As passadas rebatiam nas paredes do corredor, apenas avivando a noção de que a corrida não levava a lugar algum naquela circunstância. Mirava sempre à frente, contudo, não conseguia evitar relancear seus arredores; molduras disformes, que mesclavam o sanguinário do rubro com o vazio do negro, sustendo retratos de pessoas conhecidas. Em seus lábios, desenhavam-se sorrisos desdenhosos, às vezes coléricos e outros simplesmente abnegativos. Os olhos acompanhavam os sorrisos em suas expressões, parecendo segui-lo, acompanhando a corrida e refletindo a frustração de quem tenta atingir o inalcançável e protela o inevitável. O fundo dos quadros era sempre caótico, com chamas e ruínas, como a vida do nosso corredor.

À sua frente, a inalcançável luz da salvação, uma alvura inocente, paciente, pacífica e plena, que se afastava a cada passo. Às suas costas, a treva; disforme, como uma criatura marinha e octópode, se esgueirando e crescendo célere sobre seu dorso, alimentando-se do desprezo e da indiferença dos que haviam passado pela galeria da vida. Atraído pela solidão e a raiva da segregação.

Finalmente ele imerge nas trevas. Sua sanidade é completamente abalada, junto com seus controles emocionais. Receia a própria sombra, e todos os outros. O medo e o desespero sumiram. Agora era apenas um dos vários homens irados, agressivos e viciados, arrastando a vida objetivando encurtá-la ao máximo. Havia se tornado apenas uma pessoa “comum”.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.