Desventuras Geek

1 Apresentando


Notas iniciais
Este capítulo serve mais como uma "apresentação" dos personagens, por isso ficou meio longo e descritivo demais. Os próximos serão mais "limpos".

Espero que gostem !

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O dia estava claro e nublado. Estava bem frio pelas ruas onde pessoas andavam agasalhadas. Já na cafeteria estava relativamente quente e talvez por esse motivo Rick tenha entrado lá. Rick era um cara meio idiota por ser esnobe e achar que só porque tem by CouponDropDown\">dinheiro pode fazer o que bem entende com as pessoas. Ele pode ter cabelo loiro maneiro e ser musculoso, mas sou bem mais eu!

Eu? Bem, eu sou Mordecai. Apenas um garoto de 22 anos que by CouponDropDown\">trabalha como zelador num parque e se diverte às vezes com os amigos. Sou meio alto demais, tenho 1.75 de altura e sou muito magrelo. Isso faz com que eu pareça meio desengonçado às vezes. Hunf... A única mudança radical em mim, depois de ter espichado de uma só vez, é meu cabelo azul, que pintei assim que fiz 18 anos. Pensei que isso fosse chamar a atenção das garotas, mas só me deixou mais esquisito.

– Oho! Quem é aquela ali? – Rick me perguntou enquanto me dava cotoveladas e apontava para uma garota loira que estava sentada numa das mesas. Fiz cara feia pra ele, reclamando dos empurrões – Ela está lendo uma revista de ponta cabeça! Deve ser bem burra e é dessas que eu gosto!

Olhei para a garota que ele apontava e sorri maliciosamente:

– Aquela ali? É a Casey... É uma garota legal... Vai lá falar com ela.

E Rick foi na maior marra, achando que estava arrasando. Só fiquei observando de longe e esperando pra ter boas risadas.

– Olá gatinha – ele chegou dizendo enquanto se sentava na frente dela.

– Ah, oi – ela respondeu desinteressada e voltou a ler.

– O que é que você está lendo aí?

Casey pareceu pensar se realmente deveria conversar com aquele sujeito e por fim decidiu que iria se abrir:

– É sobre os incidentes do desgelo no circo polar Ártico. Não acha um absurdo que no verão o degelo afeta 95% de sua superfície, o que faz a plataforma by CouponDropDown\">perder um volume de gelo equivalente a um estádio de futebol a cada três minutos?! Para piorar, essa área está ameaçada pela exploração de petróleo, uma vez que as empresas enxergam no degelo uma oportunidade de descobrir novas zonas de perfuração!

Comecei a rir. O olho esquerdo de Rick começou a tremer enquanto sua boca entortava e sua cara amarrava numa total expressão de: Ãh?!

– E tem mais! Uma das expedições observou que o que era gelo no verão passado, neste ano virou praia. Lars, um dos guias Inuits, explicou que há 11 meses o gelo se espalhava por pelo menos mais um quilômetro!

Nessa hora Rick já estava saindo da lanchonete e eu me aproximei de Casey que continuava tagarelando sobre o Ártico:

– Não é terrível?!

– É, é sim, Casey – falei enquanto sentava – Mas é melhor você guardar sua revolta pra si mesma, tá todo mundo te olhando.

É, essa é a Casey, minha melhor amiga, ou devo dizer, ÚNICA amiga mulher. Normalmente eu não consigo falar com garotas, mas com ela é diferente: não a vejo como uma menina, e sim como um menino! Estranho, não? Não é porque ela tenha jeito de menino, é só que ela gosta de coisas de menino, não tem frescuras de menina e mais! Ela só consegue fazer amizade com meninos.

– Desculpa... Eu extravasei... – ela disse começando a ficar vermelha e se encolher atrás da revista.

Dei risada. Ela é uma garota bem tímida até. Na verdade ela é um equilíbrio inconstante: às vezes é gentil, generosa e bem cuidadosa com a gente; mas quando se irrita ela vira um monstro! É assustador!

– Ufa! Aliviei legal... – quem disse isso foi o Rigby, meu melhor amigo. Tinha saído para ir no banheiro e só voltou agora – Que, que eu perdi?

– Nada. Só a Casey espantando mais um garoto e... – me calei na mesma hora quando vi suas orelhas ficarem vermelhas e seu olhar de Darth Vader me fuzilar. Ela é uma garota bonita; quem a vê de longe não tem ideia do quão NERD ela é... Deixa eu ver... Ela tem olhos maneiros, são meio cor de mel, sei lá... São bem grandes o que faz ela parecer que tá sempre assustada... É engraçado. Hum... Ela tem cabelos loiros compridos e ondulados... Eu acho legal a forma como eles caem em volta dela. E ela é muito... mas muuuito branquela! Também, do jeito que ela AMA sol...

– Cara... eu tô com fome... – Rigby reclamou apertando a barriga.

– Então vai lá buscar algo pra gente comer, hoje é sua vez! – ordenou Casey.

– Como assim?! É sempre EU que faço tudo!

– Não Rigby, é sempre você que nunca faz nada!

Rigby se levantou relutante e foi até o balcão. Ele é maneiro, a gente se diverte bastante jogando videogame e vendo filmes de ação. Mas tenho que admitir que ele é beeeeem preguiçoso, egoísta e irresponsável. Eu sempre tento fazer a coisa certa, mas na maioria das vezes acabo me deixando levar pelas ideias dele.

Uma das coisas que mais o deixa irritado é falar que ele é baixinho. Bem, ele é menor que a Casey e ela só tem 1.60 de altura! Ele também não gosta muito de pentear o cabelo que é castanho e vive amarrotado. Também não liga muito pras próprias roupas e nunca larga sua blusa marrom que já tá fedendo a mofo.

– E aí? – Casey perguntou notando que ele estava de mãos vazias.

– A Margaret disse que tá trazendo – e ele se jogou no sofá.

– A... M-Margaret...?

Gelei. Margaret era a garota que trabalhava na cafeteria. Desde que a vi pela primeira vez sou gamado nela. E por falar nela, ela tá vindo agora. Seus cabelos ruivos com mexas pretas são irados... Seus olhos verdes... Seu corpo...

– Mordecai? – acordei com Casey me chamando. Ela parecia preocupada com alguma coisa.

– Que foi?

– Você tá bem? Suas torradas... – e ela me entregou um prato.

– Ah, eu tô sim... Margaret! – gritei num pulo – Você por aqui!

– É... Eu trabalho aqui...

– Ah é, né? Maneiro... – puta merda! Como sou idiota!

– A gente se vê por aí, Mordecai.

– É! Beleza! – acenei tentando sorrir, mas só conseguia coçar a cabeça como um macaco – Merda... – me sentei totalmente desapontado.

– Iiih... Você é ruim mesmo cara... – Rigby caçoou.

– Cala a boca! Como se você fosse bom nisso!

– Que?! Tá duvidando de mim? Cara, eu sou “Rigby! O pegador”... Uaaah! – e ele urrou o nome como se fosse uma plateia gritando. Revirei os olhos.

– Soube que a Margaret tá namorando – disse Casey comendo suas torradas.

– O que?! Quem te disse isso?

– Ué, a Eileen...

– E desde quando você fala com elas?

– Deixa eu ver... Desde quando a Margaret começou a namorar.

– E por que não me contou isso?!

– Porque ela me pediu pra não contar pra ninguém...

– Mas eu sou seu melhor amigo!

E ela deu de ombros:

– Mas não se conta segredos...

– Você tá contando agora!

– Por que agora todo mundo já sabe!

– Arrrgh! Odeio seu jeito politicamente correto de ser!

– E eu odeio seu jeito “amo Margaret” de ser!

– Chega vocês dois – Rigby resmungou – Ainda temos que decidir quem vai pagar a conta.

Sentei de cara amarrada e Casey fez o mesmo, só que voltou a ler. A gente não costuma discutir muito, é mais Rigby e eu que brigamos bastante. É só que a Casey é muito, como eu acabei de falar, “politicamente correta” e por causa disso ela sempre tenta andar na “lei” e obriga a gente a fazer isso. É difícil fazermos algo “emocionante”, ou “radical”, ou “perigoso” quando ela tá por perto.

Paguei a conta sozinho. Não tava mais afim de discutir sobre mais nada. Rigby foi quem ficou feliz com isso. Mas eu iria cobrar a parte dele no futuro!

– Gente, gente!!! – Rigby gritou colando a cara numa vitrine – Olha só aquilo!

– O que?

– Quebra ossos 3D!!! É o mesmo jogo com três vezes mais diversão!

– Hunf, só que agora não dá Rigby... – suspirei – Temos que ir pro tabalho...

– Mas cara! É 3D!!!

– Sim, vão ser 3 Demissões se chegarmos atrasados no parque.

Eu ri da frase da Casey. Foi criativa. Ela me viu rir e também riu. Comecei a me sentir mal por ter gritado com ela...

– Ah, Casey... É... Desculpa ter gritado com você... Eu não odeio tanto assim o seu jeito certinho demais.

– Tudo bem, Mordecai. Não precisa pedir desculpas. Somos melhores amigos.

– É! – e fizemos nosso “toque secreto de amigos”. Ainda não arrumamos um nome melhor pra ele.

– Mas seu jeito “amo Margaret” é terrível mesmo – Rigby começou a reclamar – Você fica todo idiota, chato e arrogante quando tá perto dela.

– Cala a boca! – e dei um soco nele.

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– Ah, olha quem chegou... As rainhas de Sabá! – gritou nosso chefe, na frente da casa do parque.

Rigby e eu olhamos pra Casey.

– Estou falando com vocês mesmo. Isso é hora de chegar? A Casey tudo bem, porque ela pediu pra entrar um pouco mais tarde, mas vocês dois...!

Olhei pra Casey:

– E pode fazer isso?!

– Pode! É só você pedir...

– E por que você não disse antes?

– Porque vocês dois disseram que não queriam mais que eu tentasse ajuda-los, pois queriam “viver na emoção”.

– Só que quando a gente pedir pra fazer algo errado, não é pra você deixar a gente fazer!

– Já chega! – Benson gritou.

Esse é o Benson, nosso chefe. Ele não é o dono do parque, mas é o que nos manda fazer as coisas. E manda mesmo! Por que não temos um segundo de descanso com ele por perto! Não sei se ele sempre foi ranzinza assim ou se só ficou depois que seu cabelo começou a cair.

Ele é totalmente careca e tem uns 50 anos, por aí. Ele pode ser chato, terrível e careta, mas sei que esconde muitos segredos sobre seu passado.

– Estou vendo que Rigby passou a noite inteira acordado de novo. Se nota de longe por essas olheiras enormes!

– Ah, isso? Isso foi um soco que eu dei nele – eu disse.

– Então deve soca-lo todos os dias, porque essas manchas só pioram. Agora chega de papo e já ao trabalho, seu inúteis!

Rigby e eu saímos. Nós trabalhos como zeladores no parque de golfe e fazemos de tudo por aqui. Tem outros funcionários também como o Saltitão (que é apelido, é claro), um homem grande e musculoso que é meio que o “conserta-tudo” do parque; o Musculoso (apelido de Mitch) que é um carinha meio obeso e super esquisito que faz o trabalho braçal e tem umas piadas muito sem graças. Tem também o Pairulito, que é um senhor idoso com a mente de uma criança e que é filho do Sr. Maellard, o DONO do parque. Ninguém nunca o viu; só o Benson que é o único que fala com ele.

Tem também o Bobby que a gente vê pouco e que trabalha fazendo entregas e descarregando o caminhão; o Fantasmão que é um garoto magricela e albino, ajudante do Musculoso. E o Thomas, o estagiário que sofre bastante, mas tá sempre de boa.

– Casey, pode analisar as últimas planilhas pra mim, por favor?

– Sim senhor!

Não sei se a Casey tá melhor do que a gente. Não sei se é pior trabalhar andando pelo parque fazendo de tudo ou como assistente do Benson. Mas eles dois se dão muito bem. Pelo menos ela é a única com quem ele nunca grita. Tá, tudo bem que ela é filha dele, mas cara! O Benson é chato!


– Agora é só a gente enterrar tudo e tapar com terra. Rigby! Dá pra ajudar?! – me irritei quando me virei e vi Rigby dormindo em pé! Estávamos cavando buracos pra plantar novas árvores pro parque (ideia idiota da Casey que fica falando aquelas baboseiras sobre “meio ambiente”). Meio ambiente uma droga! – Acorda Rigby!

– Ai cara, que que é?!

– Me ajuda a enterrar as mudas logo antes que o Benson apareça e mande a gente fazer hora extra.

– Mas você é chato, hein!

– É, mas se não fosse por mim você já taria na rua há séculos!

– Uhuuuu! – alguém chegou gritando e dando cavalo de pau no gramado – O que as mocinhas estão fazendo hoje?!

– Ah... Oi Musculoso. Oi Fantasmão. A gente tá plantando mudas novas... Quer ajudar?

– Ajudar?! Tá me achando com cara de idiota? Você que é um idiota! Sabe quem mais tem cara de idiota?! A minha MÃE!!! – e ele saiu correndo com o carrinho de golfe cantando pneu. Agh, que cara chato!

– Pronto. Terminei. E agora? – Rigby estava limpando as mãos achando que tinha terminado, mas quando olhei ao redor, tudo estava uma zona! Ele havia plantado as mudas de ponta cabeça e jogado-as de qualquer jeito.

– Cara, o que você fez?!

– Eu plantei oras!

– Plantou igual a sua cara! Se o Benson vir isso estamos fritos!

– O que tá acontecendo aqui...? – uma voz extremamente grave ecoou atrás de nós.

– Saltitão! Cara, ajuda a gente!

– O que houve? Rigby plantou as mudas de forma errada?

– Como você sabe?

– Tava vendo tudo dali de trás. Bem, deixa eu ver o que posso fazer...

E em poucos minutos o Saltitão havia consertado tudo e ainda regado todas as plantas. Estava tudo perfeito.

– Valeu Saltitão! Te devemos mais uma!

– Não tem de quê...

E ele desapareceu pra dentro das moitas.

– Agora Rigby, vê se não apronta mais na... Que que cê tá fazendo aí?!

– Xiiiiu – Rigby estava escondido atrás de uma pedra segurando um pedaço de corda que estava amarrado em uma árvore – A Casey tá vindo aí e eu vou fazer ela cair...

– Cara, deixa de ser idiota!

Casey veio andando concentrada em ler a prancheta e não viu por onde andava:

– Mordecai, Rigby, preciso que vocês... Uaaaaah!

Corri o máximo que pude e consegui segurá-la a tempo. Caí de costas contra o chão e com ela por cima de mim. Nossos narizes se tocaram e nós nos olhamos. Ela estava por cima de mim, a cara colada na minha, os olhos maiores que o normal e o rosto vermelho que nem pimenta! Eu sabia que devia estar do mesmo jeito pela forma como meu rosto pegava fogo.

– O que tá acontecendo aqui? – Benson gritou de dentro do carrinho e nós nos separamos e nos levantamos num pulo.

– Nada pai... Eu tropecei e caí em cima do Mordecai.

– Foi isso mesmo ou você estava tarando minha filha?!!!

– Não, foi isso mesmo! Relaxa pai!

– Ok... Certo... Voltem ao trabalho vocês dois!

Benson saiu e eu me acalmei.

– Cara, essa foi por pouco – Rigby comentou – Malz pela brincadeira, Casey.

– Brincadeira?

– É – e Rigby começou a rir – Fui eu que fiz você cair.

– O que?! Seu desgraçado!

E ela começou a bater em Rigby que já estava quase chorando de dor.

– Acalmem-se! – eu os separei – Vamos esquecer isso. O importante é que ninguém se machucou. Mas Rigby, Casey podia ter batido a cabeça e morrido, então é melhor você parar com essas brincadeiras idiotas.

– S-sim... – ele respondeu esfregando a cabeça com cara de choro.

– O que você ia falar mesmo? – perguntei a ela.

– Ah, sim! Vocês precisam assinar aqui. É nossa autorização pra fazer barulho hoje a noite.

– Ah é! Vamos ter campeonato de videogame hoje!

– Campeonato de videogame UOOOOOOH! – erguemos as mãos e gritamos. Era uma comemoração que virou marca nossa.

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Às cinco horas terminamos tudo. Voltamos pra casa do parque, que era onde a gente morava; um dos requisitos do emprego era morar no local. A casa pertencia a Benson, o que significava que ele e Casey também moravam lá. O Saltitão tinha um apartamento na cidade, mas vivia nessa casa. Assim como o Musculoso, que mora num trailer, mas passa mais tempo comendo com a gente do que em sua... própria... “casa”.

Rigby e eu tomamos banho e trocamos de roupa. Descemos pra sala e já nas escadas vimos que estava tudo irado: os cartazes, os refrigerantes, comida e Mortal Kombat tocando na televisão.

– UOOOOOOOH!

Corremos até o sofá e sentamos cada um de um lado da Casey que estava com a camiseta do Dante, de Devil May Cry.

– É hoje que vou acabar com vocês! Sabe com quem mais eu vou acabar?! Com a MINHA MÃE!!!

Revirei os olhos:

– Passa o controle pra cá! – gritei – Eu sou o primeiro!

– Então é isso pessoal – Benson apareceu – Vocês estão autorizados a fazer barulho até às 12 horas, depois disso será silêncio total! E não esqueçam de que quero TUDO em perfeito estado amanhã!

– Tá, tá! Passa logo o controle! – continuei resmungando. Só ouvi Benson suspirar e reclamar de alguma coisa. Ele deu um beijo na Casey e foi embora resolver sei lá o que, sei lá onde – AAArgh!!! – derrubei o Musculoso no chão e tomei o controle. Ele me deu um soco na barriga e começamos a brigar.

– Uuuuh! – Rigby gritou – Mortal Kombat 6D!!!

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Notas finais
E aí? O que acharam? xx