mundo me chama de Melissa mesmo, falou ela tentando tirar o foco da questão anterior sobre ela querer se livrar dele.
Resolvendo mudar de tática com o novo garoto ela resolveu chamar ele para ir pra área do almoço, talvez esse garoto pode ser parte da mudança que vai acontecer esse ano.
-ok, eu e você não temos nada pra fazer até a hora da palestra, então eu, como representante da imprensa desse colégio tenho que fazer uma entrevista para conhecer você, topa?
Melissa viu uma certa inquietação no modo do Andy agir quando ouviu a ideia, mas isso logo foi trocado pela postura confiante e zombeteira, que ela tava começando a desconfiar ser o jeito habitual dele.
Com um aceno de cabeça em resposta positiva os dois se dirigiram a área das mesas ao ar livre para continuar a conversa, Melissa agora mas curiosa sobre o garoto depois da expressão dele quando ouviu sobre a entrevista, pensando logo que deveria ter alguma coisa interessante nele para ela conhecer.
Outro dos conselhos do seu sexto sentido, os quais ela em geral seguia.
Chegando na mesa escolhida Melissa resolveu reparar um pouco mais no novo estudante, e assim reparou pequenas coisas, como a pequena cicatriz que ele tinha próximo ao olho esquerdo, o modo como ele movimentava os olhos de um lado para o outro, como um animal encurralado, e o modo que ele movia os ombros constantemente.
Após essa pequena olhada no garoto Melissa resolveu entrar na entrevista.
-bom para começar, qual seu nome completo?
-isso ta até parecendo interrogatório policial, Andrian Tomas Selfied Gomes
-próxima pergunta, de onde você veio?
-vim de um outro lugar.
-Ahhhnn, pode ser mais especifico?
-jardim roseland.
-porque veio para essa cidade?
-você deve fazer o seu trabalho muito bem, não quer saber também meu tipo sanguíneo e nome do meu cachorro?
Melissa ficou vermelha com a resposta do Andy, isso realmente serviu ao propósito, porque Andy tomou uma postura ofensiva vindo mas pra frente na mesa e abrindo um sorriso vitorioso.
Por hora pensou Melissa, rindo por dentro, o pequeno truque de ficar corada sempre dava certo com os garotos, uma espécie de especialidade dela. Ainda com o rosto um pouco vermelho e tentando mostrar uma postura de desculpas com o garoto ela falou numa voz bem suave.
-qual o nome do seu cachorro?
-eu não tenho nenhum.
-ta bom. ta gostando da cidade?
-não é tão mal.
-já foi visitar o buraco?
-não sei do que você esta falando.
-ahhh, qual é? Você não teve a ideia de pesquisar o porque do nome da cidade?
-ta bom, confesso que pesquisei, mas não sei onde fica ele?
-ta bom, a quanto tempo você se mudou pra cá?
-7 dias
-pouco tempo, já deve ter conhecido toda a cidade e ainda não viu o buraco?
-parece que você não gosta muito daqui.
-uma cidade pequena com um nome esquisito que atrai um monte de doidos, claro que não.
-eu gosto de cidades pequenas, essa até que parece bem legal.
-entendi, você é um dos doidos, veio aqui atrás dos fantasmas.
-detesto ter que desapontar seu instinto de jornalista, mas não to interessado nos fantasmas ou em qualquer coisa desse tipo, eu não acredito nisso.
-comecei a gostar de você, bom tá na cara que você é uma folha em branco para uma entrevista pro jornal, então vou usar você para o proposito numero dois.
Disse Melissa percebendo que para descobrir mais sobre o garoto tinha que usar uma tática diferente, além do mais sempre sobrava a internet como recurso se ele não cooperasse a falar.
-você vai me usar para algum tipo de ritual onde você me joga no buraco para conseguir fama e fortuna?
-ai você volta possuído por um demônio e começa a matar garotas do colegial. Ta vendo muito o filme garota infernal.
-culpado, então?
-você vai me ajudar a conseguir uma matéria para o jornal, vamos invadir a sala do professor Everaldo de geometria.
-por que? O que você acha que ele fez?
-na verdade não faço a menor ideia.
-ok, você quer que eu, no meu primeiro dia de aula te ajude a invadir a sala de um professor sem qualquer motivo concreto.
Melissa colocou sua melhor cara de garota inocente com um belo sorriso para completar e falou em uma voz bem suave.
-basicamente isso. Mas ele sempre ta agindo estranho e fazendo coisas secretas na sala dele, até os outros professores acham ele esquisito, sem falar no caso do ano passado.
-o que aconteceu ano passado?
-cinco alunos estavam fazendo um projeto com ele para a olimpíada estadual de matemática, então dois desses alunos desapareceram por dois dias, e voltaram se se lembrar de nada que aconteceu com eles.
-o que ele tem haver com isso?
-eles estavam sala dele da ultima vez que foram vistos, e isso não é tudo
-claro que não, sempre tem mais. Andy falou com sarcasmo
-um terceiro aluno sofreu um "acidente" na volta das olimpíadas de matemática e morreu.
-como assim ?
-eles perderam a competição e um dos alunos sumiu por, isso tudo depois do caso dos outros dois.
-e nunca acharam ele?
-uma semana depois, com os pulsos cortados próximo ao buraco.
-quer dizer que ele ficou uma semana morto no buraco e ninguém viu?
-não, o legista afirmou que ele estava morto no máximo à 18 horas antes de ser achado, e nunca ninguém soube onde ele passou o resto do tempo.
-realmente muito estranho toda essa historia. Mas não prova que ele matou ou sequestrou ninguém.
-isso mesmo, por isso vamos na sala dele ver o que achamos.
-e o que eu ganho com isso?
-o prazer de ajudar uma garota bonita.
-ou uma expulsão!
-não seja pessimista, não tem quase ninguém na escola, o que pode dar errado?
-talvez qualquer coisa.
-você deveria ser mais otimista. Disse Melissa tentando jogar um pouco do seu charme pra convencer o garoto.
-ta bom, aceito, mas com uma condição.
-qual? pode mandar, garoto novo
-se a gente achar alguma coisa lá, e você contar pra policia, tem que deixar meu nome fora disso. Feito?
Melissa apertou a mão dele para firmar o acordo, e após isso, sem mais nenhuma palavra ela guiou ele pela escola até o terceiro andar, para a sala do professor Everaldo.
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