Destruição | Amor Imortal 02
31 Capítulo 31
Dimitrius usou o telhado de uma mansão como seu ponto seguro para observar tudo o que estava acontecendo no centro da sua dimensão. Vários lugares estavam sendo queimados e os gritos dos imortais eram ainda mais altos do que o som das chamas famintas que destruiam tudo a sua frente. Ele havia passado a ordem de Meridius para todo o seu povo, principalmente para os seus tenentes, e tal ordem apenas causou mais agitação.
Seus tenentes e ele estavam apenas tirando a consciência dos demônios, pois isso jamais prejudicaria Niffie e eles precisavam deter aqueles imortais que estavam armados para matar.
O arcanjo da humanidade logo avistou os anjos que serviam Meridius se juntar ao meio da multidão, atacando os demônios que corriam na direção deles da mesma forma que os seus soldados estavam fazendo para não machucar a imperatriz do paraíso.
Mesmo com raiva, Dimitrius admitia que tal jogada havia sido muito inteligente. Amarrar a alma de uma imortal ao de um demônio que seria morto na invasão da sua dimensão era um plano esperto, ainda mais quando aquelas mulheres não faziam ideia de qual demonio a alma de Niffie estava amarrada. Elas sabiam que Meridius vasculharia a mente delas e que quebraria qualquer barreira para achar respostas, não saber quem era o demônio, apenas fez com que elas ficassem mais perto do sucesso.
Se a vingança de Victoria não fosse contra arcanjos, mas sim com outros imortais, ela provavelmente ainda estaria viva, mas lidar com arcanjos nem sempre era tão fácil. A derrota sempre era mais provável do que a vitória.
Dimitrius teria adorado estar presente para ver a morte daquela mulher venenosa, pois ele se divertiria com o sofrimento dela da mesma maneira que os humanos se divertiam assistindo filmes de comedia. No entanto, naquele instante, o anjo só conseguia sentir raiva pelo caos que existia na sua dimensão.
Era obvio que Victoria tinha ajudado aqueles pequenos insetos a chagarem a sua dimensão, pois era quase impossivel que tantos demônios passassem pelo portal do inferno e se espalhassem tão rapidamente sem serem notados.
A vontade de Dimitrius era de explodir cada demônio que estava pisando em suas terras e o desejo apenas aumentava quando estava em um bom lugar para assistir quando isso ocorresse, mas Niffie morreria e essa era a única imortal que não merecia tal destino. Assim como Ellylan, que era tão inocente no meio de tanta maldade quanto a imperatriz do paraíso.
Mas se Niffie não fosse tão boa e tão amada por seu irmão mais velho, o anjo não pensaria duas vezes antes de acabar com toda a confusão que estava acontecendo em sua dimensão. Uma vida não deveria ser protegida quando várias estavam em jogo e esse pensamento apenas fazia com que seus irmãos o odiassem por pensar assim, mas Dimitrius estava agindo como um verdadeiro líder que não possuía fraquezas para se tornar um alvo fácil.
Um grupo de demônios passaram correndo na rua de frente com a mansão em que ele estava, todos os imortais do segundo nível do inferno estavam armados e com o desejo de sangue nos olhos, só que antes que eles conseguissem ultrapassar a mansão, o arcanjo da humanidade entrou na mente deles e fez com que desmaiassem no meio da rua.
Caminhando até a borda do telhado daquela mansão, Dimitrius saltou em direção da rua para que pudesse conferir os corpos daqueles demônios. Ele abriu suas asas para que sua queda se tornasse controlada desde que a distância entre o telhado e o chão era grande o suficiente para causar alguns hematomas em sua pele.
Quando se aproximou dos corpos inconscientes daqueles imortais, Dimitrius manipulou o vento para que movesse as partes dos corpos que precisavam ser vista. Nenhum corte ou simbolo manchava a pele deles, mas mesmo assim, o arcanjo preferiu deixá-los vivos.
A magia de demônio estava muito avançada para que ele se tornasse confiante o suficiente para matar aqueles insetos só por não terem as mesmas marcas que Niffie tinha em seu corpo. Alcançando a mente de um dos seus soldados, o anjo ordenou que viessem até o local em que estava para que os corpos fossem recolhidos e presos até que Niffie estivesse salva.
Depois que tudo acabasse, Dimitrius faria questão de matar cada demônio que destruiu a sua cidade e matou pessoas inocentes.
O arcanjo voltou para o telhado assim que os soldados apareceram para recolher aqueles corpos sem consciência, ele ainda desejava observar o que estava acontecendo e encontrar mais grupos de demônios que se aproximavam para atacar seus soldados e tenentes.
Você encontrou alguma coisa? Dimitrius perguntou para Meridius, pois mesmo que não o visse, ele sabia que o arcanjo estava em sua dimensão.
Não.
Os números parecem apenas aumentar, mas não... Dimitrius parou de se comunicar com o seu irmão quando a natureza ao redor da cidade ficou em silêncio.
Qualquer som de animais ou de insetos não existia mais e a leve brisa que sacudia as plantas também parou de movimentá-las. Era como se a natureza estivesse congelada e o arcanjo da humanidade sabia muito bem o que aquilo significava.
Gaia estava próxima.
Toda vez que a filha dos elementos estava presente em algum local, a natureza se tornava silenciosa e isso era a única coisa que fazia com que se tornasse fácil encontrá-la.
Para as pessoas com audição aguçada, as florestas das dimensões podiam ser bem insuportáveis por causa dos barulhos que produziam, mas todo som acabava quando Gaia estava no local.
E naquele momento, Dimitrius desejou matá-la.
Com tantos lugares para se estar, uma pessoa que não usa seus poderes para se proteger, não deveria estar em meio de uma invasão de demônios que apenas desejavam ver sangue. Obviamente, a filha dos elementos jamais morreria em um ataque, pois nem mesmo os arcanjos sabiam o que poderia matá-la, mas isso não significava que eles dariam a chance de alguém descobrir como acabar com a vida dela.
O anjo estendeu suas asas e novamente pulou do telhado, mas dessa vez ele foi em direção das núvens ao invés da rua.
Mesmo que Dimitrius não gostasse de Gaia pela função que ela tinha no mundo deles, ele não permitiria que algum demônio a machucasse ou até mesmo a torturasse por respostas que apenas a filha dos elementos conhecia.
O arcanjo voou em direção da floresta e se manteve atento para qualquer ponto branco que surgisse ao meio de tanto verde. Dimitrius não demorou muito para encontrar Gaia, pois a outra imortal estava bem próxima da cidade, bem próxima ao caos que estava ocorrendo com a invasão dos demônios.
E por ela estar tão próxima do centro da sua dimensão, o anjo não se admirou quando viu um demônio tentando atacá-la. No entanto, algo chamou a sua atenção de maneira que poderia até mesmo deixá-lo incrédulo no passado se não tivesse perdido a maioria das suas emoções com a traição da sua irmã.
Gaia estava pronta para o ataque naquele instante, as folhas secas que caíram das árvores até o chão estavam rodopiando o seu pequeno corpo em uma velocidade quase sobrenatural e seus cabelos se movimentavam como chicotes por causa da força do vento. Dimitrius sabia que ela estava manipulando aquele elemento para se transformar em um escudo, ele apenas não imaginava que aquelas folhas se tornariam armas perigosas.
Antes que Dimitrius pudesse pensar que a filha dos elementos não mataria aquele demônio, gelo cresceu ao redor daquelas inúmeras folhas e elas se tornaram pequenas adagas afiadas. O demônio do nível 2 agiu de forma agressiva ao ver que a outra imortal estava se defendendo e ele jogou a lâmina que tinha em mãos em direção de Gaia ao mesmo tempo que ela direcionou as folhas congeladas até o seu atacante.
O arcanjo da humanidade sabia que seus poderes eram inúteis para atrapalhar a força que Gaia tinha com os elementos ao seu lado, então a sua única opção foi voar em direção do ataque e receber todas aquelas pequenas adagas em seu corpo. Dimitrius também fechou suas asas em sua costas de forma apertada para que a lamina do demônio não rasgasse sua carne, apesar dela ter cortado uma das suas asas, o estrago era menor do que se tivesse permitido que entrasse em contato com sua costas.
Em questão de segundos todas as pequenas folhas abriram espaço em seu peito para se infiltrarem em sua carne e a dor que sentiu ao recebê-las foi o mesmo que ter algum tipo de acido congelante em sua pele. O arcanjo imediatamente caiu sobre seus joelhos, mas antes que sua mente se tornasse um buraco negro, Dimitrius entrou na mente do demônio para apagá-lo.
— Dimitrius!— O arcanjo ouviu a voz horrorizada de Gaia depois que seu corpo encontrou o chão. Seus olhos ficaram embaçados logo em seguida, ele só não sabia se isso era devido as lágrimas que se formaram por causa da dor ou se o poder dela era grande demais para estar em seu corpo. Pelo canto do olho o anjo viu que o ponto branco se aproximou dele rapidamente, se ajoelhando ao lado do seu corpo e tomando o devido cuidado para não encostar em sua asa.— Por que você fez isso?—
— Tire essas malditas coisas do meu corpo.— O arcanjo grunhiu sem paciência e Gaia recuou alguns centimetros.
— Eu não posso...— Gaia falou desesperada.— Eu estragarei o equilibrio da natureza se usar meus poderes novamente.—
O anjo fechou seus olhos ao ouvir as palavras da filha dos elementos, pois imaginá-la sendo explodida era melhor do que focar na dor que crescia em seu peito.
— Você não irá morrer, apenas...—
— Cale-se!— Dimitrius ordenou antes que sentisse ainda mais raiva da outra imortal. Ainda mais quando ficou tão desacostumado a sentir emoções tão mortais.— Vá embora antes que eu a mate.—
Demorou apenas um segundo para que Gaia ficasse em pé e começasse a se afastar, Dimitrius não pode acreditar que ela realmente estava obedecendo sua ordem e o deixando sozinho, sem nenhuma utilidade, em meio a uma invasão de demônios que adorariam vê-lo morto. E o poder da imortal estava se infiltrando em seu sangue como se fosse um veneno mortal, o deixando tão atrapalhado que nem ao menos conseguia tocar a mente dos seus tenentes para ajudá-lo.
— Espere.— O arcanjo gemeu mais pelo seu orgulho ferido do que pela dor que estava sentindo. Ele não podia mandar Gaia embora quando precisava da ajuda dela, principalmente quando nem ao menos sabia o que estava acontecendo com seu corpo.
A imortal parou de caminhar, mas ela não se aproximou de Dimitrius novamente. Era provável que agora ela estivesse apavorada pela ameaça que envolvia a sua morte.
— Eu preciso que você vá até o corpo do demônio e procure por um corte na coxa direita.— O arcanjo da humanidade falou de maneira calma para não assustar a filha dos elementos, mas ele não conseguiu esconder a dor na sua voz em nenhum momento.— Vá agora, Gaia.— Ele ordenou quando ela continuou imóvel.
Dessa vez Gaia se moveu e Dimitrius direcionou sua cabeça para o lado até que conseguisse ver o corpo caído do demônio. A filha dos elementos se aproximou de maneira cautelosa, como se fosse um pequeno gato assustado que estava enfrentando o desconhecido. O arcanjo da humanidade por um momento desejou fazer algum barulho para que ela se assustasse, mas sabia que isso seria crueldade. Ainda mais quando precisava dela para se certificar de que Niffie ficaria bem.
Gaia não tocou no demônio, mas Dimitrius pode ver que o corpo se moveu ligeiramente para que ficasse mais exposto diante dos olhos dela. Vê-la usar seus poderes não deveria deixá-lo tão intrigado, só que era impossivel não se tornar curioso.
— Ele tem um corte de pelo menos 20 centimetros na coxa direita.— Disse ela.— Um corte vertical e fundo.—
— Ótimo.— Dimitrius suspirou. E por um momento ele quase permitiu que sua consciência o levasse para a escuridão, ainda mais quando se sentiu aliviado por, talvez, ter encontrado o demônio que estava acorrentado a Niffie.— Agora procure por um simbolo em formato de Z em algum dos pulsos.— Ele ordenou.
Gaia se abaixou diante do corpo depois de receber a ordem de Dimitrius e com um dos seus dedos ela tocou o braço do demônio para que o pulso se tornasse visivel. Não havia nenhuma marca na pele, nada além de sujeira. A filha dos elementos se moveu para que pudesse ver o outro pulso, mas antes que fizesse os mesmos movimentos, ela parou e olhou em direção de Dimitrius.
— Você encontrou algo?—
— Magia negra.— Gaia falou.— O símbolo do voodoo.—
Por instinto, Dimitrius agiu rapidamente para encontrar a mente de Meridius e avisá-lo que encontrou o demônio que possuía a alma de Niffie, mas sua mente estava se fechando lentamente e ele já não tinha mais forças para se comunicar com alguém.
Isso nunca havia acontecido antes, pois qualquer tipo de ferimento que recebeu no passado, não existiu nem ao menos tempo para sentir dor. Gaia disse que ele não morreria, mas Dimitrius estava certo de que algo aconteceria.
Os poderes da filha dos elementos eram muito grandes para o seu corpo suportar.
— Gaia, você precisa se comunicar com Meridius e dizer o que encontrou.— Dimitrius falou antes que os seus preciosos segundos acordado acabassem.— A vida de Niffie está em perigo e nós precisamos da sua ajuda.—
A outra imortal caminhou em direção do arcanjo da humanidade e novamente se ajoelhou diante do seu corpo caído.
— Me perdoe, Dimitrius. Eu não queria machucá-lo... Nem o demônio. Eu apenas fiquei com medo e não...—
— Isso é bom.— O anjo gemeu.— Não existe nada de errado em usar seus poderes para se proteger.—
— Mas...—
— Encontre a mente de Meridius, Gaia.— Dimitrius falou antes que perdesse a sua pâciencia e consciência.— E proteja o corpo daquele demônio de qualquer pessoa que apareça aqui.—
Tudo o que o arcanjo pode ver, mesmo com a sua visão embaçada, foi a cabeça da filha dos elementos se movimentar rapidamente. Ela ficou em silêncio e Dimitrius pode deduzir que Gaia estava se comunicando com o seu irmão mais velho. E só assim, o arcanjo foi capaz de se render a escuridão que invadia sua mente e que o puxava para se juntar a ela.
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