Notas iniciais

Eu imagino e descrevo os personagens como estão na capa, que aliás, fui eu que montei. Não comecem a achar defeito nela, porque não tenho muita prática pra isso... então, me dêem uma colher de chá. Aliás, me dêem uma chícara de chá inteira, porque a festa começa agora!

Desventuras de Carnaval

Com o seu irreprimível sorriso, o Coringa olhou para os lados reparando que estava cercado por algumas figuras um tanto quanto bizarras. Talvez, até mais bizarras do que ele próprio. Acabou expandindo o sorriso (se é que era possível), enquanto sentia-se em casa por estar ali.

Ao seu lado, um homem de vestes e cabelos negros, que lhe iam até os ombros, encarava a xícara de chá que estava prestes a tomar. O palhaço passou a língua pelos lábios vermelhos, e sequer tentou conter-se ao perguntar:

– Por que tão sério? – Apontou-lhe uma faca que estava sobre a mesa. – Vamos por um sorriso nesse rosto!

Próximo aos dois, sentado em sua poltrona verde, o dono daquela reunião começou a rir de forma escandalosa, como já era de seu caráter. Volta e meia espirava ar, fazendo um barulho que lembrava um porco, e reiniciava a gargalhada outra vez.

Em resposta à pergunta do outro, Severo Snape ergueu uma sobrancelha, enquanto encarava-o de modo frio. E o Coringa abaixou a faca, voltando a tomar chá como se nada tivesse acontecido. O professor permaneceu refletindo silenciosamente o que estaria fazendo em meio àquelas pessoas.

Fez cara de poucos amigos ao lembrar-se do real motivo. Tinha que admitir que se sentira atraído pelo envelope verde-cintilante que encontrou na sua mesa. O envelope continha um educado convite para uma “Festa do Chá de Carnaval”. Lógico que, como qualquer inglês, o mestre das poções não poderia recusar um convite para um chá. Principalmente num dia entediante como o Carnaval, em que o máximo de diversão seria encontrar formas de tirar os pontos dos seus alunos da Grifinória.

De fato, arranjar formas de tirar pontos da outra casa nunca pareceu uma idéia tão magnífica quanto agora, já que ele acabara de concluir, sem hipótese de erro, que os convidados daquela festa eram tão excêntricos quanto o próprio anfitrião: o Chapeleiro Maluco.

O ruivo de cartola, por sua vez, continuava rindo. Não parou, mesmo ao reparar que ninguém mais fazia o mesmo. Dessa forma começou a dar pequenos tapas no braço da Sra. Lovett e de Jack, o esqueleto, incentivando-os a acompanhá-lo na gargalhada. Assim que a mulher sorriu, ele cessou com sua histeria ficando sério de uma hora para outra, atraindo olhares para onde se encontrava.

– Do que está rindo? – Perguntou à mulher com muita seriedade.

Todos olharam para a cozinheira esperando uma resposta. Ela encolheu os ombros e resmungou baixinho, depois puxou alguma coisa e colocou num pratinho, em frente ao Chapeleiro.

– Prove, querido. – Ele pegou o que parecia ser uma pequena torta. – São as piores de Londres.

Ele enfiou o dedo na torta fazendo um recheio gosmento e escuro emergir, depois criou coragem, sabe-se lá de onde, para levar aquilo à boca. Para a admiração de todos, ele ainda foi capaz de abrir um enorme sorriso, deixando a mostra o buraco entre seus dentes da frente, e exclamar:

– Nem tão ruim assim!

Em pouco tempo todos já haviam provado e, com exceção do professor, adorado a comida da Sra. Lovett. Snape chegou ao ponto de ter que jogar secretamente um feitiço em seu chá, na tentativa de tirar o gosto ruim da boca. Observava incrédulo como os outros eram capazes de comer as ditas tortas com tanta apreciação.

– Adoro homens com apetite. – Disse a Sra. Lovett orgulhosa.

O anfitrião sorriu mostrando os dentes sujos de torta, enquanto balançavam a cabeça alegremente. Nisso o Coringa tirou um lápis do bolso e o cravou na mesa com a ponta para cima, chamando os olhares para si.

– Que tal um truque de mágica? – Perguntou olhando para Jack, que sorriu admirado. O palhaço mexia a mão de forma circular por cima do objeto – eu vou fazer esse lápis desaparecer!

Jack olhava para o item, imaginando se ali havia algo de especial, quando de repente o Coringa pegou a cabeça do esqueleto e a bateu contra a mesa num baque seco, fazendo com que o lápis lhe entrasse no crânio.

Todos ao redor ficaram boquiabertos com o que aconteceu. Claro que sabiam que o palhaço era um serial-killer, mas não esperavam qualquer demonstração disso ali, no meio dum chá tão amigável.

No entanto, para a surpresa de todos, Jack levantou a cabeça como se nada tivesse ocorrido. Olhou para a mesa e fez uma expressão de surpresa, reparando que o objeto desaparecera. O Coringa levou a mão até o nariz do esqueleto e tirou de lá o lápis, exclamando triunfante um “Tcha-ram!”. Todos ficaram aliviados... por um momento acharam que o esqueleto havia morrido. Se é que isso fosse possível. Jack batia palmas, extasiado com a mágica.

– Ah, fazia tempo que não me divertia assim no Carnaval. – Falou a Sra. Lovett servindo um pouco mais de chá para si e para o Chapeleiro Maluco. – Desde que meu pobre Albert faleceu, para ser exata.

– Em Halloween não temos carnaval... – comentou Jack. – por isso fiquei tão feliz em aceitar o convite. É, na realidade, meu primeiro carnaval!

– Sorte sua... – disse Snape em seu usual tom superior. – é uma festa cheia de bebedeira e promiscuidade. Seria ótimo se deixássemos de tê-la.

– Deixe disso, Severo. – Disse o esqueleto num tom alegre. – O Carnaval é uma ótima festividade. Cheia de alegria e vida!

– Sem falar que é uma época perfeita para novas idéias de como dominar Gotham City! – O palhaço disse de forma diabólica, prosseguindo com seu cacoete de passar a língua nos lábios. – Em nenhuma outra ocasião eu posso me disfarçar tão bem, sabem?

Todos balançaram a cabeça em concordância.

– E, além de tudo isso... – o Chapeleiro disse erguendo o dedo indicador para que todos prestassem atenção – é meu desaniversário!

– Meu também! – Complementaram Jack, o Coringa e a Sra. Lovett em uma única voz. – Feliz desaniversário!

E os quatro começaram a cantar alegremente, enquanto o professor de poções revirava os olhos, resmungando para Merlin lhe dar paciência para aquela situação. Como já devem imaginar, Snape foi o primeiro a falar em ir para casa, até que acabou convencendo a todos que já era realmente tarde.

Naquele mesmo dia, depois que os convidados foram embora, o Chapeleiro Maluco puxou uma folha de papel que tinha enrolado na fita da sua cartola. Abriu-a deixando a mostra uma lista prolongada de alguns nomes, dos quais riscou “Coringa”, “Severo Snape” e “Jack, o esqueleto”. Ia rabiscar o nome “Sra. Lovett” também, mas mudou de idéia lembrando-se das deliciosas tortas que ela fizera para aquele dia.

Enquanto bebia um pouco de chá, circulou os nomes que vinham a seguir na lista: Freddy Krueger, Hannibal Lecter e... olhou com cuidado para a o papel e resolveu circular Jessica Rabbit também.

Deu um enorme sorriso, deixando à mostra a falha entre os dentes mais visível do que nunca, e falou para si mesmo:

– Eu amo o Carnaval. – Puxou uma seta ao redor dos nomes que circulara, onde escreveu “Convidados para o Chá de Páscoa”. – Principalmente quando cai justamente no meu desaniversário!

O Chapeleiro Maluco riu-se da própria piada por muito tempo. Foi quando olhou para a xícara e viu refletido no próprio chá um maluco ruivo de cartola, que ria sem parar. Ficou sério de uma hora para outra e, olhando para o chá, disse de forma sequíssima:

– Do que está rindo?

Notas finais

Para quem votou na minha história no Concurso, meus agradecimentos especiais! Conseguimos o terceiro lugar, pessoal!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!