Destiny- The Lovers
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O rapaz de cabelos descoloridos sem vida saiu apressado pelas portas pretas da boate luxuosa, focalizada no subúrbio mais afastado da grande metrópole em que morava, recebendo uma baforada do vento gélido da madrugada, fazendo-o se encolher sob o blazer negro simples que vestia. No céu, as nuvens densas, que indicavam que a chuva estava próxima, cobria qualquer sinal da lua ou estrelas, deixando a noite escura.
A rua estava completamente silenciosa, até a fila de entrada já estava desfeita. Suspirou pesadamente antes de começar a caminha pela rua de apenas uma saída, se atrapalhando um pouco no processo por causa da quantidade de álcool que havia ingerido anteriormente, odiando-se mentalmente por ter aceitado o convite de seus colegas de trabalho, detestava festa e lugares com grandes multidões, mas eles foram-lhe tão persistente que resolveu aceitar logo pra parar de ouvi-los tagarelar em seus ouvidos. Agora teria que ir caminhando sozinho até o metro, já que todos ainda estavam na festa. O mesmo ainda teria ficado, para pelo menos ganhar uma carona até sua casa, onde vivia sozinho, se não tivesse se sentido mal por causa do par de olhos negros que passara a noite toda lhe devorando a distância.
Estava incomodado, ele não era do tipo que se interessava por homens, mas de algum jeito aquele olhar lhe chamara a atenção, a forma gélida e intrigante que aquelas orbes escuras caim sobre si, que mesmo agora, fora da boate ainda as sentiam pairando em suas costas, lhe deixou tenso.
Passou os olhos pelo relógio, preso ao pulso esquerdo, passava se das quatro e meia da madrugada. Seguiu pela rua apressadamente e atravessou a avenida pouco movimentada àquela hora, mais algumas quadras e estaria em fim na estação onde poderia tomar um trem para ir para casa, entrou em uma rua quase sem iluminação com longas faixas escuras causadas pelos viadutos que passava por cima. Quanto mais se distanciava da avenida, menos sons eram ouvidos, além dos proporcionados pelas suas passadas rápidas.
Já andado mais da metade da ruela, quando ouviu um barulho de algo pesado chocando-se contra o chão úmido asfaltado e quase por imediato virou-se, mas ao olhar, deparou-se com a rua completamente vazia, um frio percorreu por sua espinha fazendo-o retomar seu caminho, agora aumentando ainda mais seus passos atrapalhados, a partir dali, em seus ombros cairiam fortemente à sensação de estar sendo observado.
O rapaz falsamente aloirado juntos os braços ao corpo e continuou seu caminho, faltava pouco para chegar a um lugar com alguma população. Passou por mais uma ou duas ruas e dobrou a sua direita, suspirou, era a primeira rua com iluminação que entrara desde que saíra da boate. Todos os prédios que contornavam a rua estavam em completo breu, deixando a iluminação apenas por contra de alguns postes estavam distribuídos pelas calçadas entre as árvores dando alguma claridade à noite escura.
O céu começara a dar alguns sinais de claridade, e uma densa nevoa se espalhara pela rua.
Caminhou rapidamente pela estrada longa que no final podia ver a entrada para a estação de metrô, a sensação de que alguém lhe olhava ainda estava muito presente, e tudo o que mais queria era estar seguro em sua casa.
Ao longe, quase no final da rua, onde havia algumas árvores na calça e falta de iluminação, foi onde avistou uma sombra negra sair de entre as copas das árvores, e andar vagarosamente até o meio da rua, mesmo estando longe, pode perceber que aquela sombra lhe observava, pela forma pode deduzir que se tratara de um homem com cabelos longos que vestia um sobre tudo que ia até a metade de suas pernas. O rapaz parou estático, não sabia quem era, porém, todos os seus instintos gritavam para que saísse correndo dali.
Só foi preciso que o ser andasse alguns passos em sua direção, para que a adrenalina do loiro subisse e ele começasse a correr na direção oposta. Mas quase não conseguiu dar dois passos e bateu em algo duro e frio, o que o levou quase de imediato ao chão.
Olhou rapidamente para trás e notou o vazio atrás de si.
—Tentando fugir de mim novamente, Kouyou?- O loiro estremeceu ao ouvira voz rouca e elegante do moreno a sua frente, seu sangue gelou ao reconhecer os olhos negros que não saia de cima de si enquanto estivera na boate.
—Como você sabe o meu nome?-Deu voz aos seus pensamentos, o homem sorriu de lado e se aproximou do jovem o levantando do chão com apenas uma mão.
Uma vez em pé, o garoto chamado Kouyou, se pois a correr novamente na direção da estação de metro, uma vez lá estaria a salvo, pensou ele. Mas quando estava quase na chegada, o ser negro e frio entrou novamente em sua frente. fazendo-o parar de imediato.
— Como você conseguiu?- O loiro perguntou dando alguns passos para trás, sem conseguir desprender seu olhar dos olhos cor de noite do estranho a sua frente. — O que você quer comigo?
O moreno soltou uma risada rouca, estava se divertindo com as perguntas do outro, não importava quanto tempo passasse, sempre que se encontravam aquelas sempre eram as primeiras perguntas feitas.
Normalmente gostava de brincar mais com a confusão de sua presa, mas dessa vez tinha pressa, o sol já estava preste a sair no horizonte, e a ânsia de sentir novamente o sabor adocicado do sangue incomum não o deixam continuar seu jogo repetitivo.
—Não tenha medo criança, vamos apenas brincar um pouco... — Com elegância o homem estranho conduziu o jovem para o escuro entre as árvores da calça.
No breu, Kouyou só podia ver os olhos negros brilhando intensamente, como de um predador admirando sua caça.
—P-por favor, não me machuque. — A sua voz saiu tremula e seus músculos se tencionar quando sentiu as mãos tão frias quanto à neve lhe tocar as maças do rosto e descer até seus lábios contornados os mesmos.
Alguns passos para trás foi forçado a dar até suas costas se chocarem contra o tronco de uma árvore. Poucos feixes de luz artificial, que ultrapassavam os ganhos quase secos, bateram no rosto daquele a sua frente e o rapaz, pela primeira vez, observara o mesmo, os olhos cor de ônix brilhante iluminavam o rosto pálido e de traços fortes emoldurados por cabelos escuros que iam de encontro aos ombros deixando-o tão elegante quanto misterioso de perfeição inalcançável.
Kouyou costumava ouvir dizer que demônios sempre apresentavam-se como homens belos, será que o ser a sua frente, de beleza incomum, tratava-se de uma alma corrompida?
—Q-quem é v-você?- Sua pergunta fora ignorada pelo descente de Caim que se aproximara mais, deixando seus lábios carnudos roçar o contorno de sua orelha.
—Você sabe quem sou eu... — O rapaz loiro se arrepiou ao sentir o hálito gélido bater contra o seu ouvido, ao mesmo tempo em que a perna direita do moreno entrava entre as suas e uma das mãos apoiava-se no casco da árvore enquanto a outra ia de encontro a sua coxa que queimara ao sentir o toque de temperatura negativa sobre sua pele tapada pelo jeans da calça que vestia.
Estava hipnotizado por aquele, que em sua forma humana era semelhante a si. Não sabia o porquê, mas sentia como se aquele toque lhe fosse comum. Sua vontade de correr fora substituída por desejo de sentir.
A aura fria e misteriosa lhe envolvera em um sentimento de luxuria libidinosa.
—Esperei tanto tempo por este momento. — Seu rosto descera até o pescoço do rapaz, que nesta vez tinha os cabelos descoloridos, e sua língua passara pela pele do mesmo sentindo o sabor inconfundível que tanto sentira saudades. Suas mãos trataram de apalpar toda e qualquer carne que se localiza-se na região do fêmur e subir por seu tronco sob a blusa que o outro vestia começando caricias ali.
Por mais que o corpo rente ao seu fosse tão gelado quando as noites de inverno, Kouyou queimava em chamas a cada toque que sentia.
As mãos de Kouyou deixaram de se espremer em punho quando sua boca fora pressionada pela outra e a língua invadir sua cavidade explorando-a.
Não percebera quando seu blazer fora parar no chão, nem quando seu corpo começara a fazer movimentos sugestivos contra a região pélvica do outro, mas percebera quando a boca do outro abandonara a sua e voltara para sua orelha.
—Por favor, não grite desta vez. — Fora o que o demônio falara antes de suas pupilas dilataram e veias pulsaram em volta de seus olhos, em sua gengiva nascerem presas que foram logo pra o pescoço do rapaz sob si, se deliciando com o licor carmim que sugava com rapidez.
Choques e mais choques elétricos passavam pelos corpos, a sensação de sua essência estar sendo sugada deixava a mente de Kouyou nebulosa e não conseguia abandonar os movimentos que fazia.
Aos poucos todo o sangue do jovem ia passando pela garganta do outro, que sugava tudo com grande deleite. Com alguns momentos agonizantes o vampiro percebera que já sugara quase toda a essência daquele que desejara por um século inteiro.
O prazer que Kouyou sentira estava se transformando em dor, nem os estímulos que as mãos frias faziam em seu corpo conseguiam sobrepor a fraqueza que o consuma aos poucos, tentou se debater, mas o demônio sob si lhe segurava com firmeza. Sua mente gritava por socorro, mas seus movimentos estavam limitados, não tinha saída, ali enxergava seu fim...
''Por quê?’’ Com este último pensamento sentiu sua mente perder a consciência se entregando a escuridão e seu corpo amolecera e tornou-se frio.
O corpo foi solto e escorregou até bater no chão, o moreno limpou o filete de sangue que escorregara pelo canto de sua boca com o dedo indicador e analisou o ser morto estirado na umidade. Ali não sentia mais vida, mais um ciclo havia sido concluído.
Andou na calmaria do semi-amanhecer pela rua sumindo pela nevoa que cobria o caminho que percorria, já estava acostumado com essa despedida, séculos e séculos já havia se passado com esse mesmo ritual.
Suspirou, seu eterno amado se fora novamente. A partir daí alimentaria-se de vazio até mais um século passar.
Tão perdido nos próximos anos de solidão, que nem percebera quando a última gota de sangue que deixara foi condenada pela maldição.
A chuva começava a cair fina e gélida sobre a carne branca do loiro deitado no chão.
Kouyou já estava preparado para se entregar ao sono profundo que lhe chamava quando foi puxado de volta por uma dor agonizante, a pior que já sentira em toda sua vida, tão forte que parecia que em suas veias estava correndo lava flamejante.
Não durara mais de um minuto, porém, fora tempo suficiente para trazer Kouyou de volta e lançar sua alma na mais profunda escuridão.
Como último espasmo de dor jogou seu corpo para frente e seus olhos se abriram, mas algo estava diferente, a cor amendoada fora substituída pelo vermelho intenso.
''-Aoi...?''—Um lampejo passou por sua mente, agora ele entendia tudo o que havia acontecido...
Fale com o autor