Desvendando Mistérios

6 Capítulo 6 - Recomeço


Notas iniciais
Quando toda a verdade do passado vem à tona.

Shunrei e Shaka chegaram ao destino no fim da tarde e se hospedaram em um hotel, cada um em um quarto diferente. Após se acomodar no quarto ela decidiu ligar para o tio para contar sobre sua decisão e que ela estava próxima da casa dele. Ouviu o telefone tocar algumas vezes e logo a voz do mordomo da casa foi ouvida:

—Deixe — me falar com meu tio, Gigars.

—Sim senhorita Shunrei.

Segundos se passaram até ela ouvir a voz do tio:

—O que houve para o meu Onix ligar tão tarde?

—Estou na Grécia tio, bem próximo a sua casa.

—Trabalho?

—Também, mas creio que vou ficar por um tempo. Estou aqui com um cavaleiro de Athena.

—Qual deles?

—O de virgem.

—Venham para minha casa, estarei aguardando vocês.

—Acho que vai ser melhor para conversarmos.

—Vou pedir para um motorista buscá — los.

—Certo, vou estar aguardando.

Ela desligou o telefone e foi até o quarto de Shaka, onde bateu a porta e ele atendeu um pouco sonolento:

—Algo errado Shunrei?

—Se arrume, meu tio vai mandar alguém para vir nos buscar.

—Quem é seu tio?

—Saga.

—O Saga de gêmeos? — Ele perguntou confuso.

—Esse doido mesmo, vamos. Logo o motorista vem nos buscar.

—Desde quando você tem ligações com o santuário?

—Desde sempre.

—Por que nunca me contou?

—Não gosto de falar muito sobre a minha família. — Ela sorriu e se virou para voltar para o quarto. — Em vinte minutos no hall de entrada.

—Certo.

Logo estavam a caminho da casa de Saga, o mesmo estava impaciente na entrada da casa a espera de Shunrei. Estava preocupado com ela, pra ela ter voltado tão rápido algo de grave deveria ter acontecido e aquilo estava fazendo sua cabeça esquentar, e pra piorar Miro também estava a caminho e ele teria um infarte se Miro e Shunrei se encontrassem antes do previsto.

Saga viu o carro passar pelo portão e deslizar pelo caminho até parar a frente dele. Shaka saiu do carro e deu a volta para abrir a porta para Shunrei. Ela agradeceu a cortesia de Shaka e correu até o tio, que a recebeu com um caloroso abraço:

—O que houve meu onix? Você me parece tão abatida. — Perguntou Saga a abraçando.

—Eu me separei do Shiryu. — Ela respondeu sentindo lágrimas surgir em seus olhos.

—Minha querida, cedo ou tarde isso iria acontecer. — Ele se virou para Shaka. — Não imaginei que você pudesse conhecer minha sobrinha.

—Trabalhamos juntos na fundação Graad. Uma missão que o grande mestre me confiou.

—Se eu soubesse disso teria ficado mais tranquilo. Sei que posso confiar plenamente em você, Shaka.

—Somos amigos, isso é o mínimo que posso fazer. — Shaka sorriu.

—Vamos entrar para vocês descansarem um pouco.

Shunrei estava no quarto se arrumando para dormir quando Saga entrou com um semblante preocupado:

—Algo errado tio? — Ela perguntou enquanto penteava os longos cabelos.

—Você disse que se separou do Shiryu, não é isso?

—Sim tio.

—Há probabilidade de volta ou não?

—Ele esta bem com a filha adotiva do meu avô.

—Então ele te traiu?

—Já era de se esperar, eu também fiz o mesmo. — Ela sorriu sem graça.

—Como assim?

—Você tinha razão. — Ela pegou a correntinha que Miro havia lhe dado de presente de dentro de uma caixa de jóias. — Aqui. Eu me apaixonei por ele e ele por mim. — Ela colocou a correntinha na mão de Saga.

—Então é você a mulher que ele não para de falar? — Ele perguntou animado.

—Isso mesmo! — Ela respondeu com um largo sorriso.

—Mas quando ele me disse que ela era ruiva dos olhos verdes, nem me passou pela cabeça que seria você.

—Mudanças são precisas quando se esta em missão.

—Mas por Athena, você esta matando o meu filho de paixão! Miro se alimenta mal, quase não dorme e vive para o trabalho. Kamus e Afrodite estão trazendo ele pra cá porque não sabem mais o que fazer por ele.

—Eu não estava muito diferente, por isso decidi me separar de vez do Shiryu.

—Acho que tudo foi providencial.

—Acredito que essa maldição é mais forte do que qualquer outra coisa. — Brincou Shunrei.

—Forte demais, por isso o Kanon não esta aqui conosco para ver você e o Miro serem finalmente felizes.

—Como assim tio?

—Nós dois no amávamos muito, tanto que não havia espaços em nossas vidas para outras pessoas. Tiveram que nos separar para que possamos seguir com a linhagem, já que meu tio demorou demais a ter a filha dele.

—Sempre é assim? Um par de gêmeos e um casal a cada geração?

—Exatamente.

—Então eu já posso esperar ter gêmeos?

—Sim. Mas vamos esquecer isso e vamos descansar. Miro deve chegar amanhã pela manhã.

—Vamos.

—* -

Shunrei havia acordado cedo e caminhava ao redor da piscina. A brisa da manhã a fazia sentir — se melhor e ajudava a arejar a mente. Ouviu passos vindo do jardim e logo Shaka surgiu:

—Bom dia Shunrei, o que faz acordada tão cedo? — Ele perguntou se aproximando.

—Bom dia Shaka. Eu apenas perdi o sono e resolvi vir andar um pouco aqui fora. Estava meditando?

—Sim, estava elevando minhas preces a buda para ter um bom dia.

—Sempre é bom começar o dia assim.

—Você parece mais abatida do que ontem.

—Tenho motivos graves para estar.

—A separação ainda te afeta? — Ele perguntou preocupado.

—Um pouco, mas não é só isso. Descobri hoje pela manhã que estou grávida.

—Mas como?

—Nesses últimos dias eu estive com a cabeça muito cheia, esqueci de renovar minha injeção.

—O que pretende fazer?

—Estou pensando. Meu tio vai me matar.

—Posso até tentar te proteger mas creio que não será fácil. Mas me prometa uma coisa.

—O que?

—Não pense em abortar.

—Tudo bem. Eu conto com você pra me ajudar com isso.

Eles ouvem o som de motor de carro e de longe puderam visualizar Kamus, Afrodite e Miro desembarcarem e serem recebidos por um animado Saga. Shunrei observava Miro, que nem parecia ser o mesmo, o homem másculo e sedutor havia dado lugar a um completamente abatido e com aparência cansada. Seu sorriso antes tão sedutor e cheio de vida agora estava triste e sem brilho. Era engraçado como os dois estavam da mesma maneira.

Logo o grupo entrou na casa com a exceção de Kamus que ficou para trás e veio a direção deles que se escondiam atrás de uma árvore. A passos largos logo ele estava em frente a Shunrei e Shaka:

—Finalmente resolveu voltar para casa. Cansou de brincar de casinha? — Ele perguntou olhando para Shunrei.

—Não fale com ela dessa maneira Kamus. — Interferiu Shaka.

—O que faz aqui Shaka? Aqui não é o seu lugar, deveria voltar para o santuário.

—Estou aqui a trabalho, acho que você não deveria se meter em meus assuntos.

—Ei, os dois, vamos parar agora com isso. — Pediu Shunrei. — Vim pra cá a trabalho, meu tio me convidou para ficar aqui.

—Então ele finalmente vai deixar você e Miro se conhecerem?

—Parece que sim.

De repente uma servente apareceu pedindo que Shunrei comparecesse a sala de jantar para o desjejum. Prontamente o trio voltou para casa e se dirigiu a sala de jantar. Kamus entrou primeiro, deixando Shaka e Shunrei para trás:

—Se acalme, para qualquer coisa eu estarei aqui. — Shaka falou segurando a mão de Shunrei tentando lhe passar calma.

—Obrigada Shaka.

Shaka entrou na sala de jantar segurando a mão de Shunrei, que estava fria e trêmula. Os olhares da mesa se dirigiram para o casal recém chegado:

—Olha se não é o Shaka. Enjoou do santuário? — Brincou Afrodite piscando um olho para Shaka.

—Só cuidando de um tesouro valioso. — Ele sorriu e puxou Shunrei levemente para que ela pudesse ficar a sua frente. — Devo fazer as honras Saga?

—Bella! — O grito de Miro assustou todos na mesa. Ele se levantou rapidamente e foi até Shunrei, pegando a mão livre dela e beijando em seguida. — Que bom te encontrar novamente, eu vim aqui justamente te procurar, eu não aguentava mais ficar sem notícias suas.

—Meu nome não é Isabelle. — Shunrei falou puxando sua mão de dentre as dele e largando a mão de Shaka.

—Como não? Você esta usando o presente que eu te dei. E acha mesmo que eu não te reconheceria mesmo com os cabelos de outra maneira?

—Meu nome é Shunrei, e eu sou sua prima e futura esposa, Miro. — Ela se ajoelhou fazendo reverência a ele.

—Levante — se. — Miro a agarrou pelos ombros a colocando de pé. — Pai! Por que fez isso com nós dois? — Miro falou irado, o que fez Afrodite parar de rir na mesa e Kamus revirar os olhos de tédio.

—Regras são feitas para serem cumpridas.- Respondeu Saga. — Shunrei acompanhe Miro até o quarto e explique tudo a ele, vou pedir para levarem algo para vocês comerem no quarto.

—Sim senhor.

Shunrei pegou Miro pela mão e o encaminhou até o quarto dele. Enquanto isso Shaka sentou a mesa e perguntou:

—Será que eles vão ficar bem?

—Vão sim, pelo menos do que depender da Shunrei. — Respondeu Saga enquanto tomava uma xícara com café.

—Nossa Saga você sabe ser cruel quando quer. — Afrodite falou fazendo biquinho.

—Eu até entendo os seus planos Saga, mas por que deixou ela se casar com outro? — Perguntou Kamus.

—Pra ficar claro que ela nunca terá nada melhor que o Miro. — Saga respondeu com um brilho maligno nos olhos.

Já no quarto Shunrei olhava Miro andar de um lado a outro, impaciente. Ela sentou na cama com as pernas cruzadas e acabou rindo achando graça da raiva de Miro:

—Do que esta rindo? — Ele parou de andar e olha para ela.

—Acho que você vai abrir um buraco nesse chão se continuar andando no mesmo lugar. — Ela sorriu.

—Ah droga, como senti sua falta. — Ele se atirou nos braços dela e ela caiu sobre a cama com ele sobre si.

—Eu também senti muito a sua falta. — Ela o abraçou fortemente. — Nunca mais quero ficar longe de você.

—Eu também nunca mais quero ficar longe de você.

Os olhares se encontram e os rostos foram se aproximando até que um beijo de pura saudade se iniciou. Ficaram ali por um tempo trocando beijos e carícias. Não precisavam falar nada, apenas os olhares diziam tudo. Ouviram batidas na porta e logo o mordomo entrou empurrando um carrinho com um café da manhã completo. Ele deixou o carrinho ali e saiu rapidamente:

—Vamos comer,estou morrendo de fome. — Falou Miro se levantando da cama.

—O que temos para comer? — Perguntou Shunrei o seguindo.

A morena se aproximou do carrinho junto de Miro, mas assim que viu uma tigela com frios decorada com tomates secos um forte enjôo a atingiu, fazendo ela sair correndo a direção do banheiro. Preocupado, Miro a seguiu:

—O que você tem? — Ele perguntou preocupado.

Ela parou de vomitar, limpou a boca com uma toalha e olhou para ele:

—Poderia por favor tirar aquele monte de tomate seco de lá? — Ao terminar de falar ela voltou a vomitar.

Sem entender, Miro voltou ao carrinho e tirou todo tomate seco que encontrou na mesa e colocou dentro de um guardanapo, onde ele dobrou e escondeu embaixo de um recipiente com tampa:

—Pronto Shunrei, já tirei tudo daqui.

Alguns minutos depois ela apareceu escorada no batente da porta:

—Obrigada, eu não consigo sentir o cheiro ou olhar para um tomate seco sem vomitar. — Ela forçou um sorriso.

—Mas por que isso? — Ele foi até ela e a ajudou a voltar para cama.

—Vamos começar do começo.

—Não imagine, vamos começar do final, com nós dois no elíseos. — Ele brincou enquanto separava algumas coisas em uma bandeja para levar para cama.

—Ah claro. — Ela riu da brincadeira dele. — Bem, a proibição do tio Saga era pra nunca nos encontrarmos antes da hora certa. Por isso fui vivendo minha vida em Tóquio.

—Sempre achei que você não tinha cara de Isabelle. — Ele fez cara de desconfiado fazendo Shunrei gargalhar novamente.

—Acho que meus traços orientais são bem aparentes. — Shunrei fez charme.

—Mas é claro que são. — Ele voltou para cama com a bandeja repleta de alimentos. — Não sei por que mas hoje estou com uma fome enorme. — Diz ele devorando metade de uma baguete recheada.

—Estou vendo isso. Bem, eu cresci em Tóquio, criada por babás, me formei em jornalismo e treinei artes marciais para servir a família principal. Fazia algumas missões e por fim estava trabalhando na fundação graad para minha amiga de infância Saori Kido.

—Teve muitos namorados? — Ele terminava de comer a baguete recheada.

—Apenas um, os outros dois foram missões. Agora vem a parte complicada.

—Qual? — Ele começou a comer algumas uvas.

—Esse meu único namorado de verdade é meu ex-marido. Por isso eu não pude me identificar quando nos conhecemos no Brasil.

—Sabe Shunrei, eu posso ser meio lerdo para algumas coisas, mas eu sabia que você tinha algo haver com o meu pai quando te vi chegando com o Afrodite naquela boate. Mas quando você foi embora daquela maneira eu soube que tinha algo impedindo de você ficar. Eu pedi o Kamus para investigar e nós fomos parar na China. — Ele a olhou nos olhos. — Eu vi você e seu ex-marido juntos algumas vezes. E fui eu que providenciei para que você descobrisse que ele estava te traindo.

—Nossa, isso me surpreendeu. — Ela sorriu e pegou uma uva das mãos dele.

—Queria que voltasse logo para mim. — Ele sorriu sedutor.

—Olha só... o meu Miro acabou de voltar.

—Voltou desde que vi você novamente.

—Bem, então você me poupa de explicar uma boa parte da história. Mas ainda há uma coisa, uma coisa que eu vou aceitar o que você decidir.

—Diga. — Ele voltou a comer as uvas.

—Descobri hoje de manhã que estou grávida.

—É meu filho. Não quero que o bebê tenha o mesmo destino que você teve.

—Não vai se sentir mal por ser do meu ex-marido?

—Claro que não Shunrei. Eu sei que essa é a única maneira de salvar seu filho de uma vida terrível. E de qualquer forma essa palhaçada de família principal e secundária acaba aqui com nós dois. Tio Kanon não quer mais saber da família.

—Como assim?

—Meu tio se casou com uma descendente da família Solo, ele tem duas filhas mas meio que enlouqueceu depois que a esposa dele faleceu. De qualquer forma ele não quer saber de nós já que ele não pode mais se aproximar do meu pai e não quer que as filhas dele tenham que carregar o mesmo fardo que você carrega. Por isso ele nunca quis te conhecer e ele não mantém qualquer contato com meu pai.

—Como sabe de tudo isso?

—Eu não sou idiota o tempo todo, sabia? — Ele sorriu fazendo ela sorrir também. — Quando vamos nos casar?

—Quando quiser.

—Antes disso, já contou para o seu ex-marido sobre a gravidez?

—E deveria?

—Mas é claro, eu posso assumir mas ele tem que viver com a culpa de ser um inutil que não conseguiu manter a esposa. — Ele brinca.

—Mesmo assim…

—Eu quero esfregar na cara dele que ele perdeu, posso ter esse gosto? — Ele finge estar emburrado.

—Certo certo, mas se ele souber não corre risco de alguém contar para o tio Saga?

—Você estará casada comigo, quem vai querer discutir?

—Tem toda razão.

—*-

Shunrei olhava para o teto, aguardava Miro que estava em uma reunião para decidir investimentos. Ele havia dito que quando voltassem eles iriam entrar em contato com Shiryu para avisar sobre a gravidez e ela imaginava qual seria a reação dele, pois Shiryu era apaixonado por crianças e logo quando se casaram planejavam ter muitos filhos. Ela olhou para o telefone na cabeceira da cama e resolveu ligar para Saori, provavelmente teria que convidá -la para o seu casamento.

Ela discou o número e logo Saori atendeu:

—Oi Rei.

—Só eu mesma que ligo para esse número, não é mesmo? — Ela Achou graça do próprio comentário.

—Esse número é exclusivamente seu, assim como o do celular que eu lhe dei.

—Já sabe sobre eu e o Shiryu?

—Sim. E não gostei de saber disso.

—Estou com Miro.

—Foi por isso que se separou de Shiryu? Para seguir com sua paixão irracional? — Era claro a irritação na voz de Saori.

—Acho que você não soube. Shiryu voltou a ter um caso com a Shunrei do meu avô e eu peguei os dois juntos, foi aí que decidi deixar o caminho livre para eles.

—Ele disse que você apenas o deixou.

—Não foi bem assim. Logo depois que perdi o bebê ele voltou com ela.

—Então não havia jeito.

—Devo me casar com Miro nos próximos dias, você vem para o meu casamento?

—Não Shunrei, não vou mentir pra você. Eu sempre apoiei o Shiryu e quero continuar, se eu for estarei traindo meu amigo.

—É pelo Hyoga, não é mesmo?

—Sim.

—Um dia ele vai conhecer o Miro e vai se dar muito bem com ele, assim como o Shiryu.

—Talvez.

—De qualquer forma, obrigada por ser minha amiga. Qualquer dia entro em contato.

—Se cuida.

Shunrei encerrou a ligação e nesse exato momento Miro entrou no quarto, se aproximando da cama deitando ao lado dela:

—Esta melhor?

—Com você aqui eu fico ótima. — Ela o abraçou.

—Estava falando com alguém?

—Com a Saori, mas parece que ela não gostou muito da minha ligação.

—Isso vai ser normal de agora em diante, eles vão ser bem contra o nosso casamento.

—Já prevejo isso.

—Vamos ligar para o seu ex-marido agora?

—Vamos.

Shunrei discou o número do trabalho de Shiryu, deixando o telefone no viva voz para que Miro ouvisse a conversa. Logo o telefone foi atendido e Shunrei pediu para falar com o ex-marido, alguns segundos depois ele atendeu:

—Alô?

—Oi Shiryu, aqui é a Shunrei. — Miro segurava a mão dela.

—Algo errado Shunrei? Acabei de deixar você em casa e bem.

—Não Shiryu, aqui é sua ex-esposa.

—Me perdoe Rei, a sua voz esta parecida…

—Por favor, não fale. Eu estou ligando pra te avisar que descobri que estou grávida.

—Grávida?

—Sim, descobri depois que cheguei aqui.

—Você vai voltar para que eu possa acompanhar a gravidez?

—Não tenho essa intenção,vou ficar por aqui mesmo e vou te manter informado de qualquer coisa.

—Tudo bem então.

Shunrei encerrou a ligação e se atirou nos braços de Miro que a abraçou e lhe afagou os cabelos. Pelo tom da voz de Shiryu durante a ligação ele não se importava com Shunrei e aquilo fazia seu sangue ferver de ódio, se ele havia se casado com ela, não era porque a amava? Por que tratava uma mulher daquela maneira tão fria?

Ele puxou seu rosto delicadamente e a beijou, fazendo seu choro se acalmar. Ele a deitou na cama e ficou sobre ela. Queria amá — la, fazê — la sua como havia feito naquele período no Brasil. Ele tirou cada peça de roupa dela, admirando cada parte daquele corpo perfeito e escultural que ela tinha, a acariciou e beijou cada parte sensível.

Shunrei observava ele brincar com seu corpo e gemia a cada toque ousado dele. Viu ele se livrar das roupas e vir sobre ela. Mesmo mais magro ele ainda estava perfeito, os cabelos cacheados caíam ao redor do rosto dele, e os olhos brilhavam intensamente a busca de prazer. Miro era perfeito em cada pedaço de sua existência.

Ele separou as pernas dela e se encaixou ali, tornando — os um só. Não satisfeito ele colocou as pernas dela ao redor de sua cintura e se levantou a trazendo junto, fazendo ela ficar sobre seu colo enquanto a beijava apaixonadamente. Fizeram amor durante toda a tarde.

—* -

Dias depois, Shunrei estava recebendo os últimos retoques na maquiagem. Já usava seu vestido de noiva e aguardava ser chamada para descer para o jardim, onde a cerimônia aconteceria. Ela foi chamada por Afrodite que a guiou até o local da cerimônia, Miro a aguardava no altar. Ele vestia um fraque preto com gravata borboleta e o cabelo estava amarrado, ele estava muito mais que perfeito.

A marcha nupcial tocada em um violino ecoou pelo local e Afrodite a guiou pelo tapete vermelho até onde Miro a aguardava. Miro tomou a mão dela e a guiou até o altar. Ouviram o sermão do padre e trocaram as alianças. Ficaram um pouco na festa e depois foram passar a lua de mel nas ilhas gregas.

Foram duas semanas perfeitas, uma lua de mel perfeita ao lado do homem perfeito era assim que Shunrei tinha passado os dias. Depois da lua de mel eles se mudaram para o Brasil, onde Miro morava atualmente. A casa deles era bem grande, e o terreno era enorme com piscina e jardim, quartos grandes e amplos, o quarto principal era extremamente luxuoso, digno do Miro:

—E ai? Gostou? — Miro perguntou deixando as malas em um canto.

—Achei até um pouco exagerado. — Respondeu Shunrei andando pelo quarto.

—Se acostume, eu adoro o meu quarto, ainda mais depois da reforma. — Ele correu e se jogou na cama.

—E agora? Vai se acostumar com a vida de casado?

—Já estou mais do que acostumado. Mas e os bebês? Não se sentiu mal durante a viagem?

—Não mesmo, com você é tudo muito agradável. — Ela sentou ao lado dele.

—Tem um quarto aqui ao lado, vamos reformar para os bebês.

—Acho que vai ser um casal.

—Acha? — Ele a puxou para deitar ao lado dele.

—Daqui a alguns dias nós vamos saber.

—* -

Meses haviam se passado, Shunrei e Miro passeavam à beira da praia. A barriga de Shunrei já estava bem grande e os bebê estavam muito bem. Miro havia comprado água de coco para ela beber e ao se aproximar dela ele foi chamado. Ao olhar quem o chamava, ele viu seu amigo Aldebaran:

—E aí Deba, tudo bem? — Cumprimentou Miro.

—Tudo ótimo cara. Resolveu vir morar aqui de vez hein? — Falou Aldebaran, um homem de mais de 2 metros de altura que parecia uma montanha de tanto músculos.

—Sim, eu gosto de viver aqui ainda mais com as crianças a caminho. Olha só o tamanho da barriga da minha esposa. — Miro acariciou a barriga de Shunrei.

—Eita, tem quantos aí para a barriga ficar desse tamanho? — Brincou Aldebaran.

—São dois, um menino e uma menina. — Respondeu Shunrei.

—Nossa, meu parabéns, é muita sorte ter um casal de primeira. Eu pra conseguir um casal tive que tentar quatro vezes.

—E a Cinthia e as crianças, estão bem? — Perguntou Miro.

—Estão sim. Bem, eu vou ter que ir, as crianças estão me esperando na escolinha ali na frente. Até mais e boa sorte.

—Até mais. — Responderam Miro e Shunrei.

O casal observou Aldebaran sumir de vista:

—Vamos voltar para casa, estou cansada. — Reclamou Shunrei.

—Claro querida, e também não é bom você ficar andando muito. — Falou um preocupado Miro.

Andaram um pouco e logo chegaram em casa. Durante o percurso não havia uma pessoa sequer que não olhava para Shunrei com sua enorme barriga de gêmeos e para Miro que não se continha de orgulho por estar ao lado da esposa. Logo ao entrarem em casa eles são recebidos por um nervoso Kamus:

—Olha, eu tentei impedir ela de entrar aqui mas ele invadiu a casa e disse que só sairia depois de falar com você Miro.

—Quem é Kamus? — Pergunta Miro e logo Sônia apareceu.

—Oi amor, eu voltei. — Ela falou com uma falsa simpatia.

—Amor? — Perguntou Shunrei.

—O que esta fazendo aqui Sônia? — Perguntou Miro sério.

—Voltei pra ficarmos juntos, acho que é óbvio.

—E é óbvio que acabei de chegar em casa com a minha esposa. — Ele apontou para Shunrei.

—E desde quando você se casou? Porque eu não soube de casamento algum. — Sônia falou com desdém.

—Acho que era porque eu não gostaria de que alguém como você soubesse, agora faça o favor de desaparecer. — Miro caminhou até a porta e abriu.

—É por causa da gravidez que você esta com ela? — Sônia se aproximou rapidamente de Shunrei e a empurrou com força, fazendo Shunrei cair. Ela tenta dar um chute na barriga de Shunrei mas Kamus a puxou pelo cabelo, fazendo — a se afastar.

—Sua louca! O que você pensa que esta fazendo? — Miro correu para acudir a esposa. — Você esta bem Rei?

—Não… — Ela respira fundo. — Acho que eles vão nascer. — Ela falou em pânico.

—Consegue levantar?

—Vou tentar.

Com a ajuda de Miro, ela tentou se levantar mas sentiu uma dor enorme e não conseguiu se mexer. Kamus se juntou a Miro e os dois conseguiram colocá — la deitada no sofá. Shunrei gritava a cada contração que sentia e a bolsa já havia estourado, o médico que cuidava dela morava perto e em questão de minutos ele estava na casa realizando o parto dela. Não demorou muito para os gêmeos Raymond e Mariah virem ao mundo.

Depois de nascidos eles foram levados a maternidade em uma ambulância e depois passarem por um check up Shunrei e os filhos foram liberados para voltar para casa. Depois do dia complicado e cansativo Miro observava os bebês que dormiam tranquilamente em seus berços. Shunrei também dormia tranquilamente ao quarto ao lado, mesmo após o susto ela havia sido ótima durante o parto.

Ele estava encantado olhando os bebês, eram tão pequenos e tão perfeitos. Raymond tinha os mesmos cabelos negros de Shunrei e Mariah tinha o cabelo em um preto mais opaco. Eles pareciam bastante com ela e ele não teria problema algum em sustentar a história de que eles eram seus filhos, se bem que ele nunca havia posto os olhos no verdadeiro pai deles:

—Quero ver você ficar admirando assim depois de um mês. — Falou Shunrei de pé encostada no batente da porta.

—Amor, você deveria estar descansando. — Miro falou preocupado.

—Eu estava preocupada e vim vê — los. — Shunrei se aproximou dos berços. — São lindos.

—São nossos. — Ele a abraçou por trás.

—Tenho que avisar ao Shiryu que eles nasceram.

—Quer que eu avise?

—Ele ainda não sabe que somos casados.

—Esta passando da hora dele saber. De qualquer forma depois avisamos, eu vou tomar um banho agora. Sente — se na poltrona, daqui a pouco eu venho ajudá — lo a amamentá — los.

—Certo, eu o aguardo.

Shunrei observou ele sair do quarto e ficou olhando os bebês dormirem tranquilamente. Ela fechou os olhos e acabou dormindo ali mesmo, estava cansada mas extremamente feliz com seu marido e seus filhos ali por perto. Shunrei não sabia por quanto tempo havia dormido mas acordou ouvindo Miro ninando um dos bebês no colo. A cena era encantadora e ela admirou até que ele percebeu que ela estava acordada e deu um de seus belos sorrisos:

—Já esta levando jeito. — Ela fez sinal para ele trazer o bebê.

—Vai amamentá — lo?

—Claro, aproveitar que ele esta acordado. — Ela pegou o filho no colo e lhe deu de mamar.

—Vou pegar o telefone para você entrar em contato com o Shiryu.

—Tudo bem.

Miro saiu do quarto em busca do telefone para a esposa. Ele encontrou Kamus deitado no sofá da sala:

—Vai pra casa picolé. — Ele deu um tapa na cabeça de Kamus.

—Não enquanto eu não tiver certeza de que você e a Shunrei estão bem. — Kamus respondeu se erguendo.

—Não seja exagerado. Estamos bem. A babá virá amanhã cedo para ajudar.

—Vou ficar.

—Não reclame se eu te pedir para trocar fraldas ou fazer mamadeira.

—Eu e Natasha estamos planejando termos um filho para o próximo ano.

—Então aproveita para pegar experiência aqui. Mas onde esta a Natasha?

—Gravações fora do estado.

—Volta logo?

—Amanhã de manhã.

—Esta com medo de ficar em casa sozinho?

—Vá a merda Miro.

Miro voltou para o quarto onde Shunrei conversava com o bebê enquanto o amamentava. Ele se aproximou e se ajoelhou a frente dela em seguida ele a beijou carinhosamente:

—Eu trouxe o telefone, vamos ligar?

—Sim. — ela pegou o aparelho e discou o número e logo Shiryu atendeu. — Shiryu, aqui é a Rei.

—Oi Rei, você esta bem? E os bebês?

—Estamos bem, eles nasceram hoje cedo.

—Mas o parto não estava marcado para o fim desta semana?

—Sim, mas hoje ocorreu um pequeno acidente e acabou que eles nasceram naturalmente. — Ela sorriu para Miro que lhe sorriu de volta.

—Tem certeza que tudo esta bem?

—Sim. Esta escutando? — Ela fica em silêncio para que ele escutasse o choro de Mariah que Miro havia ido buscar para aproximar do telefone. — A Mariah esta chorando e o Ray esta no meu colo mamando.

—Rei, você esta precisando de alguma coisa? Quer que eu vá te ajudar? Eu dou um jeito de ir até onde você esta. — Shiryu falou preocupado.

—Não precisa se preocupar, Miro esta aqui me ajudando.

—Quem é Miro?

—Acho que nunca tive oportunidade de te dizer, mas Miro é o meu marido, ele esta aqui do meu lado agora segurando a Mariah.

—Fico feliz que tenha se casado novamente. — O desconforto era perceptível na voz no moreno.

—Não precisa fingir, Shiryu. De qualquer forma, logo enviarei fotos para que você possa ver as crianças e mais uma vez, não se preocupe, estamos muito bem.

—E quanto aquele problema da sua família?

—Miro vai se tornar o novo chefe da família em breve e ele prometeu resolver esse tipo de problema. As crianças não vão passar pelo que passei, eu prometo.

—Me sinto um pouco aliviado por isso, mas ainda me preocupo. Rei, qualquer coisa que precisar, entre em contato, por favor.

—Pode deixar que eu te deixo a par de tudo relacionado as crianças, mas só te peço um favor: se limite a falar de mim e das crianças, pela nossa segurança elas são do Miro.

Aquele pedido atingiu o orgulho de Shiryu. A sua ex-esposa, a mulher que ele queria proteger estava deixando — o de lado mais uma vez para protegê — lo e deveria ser o contrário:

—Certo, eu vou manter discrição desse assunto. Mas ao menos a Shunrei do mestre ancião tem de saber o porque do meu contato com você.

—Não vejo problema nisso, mas tentarei ser o mais discreta possivel também, é provavel que da minha parte ela nunca descubra dos nossos contatos.

—Acredito que assim seja melhor. E quanto ao seu marido?

—Estamos contando com a ajuda dele. Apenas confie, ele é a pessoa mais indicada para cuidar da nossa segurança.

—Vou confiar. Agora eu tenho que ir.

—Tudo bem.

—Me mantenha informado.

—Vou manter. — Shunrei encerrou a ligação e olhou para o marido.

Miro entregou Mariah para a esposa e pegou Raymond nos braços. Ele ergueu o pequeno e encostou no ombro para fazer o bebê arrotar:

—Pela sua cara, a conversa não foi muito amistosa. — O loiro falou preocupado.

—Acho que me desacostumei a frieza dele. Não tem como comparar você a ele, mas é basicamente, fogo e gelo. — Shunrei suspirou. — Sinceramente, por mim eu não teria nem contado a ele sobre as crianças.

—E perder a oportunidade de jogar o fracasso na cara dele? Nunca!

—*-

Shiryu colocou o telefone na base sentindo — se horrível após aquela ligação. Mais uma vez havia falhado com a ex-esposa, ele havia ficado longe quando ela estava tendo problemas com a mãe, quando ela se viu sozinha tendo de se virar na vida e agora mais uma vez ela estava passando por outra situação pelos filhos deles. Depois que ela avisou que estava grávida, ele até tentou convencê — la a voltarem para formarem uma família, mas ela sempre se esquivava e agora ele entendia o porque: ela havia se casado com o chefe o novo chefe da família para proteger seus filhos da vida que ela teve que encarar.

Desde que ela havia o informado da gravidez, os dois criaram o hábito de conversar sempre em um mesmo dia e horário de cada mês, mas em nenhum momento ela havia dito que estava casada e esse era um dos motivos da maior preocupação dele. Em contato com Hyoga, ele sempre dizia que pouco saber quase nada dela, mas sempre dizia que ela estava muito bem, porém sobre o suposto casamento nada havia sido dito.

Ele ouviu o som de passos e ao olhar para trás, ele encontrou o olhar da namorada sobre si:

—Algum problema? — Ela perguntou preocupada ao perceber o abatimento de Shiryu.

—Nenhum. — Ele suspirou. — Meus filhos nasceram e pelo andar da carruagem eu não vou poder vê — los tão cedo.

—Ela não disse onde esta?

—Não, a única coisa significante que disse é que esta casada com o chefe da família problemática dela.

—Casada?

—Sim, casada. Eu realmente fracassei com ela, como marido e agora como pai daquelas crianças.

—Você sente tanto assim o fato de não estar com ela? — A moça sentiu o coração apertar ao realizar aquela pergunta, já que Shiryu nunca escondeu a preocupação com a ex-esposa.

—Não vou negar Shunrei, eu só tinha que protegê — la mas não consegui e agora meus filhos estão, Deus sabe onde, e junto de outro homem a quem eles vão chamar de pai.

—Shiryu você fez a sua parte, não adianta se lamentar por isso e bem, você falando assim parece que é algo ruim eu estar na sua vida.

—Não Shunrei, você já estava na minha vida antes disso tudo acontecer e você foi a melhor coisa que me ocorreu. — Ele a puxou para si e a abraçou. — Não se preocupe, eu não quero nada com aquela mulher além de saber dos meus filhos.

—Mesmo?

—Mesmo. Eu e a Rei não somos do mesmo mundo e não havia mais como salvar o que aconteceu no passado quando éramos apenas adolescentes.

—Pelo que o Mestre me contou, vocês realmente não tinham condição alguma de ficarem juntos.

—Uma maldição que faz as pessoas do mesmo sangue se amarem...O bom que meus filhos não vão ter esse problema, agora se ela tiver filhos com aquele homem…

—Talvez eles consigam quebrar isso. Os pais deles conseguiram, não?

—Meus filhos estão sendo tratados como filhos deles, a maldição foi quebrada.

—Quem bom, assim eles poderão viver bem.

—É...mas eles nunca vão saber que eu sou o verdadeiro pai deles e esse segredo é apenas nosso. — Ele a beijou na fonte.

—Se depender de mim, essa história de filhos com ela nunca ocorreu. — Ela se aconchegou nos braços dele.

Notas finais
Esse é o capítulo final dessa história, que sinceramente não me recordo bem como surgiu porque a escrevi em minha pré - adolescência. Obrigada a todos que leram. ♥