Detenha-me
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Boa Leitura
Warner dá uma ultima olhada em mim e sai murmurando algo sobre me fazer usar mais as roupas dele. Acho que no fundo foi um elogio. Eu me viro rapidamente para as meninas já que eles não estão mais no quarto.
- Como vocês estão?
- Não tão bem quanto você! Confraternizando com o inimigo Juliette?!
Sim elas estão bravas comigo, e elas tem razão, em menos de um mês estava me agarrando com Adam no nosso quarto e elas viram, a menos de uma semana nos preparando para a guerra, em menos de um dia sabem que Warner pode me tocar, e em menos de 12 horas sabem que estou literalmente dormindo com o inimigo. Nem sei como pedir perdão, elas são minhas amigas, pelo menos o mais perto que tive de amigas.
As duas se aproximam de mim lentamente, com esse casaco pesado tenho certeza que elas podem me tocar sem risco. Elas estão me olhando diferente. Não com espanto, com algo parecido com expectativa. O buraco negro ainda deve estar nos meus olhos.
- Ele parecia desesperado ontem. – Uma delas, acho que Sara fala de forma cortante. Por um momento me pergunto quem? Elas viram quem? Mas então me recordo de como elas me salvaram, elas e Warner.
- Se não fosse por você nem falaríamos com ele. -As duas falam ao mesmo tempo na perfeita sintonia de sempre.
- Como ele encontrou vocês?
- Ele apenas apareceu com você nos braços, nós estávamos na base reféns em um quarto cheio de câmeras quando esse tal de Delalieu entrou e nos arrastou ate o local que vocês estavam.
Então eu cheguei a sair dessa casa, me pergunto como sobrevivi ate encontrar elas. E agora tudo faz sentido. Ele suportou minha dor. Ele tentou dividir a minha dor para me manter viva. Ele correu um risco tremendo me levando ate lá, ele podia ser pego pelos meus amigos, ele podia ser pego pelo pai.
- Não acreditamos nele no começo, mas ele estava tão desesperado, ele não queria te soltar nem por um minuto e nós não podíamos tocar em você. – Elas começam a contar se emocionando, quero muito abraçá-las, agradecer e prover conforto, mas elas podem se assustar se eu me lançar nelas.
Warner volta e nos informa que devemos sair o quanto antes da casa. Quando desço as escadas vejo que um rastro de pingos de sangue ainda esta evidente pela sala. Dou uma rápida olhada na área da cozinha e vejo o quanto de sangue perdi só aqui. É muito estranho você rever o local que quase morreu e coberto de provas disso. Começo a me lembrar da conversa que tive antes de levar o tiro, antes de Warner entrar na casa. O pai dele disse coisas muito estranhas a respeito dele.
- Para onde vamos? – Não sei como disfarçar meu desespero, não quero ir para base e não quero ir para a guerra. Preciso voltar ao ponto ômega e receber informações sobre os sobreviventes.
- Vamos para um local seguro, te explico no caminho. –Warner estende a mão pra mim, eu hesito alguns segundos, espero alguns batimentos cardíacos e a seguro.
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