Allie se sentou na poltrona da frente para o cara esquisito que bebia coca diet. Estava nervosa, seu tom de voz era de preocupação. Leo sentou-se ao seu lado.

_Bem, criança, ouvimos falar de sua existência. Uma mortal.

_Sim, senhor D. Ela é uma mort...

_Calado, Liam – o tal Sr. D o cortou.

_É Leo.

_Que seja, bem, o assunto principal aqui é você – ele olhou para ela – me contaram sobre o motivo de você vir aqui e tudo o mais que está acontecendo entre vocês dois – ele apontou com certo desprezo para Leo e ela – e acredito que sejam questões que o acampamento não possa suportar ou mesmo resolver.

_Dionísio, Allie é um arativo e precisamos mandar Calipso de volta para Ogigia. Urgentemente – Interveio o centauro, agora Allie lembrava o nome da criatura – não podemos deixar ela por aí. Vocês sabem as noticias. Desde o começo do mês elas vêm chegando e estão ficando piores.

_Calipso me encontrou – Allie começou e então Sr. D e o centauro o olharam com atenção.

_E o que aconteceu?

Ela contou tudo aos dois.

_Incrível. Que assustador! – disse o Dionísio com desprezo, mais uma vez.

_É serio, Sr. D. Calipso prendeu e torturou Allie! – Leo quase gritou.

_Fale baixo, menino. E outra, a garota mesmo disse que essa tal Mirna nem sabiam que Calipso já havia se redimido.

_E o que me diz das noticias chegadas da Califórnia? – o centauro perguntou – cinco homens completamente perdidos se jogaram da Golden Gate.

_Isso não quer dizer nada, Quíron! – Senhor D. se levantou – Nem sabemos se foi a garota.

_Mas o que está acontecendo vai além do meu relacionamento com Leo?

_Menina tola. Claro que sim! — disse Dionísio.

Allie não estava entendendo o porquê daquele homem a estar tratando daquela maneira.

_Não ligue, menina – disse Quíron – ele não bate bem da cabeça. E respondendo a sua pergunta, sim, vai muito além de sua relação com o filho de Hefesto. Calipso pode ser perigosa para quem entre em seu caminho. Ela é filha de um titã e está revoltada faz um certo tempo.

_Mas o que aconteceu para deixar ela tão nervosa assim? – Allie perguntou.

_Bem, ela meio que é uma pessoa passional, ela se apaixona por homens que normalmente nunca está a seu alcance e quando não os consegue... Bem, ela os deixam loucos.

_Sim – disse Leo, meio triste – ela sempre quer todos aos seus pés.

_Sim – concordou Quíron — Ela passou muito tempo trancada naquele lugar, simplesmente porque apoiou seu pai na guerra dos titãs há muitos anos atrás. Normalmente apareciam navegadores perdidos e ela sempre se apaixonava por eles e ela lhes oferecia a vida eterna ao seu lado naquela ilha. Claro que eles se recusavam. Eram marinheiros, afinal, sua vida era o mar. Mas essas coisas deixaram em Calipso marcas irreparáveis e sua sanidade foi perdida, pouco a pouco. E depois que ela saiu da ilha, as coisas ficaram bem piores.

_Pois é – disse Leo, olhando para baixo – no dia que nos separamos, sua sandice já estava fora de controle e sua vontade de vingança aumentou ao nível assustador. Ela me olhava com desprezo quase todos os dias e... – Leo segurou um soluço.

_Não precisa contar, Leo. Isso tudo é muito recente – disse Quíron, com certa compaixão no olhar – Mas o que queremos que saiba Allie, é que vai muito além do seu relacionamento com ele, mas acontece que ele é um dos poucos que sobreviveram. E isso implica que ela acha que Leo ainda pertence a ela.

_O que? – Allie estava assustada. Aquela garota era pior do que ela imaginava – mas por que ela me ajudou naquele dia?

_Bem, pensamos completamente diferente de vocês, acreditamos que ela, na verdade, te iludiu mais uma vez. Aquela conversinha de que ela queria se redimir de coisas passadas, não. Ela queria vingança. Tudo foi trabalhado para isso.

_Quanta bobagem – senhor D depois de muito tempo calado, resolveu falar – deixa essa menina e suas paixonites para lá. Temos coisas mais importantes a fazer.

_Como tomar coca diet o dia todo? – disse Leo.

_Olha a petulância desse garoto! Sabe aquele titulo de conselheiro chefe de chalé? Pode dizer adeus se continuar com isso.

_Pouco me importa, a questão é que temos sim que resolver isso. Não só por mim, mas por todos os mortais que podem ser enganados por ela, mortos por ela. Daqui a pouco isso se espalhará, senhor D. – Leo estava desesperado.

_Vamos chamar os outros e conversar sobre isso. Amanhã pela manhã todos aqui para a reunião – disse Dionísio se levantando — e enquanto estiver aqui, Alen, pode ficar com Leo, em seu chalé, se os outros quiserem.

_É Allie, e eu posso acampar naquela floresta, sem causar problemas.

Ele a olhou com uma cara estranha e sorriu desdenhoso.

_Se arrisque então, mocinha. – e deixou a sala.

_É melhor acompanhar, Leo, Allie. A floresta não é lugar para acampar – disse Quíron – agora vamos comer. E essa conversa permanece aqui, pelo menos até amanhã. Entendido?

Ambos concordaram e saíram em direção ao refeitório.

_Estou assustada, Leo.

_Não fique, mi amor, logo tudo estará resolvido.

_Espero – ela disse desanimada.

Os dois caminharam de mão dadas até a mesa do chalé de Leo. Alguns outros adolescentes ainda estavam ali. Leo se sentou e chamou Allie para seu lado.

_Sabe como funciona, é só pedir – ele sorriu.

Allie se concentrou e no prato de ambos apareceram uma enorme fatia de tortilla.

_Já volto – Leo de repente se levantou e foi até uma fogueira acessa no centro do salão, quando voltou ele explicou – para meu pai, sabe.

Allie somente concordou com a cabeça e começou a comer aquela maravilhosa fatia. Estava realmente com fome, mesmo com as noticias que ouvirá naquela noite.

Dali ela podia ver Percy e Annabeth de mãos dadas, eles sorriam um para o outro. Allie sentiu vontade de fazer o mesmo com Leo, mas ele estava concentrado demais em sua comida, e não queria atrapalhar, ela se contentou em olha-lo.

_Que foi? – ele disse, com a boca cheia, ao perceber que Allie o encarava.

_Nada, é que gosto demais de você. E não consigo não te olhar quando está perto.

_Mesmo com tantos problemas – agora ele já tinha engolido a comida e as palavras já saiam mais claras – você consegue ser a pessoa capaz de me acalmar – ele parou por um minuto, como se tivesse cogitando uma ideia – como rápido. Preciso te mostrar uma coisa.

Leo parecia, agora, eufórico. Allie tratou de comer a sua comida o mais rápido possível.

Pouco tempo depois eles estavam se esgueirando pela sombras, em direção a floresta. Leo andava com cautela e Allie fez o mesmo. Pelo o que ela pôde perceber, eles estavam cometendo alguma infração noturna.

Já na floresta, eles voltaram a andar normalmente, só que mais rápido que o normal, praticamente correndo. Minutos depois eles pararam em frente a uma porta de metal enorme.

_Se afaste, Allie – ele recomendou.

Allie deus uns passos para trás, mas antes pôde ver a cara de concentração de Leo. O que pareceu uma fração de segundos, as mãos do garoto estavam em chamas, que ia de encontro a porta.

Allie ficou impressionada quando a porta se abriu, realmente o local era extremamente protegido, já que só abria daquela maneira.

_Venha – ele estendeu a mão e a garota a segurou.

Allie entrou ao lado de Leo em uma enorme oficina e que parecia mais um hangar gigante. Cheirava a graxa fresca, como se tivessem acabado de usar o local.

_Meus irmãos vêm aqui quase sempre, mas essa noite e pela manhã creio que nenhum semideus aparecerá.

_Como pode ter tanta certeza? – Allie perguntava enquanto caminhava por entre as mesas cheias de ferramentas e papeis esticados com projetos desenhados.

_Bem... Eu sei. Bem vinda, mi amor, ao Bunker 9!

_Aqui é maravilhoso, Leo.

_Sabe mexer com ferramentas? – ele parou – Estranho, nunca perguntei isso para você.

_Não sei... Acho que nunca vi tantas ferramentas juntas, as únicas que já mexi um dia eram para arrumar minha bicicleta.

Leo sorriu e abraçou. Quando a soltou ele estava com os olhos cheios de lágrimas.

_O que foi?

_Nada... – ele disse com a voz fraca, sem tirar os olhos dos dela.

Ele a soltou e correu para um armário, pegou o que parecia uma coberta e estendeu no chão.

_Espero que não se importe em dormir no chão e com uma coberta com cheiro de graxa.

_Ah, tudo bem, já estou acostumada – ela piscou para ele,

_Acho bom mesmo se acostumar – ele sorriu brincalhão e se sentou no chão, chamando Allie logo em seguida.

No silencio do bunker, eles ficaram abraçados, não havia mais palavras a dizer, somente refletir tudo o que já fizeram o que podiam fazer para o futuro. A ultima coisa antes de dormir que Allie ouviu foi o batimento acelerado do coração ferido de Leo, seus olhos se encheram de lagrimas e ela se esforçou para não pensar mais naquilo e sim pensar em uma maneira de como faze-lo feliz. Mas naquele momento ela não queria pensar, somente sentir que ele estava ali, ao seu lado. Mas antes de adormecer, ela olhou para o rosto do garoto, ele já havia adormecido, ela então chegou perto de seu ouvido e sussurrou:

_Eu prometo não te magoar, quero te ver feliz... Eu acho que amo você...

Allie pensou ver um sorriso atravessar os lábios do garoto. Os olhos dela fecharam lentamente e ela adormeceu nos braços de Leo.