Destiny
1 Destino selado
Notas iniciais
Perseu Jackson estava assustado... não, estava apavorado.
Sempre pensou ser doido, mas pela primeira vez cogitou realmente se internar, estava ficando absolutamente maluco, lembrou-se das palavras da "mulher"...
Seu destino está selado semideus
Semideus ? que droga é essa ?
Vamos recapitular, Perseu Jackson era um jovem de 16 anos, morava em Manhattan, com sua mãe Sally e seu padrasto Paul, no momento estudava em uma academia para garotos problemáticos perto do Central Park, era sua 8 escola consecutiva, Perseu sempre causou problemas aos outros, incêndios, destruições e várias outras coisas, era chamado de demônio por onde quer que passava, por isso, nunca foi capaz de fazer amigos. Além disso, tinha TDAH e se achava esquizofrênico, pois jurava ver coisas simplesmente impossíveis.
Como no final de Agosto, em que se trancou em casa e jurava que toda a cidade estava sendo destruída por monstros, de acordo com ele, todas as pessoas meio que desmaiaram ou caíram em um sono profundo e uma guerra entre pessoas e monstros acontecia, jurava ver Pégasos voando no céu e centauros correndo pelas ruas, ele apenas ficou em seu quarto esperando esse pesadelo passar.
Voltando para a questão do semideus. Era um dia normal de sexta-feira, e Perseu caminhava pelo Central Park, sim, estava matando aula, não que alguém fosse notar sua ausência, mas não aguentava mais aquele lugar. Perseu percebeu que estava escurecendo e resolveu caminhar para casa, quando algo bem... incomum, três mulheres com a aparência bem velha, sentadas as três em cadeiras de balanço, estavam em uma varanda alguns metros acima de Perseu, ele viu uma delas olhar para ele e sorrir, um sorriso que fez seu sangue gelar, mas não foi pior do que ela fez a seguir, puxara um fio vermelho de lã e as outras sorriram também, assim que a senhora cortou o fio, Percy sentiu como se ela tivesse cortado sua alma, sentiu seu corpo tremendo e suas mãos começaram a suar, decidiu sair dali o mais rápido o possível.
Estava perto de sua casa, ainda um pouco aflito com o que testemunhara um pouco antes, quando sentiu um arrepio na espinha, olhou para os lados e viu alguma coisa se esgueirando por um beco, depois ouviu um choro de mulher, seguiu o som e viu uma mulher atrás de uma caçamba de lixo, estava agachada e cobria o rosto com as mãos.
— Hum... senhora ? está tudo bem ? — ele disse receoso
— Eu nem acredito nisso, como deixamos essa chance passar ? tão jovem e delicioso, como nunca o notamos ? estou emocionada sabe, um semideus tão poderoso assim, só para mim ? — disse ela com uma voz meio reptiliana
As palavras dela não faziam sentido na cabeça de Perseu, resolveu sair dali, mas ao se virar sentiu algo enrolar nas suas pernas e o puxar, ao cair no chão sentiu tentáculos envolvendo seu corpo, essa mulher... era uma cobra ?
— Sou uma empousai garoto, você não pode se livrar de mim — disse a mulher
Os tentáculos que Perseu sentiu, era uma calda, a mulher se transformara em um monstro com garras afiadas e seu cabelo ardia em chamas.
— O que você quer de mim ? — disse Perseu tentando se livrar de seu aperto
— Ora semideus, não é obvio ? eu quero devora-lo, você tem um cheiro delicioso, o melhor que eu já senti, não sei o que um meio-sangue da sua idade faz fora do Acampamento, pena para você, sorte para mim
— Do que está falando ? deve ter me confundido, não sei nada disso — ele disse e nesse momento ela o atacou, mas antes que suas garras rasgassem Perseu ele deu um grito angustiante dizendo para ela sair, e então várias caixas d'águas encima deles explodiram
A tal empousai ficou desorientada e deu a Perseu a chance de escapar, a água o ajudou a se livrar de seu aperto e ele a empurrou caindo no chão, depois pegou um pedaço de madeira com um prego na ponta no chão perto do lixo e bateu com toda sua força na cabeça da mulher monstro, que urrou de dor e caiu para trás
— Não pode ser, ele não pode ser seu pai, os deuses fizeram um juramento, até ele desobedeceu ? — ela disse espantada se recuperando do choque, Perseu começou a correr, mas não sem antes ouvir ela gritar — não adianta fugir, seu destino está selado semideus
Perseu apenas corria, quando esbarrou em alguém e caiu no chão
— Ei, está tudo bem aqui ? — era um garoto, parecia ser um pouco mais velho que Perseu, usava um gorro na cabeça e estava de muletas, se espantou ao notar Perseu — você... seu cheiro...
— Temos que sair daqui, AGORA!!! — disse Perseu, aquele garoto não poderia se defender sozinho, ele precisava tirá-lo dali, começou a puxar ele para longe dali
— Calma, calma, não sei se reparou, mas estou de muletas — disse o garoto
Perseu olhou para trás, tinha se afastado bastante daquele beco, talvez já estivessem seguros
— Sinto muito, estava sendo atacado — disse Perseu ofegante, tentando digerir o que havia acontecido
— Por quem ? — disse o garoto
— Uma empousai, ou algo assim, pelo menos foi como ela se chamou, era um... — depois parou, o que estava falando ? o garoto deve achar que ele era maluco, assim como ele
— Um monstro ? — chutou o garoto e espantou Perseu — cabelo em chamas, uma calda, garras ?
— Sim, ela te atacou também ?
— Não exatamente — ponderou o rapaz — ela te disse algo
— Sim, coisas malucas sobre semideuses e meu pai, um Acampamento e algo sobre me devorar — disse Perseu
— Entendo, hã, sei que parece repentino mas, você vai precisar vir comigo agora — disse o garoto, parecia assustado
— Do que está falando ?
— A mulher, ela virá atrás de você novamente, não estará seguro aqui, em nenhum lugar, assim que eles sentem seu cheiro podem te perseguir em qualquer lugar, precisa vir imediatamente comigo — disse o garoto tentando chamar um taxi
— Do que você está... ?
— Eu prometo que te explico depois, mas precisamos ir, agora — disse quando o taxi chegou, entrando e esperando que Perseu o seguisse
— Entendo, mas você não podia ter passado aqui para trocar de roupa e pegar suas coisas ?
— Sinto muito mãe, foi tudo tão repentino, mas darei noticias, prometo, serão apenas uns 2 dias — disse Perseu
— Se não tem jeito, cuidado filho, amo você
— Também te amo mãe, tchau — e desligou
Estavam chegando no estreito de Long Island, Perseu dissera para sua mãe que era uma viagem repentina da escola, e agradeceu por ter uma mãe tão compreensiva
— Perseu, chegamos — disse o garoto, ele dissera que seu nome era Grover, Perseu desceu do carro e travou
— Tem certeza ? não tem nada aqui — disse o taxista
— Tenho sim, muito obrigado — disse Grover pagando e esperando ele ir embora
— Grover ? — disse Perseu com uma voz falhando
— Sim ?
— Porque ele disse que não tem nada aqui ? — disse Perseu olhando para um dragão dormindo encostado em uma arvore, acima dele havia uma espécie de pano dourado
— Ah, os mortais não são capazes de enxergar através da nevoa, e não se preocupe, ele só ataca monstros
— Sabe que eu não entendi uma palavra do que você disse né ?
— Sei — riu Grover, isso deixou Perseu um pouco desconfortável, não que ele não gostasse do garoto, muito pelo contrário, só não estava acostumado com pessoas sendo tão amigáveis com ele — enfim, vamos entrar, tudo será explicado para você
Grover explicou basicamente como funcionava o lugar, dissera que se chamava Acampamento meio-sangue, ele existia para pessoas como Perseu, mas não explicou o que isso significava, dizia que um tal de Quíron ia lhe explicar tudo. Chegaram em uma mansão que Grover chamava de Casa Grande, lá, foi a primeira vez que Perseu realmente quase desmaiara no dia, um centauro estava no portão regando umas plantas.
— Que coisa é essa ? — disse Perseu com suas pernas tremendo
— Gostaria que não me chamasse de coisa, meu rapaz — disse o centauro se virando nitidamente ofendido, mas travou ao ver Grover — o que faz aqui ? já voltou ?
— Quíron, aconteceu uma coisa — disse Grover
— E suponho que tenha haver com esse rapaz assustado aqui, como se chama meu caro ?
— P...Per...
— O nome dele é Perseu Jackson, ele foi atacado agora pouco por uma empousai — se apressou Grover, vendo o quase desespero de Perseu
— Isso é curioso, pensei que houvéssemos eliminado todas, acho que sobraram algumas que se esconderam — constatou Quíron
— Quíron, o problema não é esse, ele... Perseu, seu cheiro, é o mais forte que já senti — disse Grover e Quíron ficou sério
— Tem certeza ?
— Absoluta, eu já senti o cheiro de muitos...
— Dá para alguém me dizer o que está acontecendo aqui ? como assim cheiro ? eu só quero saber porque aquele bicho veio atrás de mim e porque eu sempre vejo essas coisas
— Acalme-se meu rapaz, será tudo explicado para você, por ora, entre, você parece que precisa comer — disse Quíron gentilmente tocando no ombro de Perseu, que só percebera agora a fome que estava — por aqui venha
...
— Então os deuses do olimpo são reais, eles acompanham a evolução da civilização e fazem filhos com humanos, e eu sou o filho de um deles ?
— Sei que é muita coisa para processar, mas sim, é verdade — disse Quíron
— De fato é muita coisa, de acordo com minha mãe meu pai era só um cara que a abandonou, ela não sabia ?
— Não sei dizer Perseu, alguns deles costumam...
— Mentir ?
— Sim
— Ótimo, e agora eu vou ter que ser treinado nesse Acampamento para poder sobreviver no mundo lá fora, pois monstros como aquela mulher podem aparecer toda hora ?
— Está pegando rápido, exatamente Perseu, aqui é um lar para vocês, os treinamos não para batalha, mas sim para sobreviver
A cabeça de Perseu estava doendo, era muita coisa, Quíron o explicara tudo sobre o TDAH, sobre quem ele era, sobre os Chalés, as atividades do acampamento.
Quíron deixou Perseu dormir na Casa Grande, em um quarto aos fundos, pois estava tarde e não havia tempo para apresenta-lo aos outros campistas, que já estavam em seus Chalés, lhe apresentou o diretor do Acampamento, Sr. D, que na verdade era Dionísio, deus do vinho. Grover falou que viria vê-lo logo de manhã para fazer um tour com ele pelo Acampamento.
Ao se deitar na cama Perseu nunca se sentira tão cansado, admitiu para si mesmo que não estava nem um pouco ansioso para o dia seguinte, antes de dormir se lembrou das velhas cortando o fio de lã e das palavras da empousai.
Seu destino está selado.
Notas finais
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