Desventura Divina: A Jornada de Ouro

9 Elle diz adeus para o acampamento e eu oi para uma nova loucura


Notas iniciais
Olá meus vinhados, mais uma vez demoro meses para atualizar, vocês já sabem que é aquele mesmo blá-blá-blá de falta de inspiração e tempo, então não vamos perder tempo com isso... Já que voces ficaram muito tempo sem ler, não vão toma-lo falando um monte nas notas, então boa leitura, até lá embaixo e espero que tenham gostado da nova capa e LEIAM AS NOTAS FINAIS OBG DE NADA

RONNIE

— Se estivéssemos em um luta de verdade, você já estaria cortada ao meio pela segunda vez — Disse Gregoy Takashi golpeando minha cintura. Cai no chão de proposito para apenas dar a luta um tom mais sério e perigoso, algo impossível para uma luta de gravetos.

— E se estivéssemos em um luta de verdade, você provavelmente venceria, mas ficaria aleijado — Respondi acertando seus joelhos com força, o susto fez o filho de Momo perder o equilíbrio e cair no meio de uma onda de gargalhadas.

Estávamos entre as arvores que cercavam o estacionamento de trailers, não devia ser mais do que oito da manhã. Nós levantamos ainda sem folego, era bom se divertir depois de um dia agitado como ontem. E muito agitado.

Para alguem que esta em uma aventura com uma missão suicida por sete dias, lutar com gravetos é uma ótima fonte de diversão.

— Sabe, eu realmente estou torcendo para que vocês consigam cumprir a jornada, porque eu realmente amei viver dentro de um trailer abandonado por mais de 7 anos — Disse ele enquanto fazíamos nossa caminhada de volta, o terreno era complicado, com folhas caídas em decomposição, pedaços de troncos e plantas — Mas ao mesmo tempo não quero, acabei de fazer uma amiga e não quero perder ela por um ato de heroísmo.

— Não sei o que é mais surpreendente: você conseguir colocar sarcasmo e ironia em tudo ou ter realmente dito a ultima parte sem usar sarcasmo e ironia.

Greg estava no auge de seus 15 anos, não era muito maior que eu e nem tão forte. Desde a noite passada, depois de ter sido reclamada — o que foi algo bem estranho — e de ter matado aquele cara possuído por alguma coisa, o garoto basicamente criara uma certa afeição por mim, me seguindo por todos os lugares possíveis como se fosse uma segunda sombra e oferecendo sua amizade. Apesar de se estranho, não era tão ruim.

— Você poderia ser mais amável, fazendo como as garotas fazem, soltando um: “Oonnwww que gracinha! Você é um amor!” ou algo do tipo.

— Nem morta. Se queria carinho era mais fácil comprar um bichinho de pelúcia que fala — Ri — Mas não foi por isso que você resolveu sair ao meu lado que nem um fiel cachorrinho?

— Sim, isso foi apenas um teste, queria ver se não tinha escolhido a pessoa errada. Más amizades, sabe? — Greg também não deveria ser uma pessoa muito amigável. Não acho que criticas, frases irônicas e uso descarado sarcasmo fossem coisas legais para fazer amizades, a não ser que a pessoa seja eu.

— É, mas sábia que eu não estou pra gracinha hoje — Murmurei, meu mau humor voltou quando me lembrei da noite passada, principalmente da parte da visão do passado que tive em Monsterland. Realmente não tinha sido fácil, apesar de estar muito zangada com minha mãe e Nico, mas também estava completamente arrasada. Uma parte de mim antes era feita de esperança, que durante anos esperava poder encontrá-la novamente e poder abraça-la, agora toda essa esperança estava destruída, não iria mais vê-la, nunca mais. — Não quero mais ir dormir, ter que pensar nela antes e então perceber que meu travesseiro está cheio de lagrimas, isso aconteceu ontem e não quero que aconteça de novo. Fazia tanto tempo que eu não chorava que eu mal me lembrava de como era isso.

— Você vai ficar bem, vai conseguir passar por cima, afinal de contas, você não se chama de Menina de Bronze porque é muito sentimental não é?

— Na verdade, é Lady de Bronze, quero um apelido de super-heroina, algo épico e heroico, que nem Homem de Ferro. Não adianta nada você cumprir uma missão e se tornar uma heroína e não ter nenhum apelido digno de uma personagem da Marvel. — Eu disse.

— Vou me lembrar disso quando escrever um livro de ficção sobre isso, tipo, baseado em fatos reais! Imagine que louco? — Greg começou a rir da piada que apenas ele tinha entendido. Eu comecei a rir da cara engraçada que ele fazia, seus olhos puxados se contrariam ainda mais e balançava a cabeça para todos os lados.

Alguns arbustos que se mexiam revelarem uma Valentine vermelha e ofegante de tanto correr, sua aparência parecia um pouco melhor do que a da noite anterior, a garota tinha simplesmente tinha surtado depois de matar aquele rapaz.

— Precisamos voltar para o acampamento — Disse ela tentando recuperar o folego.

— Por que faria isso?

— Jornada, salvar acampamento, semideuses, descobrir onde estão as adagas... Isso te lembra algo?

— Valentine, você esta melhor? — Perguntou Greg visivelmente preocupado com um novo possível surto.

— Se “estar melhor” quer dizer que você esta cansada, confusa, com a memoria completamente destruída, triste e se sente culpada por ter matado alguém ontem à noite, sim, eu estou melhor. — Essa era minha garota. Não iria dizer isso na frente dela, mas perder a memoria fez bem a Valentine. Desde que isso aconteceu, tinha tomada uma postura mais forte, mais corajosa, mais brava, menos certinha e uma grande amante do humor negro e mórbido.

— Ela esta melhor — Concluiu ele com um sorriso.

— Comando 31 — Coloquei as mãos em formato de cone na boca e gritei. Ruídos metálicos se aproximavam. Caça-Trufas apareceu em sua nova de cachorro, seus olhos de rubi brilharam quando dei uma batidinha carinhosa em suas costas de bronze. Meu mascote metamorfo tinha vindo um exótico defeito de fabricação, sua mania era sair por ai recolhendo metais ou coisinhas de origem eletrônica. Deixa-lo andando por ai poderia dar lucro, talvez ele encontrasse um pedaço significativo de bronze ou até mesmo um Iphone, quem sabe.

— Então vamos nessa, Nico disse que precisamos descobrir a localização delas e partir antes de anoitecer. Ainda temos 5 dias e precisamos descansar, mas quanto mais rápido completarmos isso, menos vamos sofrer durante nossa aventura suicida — Nos pusemos em marcha de volta ao acampamento, eu era a ultima e a mais devagar, com o autômato soltando click-click-clicks ao meu lado.

(...)

Na verdade, eu não queria ver o Acampamento Provisório de Trailers para Semideuses tão cedo.

O verdadeiro motivo para ter arrastado Greg junto comigo para a floresta logo cedinho era que queria me manter mais afastada daquele lugar possível. Ainda estava um pouco envergonhada por causa da noite anterior, havia sido presa em uma árvore, acusada de um crime, sido julgada a pena de morte, ter sido reclamada e então perdida, por fim eles tinham me visto usando um vestido, completamente arrumada e cheia de joias que havia ganhado durante minha luta contra Medeia. Isso tinha sido vergonhoso demais.

Fui obrigada a entrar em um dos trailers, passando por baixo de um varal improvisado com roupas secando, ao contrário do Acampamento Meio-Sangue, eles não tinham harpias para fazer os serviços caseiros. O carro era um dos menores e mais velhos, com uma daquelas cortinas de missanga colorida no lugar da porta, a iluminação vinha de lâmpadas amarelas penduradas no teto praticamente caído.

Era possível reconhecer o pequeno conselho que se formava ali em uma mesa de longe: Elleanor McLuckyhill, com seu cabelo ruivo e suéter verde com trevos amarelos desenhados, se não a conhecesse como líder do acampamento, poderia pensar que ela era uma espécie de babá gladiadora usando aquele peitoral de bronze. Oliver Miller estava sentado ao seu lado, seus olhos azuis sonolentos tinha um tom avermelhado, provavelmente o rapaz chorara após a morte de Toby, que muito antes fora seu amigo de infância. O que estava mais afastado era Thomas Lewis lendo seu livrinho inseparável cheio de feitiços e magias. Nico estava em pé em um canto, andando de um lado para o outro, parecia estar tão concentrado pensando que às vezes atravessava a parede sem perceber.

— Valentine interrompeu vocês? — Perguntou Tom fechando seu livrinho e nos lançando um olhar interrogador

— O que? — Perguntei

— Ué, vocês dois, Elle disse que tinham saído cedo para fazer não-sei-o-que e até agora não tinham voltado. Estavam bem ocupados hein? E eu pensando que ela era esquentadinha apenas no temperamento... — Ele deu uma piscadinha maliciosa, Greg revirou os olhos, Valentine ficou vermelha e eu... bem, agarrei a primeira coisa que vi na minha frente. Se não fosse por um feitiço de proteção, um radinho movido a pilhas teria atingido em cheio a cabeça de um certo filho de Hecate.

— Esqueci de avisar que ela costuma jogar coisas, Elle, melhor guardar seus objetos de decoração — Nico aconselhou depois que todas as risadas cessaram.

— Você poderia ter avisado isso antes — Ela respondeu, tentando segurar o riso.

— Tá, vocês não me fizeram andar de lá até aqui para ouvir piadinhas. Andem logo, desembuchem, o que querem com a minha pessoa que é tão importante? — Perguntei puxando uma cadeira, os outros dois fizeram o mesmo. Apenas os deuses sabiam o que Valentine tinha feito com o corvo.

— Jornada... — Tom cantarolou

— Hunf, lá vamos nós de novo... Qual é a nova? — Disse sem demonstrar interesse no assunto, mexendo nos pregos soldados lado a lado que formavam meu bracelete. Jornada pra lá, jornada pra cá, será que eu não poderia ter um dia sem ouvir falar dela?

— Precisamos saber para onde ir agora, onde estão as duas adagas. Tom... — Disse o fantasma, o bruxo estalou os dedos e fez com que a mesa ficasse coberta de coisas, sendo elas mapas, papeis, canetas, uma agenda telefônica, um guia de ruas de Nova York e um cálice de prata que conhecia bem cheio por uma espécie de água, só que era esbranquiçada e emitia uma espécie de friagem.

— O que temos que fazer? — Perguntou Valentine

— Simples: se vestirem de donzelas, encontrem uma arpa de ouro, uma tiara feita de flores do jardim de Perséfone, um manto com a pele de manticora, chamem um unicórnio e sacrifiquem o animal. Usem seu sangue dourado para fazer uma poção... — Thomas resolveu parar quando percebeu todas as carinhas assustadas e confusasque tínhamos. — Só estou brincando.

— Não foi engraçado — Elle disse por todos nós.

— Uma parte ele tem razão, vamos ter que brincar com mágica — Nico disse em um tom sombrio — E sangue.

Estava tudo indo muito bem para ser verdade.

Eu e Valentine tivemos que espetar nosso dedo com uma agulha fazendo com que um pouco de sangue caísse dentro da taça. O liquido vermelho não se misturava com a água, se Tom não tivesse começado a cantar algo em uma língua antiga, podia dizer que aquilo estava mais parecendo um experimento daqueles que fazíamos no laboratório da escola durante as aulas de química do que algo com magia.

Um filho da magia invoca seus dons em nome dos deuses

Mostre-nos onde as adagas de diamante foram perdidas

Para que as almas dos heróis sejam devolvidas

Mostre-nos onde elas se escondem...”

— Esta pronto — Murmurou o garoto ao final do cântico, seus olhos tinham voltando ao frenesi de cores exóticas que mudavam a todo segundo ao contrário do brilho totalmente prateado que emitiam segundos antes.

— Mas já? — Tinhas dado tão duro para conseguir fazer esse encanto que esperávamos que ele demorasse mais um pouco.

— Sim, agora vejam — Tom disse uma ultima palavra que fez o conteúdo da taça explodir para cima, logo o traço vermelho fez da brancura um plano de fundo e começou a tomar uma forma conhecida: primeiro um pedestal com uma forma feminina por cima erguendo uma tocha com uma das mãos e um livro era possuído na outra, a coroa de estacas finalizava nossa versão sangrenta da Estatua da Liberdade.

O truque não durou por muito tempo, um feitiço cercou a taça e impediu que fossemos ensopados, com um estralar de dedos, qualquer vestígio do nosso experimento tinha ido pro beleléu.

— Nova York, vamos voltar para casa — Valentine foi a primeira a falar. Estávamos todos tão pálidos que podia fazer com que Nico se sentisse mais enturmado.

— Mas não vai ser agora — Disse nosso fantasma ao perceber nossas carinhas confusas. — Ou vocês acham que iriamos simplesmente entrar na Estatua da Liberdade e encontrar as adagas em uma prateleira a disposição e só ter que assinar um papel no final? Tipo, assim tão fácil que nem pegar um livro emprestado na biblioteca?

— Sabia que tinha mais coisa — Resmunguei apertando o ban-aid que cobria meu furo do dedo. Por que as coisas não podiam ser mais fáceis? Talvez podíamos só morrer do nada e tchã-nam, o acampamento estava salvo. Seria bem mais fácil e mais rápido, mas esses meus últimos 2 dias tinham me ensinado que nada era fácil, principalmente se (a) você fosse um semideus (b) se você estivesse salvando algo em uma missão e (c) se você fosse um semideuses e também estivesse salvando algo em uma missão.

— Então qual é o próximo plano? — Perguntou Greg.

— Conversamos mais ontem a noite e nós dois concluímos que essas adagas devem estar dentro de um baú, do jeito que foram deixadas pela ultima vez. Só que assim como elas, a chave que as guarda também é cravejada de pedras preciosas e isso a faz de um objeto ainda mais raro, por sorte, eu já a vi uma vez e presumo que ela ainda deve estar no mesmo lugar — Disse Elleanor — Isso é, comemorem garotas, próxima parada: Vegas.

— Elle também tomou outra decisão — Lembrou-a Nico.

— Ah sim, vamos ir com vocês.

Me engasguei com o ar. Levar um bando inteiro de semideuses para cruzar o país e voltar não me parecia algo muito concreto.

— Ir com a gente? O acampamento inteiro!? — Exclamou Valentine, tão surpresa quanto eu.

— Tomei essa decisão ontem, sabe, depois do ataque de Toby, pensei que não estamos mais tão seguros, mesmo com os feitiços de Tom protegendo nossa barreira. Seja lá o que é essa O.R.D.E.M, ela esta voltando e não acho que vá parar com esses ataques, se foi ela que fez aquilo com Toby, por que não faria com outros? — Continuou — Iremos com vocês e assim que o Acampamento Meio-Sangue voltar das sombras, vamos pegar nosso lugar de direito. Vamos voltar para nossa verdadeira casa. Passamos boa parte da nossa adolescência tentando encontra-los, é praticamente nossa família, não vou deixa-los a disponíveis para seja-lá-quem-seja, principalmente agora, se Tobby nos achou, o resto também acham — Elle desabafou por fim, cobrindo o rosto. Apesar de parecer forte o tempo todo, parte dela era feita de medos como qualquer outro, e os seus eram como os de uma mãe com medo de perder seus filhos.

— Mas como vai fazer isso? Nós que somos duas ainda não sabemos como voltar para Nova York, imagine um grupo com quase 20 semideuses? — Eu disse

— Sei que o risco é grande, mas é melhor do que ficarmos aqui e esperarmos para ver o que é essa O.R.D.E.M e o que vai fazer com a gente? — Argumentou Oliver, o Filho de Hipnos era o segundo na linha quando se tradava se comandar aquele acampamento improvisado.

— O problema é: Como voces vão fazer isso? Não dá para comprar passagem de avião para todo mundo!

— Nossa solução é um bom e velho conhecido, é aqui que lhes apresento o Argo II — Para variar, nosso guia sempre tinha um truque na manga.

— Argo o que?

— Argo II, uma tirreme grega de guerra mágica feita de bronze celestial que pode voar, foi criada por um velho conhecido meu, consegue levar mais de 50 pessoas e que para sorte de vocês, esta guardada em um galpão em uma cidade do estado vizinho. Só precisamos de alguém que entenda o mínimo possível de engenharia mecânica, sabia pilotar um barco voador e seja capaz de consertar algumas coisinhas, nosso transporte pode aguentar uma viagem curta de um estado a outro, mas não cruzar o país inteiro com tantas pessoas depois de passar tantos anos parado ainda por cima, com alguns probleminhas técnicos.

Nosso silencio repentino foi cortado pela reação repentina que Valentine teve, seus olhos se arregalavam e pela sua expressão parecia que tinha resolvido um enorme quebra cabeça e finalmente descoberto como entrar na ultima camada da Deep Web.

— Argo II, se ele for o navio de quem seja que eu estou pensando... — Sua tentativa de dizer aquilo apenas para si mesmo tinha falhado, todos ouviram e se mostraram muito interessados pelo que ela tinha pensado.

— Valentine... o que você quer dizer com isso? — Até seu fantasma do seu meio-irmão parecia surpreso com isso, o que era uma grande novidade.

— Leo me disse algo sobre ter construído algo com esse nome antes de eu perder a memoria... — Ela explicou, mas todo mundo ainda parecia não entender nada do que estava dizendo ou onde queria chegar com isso. Acho que eu precisava tirar umas boas respostas da minha amiga sobre O Que Aconteceu No Mundo Inferior E Que Eu Não Estou Sabendo. — Bom, se for a mesma coisa que estou pensando, acho que nossos problemas estão resolvidos.

— Leo... Leo Valdez? — Valentine assentiu, pela expressão que Nico fez, ela estava certa.

— Como então? — Perguntamos em coro.

— Pessoal, isso é simples, se pudéssemos encontrar o Argo II, infelizmente não temos seu criador para concerta-lo, mas na ausência dele, não tem ninguém melhor que a sua irmã, quer dizer, meia-irmã para resolver nosso problema e ela esta bem aqui — Completou, apontando seu dedinho cuja unha era pintada de roxo escuro quase preto já descascado com o tempo para mim.

Muito obrigado, Valentine.

— Que? — Fingi que não tinha entendido nada usando uma voz inocente.

— Qual é, Ronnie, você ouviu muito bem — Ralhou Greg.

— Tá legal! — Ergui as mãos em um sinal de rendição, eles tinham descoberto minha falta de talento para atuar — Olha galera, deve ser muito legal... — Iria inventar qualquer desculpa esfarrapada envolvendo dor de cabeça, cólica ou a minha maldição, mas não consegui, não podia simplesmente dizer não, talvez eu ainda tivesse um lado humano e sentimental, e eu odiava esse lado — Mas vou ter que lembrar a vocês que eu sou uma semideusa, não uma santa, não faço milagres, não sou nem uma aprendiz de...então talvez se eu não conseguir... — Fui cortada por um abraço sufocante de Elle, apesar dela ser uma cabeça mais alta que eu, consegui retribuir o abraço mesmo estando sendo sufocada por uma maré de cachos vermelhos.

— Obrigada — Soltou um suspiro, meio aliviado e meio agradecido. Isso durou apenas um segundo, pois ela me soltou e tentou recuperar a postura durona. — Então vou avisar os outros para que arrumem as coisas, como Nico disse, temos que ir logo. Vem comigo... — E me puxou para fora sem que pudesse soltar um “ah”

Lá fora o ar estava meio abafado, alguns semideuses estavam do lado de fora, pelo jeito, a luta com gravetos havia ficado famosa, já que vários deles treinavam assim. Alguns paravam o que estavam fazendo e acenavam para a gente. Caça-Trufas veio do além e apareceu do meu lado latindo, com algo preso entre os dentes afiados de bronze. Infelizmente não era um celular, apenas uma pulseira eletrônica revestida de plástico negro, com o desenho de uma águia em pleno voou entralhado nele. Mesmo com uma parte quebrada, talvez desse para concertar depois e usar, peguei e a coloquei dentro do bolso da blusa, mas ele não pareceu muito satisfeito com isso.

— Sabe, vai parecer estranho, mas eu vou sentir uma baita falta desse lugar... — Disse ela, passando a mão em um dos trailers, provavelmente o mais velho — Tinha uns 15 anos quando Quíron me mandou em uma missão sem tempo determinado para encontrar o maior número de semideuses filhos de deuses menores que pudesse e retornasse ao Acampamento Meio-Sangue quando encontrasse bastante deles, já que antes da Guerra dos Titãs, nós não éramos reclamados por nossos pais e por isso tínhamos que passar grande parte do tempo no chalé superlotado de Hermes como indeterminados, foi então que fui para essa missão junto com Oliver e Toby...

— Por que esta me contando isso? — Perguntei, tentando não parecer grossa.

— Você parece ser muito curiosa do tipo que quer saber de tudo e como foi feito, então pensei....

— Pensou certo, pode continuar — Ela tinha razão, um Vega nunca perde uma boa explicação nem uma historia.

— Ah, okay — Elle sorriu aliviada — Com duas semanas de missão encontramos um Thomas com 7 anos e depois de um tempo, Toby sumiu, achamos que ele tinha sido morto e por fim tivemos que seguir em frente, quando demos conta, já tinham passado 10 anos, encontramos 13 semideuses e o Acampamento Meio-Sangue tinha sido resumido a poeira.

— Como vocês conseguiram sobreviver por tanto tempo? — Fiquei surpresa, ela não parecia ter mais de 19 anos, muito menos 25. Eu era praticamente uma criança comparada a ela, por tamanho e por idade.

— Isso foi fácil, encontramos essas belezuras aqui abandonados, demos uma limpa nelas, Tom aprendeu a controlar seus poderes e criou uma barreira mágica que protege isso aqui tudo. Dá para sobreviver saqueando mercadinhos, farmácias e essas coisas — Dizia como se fosse tão simples como uma receita de como fazer gelo, que pudesse ser feito em 3 minutos que nem macarrão instantâneo.

— Você ainda esta triste por causa do Toby? — Era uma pergunta incrivelmente idiota.

— Nem tanto, sabe, fazia tanto tempo que não o víamos e depois de noite passada... Não estou triste — Um dos motivos para eu gostar dela era que assim como eu, Elle era uma péssima mentirosa. — Tá legal, eu estou um pouco triste, mas aquela coisa não era ele... Eu o conhecia bem demais, era meu amigo de infância. O corpo era dele, não o resto.

— Por isso você não quer ficar, quer dizer, você tem medo do que a O.R.D.E.M. pode fazer com os outros — Falei, toda vez que ouvia o nome dessa coisa, os pelos na minha nuca se eriçavam e um calafrio vinha com força.

— Sim, mas... Acho que esta na hora de você ir — Seu olhar se dirigiu para alguns metros a frente, onde o resto da minha equipe me esperava. Corri até lá, Valentine já estava com seu arco preso às costas e Nico folheava o aquele mesmo caderno de desenho. Olhei para trás, a garota de Tique já tinha sumido.

— Tentem não se matar okay? — Disse ela, parecia que eu tinha ficado com Elle tempo demais, já que Valentine tinha conseguido ouvir toda a complicada e trise historia sobre mim, minha mãe e o seu meio-irmão.

— Eu não prometo nada — Respondi lançando um olhar zangado para ele, que estava me devendo mais umas dez respostadas e eu iria tê-las de qualquer jeito, mas não seria agora, tinha quase o resto de uma semana inteira para fazer isso. Sorri e continuei animadamente — Para onde vamos agora?

Eles pareceram surpresos pela minha mudança de comportamento repentina.

— Você é louca.

— É o que todos dizem... Mas agora é sério, qual é o próximo destino?

— O barco estava guardado em um galpão em uma cidadezinha de Tennesse da ultima vez que foi visto — Respondeu lendo o caderno e o guardou dentro da jaqueta em seguida — Leo teve que deixa-lo lá quando quebrou já que não dava para simplesmente levar um barco grego para Long Island em um avião cargueiro. Isso foi depois da viajem que os sete da profecia fizeram para as terras antigas...

— Tá, já entendi — Minhas cicatrizes formigavam por baixo do couro das luvas, estendi meu braço para o lado e esperei até sentir garrinhas arranharem minha pela enquanto subiam até o ombro, Caça-Trufas se enrolou ali em sua forma de doninha. — Viagem nas sombras? De novo? — Eu odiava ter que viajar daquele jeito.— Mas antes, será que eu poderia ligar para alguém?

— Para quem? — Perguntaram surpresos.

— Lembra que eu disse que eu passei parte da minha vida sozinha depois que minha mãe... desapareceu? Parte disso é mentira, um casal de idosos que morava na casa ao lado acabou cuidando de mim como fizeram com ela. — Eu disse — Eles não se importariam de eu sair que nem uma louca para uma missão suicidada e abandonasse tudo, mas eles ficariam muito zangados se agentes da Força Aérea Americana batesse na porta deles as 7 da manhã falando que causei um baita acidente no espaço aéreo ao dirigir um barco voador sem ao menos avisar em uma ligação para eles.

Notas finais
Não ficou aquela coisa super legal, eu sei, os próximos serão melhores, esse era mais para poder explicar as coisas e por isso não teve tanta ação.... Bom, se perceberam, além da nova capa, temos uma outra autora agora no Social Spirit (ela não tem conta no Nyah), deem oi pra ~GetLoki, minha co-autora e a dona da personagem da Valentine. Ela também escreve uma nova fic de PJO/HDO no estilo de JDO e é super incrível, aposto que vocês vão gostar e como se faz isso? É só clicar no link dela e ler :D http://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-percy-jackson-os-olimpianos-the-snow-queen-1828356 Então amores, mandem comentários, favoritos, declarações de amor, ameaças de morte pela demora, podem me xingar por isso tbm e bom... até a próxima meus vinhados e vinhadas, obrigado e O que acharam da nova capa?