Notas iniciais
Ehm... Ciao, leitores (ou quem quer que esteja lendo isso)! Faz pouco mais de um ano que eu escrevi a fanfic "The Hope" (deletada), e tive uma grande vontade de reescrevê-la de um modo diferente... Entretanto, demorei muito tempo para realmente QUERER refazer, e cá estou eu. Os que leram a primeira versão devem saber bem por que parei (não consegui mais atualizar depois do terceiro capítulo por falta de ideias), mas dessa vez tentarei fazer diferente e dar o meu melhor. Agora vou parar de enrolar e desejo à você uma boa leitura~

— Bella P.O.V on -

Eu estava há, provavelmente, quatro horas acompanhando os movimentos de meu "alvo" — o que era pouco tempo, se considerar que muitos franco-atiradores passam até doze horas nessa função. O ponto no qual estava era ótimo — na escadaria entre os quinto e sexto andares de um prédio abandonado, onde havia uma janela mediana na qual pude posicionar com facilidade minha .338 Lapua Magnum.

O sujeito que estava designada à matar era um empresário bastante conhecido na região por favorecer diversas instituições de caridade com doações bastante "generosas". Também tinha um grande núcleo familiar, o qual amava e cuidava. Mas isso era apenas um belo disfarce — seu verdadeiro "lucro" vinha de alguns de seus trabalhos sujos, como, por exemplo, tráfico de crianças e venda ilegal de órgãos. Ele era membro da "Crosshatch" — uma organização criminosa local que tinha foco no tráfico de pessoas, bebidas, drogas, órgãos e pornografia violenta; desvio de mercadorias e dinheiro; e, em principal, assassinato. De todas atividades criminosas das quais eles praticavam, a que era de maior conhecimento público era a questão do homicídio pago — eles eliminavam qualquer um sem hesitar se houvesse dinheiro na jogada. E como eu sabia que ele era um deles? Bem, a tatuagem de "xxx" — "marca" oficial da "organização" — na palma de sua mão esquerda dizia tudo.

"Pouca umidade no ar, vento Sul há 21 km/h. Estou há dezessete metros do solo e há dois quilômetros de distância do alvo", murmurei para mim mesma enquanto carregava o rifle e observava a movimentação do local pela luneta. Continuei murmurando outros dados significativos do ambiente, longitude e latitude à medida que finalmente podia enxergar o tal homem se aproximar do ponto exato em que eu o acertaria — a entrada de um Pub antigo no centro da cidade. Olhei em minha volta e estudei pela quinta vez todas as minhas possíveis rotas de fuga, que eram três (respectivamente, uma para baixo, a segunda pelo telhado e a terceira pelas escadas metálicas que ficavam do lado externo do prédio). Tudo estava correndo bem.

Aquela era a hora. Aproximei o dedo do gatilho e, antes de o tocar, repeti algumas vezes o breve movimento de dobrar o dedo indicador. Respirei fundo, prendendo o ar todo para não acabar me desconcentrando. Eu já tinha feito aquilo várias outras vezes, mas em todas elas eu sempre acabava meio nervosa na hora, e até dava uma "travada". Então, pouco antes de expelir o ar, puxei o gatinlo e levei um leve impulso para trás. A bala percorreu a distância rapidamente, e logo pude ver uma multidão desesperada se formando em torno do homem caído.

Ele estava morto.

Trabalho feito, era minha hora de ir embora. Recolhi rapidamente meu material e guardei minha arma, então tomei rumo à escada de emergência. Como disse antes, ela ficava na parte externa do prédio e era feita de ferro, porém era um ferro bastante enferrujado e com algumas de suas partes prestes à ceder. De todo modo, ignorei o fato e comecei a descer. Até que... algo passou bem diante de minha cabeça, acertando a parede ao lado. Quando fui ver o que era, se tratava da bala de uma .50, e, repentinamente, pude ouvir o som de diversos outros tiros sendo feitos.

Mal tive tempo de pensar, apenas me joguei da escada e caí no solo de um beco escuro. Na hora do impacto, senti minha perna estalar de um modo que nunca ouvira antes, mas simplesmente segui me arrastando pelo chão, até conseguir levantar-me novamente e poder "correr" (estava mais para "me arrastar em pé"). Vários tiros passavam de raspão por mim enquanto avançava pela "rua", e muitas vezes estes acabavam por acertar vasos de flores ou o vidro de algumas janelas, ocasionando um barulho ainda maior.

Ao chegar no fim do beco — que, para meu azar, era sem saída — notei que os tiros tinham cessado, porém podia ouvir passos lentos e fortes atrás de mim, vindos da escuridão. Logo pude ver três homens mascarados — dois deles com pistolas comuns, e o do meio com uma minigun. Instantaneamente gelei, não conseguindo me mover nem para pegar a simples Glock G25 que estava no coldre em minha cintura. Os três — pelo que eu conseguia ver — possuíam aquela maldita marca em suas mãos, o seja, eram definitivamente "Crosshatchs" — e com toda a certeza sabiam que eu tinha acabado de eliminar seu "coleguinha mafioso".

Eu provavelmente morreria naquela hora, então fiz a única coisa que me veio em mente: Apertar em um pequeno botão localizado em minha nuca. Repentinamente, toda a "paisagem" do ambiente no qual estava se desfez em pixels, e eu me encontrava em uma imensa sala vazia e cúbica, presa á alguns mecanismos e eletroldos.

"Sistema encerrado, fim da simulação A304", uma voz feminina e artificial ecoou pela sala.

Suspirei aliviada e olhei para frente, onde havia uma imensa janela que dava para uma pequena sala de operações. Lá estava uma garota cujos cabelos eram pintados como "galáxias". Sua pele era clara e ela sorria para mim enquanto acenava brevemente com sua cabeça. Seu nome era Minny.

"Bella-san, pode esperar um minuto? Logo poderá retirar os aparelhos de você, só preciso checar como seu organismo está...", ela falou por um pequeno microfone cujo som era emitido na sala na qual eu estava, "Quero ter certeza de que está tudo seguro antes de te liberar, seu pai me mataria se acontecesse o mesmo da última vez".

Assenti com a cabeça enquanto sorria levemente, olhando de relance para todas aquelas coisas conectadas em mim. Eu ainda podia sentir a dor em minha perna, como se ela fosse real, e meus batimentos cardíacos estavam bastante acelerados. Da última vez que estive em uma simulação antes dessa, sofri dano respiratório e tive que ficar alguns dias na enfermaria sob observação. Eu era uma das primeiras à experimentar aquele tipo de simulador, então haviam ainda alguns riscos se não tomasse cuidado.

Um tempo depois, recebi um sinal positivo da baixinha (Minny era uma das menores dali) e pude me "libertar" de todos aqueles fios e aparelhos, logo me dirigindo à porta semi-automática no canto direito da sala e saindo pela mesma. No lado de fora da sala, fui recebida por Minny, que segurava uma certa quantidade de papéis junto ao peito. Seu sorriso era — como sempre — radiante, e parecia bastante satisfeita com os resultados do dia. "Nenhum dano detectado hoje!", disse ela, "Apenas um pequeno 'mau jeito' na sua musculatura pela tensão, mas acho que um descanso resolve. E... você saiu muito bem dessa vez, Bella-san!".

"Obrigada, Minny...", murmurei sorrindo, concordando mentalmente com a afirmação anterior dela relacionada à minha musculatura — que, sem exagero, parecia que eu fosse despencar à qualquer momento -, "Mas no final eu falhei. Dei sorte de ser apenas uma simulação... Meu descuido poderia ter me matado em uma situação real".

A garota me olhou como se fosse retrucar, porém logo olhou para baixo e murmurou, "É verdade, mas... ainda sim, seu desempenho está melhorando mais à cada dia, e isso é inegável. Agora vá descansar, mais tarde o grupo da última missão chegará e seu pai quer fazer uma reunião na hora do jantar...".

Apenas assenti novamente e baguncei os cabelos dela de forma afetuosa, dando uma breve risada antes de dar as costas à mesma e sair andando na direção da "Ala" de quartos. Ah, é, ainda não expliquei onde estamos... Então vou começar do início...

Nasci no interior da Bélgica em 1998, e logo que "cheguei" ao mundo, fui abandonada. Não exatamente "abandonada", minha mãe tinha 17 anos e não tinha condições de cuidar de mim, e meu "pai" nem deveria saber da minha existência na época — pelas histórias que ouvi mais tarde, fui fruto de um sexo sem compromisso. Sendo assim, fiquei aos cuidados de uma tia avó minha que era muito solitária e amava crianças. Anos mais tarde, quando estava para entrar na escola fundamental, recebi o primeiro e único "presente" do meu pai: Inscrição para uma escola militar.

Eu odiei aquele lugar. Era sem graça, cheio de regras e ninguém podia se destacar, além de que treinávamos em campo todo santo dia — e isso era EXAUSTIVO. Estudei lá até meus 15 anos, então resolvi fugir e ver para onde a vida me levava.

Passei alguns meses viajando pela bélgica e Holanda de carona ou ônibus, sendo mantida por apenas o dinheiro que levara comigo e algo que lucrava na venda de pinturas que eu fazia. Muitas noites passei à céu aberto, e outras consegui passar em hotéis simples de estrada. E, sendo bem sincera, adorei isso. Sempre fui uma pessoa de espírito livre, detestava me prender à lugares, pessoas, coisas ou até mesmo à "Rotina", me deixava angustiada e com sentimento de "prisão". Viver sem rumo durante esse tempo me alegrou.

Então eu encontrei meu pai.

Não me entenda mal, mas digamos que não fiquei tão alegre com esse "reencontro" (nem reencontro era, afinal, ele nunca tinha me visto antes disso). Você vive toda sua vida até ali sozinha, sem nem receber uma ligação, cartão de aniversário ou visita do seu pai para ele aparecer do nada dizendo "Uau... Eu fiz direito"? Tsc, por que eu não.

Demorei bastante para finalmente aceitar falar com ele calmamente, e admito que valeu a pena. Ele era um alemão cuja idade nunca vim a saber, porém tinha uma aparência bastante jovem e preservada. E, por mais que estivesse falando em inglês, seu forte sotaque prevalecia, o que era até um pouco engraçado. De todo modo, logo cedi e aceitei viver com ele.

O que também não foi lá uma boa escolha no começo.

Inicialmente, eu estava imaginando que viveria em uma casa comum com ele, voltaria à frequentar a escola contra minha vontade, conhecer outros parentes meus... Em nenhum momento imaginei o que estava por vir. Aos poucos, fui descobrindo mais sobre aquele homem e o que ele fazia de sua vida — algo que eu logo seria incluída por questões familiares.

De Bruxelas, fui levada para Charleston, uma pequena cidade localizada no estado da "Carolina do Sul", nos Estados Unidos, e isso foi uma grande mudança para mim — não só pela questão do clima, mas também pela língua, costumes e alguns outros fatores. E, se já não bastasse tudo isso, descobri um "pequeno grande" detalhe que mudara por completo minha vida...

Meu pai — cujo nome era "Kano Nojoza" (Nome falso, o real nunca vim a saber) — era membro de uma associação de agentes especiais que fora criada secretamente pela ONU poucos anos antes de meu nascimento. Seu objetivo sempre foi o mesmo: a contenção ou eliminação total da imensa e brutal organização "Crosshatch", que estava gerando um descomunal caos. Mesmo tendo sido muito "recente" essa sádica "fundação", ela contava com mais membros do que a "Cosa Nostra" (máfia Siciliana), e estava espalhada não apenas na Europa ou na América do Norte, mas no mundo inteiro.

E onde EU me encaixo nisso tudo? Ah, sim, meu pai queria que eu fizesse parte desse "grandioso grupo" dele — denominados "A Resistência" -, e logo fui mandada para treinamento pesado 12 horas diárias (no mínimo). Nossa "habitação" era uma imensa mansão em uma região mais "afastada" da cidade, quase em seus limites. Mas não era uma mansão comum, era uma gigantesca base militar "fantasiada" de casa. Nela havia um subterrâneo extenso no qual haviam diversas salas de treino e afins, além de incontáveis tipos de armas.

Pelo que ouvi, haviam bases como aquela — maiores e menores, também — em várias outras cidades e países, entretanto a qual eu estava era a "principal" por ter sido a primeira a ser "fundada". Mensalmente recebíamos grupos que participavam de missões locais, mas nossa equipe oficial contava apenas com apenas treze pessoas (contando comigo). De todos, os que melhor conheciam eram meu pai — líder oficial da base -, Minny — A pessoa que cuidava de toda parte operacional e da segurança da base -, Milte — Vice-líder e também uma das treinadoras de artes marciais mais fortes dali -, Cassy von Trier — supostamente minha "meia-irmã" mais nova, que não era um membro oficialmente ativo da equipe por ter apenas dez anos -, e Kirin — um dos membros que mais se destacava em missões e estava sempre superando todos nos treinos. Um grande amigo meu, quase um irmão.

Os outros ali presentes eram Higarashi — o Médico e "salvador" da nossa equipe -, Seiya — Nunca soube muita coisa sobre ele, apenas que era um ótimo membro em missões e geralmente ia nessas em "dupla" com Kirin -, Levi — irmão de Milte, muito bom com armas mais "complexas" e lâminas pequenas -, Hazama — um dos mais "divertidos" dali, sempre animava o pessoal e, além disso, era o que planejava as melhores armadilhas e emboscadas -, Kongou — nunca cheguei a falar muito com ela, mas sempre ouvi que a mesma tinha uma forte ligação com Higarashi e era a "mente" da maioria de nossos planos por ter um raciocínio rápido e inteligente -, Hiro — um membro bastante "desleixado" e "despreocupado", mas que sempre impressionou à todos com sua agilidade e bom manuseio de armas de fogo -, e, por fim, Kyoko — uma garota mais reservada e séria, bastante próxima de Hazama. Nas poucas vezes que socializara com ela, tive uma ótima impressão de sua personalidade centrada. Ela também era um membro comum da agência, não se destacava em muita coisa, apenas no uso de armas brancas (essa garota sabia usar com quase perfeição QUALQUER arma branca).

Essa era a minha "família" à partir dos meus dezesseis anos. E, se fosse me perguntar se eu os considerava como tal, eu com toda a certeza responderia que sim. Nós cuidávamos uns dos outros com o maior esforço possível, e estávamos sempre juntos — mesmo com as eventuais brigas, derrotas e perdas, como uma família de verdade é.

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No caminho para meu quarto, ouvi sons altos vindos de uma das salas de treino físico, e, por conta da minha irreverente curiosidade, fui logo espiar o que estava acontecendo por lá. Ao abrir a porta, deparei-me com Cassy e Milte, ambas usando uniformes de trenagem no meio de diversos bonecos de treino "nocauteados" no chão.

"Søster! Søster¹!, gritou Cassy ao me ver, imediatamente correndo em minha direção e envolvendo minhas pernas com seus pequenos braços — como se fosse um "abraço". "Estou treinando para me juntar à equipe!".

Meio surpresa com o que fora dito, franzi meu cenho. Pelo tempo que conhecia a pequena, nunca a imaginei naquele mesmo "ramo" que nós, e isso se dava por um simples fato — ela ODIAVA violência. Odiava tanto que, sempre em ambientes de briga ou desarmônicos, sua pressão caía e normalmente acabava na "enfermaria" da base. Imagine em um cenário real de luta? Ainda sim, sorri e fiz um breve cafuné em sua cabeça, sentindo um certo orgulho pela "evolução" de minha "irmãzinha".

"Que bom, Cass, fico feliz que esteja se dedicando para isso", murmurei para a mesma, ainda sorrindo, "Mas por que isso tão de repente?".

"Quero trazer a paz ao mundo!", respondeu sem hesitar, com total sinceridade e naturalidade, "Acabar com as injustiças dos homens maus e tornar este mundo um melhor sem mortes, violência ou maldade!".

Aquilo, vindo de uma criança de dez anos seria bastante comum — a maioria delas se cega com o ideal de um "mundo de paz" -, mas vindo de Cassy, aquilo por algum motivo me tocou profundamente. E, sem nem perceber, meu sorriso se desfez, dando lugar à uma expressão vazia e vaga. Eu não queria que ela fosse iludida por seu desejo, mas sabia que ela não desistiria disso, e que persistiria — era essa a imagem que o olhar confiante dela me passava.

Milte pigarreou ao notar minha expressão, como se, de certo modo, soubesse o que tinha em mente. Então cortou o assunto. "Bella, saberia me dizer onde o Kano está? Preciso tirar algumas dúvidas com ele antes da reunião de hoje...".

"Uhm, não o vi recentemente, acabei de sair da sala de simulação...", falei em resposta, hesitando um pouco antes, "Talvez ele esteja no escritório dele. Sabe, ele tem essa mania de se isolar antes de falar na frente dos outros...".

Ela assentiu com a cabeça, esboçando um pequeno sorriso em seus lábios ressecados. "Tudo bem, e obrigada pela dica, procurarei por ele...". Então parou seu olhar sobre Cassy e "entortou" a boca, como se estivesse pensando seriamente em algo. "Poderia cuidar da baixinha enquanto isso? Não posso deixar ela rondando pelo subsolo sozinha".

Olhei para a garotinha que estava abraçada em mim, e logo a mesma retribuiu o olhar, ficando assim por algum tempo, até que voltei a focar em Milte e abri um enorme sorriso. "Sem problemas! Eu cuidarei muito bem dela!".

Antes de sair da sala, Milte murmurou algo como um "Obrigada, mais uma vez", deixando, assim, eu e a jovem dinamarquesa (Cassy nascera na Dinamarca) sozinhas.

"Hey, Cass... Quer fazer algo divertido?", indaguei ao ter certeza de que não havia mais ninguém por perto.

Na mesma hora, a pequena respondeu "Sim! E o que seria?".

Peguei-a pela mão com cuidado e saí rapidamente da sala, avançando com ela pelo estreito corredor cheio de portas no qual nos encontrávamos. "Você vai ver...", sorri ao parar diante de uma porta como outra qualquer, logo pegando meu cartão de entrada e passando diante do "scanner" presente ao seu lado. Após o aparelho piscar com uma luz verde, a porta de ferro se abriu, revelando uma enorme sala com várias "Raias" para treino de tiros e um total de 30% das armas de fogo presentes no quartel.

Os olhos de Cassy imediatamente se iluminaram, e ela logo se aproximou do expositório das armas, analisando cada uma com seu curioso olhar. Peguei do estande uma Taurus 838 e me dirigi à uma "Raia" qualquer, logo colocando munição na mesma e deixando-a sobre a simples "bancada" de madeira. "Vem aqui, quero que teste algo", falei em tom alto e calmo para minha irmã, o que logo fez com que a mesma deixasse sua "distração" de lado e viesse para perto de mim.

"Sim?", indagou com certa dúvida.

Coloquei a arma em suas mãos e mantive uma expressão neutra ao apontar para o alvo à frente, "Hoje você vai atirar, certo?".

O espanto em seu olhar era nítido, e eu entendia o por que. Entretanto, me mantive na mesma motivação para ensinar algo novo à pequena, e logo comecei a "ajeitar" seu frágil corpo na posição apropriada para poder atirar. "Primeiro, deixe suas pernas firmes ao chão, porém levemente 'dobradas' para que não perca o equilíbrio", falei enquanto a mesma obedecia as ordens com certo receio. "Ótimo, agora deixe seus braços erguidos para frente, segurando a arma desse modo..." — ajeitei a arma de maneira apropriada em suas mãos.

Expliquei à ela mais algumas noções de proteção e de como manusear a arma corretamente, então coloquei protetores de ouvido nela e me afastei minimamente, fazendo um sinal de "positivo" com o dedo polegar. O primeiro tiro nem chegou próximo do alvo, e logo motivei-a a tentar novamente.

Mais uma falha.

Não me abalei pelos erros dela, afinal, nunca tinha ao menos aprendido como uma arma de fogo funcionava. Fiz com que tentasse mais algumas vezes, até que ouvi a porta atrás de nós se abrir e, junto de tal som, pude ouvir a voz de meu pai — e ele claramente não estava NADA feliz...

- Bella P.O.V off -

Notas finais
- Algumas traduções - *¹ "søster" = "Irmã", na língua dinamarquesa. --------------------------- Obrigada por ler até aqui. Imagino que tenha ficado muito extenso para o primeiro capítulo, e pouco "conteúdo" real do que desejo para a história. De todo modo, pretendo postar o segundo capítulo o quanto antes, assim poderei finalmente apresentar oficialmente os outros "personagens". Enfim, é isso.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.