Desvendando O Passado
4 Capítulo 4: Objetivo das Trevas (Parte 2)
Notas iniciais
" A pior solidão que existe é darmo-nos conta de que as pessoas são idiotas. "
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"– Temos que tomar cuidado – sussurrou Lothos – Ela está de volta."
– Quem? – perguntou Elesis.
Antes que a Comandante pudesse responder, um forte vento começou a atingir todo o lugar.
– É ela! – Lothos gritou.
– Quem?! – repetiu a Espadachim.
– N-não posso falar agora – disse Lothos. A preocupação era visível em seu rosto. – Quero que vocês fujam.
– Não vamos te deixar sozinha – disse Ryan.
– Vão – a Comandante falou. – Eu vou ficar bem. É uma ordem! Vão!
De uma só vez, uma tempestade assustadora começa. Algo assim não era visto a muito tempo.
– Is-isso é... – Arme gaguejou. – Tempestades... – Ela pareceu se perder em pensamentos. – A segunda etapa do ritual deve ter sido concluída. Se eu estiver certa, falta apenas mais uma.
– Arrgh! – arfou o Druida.
– RÁPIDO! – Lothos gritou. Ela nunca havia sido tão dura como agora.
– Venha conosco – murmurou Lass. – Se não nós não iremos sair daqui.
Sabendo que não adiantaria discutir, ela se uniu a eles e todos correram o mais rápido que conseguiram para fora do centro.
Antes que Lothos voltasse a falar, Ryan e interrompeu.
– Não vamos te deixar – falou o elfo. – Você está ferida.
– Vocês tem que ir pro... para a... Qual é mesmo o nome do continente onde encontraram Jin?
Alguns flashbacks pareceram dominar a mente de Jin por alguns instantes. Ele parecia estar se lembrando de algo – de seu passado.
– Terra de Prata – ele disse. – Lothos está certa. Temos que ir para o mais longe possível. Tudo está se encaixando perfeitamente... Esses sinais... Acho que estão tentando ressuscitar um Deus.
– U-um Deus – Lass repetiu, pasmo.
– Diziam que antigamente, quando um Deus morria, seus servos fiéis tentavam o reviver – o Lutador começou. – Várias pessoas tentaram ressuscitar um Deus específico, mas não me lembro qual era... Mas nunca vou esquecer que muitas pessoas morreram. Os sinais eram os mesmos. Ventanias. Tempestades. Mortes. Algumas outras histórias contavam que, se alguém renascesse, seu poder viria várias vezes maior...
– Você pode explicar para eles no caminho – disse Lothos. – Saiam daqui! Eu tenho que alertar os moradores antes!
Finalmente os guerreiros assentiram.
– Jin! – Arme o chamou, gritando. – Agora tudo faz sentido! Se supormos que "x" está renascendo, a alma de "x" deve estar vagando por algum lugar... Se eu tiver decifrado corretamente todas as partes, então "x" deve voltar ao lugar em que perdeu a vida para que o ritual possa ser completado. Já que você disse que as pessoas tentavam ressuscitar Deuses no passado, então acho que podemos começar a busca pensando em alguém com o poder próximo ao de um Deus, ou com um grande poder, seja lá se pode ou não ser comparado com o de Deuses... Precisamos ir para o Continente de Ellia!
Lass – assim como Arme – havia compreendido. Por mais que eles não quisessem aceitar a hipótese, quase tudo – ou talvez até mesmo tudo – fazia sentido.
– Caso as coisas se agravem, eu vou precisar de todos os barcos para poder instruir a população a fugir – disse Lothos.
– Então vamos no meu Dragão – falou Ronan. Seu Glaive surgiu em suas mãos. – Guardião de Canaban! – gritou. Em apenas alguns instantes, o imenso dragão vermelho surgiu. Ele abaixou-se, dando o máximo de si para não provocar estrondos.
Todos – exceto Lothos, novamente alegando que deveria manter os moradores como sua prioridade – subiram no dragão. A corrida contra o tempo começou.
Quando subiu na criatura, Amy fez questão de novamente lembrar aos amigos como ela não gostava de dragões.
O Guardião abriu suas asas – preparando-se para começar vôo. As fendas amarelas – que eram seus olhos – ficaram com sua atenção fixa no horizonte. Ellia os esperava.
– Olhem para baixo – sussurrou Lire. – Estamos voando sobre o Mar de Patusei. Afinal, qual é nosso destino?
– O Castelo de Cazeaje – respondeu Arme. – Ei! – Ela gritou sem querer. – Aquelas coisas dentro do mar...
– São monstros – completou Lass. – Arme, se essas criaturas estão renascendo, significa que a coisa que estamos procurando está por aqui, não é?
– Exatamente – respondeu a Maga, lamentando-se.
– Vamos ter que pousar – falou Ronan –, o dragão está ficando fraco. Eles chegaram à terra firme alguns instantes depois.
– Esses são... – Ryan parou para pensar durante alguns instantes. Havia muito tempo que ele não havia criaturas parecidas. – São Esqueletos, tanto Arqueiros como Cavaleiros.
– Precisamos acabar com eles o mais rápido possível – disse Elesis –, mesmo que sejam muitos.
– Com licença – disse Jin, passando lentamente para a frente de todos.
Ele ficou com seu corpo ereto, depois moveu a perna direita um pouco para trás. Curvando um pouco seu tronco, ele ergueu os braços na direção das criaturas e uniu os pulsos.
Uma aura amarela – e levemente avermelhada – envolveu seu corpo. Enquanto a energia se concentrava em suas mãos, ele fechou os olhos. Ficou apenas três segundos assim. Quando os abriu, afastou uma mão da outra – sem afastar os pulsos.
– Onda Energética! – gritou.
Uma espécie de esfera dourada pareceu voar para fora de suas mãos, crescendo – e por alguns instantes pareceu jogar para longe o próprio ar – e avançando rapidamente nas criaturas. Quando as tocou, desintegrou-se enquanto descarregava nelas a energia, jogando-as para trás.
– Impressionante – elogiou Amy.
– Quando estou concentrado, eu posso criar uma outra espécie de aura, diferente da aura que é nossa energia. Levo algum tempo até criá-la por completo, mas a diferença que ela exerce sobre mim é realmente significante. Isso se chama Fúria.
– Incrível! – disse Lire, animada. – Elesis, cuidado! – A elfa gritou enquanto acertava dois esqueletos com suas flechas, antes que eles atingissem a amiga.
– Vamos usar ataques de área – sugeriu Ryan. – Agilidade, é o que precisamos.
Os amigos assentiram.
Os Sabres surgiram nas mãos de Elesis. Ela correu até alguns dos inimigos. Suas armas foram envolvidas por parte de sua aura – vermelha e brilhante.
– Caos Final! – ela gritou enquanto avançava nas criaturas, girando seus Sabres várias vezes em trezentos e sessenta graus, de forma tão rápida que o vento parecia estar sendo cortado. Antes de tocar o chão novamente, ela deu um meio-salto para trás, ganhando impulso. Curvou um pouco seu corpo para frente e colocou os Sabres para trás, unindo-os na ponta. Assim que novamente os colocou para frente, descarregou uma quantidade formidável de energia – destruindo algumas das criaturas e arremessando outras para trás.
– Eu preciso de espaço – disse Arme –, com licença. Seus amigos se afastaram. Seus olhos se fixaram nos esqueletos por alguns instantes. Seu Cajado foi envolvido por uma fina camada de energia esverdeada. Ela moveu um pouco os pés, preparando-se para atacar. Com o Cajado na mão direita, ela ergueu esse mesmo braço e girou a arma algumas vezes – fazendo com que a quantidade concentrada de energia aumentasse. Ela ergueu o braço direito para frente. A energia que havia sido acumulada fez pressão o suficiente para que seu corpo flutuasse. Uma espécie de círculo mágico e verde surgiu à frente de seu Cajado. Ela tocou-o com a arma. Toda a energia concentrada foi descarregada de uma só vez – ganhando a forma de uma imensa rajada. – Rajada de Vento! – A Maga gritou enquanto os inimigos eram transformados em pó.
– Explosão de...
– Isso não é necessário – falou Lass. – Olhe bem. Não resta mais nenhum.
Lire assentiu. Ela pareceu se perder em pensamentos.
– Estamos no centro de Ellia – falou a elfa. – Foi aqui que lutamos contra Elena.
– E Kamiki – acrescentou Arme. Ao ver a dúvida surgindo no rosto da amiga elfa, ela se apressou em terminar sua fala. – Não acredito que seja ela que está sendo ressuscitada. Quando a maga Elena se transformou na Kamiki, sua alma também foi possuída pelo monstro e, tenho certeza que quando a derrotamos, sua alma foi destruída junto com o corpo da criatura.
Ronan os alertou para que não perdessem mais tempo. Todos começaram a correr – o castelo estava mais perto do que imaginavam.
– Nada está normal – observou a Maga. – Eu posso sentir energias sombrias por todos os lados, envolvendo o castelo.
– Isso significa que... – Amy não conseguiu terminar.
– Realmente é ela que está renascendo – completou Lass. Não havia mais motivos para resistir ao fato. Cazeaje estava voltando.
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