Detenção
1 01 — Past.
Notas iniciais

01 — Past.
Tired of lying in the sunshine
Staying home to watch the rain
You are young, and life is long...
Blair Miller era a garota exemplar. Boas notas, nenhuma detenção, só abria a boca nas aulas para responder as perguntas dos professores, e ela nunca errava as respostas. Exceto uma vez, mas essa é uma outra história que ela prefere guardar no fundo da memória. Ela acordou naquele dia sentindo uma sensação estranha, algo lhe dizia que o dia seria bom e ela se agarrou a essa sensação, nem se lembrava qual a última vez que se sentirá assim, ainda mais no primeiro dia de aula. Ela não gostava dos primeiros dias, tinha um certo trauma.
''A morena sorria enquanto ajeitava o seu vestido rosa ao corpo. A doce quinta série, como ela esperou por esse dia onde finalmente veria como era a turma descolada da manhã, melhor ainda, faria parte dela.
Sua amiga Catherine estava deitada na cama mexendo no celular novo, ela mascava um chiclete e estava despreocupada ao contrário da amiga.
— Como 'cê pode ta relaxada assim?
— Qual é, amiga! É só a escola, do que adianta se arrumar hoje e nos outros dias não?
— A primeira impressão é a que vale.
— Ta, ta..
— Estamos atrasadas, vamos?
A loira não respondeu, apenas se levantou, pegou a sua mochila roxa e foi em direção a porta. Blair a observou, ela era linda de qualquer jeito, tinha longos cabelos loiros que estavam sempre cheirosos, olhos cinzas profundos, pareciam que limpavam sua alma, ela achava que era por isso que Cat sempre conseguia o que queria, aqueles olhos enfeitiçavam qualquer pessoa. E claro, ao contrário de B que era magra e seca, Cat já tinha algumas curvas, uma bundinha levemente empinada, peitos pequenos e uma barriga nem tão magra e nem tão gorda. Blair queria ser como ela. Blair era o contrário dela. E naquele dia ela percebeu isso.
***
Várias garotas andavam pelo corredor, as amigas estavam de mãos dadas e sorrindo confiantes, porque juntas elas eram imbatíveis. Blair observou que a maioria das meninas já tinham um pouco de corpo assim como a loira, também percebeu que haviam poucas garotas morenas como ela, e que dessas, menos da metade tinham olhos castanhos. E nenhuma, nenhuma mesmo, tinha olhos negros como os dela.
Oh, ela odiou a quinta série. Queria tanto que Catherine fosse da sua sala, queria tanto que os meninos e as meninas não ficassem separados, porque ai ela teria Eric e Matt para ser do grupo dos não-loiros, já que haviam as Blondes porque não podia ter um anti-blondes? Ah certo, as blondes eram as quatro meninas de 11 anos mais lindas que ela já virá, e todas eram loiras, uma de olhos azuis vibrantes, outra de olhos castanhos-mel e duas de olhos verdes. Novamente, olhos claros dominam. E ah, cabelos loiros.
Foi uma surpresa quando elas chegaram junto a mesa de almoço que Catherine e Blair estavam. Ainda mais quando Cat deixou a melhor amiga almoçar sozinha no primeiro dia apenas para se sentar com elas.
Ela odiou aquele dia. E todos os primeiros dias seguintes porque sabia que novamente se sentaria sozinha enquanto todos tinham amizades novas.''
Era besteira, ela não tinha perdido a amiga naquele dia, elas ainda se encontravam depois da aula por um tempo. Mas ela achava que era só por causa de Eric, eles sempre foram apaixonadinhos, trocaram o primeiro beijo juntos e tudo mais. O ensino médio que ferrou com a amizade dos quatro, mas isso não importava. Não mais. Ela nem sabia porque estava se lembrava disso, fazia tanto tempo, ela já iria para o último ano, assim como os ex-amigos. Apenas suspirou e se olhou de novo no espelho, mesmos cabelos, mesmos olhos, mesmo corpo ridículo para uma menina de 17 anos. Saiu do quarto e foi comer, afinal em meia-hora estaria no pior lugar do mundo. Nada melhor do que estar de barriga cheia, certo?
–----------
Assim que Matthew olhou para o relógio percebeu que estava encrencado. Ele nem sabia como se lembrava que era o primeiro dia de aula, ele nunca lembrava. Pulou da cama e ouviu um resmungo, foi quando lembrou que estava acompanhado. Ele olhou a namorada, Emma Campbell, ela sardas delicadas pelo rosto, os volumosos cabelos loiros estavam esparramados pela cama e ele não pode deixar de perceber como ela parecia um anjo. Se lembrou dos olhos verdes que fitavam ele com desejo e carinho, se lembrou do sorriso dela que o fazia enlouquecer, se lembrou de como a risada dela era sensual. Droga, droga, droga. Ele estava realmente apaixonado? Ele não podia acreditar, antes dela o garoto só tinha se sentido assim uma vez, ele era novo e a dona dos seus pensamentos tinham olhos negros perversos, lábios naturalmente rosados que ele sempre teve vontade de beijar e nunca teve a oportunidade...
Merda, ele tinha que se trocar. Ele podia faltar, ele faltava muito àlias, mas não naquele dia. Ele não sabia porque, só sabia que tinha que ir. Sabia que o dia seria inesquecível. Correu para o banheiro, fez um record de tempo no banho e se trocou muito, mais muito rápido mesmo. Decidiu não acordar a namorada, sabia que ela ficaria muito irritada quando percebesse que ele saiu sem ela, mas também sabia que ela o mataria se ele o acordasse ela cedo.
Fechou a porta bem devagar e correu escada a baixo, e como um bom desajustado fora das quadras, ele caiu. Merda! Ele tinha que olhar por onde andava, e definitivamente tinha que parar de falar palavrões. Meia hora depois ele chegou na escola, cumprimentou todos que passavam, todos gostavam dele, uma grande maioria, pelo menos. De relance ele pensou ter visto olhos negros, mas não era possível. Aquela garotinha tinha mudado de escola dois anos atrás, não é? Ele sinceramente não se lembrava.
–----------
Observou a escola por uns segundos, devia entrar ou não? Seus amigos já tinham se formado, mas ele sabia onde eles estariam, no lugar deles, num ferro velho abandonado algumas ruas dali. Pela primeira vez em muito tempo ele teve vontade de entrar na escola, não sabia porque, sabia que tinha que entrar. Desligou a moto vermelha que ele não se desgrudava, jogou o cigarro que tinha acendido a pouco na rua. E finalmente entrou.
Os corredores sempre barulhentos o irritavam. Ele tinha vontade de socar as pessoas que o estavam olhando torto. O que ele tinha de errado, afinal? Estava com uma regata branca, uma jaqueta de couro comum, calças jeans, cabelo arrepiado... Assim como a maioria dos meninos ali. Talvez ele soubesse, devem olhar por ele ter o record de detenções da escola, ou por ele estar sempre com cigarro ou com olhos vermelhos. Mas ele achava os olhos vermelhos deslumbrantes, bem melhor que aquele branco opaco e sem vida que todos tinham. Ele encostou no armario dele e observou o corredor, pessoas gritando, se abraçando, sorrindo, até se beijando... E então tudo parou, todos olharam para a porta como faziam sempre, dessa vez ele olhou também. Quatro garotas. Loiras, olhos claros, lindas e bem arrumadas. Ele conhecia uma. A mais desejada, a mais rica, a mais linda, a mais gostosa. A chefe das líderes de torcida. Ele conhecia ela muito bem, pelo menos até uns anos atrás. O que aqueles garotos que babavam olhando ela diriam se soubessem que ele beijou ela? E mais de uma vez? E ainda, que ele tinha dado o primeiro beijo dela? Eles iriam idolatrar ele e não olhar feio, tinha certeza. Mas nunca arriscaria sua má reputação por ela. Não mesmo. Catherine Cooper não merecia nem os pensamentos dele. Ele devia odiar ela, mas não, só tinha uma raiva enorme. Ela quebrou o coração dele. E foi a primeira e única vez que ele deixou aquilo acontecer.
–----------
Catherine estava com os cabelos lindos, uma maquiagem impecável e roupas novas e invejáveis. Ela estava pronta. Olhou para as ''amigas'' Clary, Hannah e Melody. Emma não tinha chegado, devia estar com o namoradinho novo dela. Ela odiava atrasos, então odiava Emma. Mas ela precisa de status, aquelas garotas tinham lhe dado uma chance e foi assim que ela brilhou, ela não podia deixar elas. Até porque elas sabiam todos os seus segredos, como aquela vez que ela dormiu com o professor substituído e lindo de Álgebra, ou quando ela bebeu e vomitou no vestido preferido da mãe dela... Eram tantos segredos, ela sabia que a amizade delas só existia por isso. Segredos. Boas amizades sobrevivem por isso, Pretty Little Liars que o diga, hein!
Continua...
Fale com o autor