Desventura

1 Alarme ignorado, resultado trágico


Notas iniciais
O carma é uma droga, yeah Do jeito que eles vem, eles vão...

Estava deitada sobre a cama esperando Olivia sair do banho, quando seu celular vibrou, era uma mensagem de Nick, fiquei curiosa, não apenas por ele ser ex de Olivia, mas também pelo horário, por que ele mandaria mensagem tão tarde? Deslizei o ícone para abri-lo, porém não consegui, pediu para que eu inserisse uma senha, o que era novidade para mim, o celular não havia bloqueio anteriormente, fiquei com uma pulga atrás da orelha, mas a ignorei e larguei o aparelho sobre o móvel ao lado da cama. Logo Olivia apareceu e acabamos adormecendo. Foi nessa noite que o alarme soou pela primeira vez e eu ignorei. Quem poderia imaginar que seria algo mais sério, era só uma mensagem, eles trabalhavam juntos, poderia não ser nada, poderia ser tudo, o que me incomodou mesmo foi a necessidade de Olivia em bloquear o celular, eu sabia que ela estava escondendo algo e tentei manter a ilusão de que nada acontecia.

Dias depois era nosso aniversário de namoro, oito meses, e eu preparei um jantar especial com direito a um caminho de rosas até o quarto -quem pode dizer que não sou romântica?. Ela chegou atrasada, com uma desculpa esfarrapada e eu aceitei, cedi sem lutar, não iria estragar aquele dia, a recebi com um beijo demorado na esperança de afastar os pensamentos sobre uma possível recaída com Nick, e consegui. Jantamos um macarrão italiano, receita que aprendi assistindo a um programa culinário, bebemos vinho, dançamos em frente a lareira e ali mesmo fizemos amor. Parecia que tudo estava indo bem.

No dia seguinte, acordamos com uma chamada de Fin logo cedo e fomos para a Unidade juntas, ao chegar lá nos inteiramos do caso e Olivia distribuiu as tarefas. Fiquei encarregada de buscar informações e as imagens da câmera de segurança do bar onde a vítima havia sido atacada, juntamente com Carisi. O que agora era algo mais fácil do que já fora, pois depois de oito meses ele havia aceitado minha relação com Olivia com bons olhos. Não posso culpa-lo por ter sido tempestuoso no início, eu o traí, o que não foi um bom termino para nossa relação nem um bom começo para a minha com Olivia.

—Você percebeu algo de estranho no Nick? -ele perguntou a caminho do bar.

—Como assim?

—Ele anda mais sorridente e... não sei.

—Talvez tenha encontrado alguém legal. -eu disse e engoli em seco esperando que fosse verdade e que a relação dele com Olivia não passasse de amizade.

—Talvez. Mas, ele não me disse nada e ele sempre diz. A não ser que seja alguém que eu conheça... -ele disse em tom pensativo.

—Ou talvez apenas não queira que dê em cima dela. -falei e ri, estacionando o carro.

Foi aí, agora consigo ver, que Carisi tentou me avisar do que estava acontecendo entre os dois, mais uma vez o alarme era ignorado.

Minha ficha só caiu de verdade depois de muitas noites em claro esperando Olivia vir para casa, de ver os dois trocando olhares no trabalho, de vê-la chama-lo em sua sala com qualquer desculpa e sempre fechar a porta, de ouvir suas risadas vindo do banheiro durante a madrugada quando faziam longas ligações, por que o que quer que conversassem era mais divertido enquanto eu dormia -ou deveria estar dormindo. Foi assim que conclui que estava sendo traída, o carma é realmente uma vadia. Mas, eu não aguentaria aquilo por mais tempo, estava decidida a acabar com aquele namoro.

Olivia chegara na hora aquele dia, poucos minutos depois de mim, foi inesperado, e de certo modo, agradável, talvez ela tivesse acabado com Nick, talvez cansara de me magoar.

—Olivia? -perguntei surpresa ao vê-la entrar pela porta.

—Amanda. -ela abriu um sorriso. – Que cara é essa? Eu moro aqui, lembra?

—Não é o que tem parecido ultimamente. -respondi tentando manter a pose de durona.

Ela andou até mim e beijou minha testa, depois meu pescoço e por fim meus lábios, derrubou todas minhas barreiras, deixou-me sem força para lutar. Segurou em minha cintura e entre beijos levou-me até o quarto. Meu discurso ficou perdido entre gemidos. Por uma hora e alguns minutos esqueci tudo o que havia sofrido e que carregava um par de chifres na cabeça. Por uma hora e alguns minutos nós nos amamos, lambuzamos, deliciamos com a luxúria de um amor prestes a acabar. Mas então, enquanto tentávamos recuperar o fôlego, encarando o teto, o celular de Olivia tocou e eu sabia bem quem era do outro lado da linha.

—Deixe tocar. -eu disse. Mas, ela já havia atendido.

Sentou na cama e trocou algumas palavras com ele e então desligou. Começou a vestir-se e a observei quieta, ao terminar, virou-se para mim e disse:

—Vou dar uma saída rápida.

—Ok. -eu disse sem precisar perguntar aonde iria, pois já sabia.

Despediu-se com um beijo e foi. Ao ouvir a porta fechando, levantei e fui até a cozinha, ainda nua, peguei uma garrafa de vodca e um maço de cigarros, que guardara desde que estava com Sonny. Sentei-me no sofá, abri a garrafa e empinei por alguns segundos até que minha garganta ardesse, logo acendi um cigarro para acompanhar. Alguns minutos depois e a garrafa estava no fim -e o maço de cigarros estava menor- não bebia há um tempo e cada gole aumentava minha insanidade. Resolvi vestir-me e ir atrás dos dois, o que não era nada aconselhável, tanto por acabar dirigindo bêbada quanto por estar com tanta raiva. Entre o abotoar de botões, o cigarro acabou caindo de minha boca e sem muita concentração o deixei no chão.

Minha visão estava afetada de fato, mas com dificuldade entrei no carro com uma nova garrafa e minha arma, não que esperasse usa-la, foi um mero impulso. Enquanto dirigia, minha mente embriagada conseguiu imaginar os dois trocando beijos e tirando suas roupas aumentando o meu nível de irritação, meus olhos encheram-se de lágrimas o que só me prejudicou ainda mais, sem conseguir enxergar acabei invadindo a calçada e batendo o carro em uma lixeira há poucas quadras de casa. Não voei através do vidro por que estava com cinto de segurança, nunca esqueço de colocá-lo, mas bati a cabeça no volante e minha testa sangrava, não parecia ser algo muito grave então resolvi voltar a pé. O caminho era curto, mas para uma bêbada fora uma tortura.

Ao chegar na esquina consegui avistar, mesmo com a visão embaçada, o carro de Nick. Foi o necessário para meu sangue ferver e meu nível de álcool cair, ele estava lá e agora eu tinha certeza da traição. Como ele teve a ousadia de leva-la em casa após, provavelmente, treparem? Como ela teve coragem de deixa-lo leva-la, como ela pode me trair após uma hora de sexo? Ninfomaníaca, pensei e ri. Minha raiva não era direcionada á ela, por mais que tentasse. Era ele que me fazia querer sacar a arma e atirar para cima anunciando que eu estava lá e que merecia respeito. Corri até o carro, eles conversavam entre sorrisos, minha raiva aumentava, joguei a garrafa ao chão, eles finalmente olharam para frente, saquei a arma e pude ver a surpresa em seus olhos, mirei em Nick, não era minha intenção atirar de início, jamais até aquele momento pensei que seria capaz de ir tão longe, mas então sem raciocinar direito apertei o gatilho e o vidro do carro foi estilhaçado, ele foi atingido, Olivia gritava e tentava parar o sangramento. Minhas mãos tremiam e a arma caiu em minha frente. Por segundos estava anestesiada, não conseguia sequer respirar.

—Nick! Fique comigo! -Olivia gritou e eu voltei a mim.

Fui até o carro, já não sentia mais o álcool em minhas veias.

—Me desculpe. Eu... -disse ainda sem ter plena consciência do que acabara de fazer.

—Chame a ambulância! -Olivia gritou sem sequer olhar para mim.

Procurei em meus bolsos, mas não estava com o celular e sequer tinha lembrança de tê-lo pego.

—Não estou com meu celular. Aonde está o seu? -perguntei

—Está sem bateria.

—Ok. -eu disse e me afastei.

Fui até nossa casa, abri a porta e o fogo já estava alto, pensei em apaga-lo, mas não poderia sozinha. O tapete da sala estava totalmente queimado e as chamas se estendiam por toda a sala, o cigarro, pensei e cai de joelhos ainda na porta. Desabei em lágrimas. Meu colega, e amante de minha namorada, estava lá fora sangrando e ela estava tentando o ajudar. Eu atirei nele. Eu tentei mata-lo. Olhei para eles e uma dor enorme invadiu meu peito, como aconteceu tão rápido? Como pude atirar nele? É possível perder o controle do próprio corpo e as coisas simplesmente acontecerem?

Eu amo Olivia, só queria que ela me amasse do mesmo modo sem ter a necessidade de buscar algo a mais com Nick. Minha raiva naquele momento tinha se transformado em desespero, não tinha forças para levantar, mas precisava encontrar meu celular e pedir ajuda.

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