Deu tudo errado... De novo (Heróis do Olimpo Fic)
27 A Benção de Apolo
Allie não sabia se tinha entendido direito... Mas o que era a benção de Apolo?
_Benção de Apolo? Você só pode estar de brincadeira, Quíron! – disse Leo, exaltadamente.
_No dia em que Allie enfrentou Mirna, Will foi visita-los, não? – Quíron olhava de Allie para Leo e de Leo para Allie, e ambos assentiram a pergunta – Pois bem, Will veio até mim e contou tudo o que houve com você e sua situação. Ele sentia que o pior ainda estava por vir e isso foi confirmando quando, enquanto eu conversava com ele, Rachel entrou correndo por aquela porta, desesperada, dizendo que vocês enfrentariam Calypso e que Jason e Piper iriam morrer – ele estava com olhar perdido enquanto falava.
_Rachel?
_Você ainda não a conhece? Como permiti isso – disse Leo, dando um tapa na própria cabeça.
_Acredito que por minha culpa, Valdez, ela estava em uma missão para mim, no mundo mortal. Precisava saber como estava a situação das repercussões das mortes... Mas voltando ao assunto, quando Rachel falou aquilo...
_Como ela sabia? – interrompeu Allie
_Longa história, mi amor... – disse Leo, carinhosamente e ela olhou para ele.
Quíron pigarreou.
_Desculpe – disseram os dois juntos.
_Pois bem... — ele continuou – Quando Rachel falou aquilo, Will entrou em parafuso e pediu permissão para ir até junto nessa pequena missão. Mas, claro, que não pertencia a ele esse fardo e então ele rogou a seu pai, o Deus Apolo, pedindo que desse a você essa benção.
_Por que eu? – ela perguntou, se espantando.
_Porque ele sabia que você iria ajudar, simplesmente. Você era a única que podia estar mais centrada do que os outros nessa questão de cura. Os outros estariam em batalha, não podiam parar para salvar alguém – ele a encarou, mais profundamente – e claro: ninguém recebe essa benção de curandeiro se não tivesse o coração bom – e então sorriu.
Allie sorriu também. Tivera o poder de salvar pessoas, de protege-las, coisa que dificilmente ela pensaria se continuasse a viver a sua vida antiga, mas algo nela tinha mudado desde que embarcará sozinha e só agora ela sabia: nela nasceu a necessidade de cuidar do outro, o amor ao próximo.
_Entendi – ela disse com a voz embargada e uma dor no peito a invadiu.
Essa dor tinha um nome: saudade. Saudade de sua família, do seu irmão chato, da sua mãe que, na verdade, só que queria protege-la e seu pai, que estava sempre ocupado, mas na verdade ele só queria era dar uma vida melhor a todos.
Mas ela estragara tudo indo embora. Ela achava que era infeliz, mas não sabia o valor da vida, da família e dos amigos. Ela se fechava em seu mundo e esquecia que outras pessoas também precisavam de atenção ou uma palavra de carinho e só assim elas mudariam, mas naquela época ela não pensara nisso tudo.
Sentiu vontade de chorar e só então percebeu que Quíron e Leo estavam olhando para ela.
_Me desculpem, eu... – ela começou com a voz embargada – preciso ficar sozinha.
_Tudo bem, querida – Quíron disse com carinho – Leo, leve-a.
Leo assentiu com a cabeça e segurou sua mão e juntos saíram da casa grande.
***
_Tem certeza de que não quer comer? – perguntou Leo quando deixou Allie ficar em seu quarto particular, ela quase implorara a ele para ficar sozinha.
_Tenho, eu só preciso pensar. Vá jantar e então volte para mim.
Ele sorriu de modo doce e a beijou suavemente.
_Eu vou sempre estar com você, mi amor, independente de suas decisões.
Ela sorriu e assentiu e então ele subiu a cama e saiu do chalé. Allie baixou a cama e permaneceu sentada. Puxou sua mochila que estava em um canto, juntamente com Andrômeda, que estava suja de poeira e encostada tristemente na mochila.
_É lindinha – disse ela a seu pato de pelúcia – olha a que ponto chegamos e o que vivemos, hein? Você nem tanto, né? Ficou dentro da mochila, com certeza perdeu toda a diversão! – ela jogou o bichinho para cima e quando voltou a seu colo, ela o abraçou – pois é mocinha, estou um pouco diferente e prometo a você que voltaremos para casa... Não quero mais fugir, quero viver com minha família por perto... Isso será novamente um grande passo para nós, hein?
Sim, Allie estava decidida a voltar para casa e se desculpar, tentar viver de uma forma diferente com sua família. E agora ela ia com uma bagagem maior, ia voltar com amigos e Leo, um amor que arrebatou a sua vida e que a deixou leve.
Procurou seu caderno dentro da mochila e lá estava ele, todo amassado, mas ela não se importou. Abriu-o e começou a escrever. Enquanto escrevia, pensou em fazer uma história literária com aquilo que viverá, tinha muita coisa a contar.
Longos minutos se passaram sem ela ao menos perceber, escrevera quase vinte folhas e agora que tinha parado sentiu suas mãos doerem. A cama chacoalhou e subiu.
_Olá, de novo, amor – Leo disse, ainda mais feliz do que tinha ido, Allie adivinhou na hora que era porque tinha comido.
Ele se sentou ao seu lado e baixou a cama. Ao chegar lá embaixo, Leo a abraçou e Andrômeda e o caderno foram parar no chão.
_Desculpa aí, Andrômeda, preciso do abraço da sua mamãe!
_Para com isso, Leo! – disse ela rindo.
_Olha aí, vai magoar os sentimentos da patinha, você nem ao menos me deixa pedir desculpas a ela por ter lhe causado um traumatismo! – ele disse com falsa indignação – Ouviu isso, Andrômeda? Sua mãe não gostou que te pedi desculpas.
_Para de causar discórdia – ela entrou na brincadeira – É mentira dele, Dômeda, mamãe ama você – ela gritou para a patinha.
_Dômeda? Qual é – e então ele gargalhou e a apertou ainda mais contra si.
_Te amo tanto, Allie, com você eu me sinto bem.
_Preciso de contar uma coisa – ela falou baixinho.
Ele segurou seus braços e a olhou, assustado.
_Calma – ela disse sorrindo ao perceber sua cara de espanto, e então o olhou nos olhos e disse: — eu também te amo, amor. Mas preciso te contar que vou voltar para casa, para Nova York.
Ele a olhou, perplexo.
_Como? Quando?
_Eu vou voltar, tudo isso que passamos... Mudou algo em mim e me abriu os olhos.
Ela lhe contou tudo o que sentia e no final, Leo sorria.
_Então eu vou junto, podemos morar naquela casa...
_Hã... acho melhor não.
_Fica tranquila, acabamos com mal agouro daquela casa, nos livramos de Calypso. Só aceite...
_Você não acha cedo demais?
_E desde quando é cedo para o amor. Você me ama, eu te amo. E queremos ficar juntos. Posso reabrir a oficina!
_Não quero que repita a sua historia com aquela mulher – disse Allie, meio desconcertada.
_Não será igual, dessa vez terá amor. E não me importo de viver algo parecido com o que vivi no passado. Agora eu tenho você, uma razão para fazer tudo dar certo.
_Tenho medo, Leo. Você viverá tudo de novo.
_Não pense nisso, pense no que eu quero. Eu quero esquece-la.
_Fazendo tudo de novo...
_Allie, quero viver com você, só você! Vai ser diferente, eu sinto! Não vou lembrar nem um pouco dela. Em momento nenhum. Posso fazer as mesmas coisas, mas dessa vez terá vida. Você me fez sentir vivo, vontade de fazer as engrenagens do mundo rodarem de forma correta. E mais: tenho a missão de te fazer feliz todos os dias!
Ela não sabia o que dizer, ver Leo, aquele menino maluco, com um brilho malicioso nos olhos, se declarando tão lindamente, a fez querer chorar novamente.
_Leo...
_Só diga que aceita!
Ela balançou a cabeça em sinal positivo, com lagrimas escorrendo por seu rosto. Agora a vida fazia todo o sentido do mundo.
_Só uma coisa que tenho que te alertar...
_O que? – ela se assustou, não queria que mais nada desse errado.
_De vez em quando, teremos visitas, sabe como é...Noite de pizza e essas coisas...
_O pessoal do acampamento? Claro! Vamos pedir todos os dias noites de pizza! – ela disse, animada.
_Todos os dias não né, mi amor, e as nossas noites de pizza?
Ele disse isso e se aproximou lentamente dela, dando beijinhos em seu pescoço. Ela sorriu.
_Ok! Vamos ter algumas noites particulares de pizza!
_Agora sim! – ele a agarrou e jogou ela na cama, fazendo cosquinhas nela – então, vamos encenar como serão essas noites... Só um pouquinho.
Ela o encarou e então o puxou e o beijou.
***
Um barulho fez Allie se sobressaltar. Leo estava agarrado a ela, com as pernas entrelaçadas a dela e seus braços em volta de sua cintura, sua cabeça estava apoiada no ombro dela.
_Leo – ela sussurrava – estão nos chamado!
Leo disse alguma coisa inaudível e abriu os olhos.
_Quem...?
_Não sei – o barulho aumentou e estava frequente, como se alguém batesse na porta de metal que tinha dentro da cabeça dela – mas parece que esta dentro da minha cabeça de tão alto.
_Então é a sua imaginação, volte a dormir...
Ele se aconchegou nela e relaxou ainda mais.
_Leo, vai logo, se vista! Se eles clicarem em subir a cama nós estamos encrencados!
_Tá bom... – disse ele se espreguiçando e levantando lentamente.
Ela pulou da cama e começou a se vestir também.
_Quero mais noites de pizza assim... – ele comentou sonolento.
_É, é, eu também – disse ela, apressada – vamos logo!
O barulho cessará, logo a cama subiria. Mas durante alguns poucos minutos nada aconteceu.
_Viu, pra que a pressa? Cadê eles?
_Leo, não estava de brincadeira!
Leo concordou e eles subiram na cama e a cama voltou ao chalé que estava estranhamente vazio.
_Allie... – disse seu, um pouco exasperado – tinha ninguém!
_Você ouviu também!
_Devia ser brincadeira. Mas já que estamos aqui, vamos logo tomar café.
Eles saíram do chalé e lá fora encontraram sentados a escada Nico, Hanzel, Frank e uma garota de cabelos ruivos. Hanzel se levantou sorrindo e disse a Allie:
_Tem alguém aqui querendo te conhecer...
_Allie! – a menina ruiva pulou na sua frente e abraçou – que ótimo que está bem! – ela a soltou – Sou Rachel, o oráculo!
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