Desvendando Mistérios
1 Capítulo 1 - Emprego
Notas iniciais
Shunrei havia acabado de se formar em Jornalismo, havia enviado vários currículos para diversas revistas, jornais e emissoras mas até aquele momento não havia obtido nenhuma resposta. Havia recebido mais uma carta de seu tio perguntando como ela estava e avisando mais uma vez que a quantia para os gastos haviam sido depositadas em sua conta bancária.
Sem dúvidas seu tio era demasiado generoso com as quantias depositadas, com um pouco de economia e alguns serviços por fora ela já havia adquirido um bom carro e mantinha seu apartamento com todo o conforto possível. Também conseguia manter — se bem vestida e às vezes frequentava algumas festas atrás de algum divertimento. Sua família por parte de mãe era de boa situação mas ela foi tirada da guarda deles, pois seu pai biológico era de uma família tradicional com título real. Como seu pai havia desaparecido em uma missão antes mesmo de saber da existência dela, quem cuidava de sua educação era seu tio Saga.
Ele sempre foi atencioso e amável com ela, porém não muito presente, pois até onde sabia, o mesmo era casado e sua esposa odiava a existência de Shunrei, sem a mesma sequer saber o motivo. Mas nem esse ódio serviu para impedir de Saga tomar conta de Shunrei, que quando criança sofreu diversos maus tratos da mãe.
Ela se levantou e se espreguiçou, o corpo escultural coberto apenas por uma leve camisola de seda branca. Os longos cabelos pretos desciam em cascata pelas costas, contrastando com a pele clara e o olhos azuis escuros. Olhou para o lado e viu a sua mais nova aquisição deitado do outro lado da cama. Sorriu de lado e se levantou, logo ouvindo ele resmungar:
—Que horas são? — O homem perguntou ao vê — la de pé em frente ao guarda — roupas analisando as peças a sua frente.
—Umas oito horas. — Ela respondeu sem olhá — lo. — Acho bom se apressar, antes que algum paparazzi descubra que você vem aqui se divertir.
—Eu não venho me divertir, venho apenas ver a minha namorada, algum problema nisso? — Ele se levantou e saiu catando as roupas pelo quarto.
—O problema é que eu não sou a sua namorada, não é possível que não entenda isso.
—É você que não entende, você é minha.
—Seto, poem uma coisa na sua cabeça, eu não quero nada sério com você.
—O que eu preciso fazer para você entender? — O homem disse irritado.
—É você que precisa entender. Aliás, seria melhor você não voltar mais. — Ela falou calmamente.
—Como assim?
—Isso mesmo. Estou querendo me focar na minha carreira e você atrapalha.
—Eu posso dar tudo o que você quiser. É trabalho? É dinheiro? Eu tenho uma mega corporação, posso te dar tudo e muito mais.
—Esquece, você não entende. Já pegou as suas coisas?
—Já.
—Então. — Ela o pegou pelo braço e o guiou até a porta. — Até nunca mais. — Ela o colocou pra fora e fechou a porta.
—Shunrei! Shunrei abre a porta agora! Shunrei eu vou voltar.
Shunrei trancou a porta e sorriu travessa, desde que havia voltado do treinamento com a equipe do tio, ela havia pego missões que era se envolver com jovens ricos atrás de informações valiosas que poderiam ser usadas pelo mesmo no mundo dos negócios. Ao menos havia ganhado uma boa quantia nisso, além dos sentimentos de Kaiba, que lhe enchia dos mais caros presentes e viagens, o que tinha valido um pouco a pena. E além de jornalista recém — formada Shunrei, também chamada de Rei, era a pessoa de confiança da dona da fundação Graad: Saori Kido.
Ela caminhou até a cozinha onde resolveu fazer um leve café da manhã.Ela havia ligado a cafeteira e preparava o café puro, quando o telefone tocou e ela atendeu:
—Alô?
—Shunrei, tenho mais um serviço para você.
—Diga Saori. — A morena adicionou o pó de café ao filtro da cafeteira, espalhando o cheiro do pó pelo local.
—Recentemente um enviado do santuário ingressou no meu quadro de funcionários, eu gostaria de saber o que o santuário quer saber dos meus negócios. Já te dei o cargo de secretária dele. Você começa hoje, se apresse, ele parece ser bem chato com regras.
—Em minutos estarei a caminho. — A ligação foi encerrada e ela pode terminar seu café.
Após o desjejum, Shunrei se arrumou rapidamente e saiu rumo a sede da fundação Graad. Não demorou muito e estava a caminho da sua sala no luxuoso prédio da fundação. Ao entrar na sala junto com uma moça do RH, encontrou um homem de longos cabelos loiros, olhos azuis límpidos, com um corpo esguio coberto por um terno cinza:
—Senhor Shaka, essa é Shunrei, sua nova secretária. — Apresentou a funcionária do RH.
—Obrigado. Pode se retirar. — Ele falou ríspido se aproximando de Shunrei. — A minha última funcionária tinha problemas com horários, espero que hoje tenha sido um caso isolado.
—Certamente senhor. Fui avisada hoje pela manhã que teria de vir cobrir uma vaga, fiz o possível para não me atrasar, mas passar pelos procedimentos do recursos humanos me tomou um tempo. — Ela estendeu uma bandeja descartável com um copo de papel a direção dele. — Antes de ir ao recursos humanos passei pela cantina e comprei esse chá, o senhor aprecia?
Shaka a olhou com um pouco de desconfiança, mas pegou um dos copos da bandeja que ela havia trazido:
—Sim, e bem, eu não tomo café. — Ele se virou e entrou em sua sala deixando Shunrei só.
—Me lembrarei disso. — Ela sorriu de canto, satisfeita com a primeira conquista, em seguida ela caminhou até a mesa que ocuparia.
Ao que pode perceber Shaka era extremamente organizado, tudo que ela teria de fazer naquele dia estava sobre a mesa com notas explicando como deveria ser feito. Provavelmente a ideia de ter uma secretária particular seria ruim para ele ali, por isso fazia de tudo para mandá — la embora, Shunrei era a quarta secretária dele. Ela teve tempo para ouvir a trajetória dele e pequenos costumes no caminho que fazia para a fundação.
Ela resolveu seguir o jogo dele, sem deixar falhas claro, não demorou muito e ele ligou pedindo uma das coisas que ele havia deixado sobre a mesa. A essa altura ela já havia terminado todos seus afazeres e observava ele na sala através da discreta câmera que foi implantada na sala.
—*-
Aos poucos, a bela morena logo conquistou a confiança do chefe, criando um laço de amizade e até mesmo um jogo de sedução. Naquela manhã de domingo ele havia ligado para ela dizendo que precisava de um documento de que ela havia levado para casa intencionalmente, dizendo que iria terminar em sua folga. Ela ainda vestia a curta camisola de malha, com um decote generoso e um desenho infantil, ela sabia que isso causaria algum efeito nele. Ela prendeu o cabelo em um coque frouxo, passou hidratante na pele e por fim deu uma olhada no espelho para conferir se estava tudo certo.
Shunrei colocou algumas folhas do chá favorito de Shaka na chaleira, fazendo o cheiro se espalhar pelo apartamento, ouviu a campainha tocar e foi atender, encontrando Shaka a frente da porta:
—Ah Shaka, desculpe eu esta assim. — Ela corou diante do olhar dele. — Entre, eu vou buscar o documento para você.
—Não é preciso, eu aguardo você aqui.
—Eu fiz seu chá favorito e bem, fiz bolo indiano.
—Hum...Agora você me pegou, acho que eu fico. — Ele abriu um leve sorriso e entrou na casa.
— Sente — se, eu vou buscar o chá. Acabei de fazer. — Shunrei falou caminhando a direção da cozinha.
—Mora sozinha Shunrei?
—Sim. Meu tio me mataria se soubesse que tem alguém debaixo do mesmo teto que eu. — ela respondeu num tom elevado para ele ouvir.
—E a sua família?
—Não tenho, e você?
—Também não tenho. O que fazia antes de ser minha secretária?
—Estava aproveitando a vida com um ex-namorado.
—Quanto tempo ficou com ele?
—Uns três meses.
—Por que terminou?
—Não dá pra ficar com alguém por quem você não sente nada, não concorda.
—Verdade.
Ela voltou com o chá e alguns pedaços de bolo, cuidadosamente arrumados em uma bandeja, que ela colocou sobre a mesa de centro, em frente ao sofá onde Shaka estava sentado:
—Aqui. Fique a vontade, eu vou me trocar e pegar o documento. — Ela avisou.
—Não, espere. Tome o chá comigo. — Ele olhou para ela mas desviou o olhar assim que notou o decote dela mais largo.
—Tem certeza? Minhas roupas não te incomodam?
—Você esta em sua casa, eu que vim aqui te atrapalhar. — Ele sorriu e pegou uma xícara em que Shunrei havia servido o líquido castanho.
—Eu quase nunca recebo ninguém aqui, então fico meio sem jeito.
—Não tem amigos?
—Tenho alguns poucos, mas a maioria trabalha e estuda, quase não temos tempo de nos encontrar. — Ela respondeu pegando um pedaço do bolo.
—Eu te entendo ao menos um pouco. Antes, quando era mais jovem eu morava em um mosteiro onde ficava com outros monges, mas depois que fui enviado a Grécia quase não tenho compainha.
—Então você estava na Grécia antes de vir pra cá?
—Sim. As coisas mudaram muito na minha vida, até meus sete anos eu vivia uma vida sem luxos, sem apegos mundanos, essas coisas de monges. Não acho errado, creio que é uma boa maneira de se viver, mas tive que mudar meu modo de viver depois que fui pra Grécia, aliás por lá eles são um tanto diferentes do que estou acostumado.
—Eu te entendo. Eu passei alguns meses lá, são pessoas animadas e sem muito limite. Bem diferente daqui onde o povo é recatado pra tudo.
—Você foi a Grécia?
—Sim, meu tio vive lá com sua esposa e filho.
—Entendo. No fim parece que temos algo em comum.
—Acho que temos sim. Pra falar a verdade, eu nunca tinha me dado tão bem com uma pessoa como me dou com você. — Ela direcionou o olhar para ele e viu ele abaixar a cabeça envergonhado. — Alguma coisa errada? — Ela perguntou preocupada. — O chá esta muito quente? Sente — se mal? — Ela levou uma mão até a testa dele para medir a temperatura.
—Não...é que… — Ele colocou a xícara de volta na bandeja, pegou uma mão dela e segurou dentre as suas. — É a primeira vez que alguém me diz isso e eu sinto que não é mentira da pessoa.
—Shaka…
—Ninguém nunca teve uma empatia sincera por mim, e eu sinto que você não esta mentindo, então acho que posso ser sincero com você também. — Ele a puxou para si e a abraçou. — Eu não sou o que aparento ser, estou aqui em missão e logo devo voltar para minha origem.
—Você vai embora? — Ela apertou mais o abraço.
—Sim Shunrei, eu vou voltar para o santuário, na Grécia. O local onde os santos de Athena residem.
—O que significa…
—Significa que eu não quero te envolver nisso, por mais que você goste de mim e eu goste de você.
—Quando você vai embora? — Ela se afastou e olhou nos olhos.
—Dentro de um mês.
—Um mês…
—Eu não quero te fazer sofrer, eu vou me afastar de você, eu prometo. — Ele falou preocupado com as lágrimas que se formavam nos olhos dela.
—Eu não quero que se afaste. Pode ser egoísmo meu, mas eu quero passar esse tempo com você, ao seu lado. — Lágrimas começaram a escorrer dos olhos dela.
—Shunrei…
—Eu quero ter uma lembrança maravilhosa disso tudo.
Shunrei aproximou o rosto e encostou seus lábios aos dele, iniciando um leve beijo. Era claro a inexperiência dele, e ela já sabia, aliás ele tinha sido um monge e agora era um santo de Athena, não havia tempo para esse tipo de coisa na vida dele, mas se havia algo que ela podia dar em troca pela confiança dele era a própria confiança dela, e é claro que para ela nada melhor que um relacionamento mais íntimo para findar sua conquista.
O beijo estava começando a se intensificar, ele aprendia rápido e isso seria de grande ajuda. Shaka a puxou para seu colo e a abraçou enquanto a beijava, cada vez mais intenso. Sentia seu corpo esquentar e a vontade de tocar Shunrei era incontrolável e parecia que o abraço e o beijo já não era suficientes para acalmar seu desejo, que até então estava oculto.
Shunrei acariciou os cabelos dele e intercalou os beijos com carícias e mordidas pelo pescoço dele. Fazia uma trilha de beijos pelo rosto, ia até a orelha e mordia o lóbulo enquanto sussurrava o quanto queria estar com ele. Sentiu o membro dele despertar abaixo de si, não demoraria muito ele perder todo o resto de controle e se entregar completamente ao desejo de tê — la para si, porém não queria assustá — lo,sabia que talvez se chegasse ao final talvez ele se afastasse de vez. O beijou mais uma vez, dessa vez um quente beijo de língua, ela se afastou o olhando nos olhos:
—Quer continuar ou quer parar por aqui? O que você quiser eu vou aceitar. — Ela perguntou.
Shaka a olhou nos olhos, ela tinha o rosto rosado devido o contato e algumas marcas avermelhadas no pescoço e nos ombros que ele havia deixado ao tê — la tocado de forma mais bruta. Os intensos olhos azuis dela brilhavam por sua resposta e ele não podia negar a expectativa de realizar aquilo que tantos seus companheiros de armadura falavam e até mesmo cobravam dele. Fechou os olhos, respirou fundo e respondeu:
—Sim, eu quero continuar.
E foi com essa afirmação que um sorriso iluminou o rosto de Shunrei, fazendo Shaka sorrir e esquecer de todo nervosismo que sentia. Shunrei o guiou em cada passo, em cada gesto e em cada carícia até que os corpos se unirem em um ato de confiança, desejo e luxuria.
Eles passaram o dia todo juntos e ao fim do dia, Shaka perguntou se ela gostaria de conviver com ele para aproveitarem o máximo de tempo juntos e Shunrei aceitou. Ao se despedirem Shaka a beijou mais uma vez e a avisou que traria seus pertences no dia seguinte para que os dois pudessem começar a conviver juntos.
—*-
O telefone tocou e Shunrei foi atender. Ainda enrolada na toalha de banho ela pegou o aparelho e atendeu:
—Alô?
—Shunrei, como foi?
—Bem, ele realmente é do santuário como você supôs e esta aqui para investigar algo. Parece que a patente dele é bem alta.
—Prata ou Ouro?
—Acho que ouro.
—E o que ele esta investigando?
—Envolvimento de cavaleiros em lutas pessoais.
—Deve ser aquilo que meu avô doido fez, bem isso é passado, não vai afetar em nada o futuro. E quanto a vocês dois?
—Ele vai se mudar pra cá amanhã.
—Tem certeza que vai querer fazer isso?
—Sim, vou aproveitar enquanto posso.
—Já que esta tudo certo, devo viajar para Rússia no meio da semana. Vou encontrar o Hyoga. Falando nisso, você não vai atrás do Shiryu?
—Depois que eu me separar do Shaka eu devo resolver essa pendência.
—Boa sorte Shunrei.
—Boa sorte Saori.
Ela encerrou a ligação e voltou para o quarto pensando na pergunta de Saori. Sim, ela havia feito a promessa de esperar o treinamento de Shiryu terminar, mas aquilo já tinha anos e também teve o fato de que ela se envolveu no mundo sujo da espionagem e isso fazia a sua imagem ficar suja. Havia descoberto um mundo puro e inocente ao lado de Shiryu, Saori e Hyoga, eles eram seus tão queridos amigos, aqueles que a tiraram da escuridão quando tudo parecia perdido. Mas agora as coisas seriam diferentes e ela não poderia mais estar ao lado deles da mesma forma que antes.
—*-
Na manhã seguinte, logo cedo Shaka havia ligado avisando que estava chegando ao apartamento com suas coisas. Shunrei já havia tomado a providência de avisar ao tio que estava em missão por isso estava morando junto de uma pessoa, nada com muito detalhes. Logo Shaka chegou ao apartamento e juntos arrumaram os pertences dele nos locais que Shunrei já havia preparado.
Após arrumarem tudo, os dois foram para sala onde se acomodaram no sofá para assistirem um filme juntos:
—Shunrei, o que acham de viajarmos juntos?
—Pra onde? — Ela se acomodou nos braços dele.
—Eu tenho uma viagem marcada para China nas próximas semanas, gostaria que me acompanhasse.
—Não vejo problema de te acompanhar, porém tenho um pedido.
—Diga.
—Eu posso visitar meu avô?
—Podemos passar uma semana inteira por lá, podemos aproveitar esse tempo, o que acha?
—Mas então, quando voltarmos…
—Eu acho que não vou voltar, de lá devo encerrar a minha missão.
—Compreendo. Então pelo menos você poderia estender mais algum tempo comigo, só acho.
—Eu também acho que estou em débito com você sobre isso. — Ele sorriu e a puxou para um leve beijo.
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