Devaneios

4 Juntos ou sozinha


— Escolha, Sam. Esta é a resposta de um milhão de dólares. Só você pode decidir.

O homem de meia idade, de olhos alaranjados, mantinha um sorriso permanente naquele rosto curtido de sol. Ele mantinha Sam sob seu controle, enquanto a tentava com escolhas impossíveis. Segundo ele, um demônio, Sam era uma mulher amaldiçoada desde antes de nascer, e toda a desgraça que se abateu sobre sua família era por culpa exclusivamente dela. Claro, tudo não passava de um monte de mentiras. Será?

— O que? Morrer sozinha ou morrer arrastando meu irmão pra morte também? O que você acha que eu vou escolher?

Sam se controlava pra não se deixar levar pelas emoções. O simples fato de estar sonhando com um demônio … sim, ela percebera que isso era só um sonho, afinal a matrix dificilmente apresenta falhas, como o mesmo movimento repetitivo, ou a sensação de que o tempo parou, mas, o simples fato de estar falando com o demônio que matou sua mãe e Jess, fazia com que o sangue fervesse em suas veias.

— Err … resposta errada, Sam. Eu não devia, mas vou lhe dar uma chance. Uma espécie de bônus, já que eu gosto tanto de você.

O demônio denominado Azazel aproximou-se dela e tocou-lhe a têmpora, para absoluto desgosto de Sam. Então o sonho mudou. Ela estava agora em um típico surbúbio americano, com céu azulzinho, gramado verde, cerca branca, tortas quentes nas janelas, cortinas de renda, e casas confortáveis de cores pastéis. Tudo o que ela sempre quis e nunca teve. Dean saiu de uma destas casas e a chamou pelo nome. Instintivamente, Sam respondeu e correu para ele. Ao se reencontrarem eles se abraçaram apertado e Sam foi surpreendida com um beijo na boca. Ao se afastarem, ele falou "Sempre quis fazer isso". Sam arregalou os olhos e empurrou o irmão.

— Eu te amo, Sammy! Sempre quis brincar de casinha com você.

— Não diga isso!

— Por que não? É a verdade, e eu sei que você me ama, então … por que não?

— Esse não é você, Dean. É só um sonho, uma criaçao de Azazel. É tudo mentira! — Sam virou-se e passou a procurar por Azazel. — Pare com isso, está me ouvindo? Eu não quero nada disso.

— Tem certeza? Esse é seu segredo mais profundo, que você procurou sublimar e transformar em algo inocente, mas você o ama como homem, e não um irmãozinho.

Azazel continuava a falar, a 2 m de distância, aparentemente inatingível e inalcançável como um fantasma. Aquilo estava deixando Sam furiosa.

— Não lhe devo satisfações, Azazel, e não ouse manchar o que sinto por meu irmão. E quer saber? Já fiz minha escolha. Já estou pronta para lhe dar a resposta de 1 milhão de dólares.

— Não se apresse, querida!

— Eu já escolhi!

— Pare apenas 10 segundos e olhe para trás. Você estará dando adeus a tudo isso. E a ele também.

Sam, arfante e transtornada pela indignação, virou-se para trás e viu novamente as belas casas de subúrbio, e seu irmão parado no gramado, com um meio sorriso e um olhar sedutor. O sangue lhe subiu a cabeça, por perceber que Azazel corrompia as lembranças de seu irmão.

— Já tenho a resposta, demônio. Eu morro sozinha.

Ao dizer a última sílaba, Sam despertou do sonho. Estava junto com outros jovens, prisioneiros em uma cidade fantasma, sem contato com o mundo exterior. Em comum todos eram de alguma forma especiais, com poderes paranormais, inclusive outra garota como ela, capaz de ter sonhos premonitórios. Todos escolhidos a dedo por Azazel para tornarem-se capachos de demônios e marionetes em um esquema maior. Sam foi tentada a aceitar esse sistema ou morrer. E para sua total estupefação, o demônio lhe ofereceu a morte conjunta com seu irmão, para viverem um idílio farsesco no inferno. Ela dissera não a todas as propostas e agora estava condenada à morte.

Dois dias depois, seu destino se cumpriu, e ela foi esfaqueada pelas costas por outro jovem, Jake, que era agora um peão de Azazel. Dean apareceu para salvá-la, mas foi tarde demais. Enquanto a vida se esvaía de seu corpo, e o inferno a acolhia no fogo eterno, ela lembrou-se de quando era criança e Dean a carregava nos braços para ninar, mesmo sendo apenas 4 anos mais velho que ela.

Ele a segurou nos braços uma última vez, e a embalou na hora da morte. Ela quase lhe disse "eu te amo".

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