Detenha-me
6 Capítulo 6
Chegamos em um tanque de guerra parado na frente da casa, conheço muito bem estes tanques, andei mais neles do que em carros normais. O soldado vai dirigindo, eu, as meninas e Warner vamos na parte de trás do veiculo. Me pergunto a toa quantos soldados caberiam aqui.
As meninas estão abraçadas de tal maneira que seria difícil separá-las. Warner esta entre mim e elas. Não haveria necessidade dele ficar perto, ainda tem espaço de sobra aqui. Ele se vira pra mim e me analisa, analisa friamente, Deus como ele muda de humor assim?
- Para onde vamos? – Eu não queria repetir a pergunta, mas ele foi muito vago na resposta e estou disposta a estourar este tanque de dentro pra fora se ele estiver me levando para a Base 45. Ele inspira pesadamente ainda me analisando e isso esta me incomodando.
- Para os aglomerados, estamos indo para a casa dos parentes de Delalieu. – Como? Estamos indo para a guerra então. Os parentes do soldado... Isso quer dizer que existem soldados com famílias morando no setor 45. Pensei que todos eram do capitólio. Isso significa que estão lutando na porta de casa. Que suas famílias estão sofrendo tanto quanto eles.
Demoramos uns 15 minutos para chegar nos aglomerados e outros 3 minutos até a casa/container da família do soldado. Ele e Warner saem primeiro do tanque para se certificarem que está tudo em ordem e podemos aparecer na rua.
Duvido muito que alguém me identificaria com essa roupa agora. Entramos no container, a porta faz um estranho rangido metálico ao se movimentar, talvez um pouco de óleo nela a tornaria mais silenciosa, mas talvez isso seja a segurança da casa, como se fosse um alarme ou uma campainha. Dentro vejo uma senhora sentada em um banquinho, ela aparenta ter uns 30 e poucos anos, no chão estão 3 crianças, uma delas eu conheço bem, é James! Ele está vivo e esta aqui!
Como ele chegou aqui?
Ele olha por cima do ombro e nota minha presença. Não hesita nem um instante e se lança em minha direção como se eu fosse um presente de aniversário com um enorme sorriso e chamando meu nome. Ele me abraça na altura da cintura. Deve ter crescido uns 10 centímetros.
Olho para Warner que nem faz ideia que James é seu irmão também, se ele soubesse será que ia abraçar o irmão também? Irmão... Como será que está o Adam? Será que ele também está aqui?
- Castle me disse que você estava machucada. – Ele diz firme, conheço ele, sei que esta fazendo o máximo pra se mostrar capaz e independente na frente de tantas pessoas. E isso me lembra o jeito que Warner usa com seus subordinados, eles já têm algo em comum.
Nem tenho tempo para responder, escuto a porta ranger novamente e me viro ainda com James agarrado em mim. Vejo Castle entrar, ele está péssimo, não se parece aquele homem sorridente e simpático que conheci no Ponto ômega.
Ele está bem abatido, há respingos de sangue pelas roupas e uma grande mancha negra na perna, difícil descobrir do que se trata, talvez seja pólvora, talvez seja lama. Ele caminha calmamente e cumprimenta as meninas e Warner.
Desde quando eles estão se falando? Então me lembro, eles já conversavam antes quando Warner mentiu que ia nos ajudar na guerra e acabou fugindo, ele queria que eu fosse com ele.
- Eu espero que você tenha feito algum progresso no seu plano Warner.
Espere, eles tem um plano em comum, ou ele está sendo irônico? Acho que não é hora para ironia, existem pessoas morrendo lá fora, existe pessoas morrendo desde sempre no setor 45 e não posso deixar de lembrar que Warner colaborou na maioria delas.
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