Deu tudo errado... De novo (Heróis do Olimpo Fic)
12 Leo, o menino bipolar
_ABRA ESSA PORTA!! – Leo socava a porta e esbravejava.
Estava parada no lado oposto ao da porta, observando silenciosamente o escândalo de Leo.
_Eu vou arrombar essa droga! Abra isso!
Allie pode ouvir passos do lado de fora e alguém falou com Leo:
_O que está acontecendo aqui? – disse Annabeth
_Ela não quer abrir a porta – Leo gritou para Annabeth – ABRA A PORTA! É MEU ÚLTIMO AVISO!
_Para com isso, Leo. Que coisa chata! Deixe a menina em paz! – Annabeth gritava agora.
Mais passos foram ouvidos e então Leo gritou de novo:
_Me solta, seu cabeça de alga!
_Obrigada pelo elogio, estou acostumado com isso – dissera Percy, que pelo que Allie compreendeu, estava segurando Leo para ele se afastar da porta. Depois disso nada mais alto foi ouvido, só murmúrios, que devia estar vindo da sala.
Allie respirou aliviada e voltou a sentar no chão. Minutos depois alguém batia, gentilmente, a porta.
_Allie, posso entrar? – era Annabeth novamente.
_Pode – disse baixinho.
Ela entrou, sua expressão era de extrema preocupação.
_Leo está furioso comigo – ela comentou cruzando os braços e se encostando na porta.
_Deve ser por toda essa historia da casa... – Allie fez um gesto circular com a mão.
_Sim – ela disse baixinho baixando a cabeça – eu nunca devia ter te contato e tal, ainda mais pelo lance que você e Leo estão...
_Não, Annabeth, você não precisa se desculpar... Eu e Leo, bem... é complicado, não é bem um lance... Na verdade eu nem sei o que é, só me sinto, ou sentia, atraída por ele.
_Então por que se esconde dele? Se não sabe o que sente por ele, então não deviria estar aqui, porque para mim é muito mais que um simples “eu não sei o que acontece com a gente”.
Ela era bem mais esperta do que Allie podia imaginar. Allie encarou Annabeth e confessou:
_Talvez você tenha razão. Deve ser muito mais que isso...
_Então, o que mais ele te contou?
_Ele disse que dormimos na cama em que ele e Calypso dormiam.
_Pensei que você já tivesse se tocado, Allie. O quarto é dele, e se ele morava aqui com Calypso é obvio que aquele quarto eram dos dois.
_Mas eu não sabia até hoje de manhã e nem liguei os pontos. Sei lá, um pouco de sinceridade faz bem... Aliás, eu não quero dormir na mesma cama em que ele e ela... Ah, você sabe! É demais para mim.
Annabeth a olhou, solidária.
_Eu entendo. Agora temos um rapazinho furioso em comum, não? – ela sorriu.
Allie riu.
_Que tal sair desse chão gelado? Você pode dormir conosco no quarto, temos um colchão extra no armário.
_É melhor eu ficar aqui na sala mesmo, eu junto os puffs e durmo em paz. Eu acho.
_Fique tranquila, asseguraremos que Leo não saíra do quarto. Só nos dê uns minutos para que o guardemos no quarto dele.
Allie assentiu e Annabeth saiu pela porta. Os murmúrios aumentaram o tom, mas ela não queria prestar atenção. Estava atordoada. Quando as coisas pareciam dar certo, algo vinha e destruía tudo, ela já devia ter se acostumado com isso, sua vida foi marcada exatamente por esses vai-e-vem de coisas boas e ruins.
Quando Allie voltou a atenção os murmúrios tinham parado, e o lado de fora estava em completo silêncio, mesmo com isso ela resolveu esperar mais um tempo. Tinha medo deles não terem conseguido trancar Leo no quarto, resolveu continuar escrevendo em seu caderno. Agarrou a mochila e o tirou de lá junto com sua patinha. Andrômeda era sua única companheira desde que a ganhará. Sim, ela pensava que a patinha lhe dava forças no momento em que ela mais precisava. Agarrou ainda mais a patinha e começou a escrever.
***
Ela nem viu o tempo passar, o silêncio embalou seus pensamento e lhe deu criatividade para escrever sem parar. Já estava a três horas trancada naquele banheiro. Abriu a porta no mais silenciosamente possível, tudo estava escuro do lado de fora e seguro também, deu um passo para o lado de fora e caiu de casa no chão, tropeçando em alguma coisa. Quando conseguiu se localizar, viu que tropeçara em um Leo adormecido. Maldito seja! ela praguejou silenciosamente em sua mente.
Os olhos de Leo abriram e focalizaram em Allie:
_Achei que você nunca mais sairia desse banheiro – ele disse sonolento e quase cochichando – por favor, não grite.
Allie fez o que ele pediu, até porque ela não estava com vontade de gritar, Leo somente esconderá umas coisas dela, não tinha tentado mata-la.
_Vamos caminhar um pouco? – ele disse se levantando.
_Vamos – respondeu Allie se levantando também.
A garota deixou sua mochila no pé de um puff e seguiu Leo para fora da casa, em direção aos jardins do fundo, onde ela ainda não tinha ido. O lugar era mais bonito do que o jardim da frente. Nele tinha bancos brancos espalhados por entre caminhos de pedregulhos.
_Lindo – ela disse distraída.
_Obrigada – respondeu Leo, sorrindo.
_Não estou falando de você – disse bruscamente.
Leo somente a olhou, Allie não conseguiu decifrar aquele olhar. Ele apontou para um banco a direita deles e foram se sentar.
_Allie, eu sei que agi mal escondendo isso de você, mas... eu estava tão empolgado com o simples fato de ter conhecido você que nem me veio a cabeça isso... – ele começou.
_Mas ela me trancou naquele hotel maluco. Era o mínimo que você...
_Eu sei, eu sei. Allie, é complicado, aqui é o único lugar que podemos ficar a não ser o acampamento...
_Isso eu posso entender, só que não posso aceitar que dormi na mesma cama que você e Calypso passavam as noites e... Quem pensa que sou?
_Não é nada disso, Allie. Foi o que eu disse, estava empolgado com o fato de você estar aqui... Annabeth não tinha que ter te falado nada.
_Ela contou por contar.
Leo encarou o chão.
_Quero saber se você me desculpa, Allie...
_É... Leo, eu...
_Allie, por favor. Não foi minha intenção te magoar...
Allie pensou por um momento.
_Sim, desculpo.
_Ai, graças aos Deuses – ele disse e logo se aproximou para um beijo, mas Allie se afastou – por quê?
_Eu desculpo você, mas não disse que podemos continuar com isso, Leo.
Ele encarou mais uma vez o chão e depois de alguns minutos em silêncio disse:
_Tudo bem, então. Vamos, temos que dormir. Partiremos daqui a poucas horas.
Ele se levantou sem ao menos esperar por Allie e foi em direção a casa. A garota também se levantou e o seguiu.
Já dentro da casa, Leo começava a juntar os puffs de maneira que eles formassem uma micro cama, foi até o armário que ficava debaixo da escada e triou alguns cobertores e colocou esticado em cima dos puffs. E sem a olhar, subiu as escadas.
_Boa noite – ela disse, mas não teve resposta.
Ela não tinha entendido em nada aquela atitude, uma hora ele estava carinhoso e agora a pessoa ignorante. Era a primeira vez que virá Leo assim, como assim ele não era capaz de ouvir um não? Allie não queria mais pensar nele e muito menos no que acabará de presenciar. Ela se deitou em sua cama arranjada junto com Andrômeda, em pouco tempo adormeceu.
***
_Acorde, bela adormecida.
A voz de Jason a acordou, Allie se levantou rapidamente, odiava dormir na sala, porque era exatamente o local onde as pessoas se encontravam depois de acordar e pensava ser uma péssima ideia ver alguém dormindo lá.
_Bom dia, Jason – disse ela com a voz sonolenta.
_Noite difícil, hein?
Ele se encaminhou até a cozinha, pelo visto só os dois estavam acordados.
_Cadê todos? – ela perguntou se direcionando a cozinha também.
_Estão dormindo, achei que seria legal conversar com você sobre ontem sem que alguém escutasse.
Ele o encarou, seus olhos estavam brilhantes.
_Já disse que fica linda quando acorda?
Allie se assustou.
_Pare com isso, Jason! Sua namorada pode ouvir.
_Para o tártaro ela e seu ciúme.
Ele disse isso e se aproximou da garota e a pressionou contra a geladeira. Allie tentava se soltar, seu rosto foi ficando mais perto do dela e quando ele estava próximo a dar um beijo nela, uma voz ecoou pela sala:
_Jason?
Era Piper, Allie reconheceu a voz. Jason a soltou com tanta pressa que fez a geladeira chacoalhar, fazendo barulhinhos de vidros tilintando. Jason fingiu que fazia café e Allie entrou no jogo segurando a porta da geladeira como se tentasse abrir e nisso Piper apareceu na porta:
_O que tá acontecendo aqui? – ela olhava de Jason para Allie e depois para o garoto novamente.
_Nada – Allie riu nervosamente – a geladeira emperrou, acredita?
_Serio, Allie? Não consegue abrir uma geladeira? – ela perguntou ironicamente e Allie sentiu uma vontade enorme, quase incontrolável, de falar a verdade para aquela garota.
_Eu só... Só que... – gaguejou.
_Desculpe, meninas – disse Jason – mas preciso ir ao banheiro, já que agora está disponível.
Ele passou por Piper e lhe deu um beijo na testa.
_Já volto, amor.
O clima tenso ficou ainda mais forte quando Allie se viu sozinha com Piper na cozinha.
_Agora, Allie – começou ela com um tom mais duro – você vai me dizer toda a verdade!
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