Desvendando o Amor
7 Novos ares
Notas iniciais
Era o final do primeiro ano da faculdade quando as coisas saíram de vez do controle. Já era insuportável a convivência, mesmo com a distância, que era exatamente o motivo de tantas brigas. O namoro a distância não estava sendo fácil, agravada pelo ciúmes excessivo das duas partes.
Desliguei a chamada de vídeo em prantos. Era o fim da minha história com Cameron Woods. Eu amava Cam, com cada célula do meu corpo, mas os dois sabiam que aquilo não estava dando certo, o que não fez com que o final fosse mais fácil.
Durante esse último ano, Cam veio me visitar algumas vezes e eu fui para Nova York uma vez, alem de termos nos encontrado em casa nas festas de finais de ano. Era ótimo quando nos víamos. O moreno tinha um poder surreal sobre mim e era insaciável, se é que me entende, mas era ainda pior quando nos afastávamos.
A cada vez o ciúme aumentava e, consequentemente, as brigas também. Além disso, os dois estudavam cursos e em lugares onde a matéria era excessiva, o que fez com que nos afastássemos. Faziam três meses que não via ele e duas semanas que não nos falávamos, quando tomei a minha decisão.
Por incrível que pareça, nossa conexão era tão grande, mesmo naquele momento, que ele concordava com as coisas que eu estava dizendo, não tentou me convencer do contrário, o que significava que ele pensava da mesma forma. Mais uma vez, aquilo não tornou a conversa mais fácil.
Duramos mais do que Emma e Nick, de qualquer forma. Emma decidiu que queria entrar na faculdade com uma nova cabeça, uma nova vida, e portas abertas, nas palavras dela. Por isso, terminou com o garoto uma semana antes de partirmos, o que o deixou arrasado. É aquele dizer: Quando um coração é partido, nunca é igual para os dois lados.
Eu não sabia o que Cameron estava sentindo naquele momento, ou se a intensidade era maior ou menor do que a minha, mas esperava, do fundo do coração que fosse menos, porque aquilo doía demais.
***
Um mês depois, tive a notícia, por meio de Emma, de que Cam estava namorando novamente.
Aquela noticia me pegou de jeito. O garoto era rápido, eu não podia negar. Superou um relacionamento de dois anos e meio em poucas semanas.
Eu estava na cafeteria da faculdade quando recebi a mensagem. Era um print do instagram de Cam. Uma foto com uma garota loira. Ela estava cochichando no ouvido dele, o que me impedia de ver seu rosto. A legenda da foto era: Agora eu quero só você.
Milhões de pensamentos passaram pela minha cabeça, incluindo o questionamento se ele havia me traído com ela, mas logo o espantei. Ou tentei. Comecei a chorar. Ciente do local em que eu estava, mas chorei.
Saí correndo da cafeteria e tentei atravessar a rua, quando alguém me segurou pelo braço, milésimos antes de um carro passar a toda velocidade. Olhei para o meu salvador:
—Obrigada.
—Está tudo bem? — Ele perguntou.
O homem era bonito. Bem bonito. Cabelo ruivo, quase loiro acobreado, os olhos verdes. Olhos verdes, como os de Cam. As lágrimas voltaram a percorrer a minha face.
—Ei. Me desculpa. — Ele afagou meus braços.- Eu não queria te fazer chorar.
—Não é culpa sua, não se preocupe. — Disse, tentando enxuga-las em vão.
—Quem quer que seja o responsável, é um idiota.- Soltei uma risada pelo nariz, cessando as lágrimas.
—Você nem imagina.
—Se ele te deixou assim, é porque não te merece. — E saiu.
***
Os dias foram passando e eu cruzava com o garoto misterioso pelo campus, pelo menos, duas vezes por semana. Eu sorria para ele e ele sorria de volta, mas não passava disso.
Um dia, eu estava lendo um livro na cafeteria, quando percebi alguém de aproximar. Abaixei o meu livro e vi o garoto ruivo parado ao meu lado, com dois cafés:
—Perguntei para a barista qual era o seu regular e ela me deu este aqui. Espero que esteja certo. — Sorri, pegando o café que ele me ofereceu de sua mão.
—Droga, por café terei que desapontar a minha mãe. — Disse brincando. — Ela me fez prometer que eu nunca aceitaria bebida de estranhos.- Tomei um gole do café sorrindo para ele.
—Eu não sou um estranho, eu salvei a sua vida outro dia. — Ele respondeu, sentando ao meu lado. — Meu nome é Alex, aliás.
—Samantha.
***
Eu saí com Alex. Várias e várias vezes. Ele era divertido, sabia como me animar e eu me sentia segura ao seu lado. Segurança, essa era a palavra.
Começamos a namorar. Ele conheceu meu pai e eu conheci a família dele. Seu Phil conseguiu ser simpático com Alex quando se conheceram, mas a relação entre os dois não era nem perto o que era com Cam.
Aliás, fiquei sabendo alguns meses depois, que meu pai havia visitado Cam. Meu pai, como sempre, foi bem além da obrigação. Ele cobria, mesmo que não estivéssemos mais juntos, o papel de figura paternal de Cam.
Alex, obviamente, não ficava a par deste tipo de situação. Já era suficientemente incomodo a estranheza que ele tinha com Tyler, quando este vinha me visitar.
Dois anos depois, Alex me convidou para morar com ele em seu apartamento. Na época, a minha colega de quarto me dava nos nervos e era extremamente folgada, então aceitei a sua proposta.
***
No dia da nossa formatura, nós e nossas famílias, incluindo Emma e Tyler, saímos para jantar juntos, em comemoração. Alex vinha de uma família mais estável financeiramente e eles se ofereceram para pagar a refeição no restaurante mais chique da cidade.
Estávamos todos em uma mesa grande e redonda e Alex estava sentado ao meu lado. As pessoas mal conversavam ou se falavam baixinho, mas era nítido que estavam felizes. Logo depois que os garçons recolheram os pratos da mesa, antes de nos oferecerem sobremesa, Alex se levantou, com a taça de champanhe na mão. Ele limpou a garganta e bateu de leve com o talher na taça chamando a atenção de todos. Parecia nervoso:
—Há pouco mais de três anos, eu vi uma garota correndo em direção a morte. — Eu ri, fazendo com que todos os demais ficassem perdidos em relação a afirmação. Ele tinha seu olhar fixo em mim.- Ela claramente não estava bem. — Respirou fundo.- E quando finalmente vi seu rosto, encontrei a mulher mais linda do mundo, chorando. Naquele dia, eu decidi que nunca mais a deixaria chorar. Pelo menos não de tristeza, já que ela chora de raiva o tempo todo, até quando o carregador não funciona, e isso eu não posso impedir. — Todos riram com a brincadeira. Ele desviou os olhos de mim e encarou cada um da mesa.- Hoje começa um novo capítulo das nossas vidas e eu quero começar esse capítulo com escolhas certeiras. É por isso que eu te pergunto, Samantha Vermond, meu bombom, — Ele se ajoelhou, tirando uma pequena caixinha de joia do bolso.- Você aceita se casar comigo?
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