Devastação

12 Lua Vermelha


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e por todos os fantasmas que decidiram aparecer. Alice, obrigada por favoritar =)

Antigamente, muito antigamente mesmo. Nos tempos dos cavaleiros, dos reis e rainhas. As leis que controlavam o mundo Alfa, Ômega e Beta, eram regidas por Alfas. Os grandes monarcas que nasciam nessa designação, entendiam que tinham o direito de governar todos os outros. Nenhuma pessoa que nasceu dentro da monarquia e não tivesse está designação era considerada digna de governar, ou exercer qualquer papel político.

Então, as coisas eram basicamente assim, os Alfas governavam, os Ômegas eram protegidos pois serviam diretamente na linhagem das famílias de sangue nobre, não tendo direito a estudar ou buscar qualquer outra aspiração que não fosse servir ao lar de um Alpha, e os betas eram rechaçados para a marginalidade e inferioridade da sociedade.

Os exércitos eram formados por alfas e betas, e lutar era a única forma de um nascido Beta crescer dentro da sociedade. Os Ômegas ficavam nos haréns dos palácios, ou na casa de seus Alfas.

Mesmo nessa época a quantidade de Ômegas ainda era pequena, se comparada aos nascentes das outras designações. A maior parte da sociedade sempre foi beta, mas mesmo eles não questionavam os arranjos políticos impostos.

Afinal, um alfa nasce com instintos poderosos que os levam facilmente a assumir papéis de destaque e comando.

Os melhores cavaleiros e guerreiros, os grandes generais, todos Alfas, quando prestavam um serviço inominável para seus reinos, ou subiam para um cargo importante na sociedade, ganhavam de seus reis e imperadores o direito de visitar os haréns e escolher um Ômega para acasalar e levar seus genes mais poderosos adiante.
Acasalar um Ômega era um sinal de status e grandeza.

O nascente ômega não tinha direito na escolha de seu parceiro. Seu destino era servir bem ao alfa e em troca, ganhar proteção, cuidado, o direito a um lar e filhos.

Apenas os mais fortes e mais ricos possuíam Ômegas.

Mesmo os Ômegas masculinos sofriam os mesmos destinos dos femininos, tirando é claro, a parte de ter filhos, a não ser que mantivessem uma relação heterossexual com seus cônjuges.

A escassez de Ômegas levavam países para as guerras.

E existiam os Alfas que roubavam Ômegas acasalados de seus parceiros, uma verdadeira barbárie, eram tempos sombrios para todas as designações.

Filhas e filhos que nasciam ou se apresentavam Ômegas e eram retirados de suas casas e vidas para servir nos haréns, ou acasalados ainda adolescentes, e muitas vezes crianças.

Leilões de Ômegas nos mercados da riqueza.

As leis eram poucas e protegiam exclusivamente os mais fortes e ricos.

Foi nessa época que surgiu a batalha da Lua Vermelha. Ela possuía outros nomes dependendo da região e língua, mas o sentido era o mesmo.

A Lua Vermelha era um ato bárbaro que qualquer alfa podia solicitar.

O pedido consistia em uma bênção do rei, imperador, grande duque ou general, um ato de guerra e luta para defender ou obter um determinado ômega.

Quando um alfa desrespeita o ômega de outro, ou ambos tentavam acasalar o mesmo ômega. Um deles podia solicitar esse confronto.

Ambos os Alfas iriam até uma pequena arena, em uma data pré determinada e se lançariam em um confronto braçal.

No passado o alfa mais forte podia matar o mais fraco. Era bárbaro de todos os jeitos.
Com o passar dos século o ato de pedir a Lua Vermelha ainda era usado, mesmo que visto com maus olhos. Afinal, o homem evoluiu em suas maneiras, sendo assim os confrontos eram repudiados. A justiça nos tribunais começava a valer mais do que a justiça pelas próprias mãos.

Já na idade moderna a Lua Vermelha passou de banal e fora de moda, para um crime. Esse confronto estava proibido perante a lei.

Todas as leis mudaram, reis e imperadores deixaram de existir, uma nova forma de governo se estabeleceu e os velhos costumes já não podiam ser realizados.

A Lua Vermelha não foi o único que caiu, muitos outros costumes já não podiam ser usados.

Os Ômegas começaram a ser vistos na sociedade e seu valor mudou drasticamente.
Uma nova independência começou a existir. E graças a tudo isso, hoje, posso ser a mulher independente que sou, não importando a minha designação.

Sei que todos os Ômegas ainda tem um longo caminho a percorrer na obtenção de respeito e igualdade de oportunidades. Mas, pelo menos, não estou sendo leiloada em nenhum mercado de Alfas ricos.

Entretanto, mesmo sendo proibido, a Lua Vermelha ainda acontece, nos porões e ringues ilegais de luta.

As vezes ficamos cientes de um ou dois confrontos que vazam para a mídia. É ridículo. Alfas ainda se espancando por algum pobre ômega desavisado.

Pelo menos uma vez no ano, ficamos cientes pelos jornais, de uma morte decorrente de uma briga na Lua Vermelha. Alguns Alfas não se contentam em apenas espancar e subjugar seu adversário, ele precisa arrancar a vida do seu oponente.

Hoje, qualquer confronto ligado a uma Lua Vermelha é previsto em lei com prisão, e reclusão de um ou dois anos, dependendo do grau de violência que ambos os Alfas chegaram.

Se alguém morre, as leis mudam para homicídio. As entidades policiais e as leis atuais tentam a todo custo tirar dos Alfas o desejo de se envolver em algo tão drástico.

Então, depois de ficar presa em um dia infernal, qual foi a minha surpresa quando fico sabendo que Kane, descobriu o nome do alfa que me atacou e decidiu pedir uma Lua Vermelha, como vingança e retaliação ao meu ataque.

É claro que esse tipo de pedido não é extremamente estranho em um campus universitário, ao longo dos semestres ficamos sabendo de algumas disputas correndo por debaixo dos olhos dos reitores, professores e seguranças. As lutas ainda são raras, mas algumas vazam para os ouvidos dos estudantes. Até hoje, nenhum alfa foi preso aqui na universidade, quando o assunto é Lua Vermelha, eles costumam proteger uns aos outros. Ainda assim, é aterrorizante pensar que existem homens que insistem nesse ato bárbaro.

Mas, o meu dia não disparou em Kane me deixando em casa e depois eu descobrindo da Lua Vermelha.

Não, nada foi tão fácil assim.

No decorrer da manhã depois de tomar um banho e me vestir com roupas mais confortáveis. Sai do pequeno quarto que divido com Lisa e fui até a minha bicicleta, utilizando minha Blue, não demorei em chegar até o conjunto de apartamentos onde Bry vive. Para a minha sorte, minha amiga estava em casa e não levou muito tempo para atender meu pedido.

Bry estava enlouquecida de preocupação, ao me abraçar apertado pediu uma centena de desculpas, ela se mostra arrependida por ter me deixado sozinha e culpada por não ter conseguido me ajudar.

É claro que também estava muito curiosa para saber tudo o que tinha acontecido e por que Kane Hunter, que em poucos meses aqui na Universidade já está no patamar dos maiores mulherengos, decidiu me ajudar.

Fui bombardeada de tantas perguntas que fiquei com minha cabeça doendo.

Samuel não estava com ela, mas Bry me jurou que também estava muito preocupado.

— Você é tão brilhante e normal, que às vezes nos esquecemos da sua designação. E juro, que não foi nossa intenção te deixar sozinha, Samuel e eu estamos arrasados com o que aconteceu. A festa praticamente parou depois que a notícia se espalhou. — Bry vai me contando os acontecimentos depois que eu saí. — Principalmente, depois que Dylan começou a questionar os Alfas na festa. Todos estavam preocupados e com raiva. É claro que nós betas, não entendemos muito bem o que estava acontecendo, mas você tinha que ver os Alfas. Eu nunca vi pessoas agindo dessa forma. Eles rodeavam uns aos outros e rosnavam. Muitas brigas não aconteceram porque foram paradas no começo.

Suas palavras me mostram os acontecimentos da noite passada de um outro ângulo. E meu receio e medo cresceram ainda mais de que agora eu não poderia mais ficar tão anônima quanto antes.

— Muitos viram você correndo e empurrando na festa. E os Alfas por perto, ficavam repetindo alguma coisa sobre o cheiro do medo e proteger o ômega. No começo eu não entendi nada do que estava acontecendo, eu só percebia que as coisas estavam estranhas, e muitas pessoas começavam a sussurrar umas para às outras. — Sua voz melodiosa e seus gestos agitados com as mãos a faziam quase cômica, se todo o contexto não fosse de chorar. — A festa durou mais algumas horas, mas já não havia diversão nas pessoas, Emma, alguns caras ficavam correndo de um lado para o outro, farejando o ar e todos com um ar irritado.

As descrições de Bry são tipicamente betas, que não entendem o completamente Alfa e Ômega. Chega a ser frustrante, mas sei que ela não fala com preconceito, mas sim ingenuidade de alguém que pouco sabe sobre o poder dos instintos.

— Depois de um tempo, Ana Sthives gritou tão alto que foi impossível não notar, parece que algum alfa tentou forçá-la para dentro de um pequeno armário. Eu vi o homem, e ele estava com a camisa manchada de sangue e rosnando para todo mundo, exigindo o ômega de volta, e Emma, acho que ele falava de você, porque no momento que Dylan se aproximou dele, rosnando também e dando um soco tão forte no rosto do rapaz que ele caiu no chão desmaiado. Depois disso, tudo virou uma bagunça.

E Bry continuou a me contar que a festa foi cancelada em seu auge e todos tiveram que ir embora. Que ela apenas ficou o tempo de falar com Dylan, pois ele a havia procurado em busca da chave do meu dormitório e para contar muito brevemente o que tinha acontecido e com quem eu estava, naquele momento.

Ela me disse que gritou com ele, que Samuel e ela queriam ir me buscar, mas Dylan foi irredutível em ceder. No final, ela não tinha muito o que fazer, pois até mesmo Luke Turner afirmou que eu estava segura com Kane, e que o melhor seria me deixar passar a noite e me acalmar com um alfa.

É claro que Bry não entendeu isso, mas teve que ceder. Para um beta é difícil compreender as singularidades da minha designação, ou a de um Alfa. Quem nasce beta não possui os instintos tão afiados e vivos dentro de si. Eles não são escravizados por ferozes desejos e emoções não tão racionais.

Bry e Samuel tem sorte. Em minha opinião, viver uma vida tranquila e pacífica seria uma espécie de paraíso.

Bry ainda me disse como os Alfas foram os únicos que continuaram na casa de fraternidade, que todos fizeram uma espécie de reunião secreta e que os betas não podiam permanecer.

O rapaz que atacou Ana Sthives e eu, continuou no local, nenhum dos outros Alfas permitiu que a segurança do campus fosse chamada.

Ana Sthives estava furiosa, por ter sido dispensada da festa com um aviso de ficar calada sobre o que aconteceu. E fiquei aterrorizada em saber que todos que estavam na festa, sabiam que tinha sido eu a participante ômega.

Isso era terrível, e mesmo depois de ter pego as minhas coisas com Bry e ter assegurado que nada de mais tinha me acontecido, que tudo não passava de um mal entendido, ainda fiquei refém dos outros acontecimentos do dia.

Sabe quando você está assistindo TV, e assiste uma avalanche acontecendo em algum documentário ou filme, e todo aquele mar de neve começar muito singelamente a escorrer pela montanha, tomando força no caminho, e se tornando um verdadeiro pesadelo gelado para qualquer coisa em sua frente?

Era exatamente isso que estava acontecendo comigo.

E não demorei a esbarrar em problemas. Na verdade, os problemas me encontraram.

Logo quando volto para o meu complexo estudantil, noto uma série de olhares curiosos de vários estudantes para mim. Com toda essa atenção indesejada não demoro em estacionar a minha bicicleta e praticamente correr para o meu quarto.

Quando entro nele noto que duas pessoas já estão lá dentro.

Lisa minha companheira de quarto e uma moça bonita que não conheço. Ambas estão sentadas na cama e conversam alto.

Minha colega ruiva, não chega a levantar os seus olhos para a minha entrada, já a outra garota me encara com olhos castanhos pegando fogo. O quarto todo cheira a raiva e ressentimento. Não é um bom odor para se sentir quando já estou em um momento delicado. Mas, evito me fazer presente em seus assuntos.

— Você acha que ele deu um nó nela? — Sou incapaz de deixar de ouvir o que elas estão conversando. A voz que escuto não é a de Lisa, então sei que é a outra garota que perguntou.

— Ômegas só servem para isso, não é mesmo? Para serem putas de nó. — As palavras que escuto saírem dos lábios de Lisa, se tornam punhais em meu coração.

— Você tinha que ter visto como ela pulou no colo dele e o forçou a segura-lá. Parecia um pornô acontecendo bem na minha frente. Patético. — A moça continua o seu ataque e sei bem a quem pertence o seu ódio.

Ainda assim, evito encará-las e continuo a descompactar os meus pertences que estão dentro da mochila.

Lisa e eu dividimos o mesmo quarto a dois anos, e nunca brigamos. Não somos melhores amigas, mas acreditei que tínhamos uma relação de respeito. Em todo esse tempo nunca trouxe nenhum homem para o nosso quarto, nenhuma vez. E em todos os seus términos tentei ser solidária com a sua situação.

Não esperava um ataque dela.

— Essas vadias querem todos os Alfas para elas. Ficam passeando pelo campus com ares de santas, mas todos sabem que elas são pequenos projetos de prostitutas. Permitir que elas compartilhem os lugares públicos é um erro. Todos os Ômegas deveriam ser encarcerados em bordéis, já que só servem para uma coisa. — O veneno nas palavras da amiga de Lisa me deixa paralisada. O preconceito gritante em cada sílaba, na sonoridade da voz é algo que me deixa enjoada.

Cada nova lei, cada pequeno projeto em pró dos Ômegas no congresso, é uma vitória para cada indivíduo que nasceu ômega, e para os que ainda irão nascer. Ômegas não são animais de foda, somos todos seres humanos, com sonhos, medos, desejos, erros e acertos. Lutando para encontrar nosso lugar no mundo, para sermos vistos com respeito.

— Quando o Arthur terminou comigo, me disse que apenas me procurou porque conseguia sentir o cheiro dela nas minhas roupas, e isso o deixava com tesão. — Escuto Lisa dizer para a sua amiga. — Eu nem sei que cheiro bom é esse, ela cheira a puta barata para mim.

Meu corpo todo treme com as palavras de Lisa. Por algum motivo que não sei explicar, não consigo me fazer reagir aos ataques. Me sinto entorpecida e sozinha.

Mas, não permito me mostrar inferior. Continuo com meu queixo erguido, enquanto termino de arrumar os meus pertences.

O ataque das duas ainda continua por alguns minutos. No momento em que ambas notam que não vou me rebaixar e reagir, elas param o ataque e saem do quarto.
No instante que Lisa fecha a porta atrás dela, me sento na cama e pego o meu celular, imediatamente ligo para a minha irmã.

Valerie mora do outro lado do país, estamos afastada milhares de quilômetros uma da outra.

Ela precisa morar longe, nosso passado a impede de ficar muito tempo do lado sul do mapa, ela prefere climas mais frios, a faz lembrar que não está mais nas garras do meu pai.

Minha irmã é tudo para mim. A pessoa que mais amo no mundo, e ela também é a única Ômega que tenho uma amizade.

Assim que ela atende não posso deixar de chorar, as lágrimas que estavam presas no ataque de Lisa, agora escorriam desenfreadas pelo meu rosto. Ainda assim, não permiti que nenhum gemido de dor escapasse pelo meu rosto, e quando Valerie me questionou sobre a minha voz, lhe disse que estava gripada, por isso não estava muito bem.

Não sei explicar muito bem o motivo de não ter aberto o meu coração para ela, nós sempre contamos tudo uma para a outra, mesmo Valerie sendo quase dez anos mais velha do que eu.

Entretanto, nesta ligação, não contei para ela que minha colega de quarto, me atacou com xingamentos terríveis, nem relatei o ataque que sofri na última noite, a minha primeira festa na universidade, que quase fui estuprada e acasalada contra a minha vontade.

E em todo o tempo que conversamos sobre as minhas aulas, notas e os meus trabalhos secundários deixei de lado que conheci dois Alfas que passei a confiar, e que um deles tem me perfumado continuamente, com a minha permissão.

Valerie enlouqueceria de preocupação. E minha irmã já é tão ocupada e cansada, lutando para se mostrar em um mercado preconceituoso, tudo isso por ter nascido em uma designação ômega.

No final, o fuso horário que nos separa acabou levando a melhor, e decidimos desligar o telefone, prometi para ela que ligaria no final de semana, que faríamos uma chamada de vídeo.

Quando desliguei a ligação, me senti muito sozinha e emocionalmente desgastada. Me deitei na cama e passei as próximas horas procurando um novo quarto de alojamento para ficar.

Depois de muita procura e de não ter encontrado nada do meu agrado, pois todas as opções eram muito caras, ou muito longe. Me rendi ao inevitável e liguei para a fraternidade Ômega do campus.

Toda universidade possui uma fraternidade Ômega, um lugar reservado para aqueles que nasceram com essa designação.

Eu nunca quis ficar em um lugar desses. Na minha mente, tinha a esperança de que conseguiria ser vista além da minha designação.

Agora, depois das coisas horríveis que ouvi de Lisa e de sua amiga, e do descaso que sofri dos meus amigos durante a festa, mudei de opinião. Talvez estar entre os meus me deixe mais segura.

A ligação para a fraternidade Ômega dura menos de cinco minutos, e logo antes que perceba, mudei uma grande parte da minha vida Universitária.

Jessica, líder da fraternidade, já me conhece e em outros momentos já tinha conversado comigo sobre a minha mudança para esse dormitório. Ela sempre foi gentil comigo e isso não mudou agora que decidi me juntar a elas.

Na verdade, ela ficou bem empolgada, então marcamos um encontro para o dia seguinte, depois das aulas. Vou conhecer a casa da fraternidade e meu novo quarto, se eu gostar, posso me mudar ainda neste final de semana.

Depois de conversar com ela, sinto que meu peito é tomado por um alívio doce. E meu dia melhorou muito com isso.

Já decidida a me mudar, mesmo sem ter visto o quarto na fraternidade Ômega, começo a organizar meu material escolar, todos os meus livros, cadernos e tudo aquilo que acumulei ao longo dos dois anos que estou estudando.

Retiro debaixo da cama as minhas duas grandes malas, e de forma cuidadosa começo a organizar o meu material dentro de uma delas.

Apenas sou retirada da minha atividade quando sinto o meu celular vibrar em meu bolso.

Para minha surpresa, recebo uma mensagem se Kane. E não posso evitar suspirar e transpirar de emoção.

Infelizmente a mensagem não é algo que me agrada.

"Emma, tenho que desmarcar nosso encontro hoje. Vou te buscar amanhã para almoçarmos. K"

Nem chego a questionar como ele tem o meu número de celular. Kane deve ter pegado com seu irmão.

Uma parte do meu coração, o lado dominado pelos instintos Ômega, fica em pedaços com a falta do Alfa, a outra parte dominada pela minha razão está aliviada, afinal Alfas apenas atraem confusão.

Olha só o que consegui indo a uma festa Universitária. Um Alfa maluco com hormônios quase me acasalou a força, me estuprando no processo. Obriguei um Alfa que mal conheço a me proteger, e sou considerada a culpada pelo meu ataque.

E sei que não sou a culpada, sou apenas uma garota normal que foi a uma festa, mas não posso mudar a minha designação. E toda a atenção que recebi não vai me ajudar a permanecer anônima.

Então, Kane desmarcar comigo é incrivelmente entristecedor para meu lado Ômega, e muito bom para eu conseguir voltar ao meu status de anonimato.

Tenho coisas mais importantes para resolver, para me apegar. Amanhã quando ele me ligar, se ligar, vou dizer que estou muito ocupada, e que não posso sair.

A rejeição de hoje foi um exemplo perfeito de quanto tudo isso é confuso e errado.
Kane Hunter é um dos maiores mulherengos dessa Universidade, e não vai deixar seu pedestal por ninguém, nem mesmo um Ômega.

Então, vou esquecer os beijos, e o calor de seus feromônios perfeitos, e tentar não pensar em como foi incrível o ninho que compartilhamos na noite anterior.

Sei que vou conseguir, mesmo estando um pouco destruída por dentro. Tudo isso é apenas hormonal. E não sou escrava da minha biologia.

Passei o final da tarde e início da noite de modo lento, meus pensamentos um emaranhado de sentimentos, isso até que recebo uma ligação que mudaria tudo. Meu celular começou a tocar de forma bastante insistente.

Quando atendi me surpreendi com o nervoso na voz de Bry.

— Emma, estou passando aí agora. Veste qualquer coisa que já estou chegando.

— Bry, não é uma boa ideia, eu não quero sair, estou cansada e preciso descansar. — Respondo o mais sincera possível.

— Não é uma escolha, Emma. — Bry me corta em voz. — Kane Hunter pediu uma Lua Vermelha, em seu nome! Você entendeu, Emma?

Suas palavras fizeram com que os cabelos em meus braços e nuca se arrepiassem.

— Isso é algum tipo de piada, Bry? Porque não tem graça. — Questiono entorpecida.

— Não, não é uma piada. Por isso estou indo ai. Eu não sei muito bem como funciona esse negocio de Lua Vermelha, mas sei de fonte segura que ele pediu uma em retaliação do que te fizeram ontem, e a luta vai acontecer hoje a noite.

E foi exatamente isso que estremeceu algo em meu corpo, estava gelada e preocupada enquanto tive que esperar Bry, que não demorou em chegar ao meu quarto no dormitório feminino e me contar tudo o que descobriu.

O sol já tinha se posto quando sai desesperada para encontrar Kane Hunter é acabar de vez com todo essa besteira de Lua Vermelha.

De acordo com Bry a luta seria realizada no porão da casa da fraternidade onde ocorreu a festa e o meu ataque.

Tive pouquíssimo tempo de me arrumar, então, apenas troquei meu já posto pijama, por uma calça jeans de cintura alta e uma camiseta branca simples. Não tive muito tempo para ajeitar meu cabelo, por isso apenas o prendi em um rabo de cavalo alto e com Bry gritando por mim, sai correndo do meu dormitório.

Tudo isso me fazia cheia de terror, desde o meu ataque, parecia que eu estava presa em um pesadelo.

De acordo com minha amiga, apenas os Alfas tinham sido convidados para a Lua Vermelha, qualquer outra designação tinha que estar acompanhada de um alfa. Toda a casa de fraternidade estava ciente dos riscos e mesmo assim, decidiram agir para que houvesse esse confronto ridículo.

Nosso contato Alfa para entrar na fraternidade e assistir a luta era Luke Turner.
O mesmo homem que Bry estava tentando me empurrar na festa. E que de acordo com ela, é o melhor beijo que já recebeu.

Sorte dela, afinal, enquanto ela estava o beijando, eu estava sendo atacada por um lunático próximo da rotina.

Mas, deixei meu comentário para baixo, não quero brigar com os únicos amigos que tenho nesse lugar, e de modo algum ela é minha babá.

Foi Luke que contou para ela sobre a Lua Vermelha, e logo Bry fez sua mágica para nós colocar dentro da casa.

Ainda não sei muito bem o que vou fazer quando chegar lá, mas sei que vou torcer Kane Hunter pelo avesso.

Estou cheia de raiva quando paramos o carro de Bry na frente da casa da fraternidade.
Não existem muitos carros estacionados na frente, mas pelo barulho que consigo ouvir, a casa está cheia. É claro que isso é uma estratégia para manter as aparências de normalidade. Os responsáveis pela fraternidade não são idiotas em querer chamar a atenção dos seguranças para uma reunião, no dia seguinte de uma grande festa.

Então, no instante em que piso na grama verde da casa, sinto o meu coração disparar dentro do peito. Luke e Bry estão conversando sobre algo, mas meus ouvidos estão fechados para eles.

Meus olhos queimam na fachada, enquanto uma enchente de sentimentos varrem o meu coração.

Tudo o que quero é parar a Lua Vermelha e acabar de vez com essa insanidade.

Imediatamente sinto os meus hormônios subirem e um calor tomar conta do meu peito e rosto. Meu nariz é tomado pelo cheiro de muitos Alfas reunidos. Mas nem isso faz com que eu queira desistir da minha decisão de encontrar Kane e acabar com isso antes que alguém se machuque ou acabe preso.

Um céu de estrelas e uma lua cheia iluminavam a noite. Enquanto sou tomada por um fio de coragem.

Luke e Bry me olham atentamente e logo estou pronta para dar o primeiro passo em direção à entrada da grande casa colonial.

Dessa vez Bry jura que não vai sair do meu lado. E que não me deixará em nenhum minuto. Luke também me garante que vai estar de olho e que ficarei segura.

Não sei se acredito neles, mas tenho que arriscar. Não posso permitir que Kane se arrisque tanto por mim, que cometa esse ato tão bárbaro.

Assim que assumo a curta caminhada da calçada até a porta de entrada, sinto o meu coração disparar dentro do peito.

Todos os meus pensamentos então em Kane e no que vou dizer para ele abandonar a Lua Vermelha.

Notas finais
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