Maximus estava olhando para Meridius de forma desaprovadora, seus olhos continham os mesmos sentimentos que existiram nos de Niffie quando ele falou que estaria encontrando Diane para ter respostas. Seu irmão mais novo não ficou feliz com a ideia dele ter uma conversa com a irmã deles, que havia se tornado uma traídora, mas não negou o seu pedido também.

No entanto, Meridius teve que aguentar suas reclamações sobre o assunto sem nenhuma pausa para respirar enquanto o imperador do inferno o seguia pelos corredores do calabouço até a cela em que Diane estava depois de ter sido tirada do purgatório.

O outro anjo conseguia ser bem mais irritante do que Dimitrius quando desejava.

Mas Meridius não negava que Maximus e Niffie estavam corretos ao ficarem incomodados com a ideia, só que a sua vontade de proteger aquela angelical era muito maior do que a sensatez. Ele não se importava em ter que lidar com Diane e sua loucura quando a vida de Niffie estava em perigo.

Os anciões já haviam a afastado dele e Meridius não podia perdê-la para a morte também. Ele admitia que ter saído daquela floresta e ouvir o som do choro dela enquanto caminhava não foi algo fácil, mas o arcanjo preferia machucar seus sentimentos do que não vê-la nunca mais.

E por esse motivo, ele não se importava em ter que enfrentar outro pesadelo para conseguir respostas. Niffie era a única coisa boa que existia nele e ninguém iria tirá-la dele.

— Nós temos que aceitar que Diane não é mais nossa irmã. Ela se tornou nossa inimiga e inimigos não possuem nenhum laço sentimental com arcanjos.— Meridius falou para o anjo que ainda o seguia.
— Arcanjos tão pouco pedem conselhos a inimigos.— Maximus resmungou atrás dele.
— Ela é a única que entende de magia do demônio.— Ele esmagou suas asas em sua costas enquanto passava pelos corredores apertados do calabouço.— Mesmo estando insana, por causa dos poderes que usou para nos atingir, ainda pode ser útil.—
— Diane pode dizer mentiras.—
— Com que propósito?— Meridius perguntou friamente.— Ela já não possuí mais nenhuma salvação para que use mentiras ao seu favor.—

Eles chegaram diante da cela que Diane estava, os olhos de Meridius ficaram fixos na porta de ferro que existia em sua frente enquanto milhares de perguntas chegavam a sua mente. Ele não sabia se isso era uma boa ideia, pois Maximus também tinha razão sobre a parte em que ela poderia mentir. Suas mentiras até mesmo podiam piorar as coisas para Niffie.


No entanto, ele tinha que tentar.

Meridius se moveu para frente, mas antes que empurrasse a porta com suas mãos, Maximus o segurou por uma de suas asas para que não entrasse. Tal toque poderia ser considerado como um insulto se qualquer outro imortal o tivesse tocado, mas com seus irmãos mais novos essas regras nunca existiriam.

— Meus tenentes podem fazer isso.— Maximus falou e soltou sua asa agora que o tinha parado.— Diane pode tentar atingí-lo com o que aconteceu com Niffie no passado.—

Apenas de lembrar que Diane havia sequestrado Niffie e a torturado, seu sangue se tornou tão frio quanto o gelo, e esse era um ótimo ponto emocional para que mortes acontecessem.

— Ela não é tão tola para me provocar, Maximus.— Meridius sorriu amargamente.

— Você está agindo como...—
— Pare.— O arcanjo o advertiu antes que fosse ofendido.— Nada me impedirá de entrar nessa sala, nem mesmo a oferta de ver Ellylan de joelhos pedindo perdão por todas as vezes que me ofendeu.—

Maximus revirou seus olhos azuis, os olhos que eram exatamente iguais aos da mãe deles. Na verdade, tudo em seu irmão mais novo lembrava ela, até mesmo a sua bondade que não podia ser escondida.

— Vá embora, Maximus.— Ele disse.— Você não deseja estar próximo de Diane e nada ajudará se ouvir tudo o que ela tem para dizer.—

Dessa vez o governador do inferno concordou com Meridius sem rebater com diversas reclamações e o anjo esperou até que seu irmão já não estivesse mais a vista no corredor do calabouço para que empurrasse a porta de metal da cela em que Diane estava.

Seus olhos frios encontraram os dela imediatamente, antes mesmo de entrar no local, e não existia nenhum tipo de sentimento dentro deles, nem mesmo a vingança que a motivou a trair ele e os outros arcanjos.


Seu estado também era lamentável, pois além dos cabelos escuros estarem cheios de nós, Diane estava toda suja de terra e com seu vestido rasgado em diversas partes. O fato dela estar acorrentada de forma que anunciava que ela era extremamente perigosa não ajudava em nada nessa imagem.

Meridius sentiu pena, sabendo que isso apenas estava acontecendo por ser sua irmã, caso contrário, ele estaria se perguntando por que uma criatura tão detestável vivia.

— Olá, Diane.— O arcanjo do paraíso falou de maneira sombria.
— Você veio para me matar, Meridius?— Ela perguntou sem nenhuma emoção, como se não estivesse falando da sua própria vida.
— Sabe que detesto dar presentes e não seria diferente com meus irmãos.—

Diane sorriu amargamente.

— Seria uma pena encontrar a morte e perder toda a diversão do purgatório.— Falou.— Agora, diga o que deseja, pois sei que não convoncou minha presença por sentir minha falta e tão pouco desejo perder tempo com você e os outros.—
— Preciso saber o significado de um símbolo relacionado com a magia do demônio.— Meridius foi direto ao ponto.— Um perfeito Z deitado.—
— Você confia em mim para tal pergunta, irmão?— Diane arqueou uma sobrancelha.— Eu posso dizer mentiras que podem matar sua amada Niffie.—

Meridius não ficou surpreso por ela saber que tudo aquilo se tratava de Niffie, afinal, não existiria outro motivo para que ele recorresse a alguém que não desejava ver mais. E ele não perdeu seu tempo respondendo a pergunta feita por sua irmã mais nova, pois qualquer pessoa coerente não confiaria nela e mesmo assim estava diante dela fazendo perguntas.

— Voodoo.— Ela disse enquanto o arcanjo refletia em silêncio.— Essa marca na pele de um imortal significa que esta sendo controlado por outra pessoa.—
— Você está dizendo que...—
— Eu estou dizendo que alguém se aproveitou dos meus feitiços e amarrou a alma de Niffie para que pudesse ter controle sobre ela.— Sua irmã o cortou.— E quem fez isso, pode matá-la, assim como pode usar Niffie para sujar as mãos.—
— Como desfaço esse feitiço?— Meridius perguntou, tentando controlar sua agitação.

Diane deu de ombros e o tilintar das correntes foi o único barulho escutado dentro daquela cela pelos próximos segundos que passou entre eles.

— Você deve encontrar quem fez isso para saber onde a alma dela esta.— Sua voz quebrou o silêncio.— Depois, apenas faça o que arcanjos costumam fazer com as almas perdidas.—

A segunda parte, era simples. Meridius aprendeu um pouco sobre a dimensão dos humanos e constantemente aconteciam casos de almas se perderem do seu corpo humano, tudo o que o arcanjo que governava essa dimensão tinha que fazer era colocá-la de volta no lugar que pertencia. No entanto, a primeira parte não era tão simples.

Diane conseguiu esconder a maldade que existia em sua alma de maneira que eles nunca desconfiaram dela. E o anjo assim que desconfiou de Victoria, verificou cada pedaço da alma dela atrás de respostas.

Mas não existia nada nela, nem mesmo o caminho que a levaria para a morte por estar mexendo com magia do demônio.

Meridius se virou para ir embora, já tendo respostas suficiente para conseguir lidar com o seu problema.

— Meridius.— Ele parou diante da porta quando ouviu a voz de Diane novamente, mas não se virou.— O que acontece com criações?— Ela perguntou calmamente.
— Elas evoluem.— Sussurrou e sentiu diversas peças se encaixarem no seu quebra cabeça mal resolvido. A magia de demônio não passava de uma criação feita para combater o poder dos arcanjos, por séculos ela não havia feito nada além de matar aqueles que se envolviam com os feitiços, mas Diane era uma prova viva que esse tipo de magia estava se aproximando da perfeição.
— Arcanjos já não são mais as únicas criaturas poderosas em nosso mundo.—

Meridius escutou as palavras da sua meia irmã atentamente e saiu para o corredor logo em seguida. Ele já não podia mais perder tempo ou acabaria perdendo a única pessoa que fazia sua vida ter algum sentido especial.