Devastação

23 Epílogo + Bônus


Notas iniciais
Gente, nem acredito que acabou. Vocês são incríveis!

Muitos anos atrás

Acordo assustado, meu coração bate tanto dentro do peito que estou ofegante e confuso. Por alguns instantes não sei se estou preso no mundo dos sonhos ou preso em minha cama.

Tento acalmar minha respiração enquanto grossas lágrimas escorrem pelo meu rosto, meu corpo treme e estou assustado.

Na escuridão de meu quarto não posso ver muita coisa, a noite é muito fria lá fora, a minha janela está bem fechada e a luz da lua ilumina um pouco, mas não tanto assim.

E o quarto está muito quieto. Não é para ser assim, não quando Dylan ronca tanto. Mamãe disse que ele terá que operar das amídalas, seja lá o que isso quer dizer, depois disso o ronco vai acabar. Então, acordar em um lugar tão quieto, somente com os galhos das árvores batendo na janela é assustador.

Mas, existe algo mais assustador do que isso. Meu papai.

Hoje ele não está em casa, teve que viajar a trabalho.

Rapidamente afasto as cobertas de mim e olho em volta, tenho que forçar minhas vistas, porém noto que a cama de Dylan está vazia.

Ele deve estar dormindo com minha mamãe. Toda vez que o papai viaja, meu irmão corre para dormir com ela, normalmente foge durante a noite, esperando eu dormir para correr até o quarto de nossos pais e monopolizando toda a atenção dela.

O que é muito injusto. Ele é tão egoísta.

Não me preocupo em calçar minha pantufas e ainda com meus olhos úmidos corro para a porta do quarto e atravesso o corredor escuro até a parede lateral, onde fica o interruptor, não demoro em acender a luz. Depois de tudo claro, corro para a porta do quarto da mamãe.

Quando abro as portas, respiro profundamente o cheiro dela. Agora que papai está longe, o perfume da mamãe é muito bom. Ela não cheira a dor ou tristeza.

Ao me aproximar da grande cama noto que Dylan está dormindo profundamente, seus braços e pernas estão abertos deixando pouco espaço para a mamãe dormir.

Egoísta! Penso irritado. Eu quero ensinar a ele uma lição, mas mamãe sempre disse que devo protegê-lo. Dylan e eu somos gêmeos, mas eu sou o mais velho, então devo cuidar dele. Principalmente quando o papai está bravo, é meu dever puxar Dylan para longe e nos esconder no guarda-roupa de nosso quarto. E mesmo que a mamãe grite muito, não podemos interromper.

Mas, não quero pensar em meu papai agora, não quando tive aquele sonho novamente.

É sempre o mesmo sonho e sempre fico assustado e confuso.

Na ponta dos pés caminho até o lado onde mamãe esta deitada, eu quero me aconchegar em seus braços, mas também não quero acordá-la. Ela está muito cansada.

Minhas tentativas de puxar a coberta sem despertá-la são um fracasso. Logo, escuto seu suave suspiro ao abrir seus olhos e me encarar. Ao seu lado, Dylan continua a roncar.

— Kane, meu príncipe. O que está fazendo aqui? É muito tarde. — Sua voz sempre soa doce em meus ouvidos, mesmo quando ela está rouca de sono.

Quando não digo nada, ela sorri e muito delicadamente abre espaço para que eu possa subir e me deitar em seus braços.

O corpo da mamãe sempre é quente e macio e ela tem os melhores abraços do mundo todo. Sem contar que a cama dela sempre é mais confortável que a nossa. Na escola eles dizem que é um ninho, para ela e o papai. Mas não sei o que isso quer dizer, para mim é só uma cama cheia de cobertas e edredons. Todas as camas não são assim?

No instante em que ela nos cobre com o edredom mais grosso, eu passo meus braços por sua cintura e aperto meu rosto em seu pescoço.

Logo, as lágrimas voltam a escorrer por meu rosto e mamãe as limpa com muito delicadeza.

— O que te assustou, querido? — A escuto perguntar. — Foi aquele sonho mais uma vez?

Não respondo, apenas aceno afirmativamente. Minha mãe suspira e me aperta mais forte em nosso abraço sonolento.

— Quer me contar sobre ele? — Ela volta a me questionar, mas mamãe sabe que não gosto de falar sobre isso.

Hoje porém as palavras escapam de meus lábios.

— Está muito escuro, mas o céu está cheio de estrelas. Existe um carro preto parado na estrada e um barranco cheio de pedrinhas. Eu corro por ele e estou tão assustado. Depois vejo uma bicicleta azul caída nas pedrinhas, com a roda ainda girando e uma gatinha malhada está próxima da roda. — Vou contando o meu sonho e quanto mais eu conto mais choro. — Ela está machucada, mas não me deixa ajudar, ela tem garras afiadas e me arranha muito forte nos braços, ela é tão pequena mas muito rápida e foge de mim, eu corro e corro atrás dela, mas ela sempre consegue escapar.

Minha mãe continua a enxugar minhas lágrimas enquanto alisa meus cabelos.

— E é sempre o mesmo sonho, não é mesmo, príncipe? — Ela me questiona depois de depositar um beijo em minha cabeça.

— Sim, mamãe. É sempre o mesmo sonho e eu não entendo o que quer dizer. A gatinha é tão bonitinha e está machucada, por que ela não me deixa ajudá-la, mamãe? — Pergunto ao levantar meu rosto e encarar suas feições.

Como deixei a luz do corredor acessa, mas a porta não totalmente aberta, a pouca claridade ilumina muito pouco as feições dela, mas, ainda assim, consigo notar as marcas roxas que o papai deixou nela, os machucados estão sarando aos poucos, mas seus olhos já não estão tão inchados quanto antes.

— As vezes não é momento para ajudá-la, você deve respeitar a gatinha, Kane. Ela virá para os seus braços quando se sentir segura. — Minha mãe responde, e é tão bom conversar com ela sobre isso, eu tentei falar com Dylan, mas ele riu e me chamou de bobo. E eu não sou bobo. — Você tem cinco anos, Kane. A gatinha vai aparecer para você quando for o momento certo.

— Talvez nós podemos ir no abrigo de animais e procurar pela gatinha. — Digo ainda a encarando, seus olhos são muito doces ao me olhar.

—Seu pai não gosta de animais, sinto muito querido. — Sua resposta não me surpreende, meu papai não gosta de nada e de ninguém. Mamãe, Dylan e eu deveríamos fugir dele, assim ele pararia de bater nela.

Acho que a decepção deve estar muito forte em meu rosto, ou foi meu soluço após mais lágrimas, pois rapidamente ela volta a me beijar nos cabelos.

— Sua avó também tinha esses sonhos, ela me dizia que eram pequenos segredos do futuro e que devemos confiar e aprender com eles. Não se preocupe querido, algum dia você vai encontrar sua gatinha e vai poder ajudá-la, cuidar dela e protegê-la, como um verdadeiro Alfa deve fazer. — Suas palavras me enchem de esperança. Vovó já morreu a muito tempo, mas mamãe sempre tem boas histórias sobre ela.

— E ela vai me deixar fazer isso, mamãe? — Não consegui manter a pergunta presa em minha boca.

— Bem, talvez ela fuja um pouco. Mas você é um bom garoto e vai saber conquistar a gatinha, apenas lembre-se de ser bom para ela e eu tenho certeza que ela vai te amar. — Mamãe sempre tem os melhores conselhos, e seu cheiro é bom e certo, minha mamãe nunca mente para mim.

— Eu amo você, Kane, meu príncipe. — Mamãe fala depois de beijar minhas bochechas.

— E o Dylan também? — Pergunto curioso.

— É claro que sim, Dylan também é meu príncipe. Não há nada no mundo que eu ame mais do que vocês dois. — Ela me diz cheia de orgulho.

— Eu também te amo, mamãe. — Sussurro para ela após um longo bocejo.

Adormecer fica mais fácil depois que conversamos.

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Bônus

"Sofrer de um coração partido não é a coisa mais fácil de se fazer. Entrar em brigas sim.

Dylan Hunter tem muito o que resolver em sua vida, então fazer parte de um grupo clandestino de luta, talvez não tenha sido a sua melhor ideia.

Ainda mais quando uma morena de olhos intensos entra em sua vida. Tudo começou com uma amizade, até que as coisas ficam confusas.

Alfas podem ser amigos de ômegas, não podem?"

EM BREVE:

DESOLAÇÃO

Prólogo

Era uma vez um príncipe que tinha um irmão gêmeo, que também era um príncipe.

Enquanto cresciam os meninos conheceram a dor, tristeza e violência. O rei, soberano em sua tirania danificava tudo o que tocava, e a bela rainha foi uma de suas vítimas. Ainda em tenra idade os dois monarcas descobriram o peso da morte, e sofreram por isso.

Logo, seu irmão gêmeo se tornou o príncipe sombrio, pois sua alma estava danificada pelos anos violentos ao lado do Rei, o outro príncipe se tornou cinza e em meio à escuridão buscava a luz.

Mesmo com suas almas sangrando os laços de fraternidade nunca se romperam, apenas se fortificaram. E ambos os príncipes eram o osso a e carne de um mesmo ser, de uma mesma dor.

Os garotos cresceram em beleza, mas o príncipe sombrio decidiu marcar em sua pele a dor de sua alma, já o príncipe cinza escondia em seu sorriso aberto as lágrimas nunca derramadas.

Eles abandonaram o Rei e juntos viajaram para terras distantes em busca de liberdade e aventuras.

Em uma noite de luar, os dois esbarraram em uma bela princesa.

Seus cabelos longos, cheios de cachos suaves e dourados, olhos expressivos de céu, lábios de botão rosado e curvas femininas, chamaram a atenção de ambos.

O príncipe cinza se apaixonou pela princesa. Ela era inteligente e divertida, tinha o melhor perfume de mulher e uma suavidade no andar, digna de sonetos de amor.

Mas, a princesa não se apaixonou pelo príncipe cinza que tanto buscava a luz em um mundo de escuridão.

A bela donzela caiu de amores pelo príncipe sombrio, que também encontrou nela tudo o que lhe faltava. Eles se apaixonaram, não que o amor deles fosse fácil, a princesa teve que se adequar ao príncipe sombrio e o fazer acreditar que ele não era o monstro que acreditava em seu coração. Já o príncipe sombrio lutou longas batalhas por ela, levando o seu nome em um brasão dourado marcado em seu coração.

Ambos se encontraram.

O príncipe cinza chorou escondido, pois amava a princesa tanto quanto o seu irmão. Mas sabia no fundo de sua alma cinzenta que a escuridão em seu irmão necessitava da luz da princesa, ninguém seria capaz de devastar seus medos tão grandiosamente quanto a bela donzela de luz.

Então, com o coração em chamas, o príncipe cinza decidiu se afastar da princesa, esconder o seu amor por ela, nunca ter o gosto de sua luz.

Ele amava o seu irmão. E sabia que seu sacrifício era digno.

Ninguém cuidaria tão bem da princesa além do príncipe sombrio. Com ele, ela estaria segura e seria amada por uma vida inteira.

Em uma tentativa de esquecer a amada donzela, o príncipe cinza se envolveu em batalhas fúteis e sem sentido. Também caiu nos braços de outras princesas, buscou a luz no prazer dos corpos de muitas moças, mas nenhuma delas tinha o brilho certo, o cheiro certo.

Então, o príncipe cinza rezou a sua mãe, a rainha que foi cruelmente assassinada por um rei tirano. Em sua oração ele pediu a luz que tanto buscava, uma solução para sua tristeza.

E a rainha que observava os seus filhos além do véu da morte, escutou o apelo de seu belo príncipe e decidiu ajudá-lo.

Com um sorriso suave no rosto ela soprou ventos de boa nova e levou seu garoto aos braços de uma sonhadora princesa. Ela sabia que era isso o que o príncipe cinza precisava. Sonhos e esperança!

Notas finais
Queria dizer que estou no Wattpad, Desolação será postado naquela plataforma. Quem quiser acompanhar minha escrita e conhecer meus outros projetos, por favor, me sigam por lá. @Diandrabydi Espero vocês! =)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.