Detalhes quando são percebidos
1 Detalhes quando são percebidos — capítulo único
Era algo incrível que ela mal se dera conta a princípio, uma habilidade única, algo que ninguém daria muita atenção no decorrer do dia. Ela conseguia distinguir as pessoas pelo o seu andar. Não pelo rosto ou a voz não, estes são fáceis. O andar. O simples ato de caminhar, era o suficiente para que ela reconhecesse alguém. Os pequenos tiques, a forma como o corpo se movia em conjunto. Como uma grande máquina de carne e músculos e ossos. Era assim que ela sabia quem estava a sua frente antes mesmo de encarar a pessoa nos olhos.
E fora assim que ela encontrara ele.
Ele, aquele ser infeliz que ousara sair pela tangente de seus cálculos milimétricos na hora de surrupiar um valor a mais dos compradores rabugentos que mais reclamavam da sua humilde vendinha de laranjas do que levavam o produto. Ele que se esticara sobre o estande onde estavam a mostra as frutas frescas e lustrosas e cochichara com uma das mãos em concha, dizendo que havia visto o que ela fez mas que não diria nada se ela lhe desse uma laranja de graça pois aquele homem realmente fora truculento demais com ela e ele não pudera fazer muito a respeito.
O infame ele que ia e vinha esporadicamente vê-la em sua vendinha e perguntava dela quando sua irmã cuidava do estande em seu lugar.
Ele tinha um andar tão relaxado e desligado da realidade que parecia viver em sua própria. Os braços balançavam soltos, enquanto seus pés iam alto no andar o que fazia seus costumeiros chinelos emitirem um som arrastado quando andava rápido.
Ele que tempos depois se apresentara como Luffy e a convidara para uma aventura em alto mar.
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