Destiny (HIATUS)
12 A Suspeita
Notas iniciais
"A suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial."
William Shakespeare
— Não. — Daros dizia irredutível, causando em mim certa fúria. — Não podemos permitir isso.
— Ele tem razão. — Cameron falou, concordando com o parceiro, virando-se para mim em seguida. — Ele é filho de Carl.
Ainda não acreditava que estávamos discutindo aquilo, afinal, como eles queriam colaboração por minha parte, se não faziam o mesmo? Eu não deixaria matarem meu irmão. De forma alguma permitiria que isto acontecesse, não com a única pessoa no mundo com quem eu me importava, além de mim, é claro.
— E... — Repliquei de forma inquisidora, antes de voltar a expor meu ponto de vista. — Ele me salvou, é um traidor do conselho por isso, abriu mão de seu lugar no meio deles para me proteger, então se pretendem realmente seguir esta parte do plano, sugiro que façam o mesmo comigo antes, porque eu não vou permitir que encostem um dedo em meu irmão sem que haja consequências para vocês.
— Está tentando nos ameaçar? — Cameron perguntou como se isso fosse motivo de irrisão. — Sabe que não tem esse poder.
— Não vai ter nada de mim se fizer isso. — Respondi sem me permitir recuar, não quando era a vida de Rick que estava em jogo.
— Eu posso te obrigar. — Rebateu, mostrando não se importar com minhas palavras, mas eu sabia que era apenas estratégia, senão não teria motivos para ter me contado sobre o que estava fazendo, tentando me convencer, ele não era alguém que gostava de perder seu tempo, então se fosse tão simples assim, não tentaria me ganhar de maneira tão cordial.
— Tudo bem, façam, mas não esperem nenhuma colaboração minha para que seu plano dê certo. — Avisei os encarando da forma mais ameaçadora possível. — Na verdade, acho que é melhor ter cuidado, pois a primeira chance que eu tiver para estragar tudo, não irei deixar passar.
— Não permitiríamos que fizesse qualquer coisa que nos prejudicasse, antes disso, estaria morta. — Daros voltou a falar e como eu já estava a salvo, minha gratidão já era inexistente, bem como o pouco de admiração que ele havia conseguido provocar em mim após matar meu padrasto, deixando sobrar somente a ira, que só aumentava a medida que ele abria a boca para me afrontar.
— Não podem me controlar o tempo todo, não é mesmo? Uma hora vão vacilar e sabem que só preciso de uma brecha para acabar com a felicidade de vocês, afinal de contas, eu aprendi com o melhor. — Apontei com zombaria aplicada principalmente na última palavra e seus olhos pareceram faiscar de raiva por um momento, pouco antes de todos os sentimentos sumirem de seu rosto como um todo.
Apesar de tudo, aquilo me chamou a atenção, já que ele não tinha o costume de demonstrar qualquer emoção que fosse, nem sequer por um segundo, pelo menos não há alguns anos atrás, quando me ensinava, porém, algo tinha mudado nele, não somente o poder adquirido, mas também algo dentro de si, talvez aquele fosse o preço a se pagar por conseguir tal dom e talvez pudesse ser uma fraqueza se fosse um ponto bem explorado. Me lembraria disso depois.
— E o que sugere que façamos? — Quis saber, parecendo considerar meu lado, mesmo não me parecendo nem um pouco propenso a ceder.
— Nada, ele poderia muito bem ajudar, se juntar a nós. — Afirmei e logo recebi olhares de escárnio em troca, ainda assim continuei. — Tenho meu irmão sob controle, ele sempre fica do meu lado em tudo e agora não vai ser diferente.
— Ele nem é seu irmão de verdade. — Cameron disse, tentando me convencer, mas existia um pouco de suspicácia em sua voz, como se ainda não acreditasse que eu realmente o considerava. — E pode muito bem querer se vingar pelo pai, ou até mesmo tomar o poder novamente algum dia.
— Sobre ele querer se vingar, eu duvido muito, ele não suportava o pai, exatamente porque este me odiava. E quem disse que não somos irmãos de verdade? Ele é a única família que tenho e não importa se ele tem, ou não o mesmo sangue que eu, ele é o único com quem me importo. Se querem matar alguém da "família", mate minha mãe, ela não me importa, até prefiro que aquela vaca morra, mas se matar ele, não vou descansar até acabar com vocês.
— Não se estiver morta. — Sugeriu Cameron, aparentemente incomodado com minha colocação, mas com um sorriso indicativo de perigo no rosto.
— Tenho motivos para acreditar que me quer viva e ao seu lado, além daqueles que me foram apresentados e apesar de poder realmente me controlar, a impressão é que quer que seja de bom grado, não sei se pela facilidade a mais que terá, ou por causa do desgaste que teria, contudo, não me parece querer fazer algum mal para mim — Anunciei em alto e bom tom, não querendo nem por um segundo dar o braço a torcer.
— E porque pensa isso? Você é descartável, lembre-se disso. — Se fez de desentendido, levantado uma de suas sobrancelhas.
— Não agora. — Continuei confiante, devo dizer que até um pouco presunçosa. — Não estaríamos tendo essa conversa se pretendesse sequer por um segundo fazer o que fala. Te conheço e foi você mesmo quem me ensinou, que aquilo que não lhe é útil, mas está no seu caminho, você deve retirar com muita eficiência e eficácia. Então deve ter motivos para me querer viva e do seu lado, provavelmente algo que não está me contando.
Meu oponente maior suspirou, estava claramente cansado da discussão e ao que me parecia, tinha chegado ao seu ponto fraco, isso mostrava que realmente precisaria de mim e duvidava que fosse apenas como informante, então se ele me queria, era bom que aceitasse minhas condições e a principal era que Rick continuasse vivo.
— Se ele mover um dedo contra mim, eu juro que esmago sua cabeça. — Suas palavras foram pronunciadas com a raiva que tinha visto em seus olhos minutos atrás e isso foi extremamente gratificante, pois eu podia não ter o controle de tudo, como sempre gostei, mas já tinha uma pequena vitória.
— Ele não vai — Garanti, olhando em seus olhos, com um sorriso triunfante. — Eu prometo.
— Suas promessas não significam nada para mim. — Acusou e tive de sorrir abertamente, pois ele tinha razão no que dizia e pela primeira vez desde que iniciamos a conversa, concordávamos inteiramente em alguma coisa.
— Tem razão, minhas promessas não valem nada e é inteligente de sua parte ter consciência disso, mas quero te lembrar que não tenho motivos para deixá-lo fazer algo contra você, até porque, se ele tentasse qualquer coisa que fosse, de uma forma ou de outra, eu sairia perdendo.
Ele me analisou por alguns segundos e assentiu meio a contra gosto.
Meu comentário não havia sido mentira, apesar de não ser uma pessoa confiável, eu sabia muito bem analisar minhas alternativas e fazer as escolhas certas para me favorecer e eu não gostaria que nada acontecesse com Cameron, não antes dele me ensinar tudo o que sabia.
— Tudo bem então. — Ele disse, completando logo após. — Vou liberar seu irmão. Vivo, por enquanto.
— Ótimo. — Encerrei a conversa e logo quis ver Rick, não o deixaria sem supervisão em momento algum a partir dali, pois independente do que havia sido acordado, não confiava em Cameron, assim como ele não confiava em mim.
(...)
— Preciso saber de mais alguma coisa além do fato de eles me quererem definitivamente morto? — Rick quis saber, assim que nos sentamos nas areias brancas de uma das praias de L.A., observando ao longe um bocado de surfistas e pessoas comuns se divertindo, sem ter com que se preocupar e pela primeira vez na vida eu as invejei, mas logo esse sentimento passou, afinal, ainda tinha uma chance de aquilo me render muito mais do que jamais pensei ser possível.
— Não. Apenas que estamos quites, já que os convenci a te manter vivo — Respondi com um sorriso de lado, voltando minha atenção para ele, que sorriu de volta.
— O que está pensando em fazer? — Inquiriu sem rodeios, usando seu conhecimento sobre mim para compreender que tinha algo em mente que não era exatamente ficar em segundo plano.
— Nada — disse aumentando meu sorriso enquanto via sua expressão de confusão se acentuar — ainda.
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