Devaneios da morte
1 Devaneios da morte
Estive nos mais diversos lugares
Conheço bem cada cantinho desse mundoFaz parte do meu trabalhoIr aonde precisam de mimE sempre me solicitamPessoas dos mais diversos tiposBoas, ruins, tristes e felizesMulheres, homens, crianças e idososNão cabe a mim diferenciarSão todos iguais quando os conheçoDe perto chegam aparecer a mesma pessoaCriaturas confusas, cheias de dorAo mesmo tempo repletos de amorCada um do seu jeitoMas o mesmo sentimentoDaqui onde estou não sei dizerSe algum deles mereceu vir comigoMais do que outros mereciamSei que apenas alguns queriam realmenteMas todos gostam no finalTento entender por que eles são assimEncarando essa fixação do modo mais estranhoSem se dar conta, de fato, como tudo é passageiroA minha visita já está agendadaPosso chegar antes ou depois mas eu chegareiNão precisam ter medo, mas eles temem.Não a mim, mas como chegaram até mim.Há um certo teor cômico nisso.Os homens são criaturas estranhas.Fascinantes.Fracos no início e impotentes no final.Compreender seu proposito é fundamental.Nasceram para serem meus.Tudo que nasce me pertence.Mesmo que eu tenha que esperar.Mas eu sou paciente.Tenho tantas coisas, e uma delas é a eternidade.Posso esperar até que estejam prontos.Tenho lugar para todos.
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