Notas iniciais
E aii pessoal, vocês já encontraram aquela pessoa que mexeu com sua mente com apenas um olhar? Já tiveram aquele pensamento "é ele(a)".

Bom ai vai um conto chamado "Devaneio" espero que gostem.

Comentem, críticas são sempre bem vindas.

Obrigadooooo

DEVANEIO

Thiago Galdino

Lá vem Lucas, correndo para o ponto do ônibus, chegou exausto e aborrecido por perder a condução que o levaria para o serviço, começou a pensar em como o patrão ficaria nervoso pelo seu atraso. Mas, não tinha nada que o rapaz pudesse fazer a não ser esperar o próximo veículo.

“BiiiBiii”

“Booooom!”

Assustado com os barulhos de buzina e explosão o rapaz olhou ligeiro para a esquina da avenida em que estava.

Um acidente entre dois veículos acabou de acontecer. Aos poucos os curiosos foram se acumulando em volta dos acidentados Lucas, como também é um curioso nato, não pensou duas vezes e foi lá ver o que aconteceu. Em um carro, havia um homem de terno, gravata e calça social. Escorria sangue de sua cabeça e ia descendo pela testa até os olhos e nariz. Tinha batido com a cabeça no volante do carro quando colidiram. E uma criança no banco de trás, sentada na cadeirinha e esperneando de medo. A garotinha berrava e gritava, aparentava ter uns dois aninhos de vida e mal sabia falar, por sorte ela não sofreu ferimentos.

No outro automóvel tinha uma mulher, que estava extremamente ferida. O outro carro atingiu a porta do motorista, o para-lama estava todo amassado para dentro e estava difícil abrir a porta para salvar a dama que estava desmaiada. As pessoas já haviam chamado os policiais e os médicos, mas como a demora era grande foram eles mesmos que tentaram tirar a moça das ferragens.

Sem pensar duas vezes, o rapaz enfiou-se em meio à multidão e começou a puxar com toda força a porta, mas não era forte o suficiente para conseguir abri-la. Então começou a chamar a mulher que estava desmaiada, com vários cortes espalhados pelo rosto devido aos estilhaços do vidro, a cabeça toda ensanguentada e os lábios inchados. Deu vários socos e tapas na lataria, fez o máximo de barulho possível para que a moça voltasse a si. Mas nada de um resultado satisfatório.

Em questão de minutos ouve-se um barulho de sirene, será a polícia? Seriam os médicos? Ou os bombeiros?

Por todos os lados foram chegando viaturas policiais, caminhões do corpo de bombeiros e ambulâncias. Os guardas, imediatamente, interditaram a área e afastaram todos os pedestres que estavam ali enchendo o saco. Lucas sentiu-se enfezado e começou a andar de um lado para outro como se conhecesse aquela mulher, como se fizesse parentesco ou fossem amigos. Neste momento, ele nem estava se lembrando do seu serviço, ou do seu patrão que iria ficar muito irritado.

Com muita cautela os bombeiros conseguiram cortar todas as ferragens do veículo e levar a moça para a ambulância. Lucas meio aliviado corre para a ambulância e um paramédico impede sua passagem.

— Você é parente da vítima? — Pergunta. Desanimado, Lucas respondeu:

— Não, mas eu estava aqui quando tudo aconteceu.

— Infelizmente apenas parentes da vítima poderiam acompanha-la. Fechou a porta e seguiu esgoelando a sirene da ambulância em direção ao hospital mais próximo.

Contrariado com tudo isso, seguiu para o serviço no qual nem conseguiu entrar. O patrão o demitiu por atraso e ele teve que voltar para casa. Sem emprego e sem saber o que teria acontecido com a moça.

Mas uma única imagem voltava a assombrar sua mente, a imagem de um anjo loiro de cabelos compridos, jogado no banco de um carro, prestes a voltar para o céu.

Semanas depois, Lucas arrumou um emprego temporário no supermercado da rua de sua casa, o Supermercado Giga. Quem antes era operador de produção em uma fábrica de embalagens plásticas, hoje era caixa de supermercado e trabalhava até aos finais de semana.

A mãe do rapaz de 22 anos, jogava em sua cara, que a culpa dele trabalhar ali é própria dele, se não tivesse ido dar uma de herói e tentar salvar uma pessoa que nem sabe que ele existe, ele ainda teria seu antigo emprego e poderia ajudar melhor nas finanças de casa.

Por ser mãe solteira e ter mais um filho de 10 anos de idade, carecia muito da ajuda de Lucas para manter o sustento da familia. O emprego dela como diarista não rendia muito dinheiro e as contas estavam começando a vencer.

O rapaz chegou em casa cansado e deprimido, a mãe nem lhe ofereceu o jantar, ainda estava zangada. Ele tomou seu banho quente para tentar relaxar e deitou-se na cama. Em seguida o cansaço trouxe o sono, cochilou. Veio em seu rápido sonho a imagem da dama loira com pele clara, quase pálida, com lábios rosados e olhos de cor verde-esmeralda. O rosto era perfeito, não estava com nenhum arranhão. Aproximou-se dela, segurou em suas mãos, enquanto sorria levemente, sussurrou:

— Esperei por você minha vida toda, sabia que era você desde o minuto em que te vi deitada no carro.

E então a abraçou forte, tão forte, como se o mundo fosse acabar ali e agora, como se não houvesse outro dia, outra pessoa, outra oportunidade dessa.

Acordou assustado com batidas na porta de seu quarto, era seu irmão Diego, pedindo ajuda com o dever de casa. O rapaz entristecido por ser apenas um sonho levanta de sua cama e vai ajudar o pequenino na tarefa escolar.

Quando se deitou para dormir. Desejou ter aquele sonho novamente, desejou continuar de onde terminou. Pois, não sabia o paradeiro da garota e os sonhos o confortavam.

O som do caixa eletrônico do mercado não dava sossego, esse emprego era chato, Lucas não gostava nem um pouco, mas na manhã de domingo quando o supermercado estava lotado, o jovem passou o olhar rapidamente na direção do corredor de mantimentos, e viu... Viu a linda moça parada na entrada do corredor, era idêntica como em seus sonhos. Passou o produto do cliente no leitor de código de barras e voltou a olhar para o local onde estava sua amada, nada viu. Apenas pessoas andando para lá e para cá dentro do comércio.

Lucas cogitou a ideia de ter sido uma visão, talvez a imaginação dele criando uma imagem de perfeita semelhança com a sonhada donzela, ou talvez ela estivesse realmente ali fazendo compras. Mas, por que não a viu sair do mercado? Por que não a viu passar em algum caixa, ou andando novamente pelos corredores? Perguntas que não tinham respostas concretas, mas, que logo saíram e deram lugar a certeza do amor, ela estava ali, olhando fixamente para ele.

Faltava apenas 1 hora para o fim de expediente de Lucas, estava ansioso para ir embora, exausto de um dia movimentado no serviço, atendeu rapidamente os últimos clientes da fila e foi devolver os produtos deixados ali no caixa. Quando virou no estreito corredor de bebidas, se surpreendeu por dar de cara com a jovem do acidente, ficou paralisado por alguns segundos sem saber o que fazer, sua beleza era estonteante. Mas logo perdeu a timidez e cumprimentou-a gaguejando.

— O-o-oi...

A moça nada respondeu, apenas ficou parada olhando fixamente em seus olhos. E ele continuou a falar.

— O que faz por aqui? Se lembra de mim?

Mas nada que ele dissesse fazia com que ela respondesse. Pensando que ela não o reconhecesse, ou talvez, tivesse algum tipo de traumatismo craniano ou algo parecido, virou-se para guardar os produtos na prateleira.

— Espere! Disse a moça. – Eu só vim lhe agradecer por tentar me salvar.

Ele então olhou novamente para ela, sorriu meigo. E uma cliente do mercado, cutucou suas costas com as mãos.

— Meu jovem, poderia me dizer onde encontro fermento em pó?

— No segundo corredor minha senhora. – Respondeu Lucas voltando-se novamente para falar com a moça. Mas quando virou, não viu mais nada.

A dama loira, havia desaparecido, não tinha se despedido, não estava no fim do corredor, não estava em parte alguma do supermercado. Simplesmente sumiu.

O jovem voltou para casa angustiado, tendo a certeza de uma única coisa. O anjo loiro que salvou naquele dia, estava vivo em seus sonhos!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!