Detetive Penélope
7 Vovó Angel
Notas iniciais
Uma semana depois...
Pelo vidro do carro eu via árvores, montanhas e manadas de diferentes espécies de animais. Estávamos fora da cidade, a estrada era de chão e o carro dava solavancos em alguns trechos.
Abri meu vidro para que o vento tocasse meu rosto e meus cabelos. Era bom. Observei o vidro traseiro, apenas para confirmar que a estrada estava deserta.
Não me aguentando mais, pus minha cabeça para fora da janela. A sensação era maravilhosa e a adrenalina que corria por minhas veias só melhorava tudo. Compreendi então o porquê dos cães gostarem tanto de viajar assim nos carros. São tantas sensações ao mesmo tempo que é complicado explicar ou defini-los detalhadamente.
Quando dei por mim o carro havia parado e alguém me tirava de meus pensamentos e reflexões.
***
‘Rafa! Você não ficou o tempo todo com a cabeça para fora da janela ficou?’ Perguntou horrorizada enquanto o menino apenas lhe dava um daqueles meios sorrisos que deixaria qualquer uma de pernas bambas. E Penélope então percebeu que se o garoto já era assim quando criança, na adolescência ele lhe daria muito trabalho. ‘O que farei com você, garoto?’ Perguntou-lhe sorrindo. ‘Está na hora de descer e conhecer a vovó Angel.
Rafael desceu e deu a volta no carro para ficar ao lado de Penélope, enquanto ela pegava a pequena Louise.
‘Prontinho, meu amor.’ Disse Penélope fechando a porta do carro.
De dentro de uma casinha simples, saiu correndo uma mulher com cabelos bem brancos e com um belo corpo usando um vestido florido simples e soltinho, mas ainda assim sensual em seu corpo.
‘Penélope! Penélope, minha flor, como você está?’ Disse ela correndo para abraçar Penélope.
‘Vovó Angel, a senhora precisa me contar o segredo para se manter tão linda e sensual aos 80.’ Penélope disse sorrindo.
‘Oitenta?’ Espantou-se Rafael o que levou Penélope e Angelina a rirem de sua expressão facial.
‘E quem é esse lindo garotinho?’ Perguntou Angel
‘Meu nome é Rafael e eu sou o filho da Penélope!’ Rafael estava mais do que contente de se autodeclarar filho de Penélope. ‘E essa bebê que está no colo de mamãe é minha irmãzinha Louise.’ Ele completou sorrindo para a senhora.
‘Penélope! Como você se casa, tem filhos e só vem me apresentar os meus bisnetos com o resultado da segunda gravidez?’ Angelina parecia brava com Penélope.
‘Uma vez vovó Angel, sempre vovó Angel. A senhora é a primeira pessoa do meu meio que eles estão conhecendo vovó. Eu acabei de pegá-los no orfanato.’ Penélope revirou os olhos.
‘Menina, eu já não falei que é falta de educação revirar os olhos para os outros?’
‘Já, mas a senhora sabe que nunca fui muito obediente.’ Respondeu Penélope divertida.
‘Mas agora tem que ser um exemplo para seus filhos. Você não quer que esse lindo garotinho e essa adorável bebê sejam desobedientes a você quando crescerem, não é?’ Angelina respondeu sabiamente.
‘Eu nunca desobedeceria Penélope.’ Respondeu Rafael.
‘Nunca é muito tempo Rafael, e você é um garoto bem levado quando quer. Não sou boba, é claro que um dia você vai acabar me desobedecendo, só espero que não se machuque ao fazer isso.’ Respondeu Penélope dando um beijo no rosto dele.
‘Venham, vamos entrar!’ Disse Angelina.
Rafael ficou um tempo parado, vendo elas entrarem. Então correu até elas e deu pequenas puxadas no vestido de Penélope e quando ela se virou ele abraçou as pernas dela.
Penélope não estava entendendo porque Rafael estava tão emotivo, não havia motivo para isso. Ela então abaixou-se para ficar no mesmo nível que ele e lhe perguntou: ‘O que foi, Rafa?’
‘O dia em que eu desobedecer será para te proteger, para o seu bem. Nunca poderei agradecer por me adotar, por querer ser minha mãe quando ninguém mais quis. Não quero nunca decepcioná-la mamãe.’ E abraçou Penélope, tomando cuidado para não acabar machucando sua irmãzinha Louise. ‘O mesmo serve para ti Louise. Sempre vou te proteger.’ Disse Rafael dando um beijinho na bochecha da bebezinha.
‘Esse garoto gosta mesmo de você!’ Um ruivo, com olhos roxos e sorriso sedutor, olhava Penélope como se ela fosse um verdadeiro deleite para ele enquanto recostava-se na porta que dava para o quarto de hóspedes.
‘Jake?’ Perguntou Penélope com um sorriso de orelha a orelha.
‘Nos conhecemos? Não, não creio. Eu certamente me lembraria de alguém como você.’ Disse ele.
‘O mesmo Jake de sempre. É claro que eu te conheço! Não existem muitos garotos de olhos roxos e sorrisos sedutores como o teu sabia? Mas é verdade que o cabelo ruivo é novidade para mim, se me lembro bem você era loiro e eu a ruiva quando nos conhecemos.’ Disse Penélope ainda sorrindo.
‘Ruiva, você disse?’ Ela assente com a cabeça, ele aperta os olhos e a analisa descaradamente. ‘Penélope? É você mesma?’
Penélope ri. ‘Por um segundo achei que você havia se esquecido de mim. Quase fiquei magoada.’ Disse ela fazendo beicinho para ele.
‘Ah, esse beicinho! Se o tivesse feito antes eu a teria reconhecido de cara. Mesmo que você tenha crescido tanto em tantos lugares.’ Diz ele rindo e fazendo careta para ela.
‘Não seja palhaço! Eu ainda continuo sendo baixinha, você por outro lado... Com quanto de altura tu está? Dois metros?’ Ela riu.
‘Ah! Claro, eu tomei suplemento para agradar o amor da minha vida, na esperança de um dia ela voltar para mim.’ Disse ele todo galanteador para ela. ‘Só não achei que você retornaria com uma bebê no colo e um pirralhinho junto.’
‘Pirralho é a o teu pai, seu idiota!’ Diz Rafael irritado.
‘Rafael!’ Penélope lhe dá um olhar de reprovação.
‘Ah, mãe! Ele me chamou de pirralho. Eu já tenho 10 anos. E além disso, não vou deixar esse cara te roubar de mim. Mais 6 anos e seremos muito felizes com a Louise.’ Disse Rafael.
‘Olha que bonitinho ele sabe fazer conta já. Vai ter que comer muito arroz e feijão para me superar garotinho.’ Disse Jake.
‘Ótimo! Você não mudou mesmo.’ Penélope riu ‘Vocês parecem duas crianças brigando pelo mesmo brinquedinho.’
‘Nunca gostei de brincar de bonecas, mas se você quiser se considerar uma boneca, eu vou amar brincar com você de diferentes formas.’ Disse Jake usando de sua marca registrada a piscadela e aproximando-se como um leão a caça de sua presa.
‘Jake, para com isso!’ Penélope o empurra com uma mão enquanto segura Louise. ‘Tenha modos, a donzela em perigo se encontra com uma bebê no colo, nem o mais cruel dos monstros cercaria alguém com uma criança de colo do jeito que você estava fazendo.’
‘Está bem, está bem! Em respeito a doçura em seus braços eu vou me comportar.’
‘Ótimo!’
‘Mamãe! Estou com fome.’ Disse Rafael
Penélope pôs Louise na sua antiga cama, que ficava no quarto ao lado da cozinha. Após isso dirigiram-se então para a cozinha que era simples, com uma mesinha pequena para quatro lugares. Os móveis eram simples, mas modernos, provavelmente aquisição de Jake.
‘Então o que você vai querer, querido?’ Perguntou vovó Angel para Rafael.
‘Porque ele é querido e eu sou sempre Jack?’
‘Provavelmente porque você é irritante.’ Respondeu Penélope pondo a língua para Jake e saboreando um pãozinho de queijo.
‘Eu como qualquer coisa, depois da última comida horrível que eu comi. E porque ele disse que a senhora sempre o chama de Jack? O nome dele não é Jake?’ Respondeu Rafael.
‘Meu nome é Jack, mas a Penélope sempre gostou de me irritar me chamando de Jake. Acabou que eu me acostumei com ela me chamando assim e passei até a gostar.’ Jack rouba um pão de queijo que Penélope recém havia pego.
‘Ei! Esse é meu, devolve!’ Diz Penélope o fuzilando com o olhar. Jake a olha com aquele olhar. O olhar desafiador dele, e então ela sabe exatamente o que ele vai fazer em seguida. ‘Jack Jhonson Junior, nem ouse fazer isso.’
‘Fazer o que? Isso?’ Diz ele colocando o pãozinho inteiro na boca de uma só vez. Ele se embucha e quando vai pegar o copo de água, Penélope é mais rápida e pega antes dele. Ele a olha como se a implorasse.
‘Você quer água Jakezinho?’ Pergunta ela com um olhar que Rafael definiria como assustador, mas não pareceu ter o mesmo efeito sobre Jack que só assentiu com a cabeça. Penélope então jogou a água do copo na cara dele. Ela vai até a pia, que fica atrás da mesa e pega mais água na geladeirinha, senta no colo dele ficando de frente para ele, puxa os cabelos dele pra trás e diz: ‘Agora eu vou te dar mesmo água, mas eu juro por Deus Jake que se na próxima vez que nos virmos você roubar comida da minha mão você vai sofrer, e muito. Entendeu?’ Disse ela dando leves tapinhas na cara dele e ele assentiu. ‘Ótimo! Agora bebe.’ Ela pôs o copo na mão dele e ia sair de seu colo, mas ele a puxou de volta e não a deixou sair antes de terminar de beber a água. ‘Jake, me larga!’ Disse ela.
‘Esse jogo, jogam dois, Penny.’ Diz ele cheirando e beijando o pescoço dela sensualmente.
‘Você não vale nada, Jake. Temos crianças aqui, lembra?’ Disse Penélope usando todo seu autocontrole para que ele não percebesse o desespero dela para sair de seu colo.
‘Você não parecia se lembrar disso antes.’ Disse ele se divertindo com o desespero dela.
‘Eu estava com raiva, você não está com raiva. Está apenas se divertindo.’ Disse Penélope.
Ele que podia ver o quanto o olhar dela estava diferente de antes, suspirou. ‘Está bem, é verdade. Mas o que posso dizer em minha defesa? Nós crescemos, nossas implicâncias e brincadeiras também, certo?’ Diz Jack dando-lhe um sorriso dos mais maliciosos.
‘Ok! Chega de água mineral para você!’ Penélope consegue finalmente soltar-se dele. ‘O que tinha naquela água vovó Angel? Seja o que for, não dê ao Rafael.’ E Angelina só ri.
‘Vocês dois nunca vão mudar, não é mesmo?’
‘Oi?’ Falam Jack e Penélope juntos.
‘Sempre implicando um com o outro, mas nunca se desgrudando.’
‘Fomos obrigados a nos desgrudar quando ele foi pro exército lembra?’ Falou Penélope lembrando-se de quando ele foi embora deixando-a desolada e encarando Jack com raiva.
‘Eu fui convocado! O que eu deveria fazer? Cortar um braço para não ir?’ Jack revolta-se.
‘Não é claro que não.’ Diz Penélope olhando para a mesa e fazendo círculos na mesma com os dedos. ‘Mas podia ter me dito com antecedência, não podia? Você nem ia me contar. Eu só fiquei sabendo porque ouvi a Angelina falando com papai. E mesmo assim eu fui te encontrar pra me despedir, mesmo você não merecendo isso.’
‘Penélope...’ Jack estava aflito, via a tristeza em que ela se encontrava, percebia isso por ela estar brincando com os dedos em cima da mesa e por não conseguir olhar para ninguém. Ela sempre ficava assim quando não queria que vissem-na chorando, então para segurar as lágrimas ela não olhava para ninguém. ‘Eu...Eu sei que não contei nada e que isso deve ter te magoado muito. Mas eu não consegui te contar. Eu não podia te contar, porque tinha plena noção do quanto seria difícil me despedir de você. Droga Penélope, sabe como foi difícil para mim entrar naquele trem depois que te vi lá? Eu quase não entrei nele. Juro que quando eu vi que havia lágrimas prontas para cair dos teus olhos a minha vontade era de seca-las te abraçar e não te soltar mais.’ Jack olha para o chão sem coragem de ver Penélope erguer a cabeça e olhá-lo. ‘Mas eu precisava ir, precisava provar pra você e pra mim mesmo que eu não era apenas um inútil, irritante e babaca.’
‘Bom... Irritante você sempre é, você não pode evitar isso.’ Penélope sorriu e mesmo sem olhá-la Jack podia sentir isso. ‘Babaca? É, você era um pouco, se não fosse não teria deixado de me contar pelo menos que iria viajar. Mas inútil?’ Jack finalmente cria coragem de olhar para Penélope de novo que o olhava de forma meiga. ‘Inútil você nunca foi, não pra mim ao menos. Você era o único que alcançava o esconderijio de biscoitos da vovó Angel.’ Penélope riu e Jack a abraçou fortemente.
‘Senti tua falta Penny.’ Ele sussurrou.
‘Eu espero que tenha sentido muita mesmo, para pagar por me deixar na ignorância até o último segundo.’ E Penélope estava tão feliz, que certamente o beijaria se não houvesse um pequeno obstáculo.
‘Mamãe, quero ir embora. Quero conhecer a minha nova casa. Vamos, vamos, vamos! Por favor!’ Suplicava Rafael com as mãos espalmadas juntas.
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