Detetive Penélope
6 No orfanato
Notas iniciais
Penélope acordou cedo e foi para o orfanato. Estava louca para dar início aos papéis de adoção.
Chegando lá, desceu do carro e foi visitar a cozinha. Encontrou Betty e Lú. Nem acreditava que elas ainda trabalhavam ali.
‘Beth! Lú! Quanto tempo!’ Exclamou Penélope emocionada
‘E você é?’ Perguntou Lú, mal humorada.
‘Lú!’ Penélope sorriu ‘ Você e esse seu mau humor. Mas sabe, até isso me fez falta. Sou eu, Penélope!’
‘Penélope?’ Penélope assente com a cabeça. Os olhos de Lú se iluminam e ela corre para abraçar a visitante.
‘Como você cresceu pequena!’ Espantou-se Betty.
‘Porque não viu o Cas. Ele tá um monstro de tão grande.’ Penélope respondeu sorrindo. Quando pequena ela gostava de visitar a cozinha e surrupiar deliciosos pãezinhos de queijo que Lú e Betty faziam, o que lhe rendia muitas broncas da parte das duas.
‘Aquela peste também veio?’ Perguntou Lú com visível receio da resposta.
Penélope riu. Quando surrupiava coisas da cozinha Cas sempre assumia a culpa, ele dizia que tinha a desafiado. ‘Não. Ele tem muito trabalho a fazer. Geralmente, não passa de relatórios, mas alguém tem que fazê-los, certo?’
‘Castiel Leffa? Sendo maduro e trabalhador? Não creio.’ Diz Lú, certamente lembrando das aventuras que eu e o Cas nos metíamos.
‘Pois é, quem diria que o Cas, o idiota sem maturidade e juízo algum se tornaria tão trabalhador a ponto de se tornar um tirano como chefe, não é?’
‘Ele é teu chefe?’ Perguntam Lú e Betty juntas, achando muito estranho, pois elas sabiam do poder de Penélope sobre Castiel.
‘É e não é.’ Ela sorriu. Eu gosto mais de trabalhar com os casos que outros acreditam ser insolúveis ou que temam descobrir algo que não devem, mas como não se dá pra viver desse tipo de trabalho, quando eu não tenho nada do gênero eu o ajudo como posso no trabalho policial dele. 'Tenho mais contatos que ele, então...’ Penélope gesticula com as mãos dando a entender que espera que elas saibam onde quer chegar.
‘Entendo.’ Respondem as duas em uníssono.
‘Desculpem-me, de verdade, eu amaria continuar nossa conversa, mas sabem me dizer onde Meredith está? Preciso muito falar com ela.’ Diz Penélope.
‘Onde mais ela poderia estar?’ Diz Lú.
‘Na biblioteca!’ As três falam juntas e com isso riem.
‘É óbvio que pergunta a minha. Obrigada meninas, espero que nos encontremos novamente.’ Penélope vai em direção a porta da cozinha para sair da mesma.
‘Penélope! Espera!’ Penélope vira-se e se depara com Betty.
‘Precisa de algo, Betty?’ Perguntou gentilmente.
‘Não. Só... queria lhe dizer que a admiro mais ainda pelo que está fazendo.’
Penélope lhe sorriu antes de responder. ‘Só estou fazendo minha parte. Vou adotar um lindo casal. Sabe que sempre quis ter dois filhos.’ Penélope piscou e seguiu seu caminho.
Passou por várias crianças, todas lindas, elétricas e felizes. Ao seguir por um corredor estreito e chegar na biblioteca viu um garotinho de uns 10 anos, ele era moreninho de cabelos bem pretos e olhos verdes, que ficariam mais lindos acompanhados de um sorriso.
‘Oi’ Falou, sorrindo, Penélope perto o suficiente apenas para ser ouvida como um murmúrio pelo garoto.
‘O-o-oi’ Ele gaguejou de uma forma tão fofa que Penélope teve que sufocar a vontade que sentia de apertar as bochechas dele.
‘Está tudo bem? Posso me sentar ao teu lado?’ Respondeu apontando para o banco onde o menino estava sentado.
‘Sim. Para as duas perguntas.’ Ele respondeu forçando um sorriso.
‘Então... Porque está sozinho aqui?’ Perguntou fingindo não ter notado que o sorriso do garotinho era falso.
‘Ah! Eu gosto de ficar sozinho.’ Ele respondeu.
‘Bem... Quer que eu vá embora então?’ Perguntou Penélope serena.
‘Não!’ Ele quase gritou o que levou nossa Penélope a sorrir. ‘Não é sempre que uma gata inteligente, senta comigo.’ Ele disse esboçando um sorriso maroto e o queixo de Penélope foi-se ao chão.
‘Hmm, mas não me acha velha?’ Perguntou Penélope desconcertada tentando desesperadamente por juízo na cabeça do menino.
‘Ah! Agora talvez você se ache muiiiiito mais velha, mas com o tempo... Com o tempo vou ficar mais alto que você, mais forte para te proteger e bem mais bonito para você e então o resto não vai ser tão importante.’ Disse ele, adulto demais para sua idade, mas que criança hoje em dia tem a mentalidade de sua idade real, não é mesmo?
‘Você é um garoto muito inteligente, mas quando você crescer eu vou estar velha, enrugada e feia. E você certamente vai conhecer garotas que lhe agradem mais.’ Respondeu Penélope, não desistindo de mudar a cabeça do garoto.
‘Pessoas boas nunca ficam feias, pessoas más sim.’ Respondeu alegre.
‘Não sei se sou uma boa pessoa.’ Diz Penélope, lembrando-se que o mais correto seria ter dito sobre a bebê para alguém da polícia além de Castiel. Ela estava ocultando uma criança. Se essa bebê tivesse ainda parentes vivos eles ficariam loucos a procurando. E quando tudo estivesse resolvido? Ela teria a capacidade de entregar a bebê? Ela não sabia a resposta, e isso a fazia se sentir culpada e indecisa sobre sua índole.
‘Veio falar comigo, não me ignorou, me notou aqui e veio tentar me alegrar e, além disso, como nunca te vi antes por aqui imagino que tenha vindo adotar algum de nós, certo? Então sim, você é uma boa pessoa.’ Ele sorriu para Penélope com verdadeira admiração por ela e ela percebeu isso.
‘Você é um bom garoto.’ Ela disse sorrindo de volta para ele. ‘Desculpa garoto, mas sabe onde a senhora Meredith está?’
‘Aquela velha feia e chata?’ O garoto se espanta.
‘E lá se foi o gatinho fofo. Não foi você quem disse que pessoas boas não ficam feias?’
‘Ela não é uma boa pessoa, é uma bruxa má, velha e rabugenta.’ Diz ele sério.
‘Você é uma graça.’ Penélope ri. ‘Mas precisa aprender a ser mais educado.
‘Ah! Você está aí, minha menina?’ Pergunta Meredith.
‘Sim! Eu estava conhecendo esse lindo e adorável garotinho.’
‘Fala isso porque não o aguenta o dia inteiro. Quem não o conhece acha ele lindo e uma fofura. Mas é uma praga que só vendo.’ Diz Meredith.
‘Bruxa!’ Grita o garoto pondo a língua para Meredith. Penélope riu.
‘Lindinho, você nunca deve tratar as pessoas desse jeito e sempre respeite aos mais velho, agora seja um bom garoto e peça desculpas a dona Meredith.’ Disse Penélope serena após parar de rir.
O garoto fez que não com a cabeça, negando-se a se desculpar.
‘Por favor, por mim.’ Penélope apelou para um beicinho, o mesmo que ela usava com o Cas em último caso para convencê-lo a mudar de ideia quanto a algo.
O garoto revirou os olhos e pediu desculpas, ao seu modo obviamente.
‘Desculpa por falar a verdade para a senhora.’
‘Bom... ele pediu desculpas, isso não podemos negar.’ Penélope riu, aliás gargalhou diante da atitude do garoto.
‘Assim é o Rafael, sempre foi e muito provavelmente sempre o será. Lembra-me, muito, ao Castiel.’ Diz Meredith.
‘Castiel? Esse garoto é um anjo perto do Cas. Lembra de quando ele jogou água benta e gritava “Sai demônio! Sai diabo! Em nome de Cristo eu o expulso!’ Penélope ria enquanto Meredith tinha simplesmente pavor nos olhos, enquanto recordava-se do momento.
Rafael que continuava ao lado de Penélope puxou a camiseta dela e quando ela o olhou ele perguntou:
‘Quando esse tal de Cas vem aqui? Eu já gostei dele, só não gostei da forma como falou o nome dele.’ Disse o garoto cruzando os braços.
‘Agora sim vejo a semelhança.’ Penélope riu com a atitude do garoto, ele era igualzinho ao Cas quando tinha ciúmes em sua época de criança. ‘Eu não sei, meu anjo. O Cas vive, respira e transpira trabalho.’ Penélope respondeu, ainda divertida com a situação.
‘O que veio fazer aqui a minha menina?’ Meredith estava encenando. Está na hora dela iniciar seu papel no Show.
‘Vim adotar uma linda bebê, Meredith.’ Responde olhando-a. ‘Rafael?’ Ela o chama.
‘Sim?’ Ele responde receoso.
‘Gostaria de ver comigo as bebezinhas?’ Logo que ela completa seu questionamento a Rafael, Meredith lhe sussurra: ‘Ela está no último berço que veremos.’
‘Quero! Quero! Quero! Eu quero sim!’ Respondeu Rafael dando pulos de tão empolgado que estava.
Passaram por lindas bebês, de diferentes etnias e Rafael não largava da mão de Penélope, até que chegaram NA bebê.
Penélope nem questionou se era o último berço das meninas. Foi só olhar para ela em seu berço que Penélope soube que era a sua garotinha.
‘É ela.’ Foi tudo que conseguiu balbuciar.
Rafael soltou a mão de Penélope, não queria que ela escolhesse a bebê. Ele queria ir para casa com ela. Deveria ser ele e não a bebê. Penélope sentiu-se rejeitada ao notar esse gesto.
‘Rafael?’ Questionou-lhe com o olhar triste, o garoto quase podia enxergar os olhos dela lacrimejando. ‘Quer me ajudar a dar um nome para tua irmãzinha? Penélope sorriu esperançosa.
‘Mi-minha irmãzinha?’ Ele perguntou chocado.
‘É. Eu já estava pensando em adotar um menino também, sabe... para ser o homem da nossa família. E acho que você é a escolha certa. Então... O que você acha? Quer ser meu filho?’ Penélope sorria de orelha a orelha.
O garoto não respondeu, apenas jogou-se nos braços de Penélope, que o acolheu com carinho.
‘Então... Qual vai ser o nome dela? Penélope perguntou-se novamente.
‘Louise! Louise! Como a Vanellière.’ Respondeu todo sorridente.
‘Ah! Quer dizer que vou ter um filho que gosta de animes? Amei! Vamos cuidar para que ela ache o Saito correto, não vamos?’
‘Não! Se ela precisar de alguém que a proteja terá a mim. Não precisa de nenhum Saito.’ A possessividade com que ele o disse fez Penélope rir.
‘Você fica lindo com ciúmes Rafael.’ Disse Penélope tendo como resposta um olhar de desaprovação do menino. Ao que parece ele como Castiel não assumia ter ciúmes com facilidade.
‘Quando vamos para casa senhorita Penélope?’
‘Meredith?’ Penélope perguntou olhando esperançosa para a sua velha amiga.
‘Bom... Eu imaginei que você não fosse resistir a adotar mais um, então já preparei todas as papeladas que precisa preencher. Mas o processo pode demorar. Você sabe. Lista de espera e tal.’
‘Tudo bem, eu entendo.’ Penélope suspira. ‘Sinto muito, meu anjo.’ Disse penélope desgrenhando os cabelos de Rafael.
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