ROMANCES MENSAIS

LIVRO III – DETENÇÃO DE MARÇO

EPÍLOGO

Em meio a risos e brincadeiras, Mal e Ben deslizavam pela pista de patinação principal do Roller Jam com Austin, Barry, Ally e Cait. O inverno rigoroso havia chegado, deixando a cidade coberta pela grossa camada de neve. Dispostos a aliviar o estresse que acumularam nas últimas semanas com o sequestro de Mal, a competição de patinação, a luta de Mon-El e Kara pela guarda de Mike e Holly, o casal sentia que precisava daquele momento com os amigos.

Depois de ganhar o United States Figure Skating Championships, Ben resolveu deixar o hóquei para se dedicar a patinação artística e se tornou parceiro oficial de Mal. Não havia sido uma notícia fácil de dar ao pai, mas ao contrário do que imaginou, Ben recebeu apoio total de Adam, que após assistir a apresentação do filho, entendeu que ele realmente pertencia as pistas de patinação, mas em um esporte completamente diferente.

Com o fim do tratamento de Bela contra a Síndrome de Guillain Barré, a mulher finalmente estava curada e até mesmo conseguia realizar movimentos que jamais imaginou que seria capaz de realizar, após ficar entre a vida e a morte, como dançar e se exercitar. Adam, Ben e Mal não poderiam estar mais felizes por verem a mulher saudável e tão apaixonada pela vida. Ela e o marido até mesmo pensavam em aumentar a família, para a felicidade de Ben, que sempre quis ganhar um irmão ou uma irmã.

Para a surpresa da família, dias após o tratamento de Bela ser concluído, o presidente do Hawkins National Laboratory, Ted Wheeler, foi preso junto com os pais de Audrey, acusados pelo envolvimento em esquemas de corrupção e procedimentos ilegais realizados no laboratório. Ainda não se sabia ao certo qual seriam esses procedimentos e, por hora, a família preferia comemorar a cura de Bela.

E em relação a família, Mal também não tinha como estar mais feliz. Agora morando com a Kara, Mon-el, Mike e Holly, ela se sentia em casa. Mais rápido do que ela imaginava, a garota de cabelos roxos se apegou tanto aos sobrinhos do namorado da prima, que realmente os via como seus irmãos mais novos, assim como Hadie, que ela fazia questão de visitar todo fim de semana. Mal também se aproximou ainda mais do pai. Hades não havia ficado satisfeito em saber que sua Maly preferia morar com a prima do que com ele, mas acabou tendo que aceitar ao ver como aquela família a fazia bem.

Mal também tentou reencontrar a mãe, com quem não tinha contato desde o ano anterior, mas não obteve respostas. Aparentemente, Malévola resolveu desaparecer de forma definitiva da vida da filha e da família. A única informação que tinha sobre a mulher é que ela havia recebido uma proposta de emprego no Japão e acabou mudando de país. Não que isso fosse surpreendente para Mal, mas a notícia a deixou um pouco decepcionada por saber que Malévola nem mesmo havia se dado ao trabalho de informar a garota.

Aos poucos, a vida de Ben e de Mal se ajeitava. Ambos conseguiram se sair bem no vestibular e no início do ano começariam a faculdade. Pelo excelente histórico escolar e influenciado pelos tios e a realidade que sua mãe enfrentou, Ben decidiu cursar Medicina. Mal resolveu seguir a área do Direito. Ela sentia que esse era o curso que mais combinava com seu forte senso de justiça e esperava ser capaz de ajudar a minoria e as pessoas que são abandonadas pela sociedade. Essa era sua forma de tentar mudar um pouco o mundo.

Eles não sabiam por quanto tempo seriam capazes de conciliar o estudo com a patinação artística, mas enquanto pudessem, eles continuariam a participar das competições, ainda mais agora que tinham patrocinadores e eram um dos casais favoritos a competirem no próximo Campeonato dos Quatro Continentes e nos Jogos Olímpicos de Inverno.

— É tão injusto patinar com vocês! — Reclama Ally, fazendo com que os outros jovens rissem de sua tentativa de se manter em pé no patins. — Eu estou me sentindo o patinho feio aqui só por ter que ficar me apoiando toda a hora para não cair.

— Tudo é questão de prática, Ally. — Afirma Mal, sorrindo solidária para a amiga. A garota ver Logan, o gerente do Roller Jam fazendo sinal para informar que o tempo deles havia se encerrado. — Parece que deu a hora.

— Logo agora que eu estava me divertindo tanto com as manobras radicais que a Ally estava fazendo no gelo. — Ironiza Cait, recebendo uma careta nada amigável em resposta.

— Você é tão má. — Comenta Barry, abraçando a namorada por trás, enquanto deposita um beijo em sua bochecha. Cait sorri divertida, enquanto encara o rapaz com um olhar malicioso.

— Eu sei. E é por isso que você me ama. — Afirma a garota, dando uma piscadela, antes de se afastar em direção a saída da pista de gelo. O sorriso apaixonado de Barry se alargar e de forma atrapalhada, ele corre atrás da namorada.

— Ele é patético. — Comentam Austin e Ben ao mesmo tempo encarando o amigo com seus piores olhares de julgamento, fazendo Ally e Mal trocarem olhares e rirem. Era incrível a sintonia dos três rapazes, que conseguiam divertir todos a sua volta.

— O que acham de lancharmos antes de irmos embora? — Sugere Austin, depois que os casais deixaram as pistas e trocaram os patins pelos seus sapatos. — Eu estou morrendo de fome.

— Isso não é novidade nenhuma, Austin. — Responde Ben, rindo do drama do amigo.

— É, Austin. Você sempre está com fome. — Concorda Barry, laçando um olhar divertido para o loiro, que bufa e resmunga.

— Eu também estou com fome. — Comenta Mal, sorrindo sem graça.

— Patinar consumiu todas as minhas energias. Eu também estou louca para comer alguma coisa. — Afirma Cait, colocando a mão na barriga.

— Nós definitivamente precisamos comer alguma coisa. — Barry avisa imediatamente.

— Com certeza. É claro que depois de tanto esforço, acabaríamos ficando com fome. — Completa Ben e Austin os encara com indignação.

— Falsos! Só porque as namoradas de vocês falaram que estão com fome, vocês querem ir comer. Antes, eu que era o esfomeado e motivos de zoação! Que tipo de amigos são vocês? — Dramatiza Austin, cruzando os braços e fazendo bico. Ally ri e deixa um beijo nos lábios do loiro.

— Deixa de drama e comer. — Fala Ally, puxando o garoto em direção a lanchonete do Roller Jam.

Por causa da forte amizade entre Austin, Barry e Ben, Ally, Cait e Mal se tornaram amigas inseparáveis também. Mesmo de personalidades tão distintas, elas amavam se reunir e ri das discussões ridículas de seus namorados. E é em meio aos risos e brincadeiras, que os seis jovens terminam a noite.

Depois de se despedirem rapidamente dos amigos e acertarem os últimos detalhes do encontro que ocorreria no dia seguinte na casa de Barry, Ben e Mal retornam para casa com humor elevado, rindo e comentando sobre as quedas de Ally, que não levava o menor jeito para a patinação, das caras e bocas de Barry e Austin e dos comentários irônicos e divertidos de Cait durante o dia que passaram juntos.

A tempestade que enfrentaram na saída do Roller Jam havia diminuído consideravelmente, mas ainda nevava com intensidade em Hawkins quando eles chegaram a casa de Mal. A garota agarrava o braço do namorado, tentando se proteger do frio que fazia, enquanto aproveitava o silêncio confortável que havia entre os dois.

Eles se aproximam da porta de entrada da casa de Mal, observando as lindas casas na vizinhança decoradas com enfeites natalinos. Em menos de um mês, finalmente seria Natal e eles não poderiam estar mais animados para comemorar a data com a presença da gigantesca e divertida família de Ben. Aparentemente, Clint estaria na cidade e depois de anos, faria questão de realizar uma ceia de Natal para reunir seus amigos e familiares.

O celular de Ben vibra em seu bolso e ao pegar ao aparelho. Ele suspira desanimado ao ver que se tratava de uma mensagem de sua mãe, preocupada com a tempestade que tinha previsão de piorar. Não queria ir embora, mas sabia que se não saísse naquele momento poderia pegar um temporal de neve no meio do caminho.

— Eu preciso ir. — Avisa o rapaz e dessa vez é Mal quem suspira desanimada.

— Precisa mesmo ir? — Pergunta semelhante a uma criança, fazendo com que se namorado risse de sua manha com divertimento.

— Minha mãe pediu para que eu fosse antes da tempestade piorar. — Explica Ben, levantando-se do banco de balanço da varanda onde eles estavam. —

Ben segura a cintura da namorada, enquanto ela passa os braços por cima dos ombros do rapaz. Com um beijo calmo e carinhoso, eles se despedem. O rapaz acaricia o rosto da namorada e sorri com doçura. Ela imediatamente corresponde ao gesto, sem conseguir esconder a felicidade que sentia. Mal sempre se surpreendia com a facilidade que Ben tinha de arrancar sorrisos e suspiros seus com pequenos gestos.

— Obrigada pelo dia. — Agradece a garota dando mais um selinho no namorado em seguida.

— Foi incrível. — Afirma o rapaz, sorrindo. — A gente se ver amanhã. Eu venho te buscar para irmos a casa de Barry.

— Tudo bem. Não esquece de me avisar assim que chegar em casa. — Pede Mal, separando-se de Ben, que sorri e assente.

No entanto, assim que Ben se prepara para ir embora, um carro luxuoso para de frente a residência de Mal e de dentro dele sai o motorista que mais parecia ter vindo de um filme com seu terno elegante, gravata, luvas brancas e o quepe. Automaticamente, o rapaz reconhece Bernard Hanks, o mordomo e amigo de longa data de seu padrinho.

— Tio Bernard! — Cumprimenta Ben, assim que o homem retira o quepe de sua cabeça para cumprimentar os jovens.

— Quem é esse? — Sussurra Mal com curiosidade.

— Mordomo de meu padrinho. — Sussurra Ben em resposta.

— Boa noite, Srta. Faery e jovem Benjamin. Lamento incomodá-los a essa hora da noite. — O motorista dá um fraco sorriso. — Como não me conhece, Srta. Faery, eu me chamo Bernard Hanks e trabalho para o Sr. Barton.

— Aconteceu algo com o meu padrinho, tio Bernard? — Questiona Ben, preocupado. Já fazia alguns dias que não tinha notícias do homem.

— De forma alguma, jovem Benjamin. — Nega o motorista, sorrindo gentilmente. Ele retira um envelope preto de dentro de seu terno e o estende a Ben, que o pega com curiosidade. — Ele apenas pediu que eu entregasse o convite de seu trigésimo quinto aniversário.

— Meu padrinho e suas excentricidades. — Comenta Ben, balançando a cabeça em negação, enquanto ri. Ele abre o envelope e sorri agradecido ao homem. — Muito obrigado, tio Bernard.

— Agora que o convite foi entregue, eu terei que partir. Boa noite mais uma vez, Srta. Faery e jovem Benjamin. — Despede-se Bernard, colocando o quepe de volta na cabeça.

Assim que o homem entra no luxuoso carro novamente e vai embora, Mal se aproxima de Ben e encara o envelope com curiosidade. O convite em formato de lupa era preto e possuí as bordas e as letras em caligrafia elegante em prata.

Olá, Caros Detetives.

É com um imenso prazer que eu os convido para celebrar meu tão aguardado quadragésimo aniversário. Como um amante de mistérios, aproveitaremos a ocasião para desvendar um caso sem respostas até então. Estejam preparados para embarcar nessa perigosa e excitante aventura na primeira noite de dezembro, em uma sombria noite de Lua Nova. E lembrem-se: nunca confie em ninguém.

Atenciosamente,

Clint Barton.

Aquela era mais uma das divertidas e intrigantes festas de Clint Barton. Ben já estava acostumado com as excentricidades do padrinho e sua obsessão por jogos. Era claro que ele não perderia a ocasião para colocar seus jogos de raciocínio lógico em prática. Mal não poderia estar mais animada para a festa. Ela não sabia o que esperar daquela celebração, mas tinha certeza de que seria uma noite inesquecível e ela não perderia isso por nada.