Notas iniciais
Obrigada por esperarem e apreciem a leitura ^^

‘Amora, você se importa de ficar com as crianças por um tempinho?’

‘Vai a um encontro?’ Perguntou Melany.

‘Sim um encontro entre eu e meu dinheiro no banco.’ Ambas riram.

‘Rafa, comporte-se e ajude a Amora a cuidar da Louise.’ Penélope dá um beijo da testa de Rafael, entrega a pequena para a amiga e dá um beijo na bochecha daquela bonequinha antes de sair.

No banco...

Sendo amiga já dos seguranças eles abrem a porta dos funcionários para ela passar sem precisar usar a porta com detectores de metais. Conversa um pouco com eles enquanto observa o movimento de entra e sai dos clientes do banco. Um deles lhe sorri timidamente, mas ela finge não reparar, não vale a pena. Mantem um pouco mais sua conversa com Maven e Victor. Nada de importante, meras trivialidades sobre o tempo e então segue seu caminho por uma segunda porta.

Retira uma ficha, seu número é 666. Ela quase ri, se fosse supersticiosa ela muito provavelmente trocaria de ficha com o próximo que entrasse. Mas ninguém chega então mesmo que ela quisesse trocar não haveria um candidato pra isso, afinal de contas, ninguém ia querer deixa-la passar na frente.

Há umas 20 pessoas ali, mesmo assim não demora muito para ser chamada. Enquanto pega seu dinheiro e faz algumas reclamações sobre funcionários e estrutura do banco para seu gerente que está ali junto ao guichê número 13, ela escuta alguns barulhos estranhos vindos do forro. Ninguém parece notar, além dela.

‘Com licença, onde fica o banheiro mesmo?’ Penélope pergunta baixinho, quase num sussurro.

‘Vá reto, depois vire a esquerda por uns cinco minutos em seguida vire a direita. É a primeira porta que encontrar.’

‘Obrigada.’ O banheiro é unissex, uma das muitas reclamações dela. Não importa o quanto ela brigue com eles por causa disso, o dono não está disposto a mudar isso. Mas hoje, ela agradece a Deus por isso. Dentro do banheiro ela opta por entrar na porta do meio. Perfeito! Esse é o lugar perfeito para ela ficar. Alguns minutos depois ela ouve o barulho que esperava. Primeiro o som de algo lentamente deslizando e depois o som de algo pousando com a sutileza de um canhão, ao menos para a nossa tão adorável protagonista.

Penélope abre a porta com cautela, e espera o meliante que não parece ser tão paciente quanto ela.

Penélope o empurra contra a porta fechada, surpreendendo-o e remove sua máscara. É Mattew!

‘Quanta decepção garoto, você é muito lento. Cheguei antes de você e ainda tive tempo de ficar entediada.’

Mattew dá uma rasteira em Penélope. ‘Desculpe doçura, no momento estou sem tempo pra diversão.’ E correu com nossa heroína, que rapidamente se levantou, em seu encalço.

Sendo honesta, ela não sabia se queria ou não pegá-lo. ‘Droga ele é irmão da Mel!’ Ela pensava. Como explicaria isso pra amiga depois? Mas mesmo de férias, ela jurou pra si mesma que protegeria os cidadãos.

Mattew chega onde estão os guichês e funcionários. Do outro lado da porta todos os clientes estão controlados por homens armados, muito provavelmente com pistolas plásticas. Desde que inventaram as impressores 3d a vida de detetives e policiais se tornou bem mais difícil.

Mattew está apontando sua arma para o homem do guichê 13. Penélope o derruba com uma voadora e o tiro acerta apenas o ombro do rapaz.

‘O que você pensa que está fazendo? Está maluco?’ Penélope deu um soco nele.

‘Diga-me você, é você quem está enfrentando um homem armado.’ Respondeu ele segurando a mão esquerda dela enquanto ela tentava lhe desferir novo golpe e derrubando-a de costas no chão. Com um pé na barriga e outro perto da cabeça dela ele encostou a arma na cabeça dela.

‘Como eu já disse, você é lento.’ Respondeu ela com a arma apontada pra cabeça dele e sorrindo-lhe vitoriosa. ‘No entanto, meus parabéns. Nunca ninguém conseguiu apontar uma arma pra minha cabeça, nem mesmo meu chefe. Mas e agora? Como vamos resolver isso?’ Ela perguntou ainda sorrindo confiante.

‘Que tal considerarmos um empate? Não quero estrar tua linda cabecinha.’ Ele respondeu divertido.

Ambos abaixam as armas. Mas enquanto Penélope pensa em uma forma de convencê-lo a ir embora sem maiores problemas, Mattew levanta e aponta sua arma para o mesmo cara de antes. Dessa vez ele não erra, acerta bem no meio da testa.

Penélope atira nele enquanto ele corre mandando seus homens se retirarem, mas ela estava tão nervosa que errou o tiro e a bala só pegou de raspão no braço dele.

Depois de Mattew fugir por entre seus dedos Penélope fica em choque por tanto tempo que o gerente do banco é que tem que soltar os seguranças e demais clientes. Maven o segurança mais musculoso se aproxima dela e tenta puxar conversa na intenção de tirá-la do choque, mas tudo o que ela diz são três palavras ‘Chame o Castiel.’ O segurança então pega o celular do bolso dela e chama Castiel, que corre até o banco.

***

‘Penélope! Você está bem?’ Castiel me perguntou enquanto me abraçava e afagava meus cabelos.

‘Eu...eu errei, Cas.’ Foi o que consegui dizer.

‘Como?’ Cas não me entendia.

‘O tiro, eu errei o tiro.’ Lágrimas começaram a brotar dos meus olhos.

‘Você não errou nem na primeira vez que atirou, não faz sentido você errar em ação.’

O gerente então me deu um tapa. ‘Fomos assaltados, um dos meus funcionário morreu e você tá preocupadinha por ter errado a droga de um tiro?’

Suspirei e murmurei ‘Não foi um assalto.’

‘O quê?’ Perguntaram o gerente e o Cas.

‘Não foi um assalto. Todos estão com seus pertences, eles não tentaram arrombar os caixas eletrônicos, não pediram o dinheiro aos guichês. Limitaram-se a controlar os clientes, nem se preocuparam em tirar os demais funcionários daqui. Confiavam plenamente no chefe idiota deles.’ Respondi furiosa comigo mesma por deixar o cretino fugir.

‘O que você acha que eles queriam?’ Perguntou-me Castiel.

‘Não é óbvio? Ele era o objetivo.’ Respondi apontando para o garoto que recém devia ter feito 18 anos e jazia morto no chão. ‘Eles queriam apaga-lo, mas não sei porque ainda. Mas vou descobrir, nem que eu tenha que matar aquele maldito.’

***

Cheguei na casa da minha irmã e bati em sua porta. Quando ela me viu mandou alguém ir para o quarto.

‘Desculpe, não quis atrapalhar seu momento de diversão, mas preciso de ajuda.’ Falei entrando.

‘O que você fez?’

‘Levei um tiro.’ Respondi calmamente.

‘O quê?’ Ela arregalou os olhos.

‘Relaxa, foi só de raspão. Não vou morrer por isso, mas precisa ser limpo e você é a melhor.’ Respondi já removendo minha camisa.

‘É claro! Você sempre se mete em encrencas e sobra pra mim curar tuas feridas.’ Ela revira os olhos. ‘Você é muito idiota Mattew, podia ter morrido.’ Diz ela pegando tudo o que precisava, mais que depressa.

‘Todo mundo vai morrer um dia Mel, você não pode viver a vida inteira com medo da morte.’

‘Não estou te pedindo isso.’ Melany suspira. ‘Mas você podia ser mais sensato, não podia?’

‘Mas que graça teria isso?’ Respondi sorrindo.

‘Melany, estou com fome. Tem algo pra comer? Perguntou Rafael com a bebê em seu colo.

‘Claro, meu anjo. Enquanto isso porque não joga um pouco de vídeo game com o inútil do meu irmão?’

‘Por mim, tudo bem. Talvez ele aprenda alguma coisa comigo.’ Rafael deu um sorriso que foi correspondido por outro vindo da minha irmã.

‘Ótimo, mas vai conseguir jogar com a pequena no teu colo?’ Perguntei.

‘Claro! Não vou larga-la. É meu dever cuidar dela.’ Respondeu-me o garoto.

De repente ouvi um barulho...

***

Estava tão furiosa que arrombei a porta.

‘Fique. Longe. Dos meus. Filhos! Rafael, suba com tua irmã e Amora lá pra cima agora!

‘Mas, mamãe...’

‘Agora, Rafael!’ Foi a primeira vez que gritei com ele.

‘Você está em maus lençóis, meu caro.’ Disse Rafa antes de me obedecer.

Dei um tapa na cara do cretino. ‘Eu quero que você saiba que só não te prendo aqui e agora por saber o quanto Melany sofreria com isso. Você é o irmão dela, seu imprudente! Devia pensar nela antes de fazer algo tão estúpido quanto isso! Não quero nem saber como você vai fazer isso, mas você vai contar pra ela exatamente o que aconteceu, se entregar e mudar de vida porque na próxima vez que você cometer um crime e eu estiver por perto eu não vou hesitar em te matar e pode ter certeza que eu não errarei novamente!’ Falei olhando diretamente em seus olhos.

‘Rafael! Desça! Vamos pra casa agora!’ Gritei sem desviar meu olhar daquele idiota. Lindo e sexy é verdade, mas ainda assim um completo estúpido.

***

‘O que você fez dessa vez? Eu nunca vi a Penélope levantar a voz desse jeito pra ninguém. Mattew, o que você aprontou?’ Perguntei irritada para o meu irmão que só ficou me olhando com cara de besta. ‘Mattew!’

Ele então suspirou antes de falar. ‘Você sabe que fugi de casa a uns 10 anos atrás, certo?’

‘Certo.’ Respondi.

‘Eu acabei indo parar em uma espécie de tempo ninja e lá aprendi a me defender e também a atacar. O que aconteceu hoje foi que eu fui contratado para matar um homem que tinha envolvimento com o tráfico de drogas e armas e trabalhava em um banco.’

‘O banco onde Penélope estava?’

‘Exatamente. Tua amiga é incrível sabia? Ela percebeu de alguma forma a minha presença e se escondeu no banheiro onde eu ia entrar. Ela me surpreendeu me encurralando e arrancou minha máscara. Trocamos algumas farpas e eu... bem... não sei bem o que aconteceu em um momento eu estava preso por ela e em outro ela estava no chão. Aproveitei e corri, mas ela é obstinada e correu atrás de mim.’ O que era aquele brilho nos olhos do meu irmãozinho? Seria admiração?

‘A Penélope é assim. Determinação é a qualidade e defeito dela. Depois que põe algo na cabeça, ninguém tira.’

‘Eu estava pronto para concluir o trabalho, cheguei a atirar, mas aquela maluca me deu uma voadora e me fez errar o tiro.’ Não pude evitar rir com a imagem da minha amiga se atirando em uma voadora contra meu irmão. ‘Acertei o ombro dele enquanto mirava o coração. Ela gritou comigo e me deu um soco, como se não soubesse que eu estava armado. Admito que gostei de ver isso. Ela é provavelmente a única que é digna de ser minha rival. Chegamos a um impasse quando ambos tínhamos nossas armas apontadas para a cabeça do outro. Quando convenci ela a aceitar um empate esperei um pouco até ter certeza de ser o momento certo, atirei no meu alvo e corri como nunca antes.’

‘E foi então que Penélope a hero´na das lâminas te jogou uma faca acertando teu braço?’

‘Não, sua anta. Eu já disse que foi um tiro, de raspão mas foi.’ Respondeu ele revirando os olhos e me dando vontade de dar-lhe um tapa na cabeça.

‘Hmm, ok. Mas o que ela queria aqui?’

‘Além de me dizer pra te contar? Ela queria me avisar que na próxima vez ela não erraria.’ Ele respondeu demonstrando não crer muito nas palavras de minha adorável vizinha.

‘Não a subestime, maninho. Com ela ameaças nunca são da boca para fora. Ela disse mais alguma coisa?’

‘Que eu deveria me entregar.’

‘Então faça isso.’

‘O quê?’

‘Você me ouviu, entregue-se e não faça mais nenhuma tolice. A Penélope não brinca em serviço.’

‘Foi por isso que nunca mais vi o panaca do teu ex por aqui?

‘A Penélope viu ele me batendo certa vez, uma semana depois recebi um vídeo onde ele era torturado e jurava nunca mais se aproximar de mim.’

‘Era de se supor que uma policial não fizesse esse tipo de coisa.’

‘Ela não é policial, é detetive particular. O chefe dela a paga com o próprio dinheiro. Ela não segue regras, sejam do judiciário ou da sociedade. É independente e vive pelas próprias regras.’

‘Você está me dizendo que ela é capaz de...’ O interrompi antes que ele continuasse.

‘Eu estou dizendo que ela é respeitada e temida, não só pelos mocinhos mas pelos bandidos também. Muito me admira que você nunca tenha ouvido falar dela. O que quero dizer é que se você fugiu dela, não foi pela tua capacidade mas porque no fundo ela não queria realmente te pegar.

‘Mel, eu sou muito bom no que faço e foi por isso que ela não conseguiu me pegar.’

‘Repita isso até se convencer, maninho. Até – se – convencer.’ Dou-lhe as costas e subo as escadas, quando chego ao topo ouço uma porta bater.

***

Cheguei na delegacia cansado e entrei.

‘Vim me entregar.’

Notas finais
Obrigada por lerem até aqui ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.