Devaneios dos Sonhos - Contos
5 O cavaleiro
Já era noite quando uma figura se aproximava do castelo daquele reino já em colapso. O único sobrevivente de toda frota, já cansado e abatido, trazia no seu rosto o pesar e todos aqueles que caíram na batalha. Junto com ele a bandeira inimiga em mãos, prova de que o sacrifício dos companheiros não foi em vão.
Os guardas que protegiam o castelo já estavam alertas, com lanças em mãos, quando o Cavaleiro levanta a cabeça, e os guardas ficam posição de reverência.
— Não se preocupem em demonstrar reverência a mim companheiros, mas sim fazer valer a pena da morte dos meus irmãos em batalha. — disse o Cavaleiro enquanto adentrava o castelo.
Chegando a sala do trono, o Cavaleiro avista uma cena um tanto quanto frustrante. Enquanto o povo morria de fome nos campos por conta da guerra, la estava o rei e a sua corte se fartando em comida e risadas. Eles já sabiam que tinham vencido a guerra, e que agora poderiam utilizar novamente a estrada para o comércio com os reinos vizinhos sem problemas em serem saqueados. Vendo aquilo, o Cavaleiro desembainha a sua espada e a crava no chão do salão.
— Como podem festejar com toda a tristeza que assombra a todos? Como ousam não demonstrar luto por todos que morreram em prol de todos nós? Se é assim que o nosso rei pensa, este reino não precisa dele. Pela honra dos meus irmãos, não deixarei que essa tragédia se repita por caprichos de um homem. Que a minha sentença seja a morte no inferno, mas que o mal deste reino suma de uma vez por todas.
Todos ficaram sem entender, achando aquela cena até engraçada. “Ele está louco, não sabe o que diz”- pensaram entre si. Não durou muito as chacotas quando o Cavaleiro retira a espada do chão e decapita a cabeça do rei.
Ele acaba sendo condenado a morte, dando a entender de que estaria louco por conta da guerra e ninguém ,além dos presentes aquele dia , soube da dor e sofrimento do Cavaleiro e o que foi capaz de fazer e perder para o bem de todos.
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