Destiny
19 Uma noite para aproveitar antes das aulas.
Notas iniciais
Pov. Lexy:
Peguei o celular e disquei o número da primeira pessoa que poderia me ajudar.
Lexy: Você tem dez minutos para chegar aqui e me levar até a colina
Desliguei rapidamente e encarei minhas amigas, que me olhavam assustadas.
Lexy: Podem ficar, mas eu tenho que ir.
Subi até meu quarto, um cômodo de paredes esverdeadas com guarda-roupas branco, uma bancada na parede oposta e minha cama. Vesti uma jeans azul escura, uma camiseta regata preta e botas marrons. Estava acabando de arrumar o cabelo quando bateram à porta.
Leona: Lê, tem um ruivinho de olhos verdes lá fora em cima de uma moto. Ele está com uma parte do rosto enfaixada, mas mesmo assim... Uau, que gato! Ele deve estar esperando alguém.
Lexy: Ótimo.
Desci correndo e me dirigi até a porta, deixando todas confusas.
Lexy: A chave reserva está no móvel, ali em cima. Quando saírem, tranque a casa. Não me esperem, pode ser que eu demore.
Saí e bati a porta com força. Corri até Mada e o mesmo logo me entregou um capacete.
Lexy: Aonde você...
Yamada: Peguei no galpão ao lado do internato.
Lexy: Consegue dirigir com um olho só?
Yamada: Eu vim até aqui, não vim? Qual a emergência?
Lexy: Luna vai para a colina e não estou com um bom pressentimento.
Subi e aceleramos, passando por alguns buracos pelo caminho, mas nada diferente do normal. Paramos na encosta e quando olhamos para cima, vimos duas silhuetas, uma um pouco maior que a outra, e logo identificamos como sendo Luna e Luke. Corri feito louca atrás de minha prima e pude ouvir um pouco da conversa, algo sobre ir ao Santuário. A morena se virou e, quando me viu ali, me encarou brava.
Luna: Mandei não vir atrás de mim!
Lexy: E você realmente achou que eu ia ficar calma?
Luna: Eu sei me virar!
Lexy: Luna, faça meu favor, mesmo sendo mais nova que você eu tenho mais juízo! Realmente achou que eu ia me deitar e deixar você se ferrar?! E que história é essa de ir até o Santuário? Você sabia que ele fica na Grécia?
Luna: Eu não preciso da sua autorização para nada, Alexandra!
Lexy: Luna, você sabe que eu te amo mais do que tudo, você é a minha única família, então por favor, não vai. Não me deixe aqui! Ir até o Santuário requer saúde, treinamento e uma armadura. Você tem noção de que se aparecermos lá, nós, que somos considerados traidores, seremos mortos no primeiro segundo? Você pode até voltar, mas e nós? Ainda estamos muito feridos, não vamos aguentar.
Luna: Então eu vou sozinha.
Lexy: Luna, somos uma equipe, nunca abandonamos uns aos outros. Você tem noção do quanto está sendo egoísta? Só você consegue voltar. Será que dá para confiar nos outros cavaleiros?
Luna: Ok... Luke, Lexy está certa, não podemos ir feridos e desprotegidos. Vamos deixar isso com Hyoga e os outros, não podemos nos precipitar.
Luke: Não! Mesmo se vocês não forem, eu vou!
Luna: Luke, para! Já parou para pensar? Se você morrer eu... Não quero nem pensar nisso. Por favor... Você já tentou usar o pingente? Não vai consegui invocar a armadura, Hyoga deixou bem claro que era só uma lembrança.
O de cabelos brancos abaixou a cabeça e apenas assentiu, recebendo um abraço de Luna.
Nos viramos para a encosta e vimos Yamada lá de braços cruzados. Descemos sorrindo e o de olhos verdes pareceu aliviado.
Yamada: Que história é essa do seu nome ser Alexandra?
Luke: Mas não era Lexy?
Lexy: Alexandra Strauss Ameda, o primeiro era o favorito da minha mãe, por isso prefiro só Lexy. Se me chamarem de Alexandra algum dia, eu mato vocês.
Luke/Yamada: Ok, ok…
Lexy: Que tal buscarmos o Hiro e a Anna para darmos um rolê?
Luna: Por mim fechou!
Luke: Partiu. Mas como eu e a Galinha Flambada vamos?
Lexy: Mada, me deixa em casa? Eu volto para buscar vocês.
Yamada: Beleza, mas como a gente volta?
Luna: A Lexy dirige…
Subimos na moto e fomos até em casa, entramos pela porta dos fundos e peguei a chave do carro em cima da bancada da cozinha, junto do controle da garagem. Vi que as garotas estavam dormindo na sala e nos dirigimos até a garagem.
Yamada: Desde quando sabe dirigir?
Lexy: Desde os 11 anos, mas depois da morte dos meus pais, nunca pilotei novamente. Esse carro era da minha mãe, deve estar em bom estado.
Yamada: Faz quanto tempo que eles morreram?
Lexy: Uns cinco meses.
Yamada: Devo confiar?
Lexy: Eu confiei em você quando fugimos até a colina, não confiei? Agora entra aí.
Entramos e seguimos até o lugar onde nossos amigos nos esperavam. Descemos e Mada foi buscar Hiro, enquanto eu fiquei com Luna e Luke.
Lexy: Então agora é oficial?
Luke: Com certeza! – Cisne abraçou minha prima de lado e a mesma sorriu.
Cinco minutos depois, os de olhos verdes desceram por uma trepadeira e vieram em nossa direção.
Lexy: Vamos, entrem aí.
Hiro: Pera, você vai dirigir?
Lexy: Por que a surpresa?
Hiro: Devo confiar?
Lexy: Por que ninguém confia em mim como motorista?
Luna: Lexy, você não tem muita cara de quem dirige com... -minha prima fez uma pausa enquanto gesticulava, procurando pelas palavras certas- Decência.
Revirei os olhos, abri a porta e encarei todos.
Lexy: Calem a boca e entrem logo.
Girei a chave na ignição e olhei para Mada, que estava no banco do passageiro e o mesmo me respondeu com um olhar tranquilizador. Acelerei e pelo retrovisor vi que todos estavam um pouco assustados. Sorri de lado e continuei dirigindo normalmente.
Parei bem em frente a casa de Anna e descemos sem fazer barulho algum. Batemos devagar na janela da sala, onde a mesma dormia encolhida no sofá, e fomos recebidos com um grande sorriso. Após breves segundos ela abriu a porta e sussurrou:
Anna: Vocês são loucos? O que estão fazendo aqui?
Lexy: Agora é a minha vez de mostrar um lugar para vocês... -girei a chave em meu dedo indicador e a ruiva me encarou um tanto surpresa e assuntada.
Lexy: Sério que nem você confia em mim para dirigir?
Os outros riram e voltamos para o carro.
Após cerca de vinte minutos de muita cantoria e conversas, chegamos ao lago azul, que ficava na maior clareira do bosque da cidade. Como a lua estava cheia, seu reflexo ficava lindo nas águas calmas e cristalinas do lago.
Anna: Uau…
Luke: Isso…
Hiro: É lindo!
Yamada: Uau, já é a terceira vez que você me surpreende hoje, Alê.
Apenas estiquei meu braço e soquei seu ombro, fazendo Yamada choramingar um pouco enquanto esfregava o ombro.
Yamada: Eu só te chamei de Alê, não foi completo.
Lexy: É e sempre será Lexy. L-e-x-y.
Yamada: Ok... -sorri de leve quando o mesmo abriu um sorriso travessos e se aproximou do meu ouvido. — Alexandra Strauss Ameda.
O empurrei de leve, mas a criança que eu insisto em chamar de namorado fingiu uma queda e me puxou para o chão junto, fazendo-me cair sobre ele.
Lexy: Idiota! Não sei se lembra, mas estamos machucados! -tentei parecer séria, mas comecei a rir já no primeiro momento.
Luke: Será que não vai ter uma única vez que iremos sair e vocês não vão ficar se pegando?
Lexy: Cala a boca Luke, você não pode falar nada, aposto que vai dar uns pega na Luna daqui a pouco. Afinal, ela é sua namorada, não? -me virei para sair de cima de Mada e me sentei no chão enquanto ele permaneceu deitado.
Ambos coraram muito e abaixaram o olhar.
Anna/Hiro: Como assim?
Luke: Tenho certeza que eles também não sabiam do seu nome...
Hiro/Anna: Que?
Lexy: Alexandra.
Anna/Hiro: Quem?
Lexy: Meu nome é Alexandra, pronto falei.
Anna: Luke, não adiantou, a revelação do namoro de vocês foi mais chocante...
Hiro: Verdade...
Cisne fechou a cara e começamos a rir. Deitamos no chão e começamos a encarar o céu e suas estrelas, lembrando de nossa verdadeira vocação e de todos os outros cavaleiros.
Luke: Será que algum dia vamos voltar?
Hiro: Eu acho que sim, mas vai demorar.
Luna: Quanto tempo mais ou menos?
Hiro: Meses, no mínimo semanas.
Yamada: Que horas são?
Lexy: 1:00, por quê?
Mada se levantou e me sentei, tal como os outros, para ver o que ele ia fazer.
Para nossa surpresa ele caminhou até o lago enquanto tirava a camiseta branca que usava.
Lexy: O que você... -Não tive tempo de terminar a frase, ele deu um mortal e entrou na água.
Yamada: Tá um calor desgraçado, eu não vou ficar aí parado...
Lexy: Concordo com ele. -tirei minhas botas e as joguei para algum lado. Corri até o lago e me joguei.
Luke: É, concordo com eles, vambora Galinha de Fogo! -Luke tirou a camiseta e correu até nós, enquanto Luna tirou os sapatos e caminhava normalmente.
Hiro: Vamos nessa?
Anna: Oi? Não! Vocês vão ficar gripados, está escuro e... -a ruiva não teve tempo de terminar a frase, foi surpreendida ao ser pega nos braços do moreno.- Hiro, o que você vai... Ah não!
Hiro: Ah sim, você vai entrar na água sim, mesmo que eu tenha que te jogar!
Anna: Não Hiro, para idiota! Me solta!
Hiro: Um... Dois... Três... Lá vai!
Hiro arremessou Anna e logo pulou também. A de olhos pretos partiu pra cima dele, o que nos rendeu boas gargalhadas.
Como todos já sabiam, Luna e Luke se esqueceram da descrição e trocaram alguns -vários- beijos. Acho que fui a única, mas tenho certeza que vi Hiro e Anna se beijando também.
Nadamos bastante, até fizemos uma pequena briga de galo, mas logo resolvemos voltar, já que todos temos aula amanhã.
Entramos todos no carro mesmo molhados e o primeiro a desembarcar foi Luke, que teve que dar uma de ninja nível dragão dourado master para burlar todo aquele sistema de segurança. Depois deixamos Anna em casa e passamos no internato.
Lexy: Mada, eu sei que você está cansado, mas não quer ficar aqui já e amanhã você pega a moto?
Yamada: E dar essa chance de fugir para a Luna? Nem pensar!
Luna: Ah... Só por que eu já tinha tudo esquematizado...
Rimos um pouco e Hiro desceu, dirigindo-se à trepadeira que eles usavam para escaparem de vez em quando.
No meio do caminho, vi que Luna estava adormecida no banco de trás, e só pensei em como eu vou acordá-la depois... Com certeza vai dar muito trabalho.
Entramos na garagem e pude julgar pelas luzes apagadas que as garotas já tinham ido. Yamada e eu fomos até a cozinha pela porta dos fundos, em direção a bancada. Conforme tateava a superfície de mármore para tentar encontrar o objeto, fui surpreendida por um abraço que veio por trás.
Yamada: Gostou?
Lexy: Acho que sou eu quem devia perguntar isso, fui eu quem levou vocês para passear. Mas sim, gostei. — virei-me e encarei seu olho sadio e levei minha mão até a bandagem de seu rosto. -Temos que trocar isso...
Yamada: Depois pensamos nisso, agora tenho coisa mais importante para pensar.
Lexy: Tipo?
Yamada: Você.
Sorri quando ele me puxou e colou nossos corpos para nos beijarmos. Nos separamos por conta da falta de ar, mas continuamos abraçados.
Lexy: Idiota, você tá todo molhado.
Yamada: Você também, Alê.
Fingi cara de brava e ele sorriu, se aproximou e me deu um selinho, fazendo com que eu sorrisse com o ato.
Lexy: Não consigo ficar brava com você, Tsukino.
Yamada: Sei disso, Strauss.
Yamada me beijou novamente, me levantou e me sentou na bancada, fazendo-me ficar um pouco mais alta que ele. Fomos interrompidos, mas não pela falta de ar, cortamos o beijo por termos sido surpreendidos com a luz se acendendo. O empurrei e ele acabou se desequilibrando, quase caindo. Olhamos envergonhados para as intrusas, uma loira de estatura média, uma morena baixinha e outra de cabelos azulados, ambas encostadas no batente da porta.
Angie: Então você sai misteriosamente de madrugada, volta as 3:00 da manhã toda molhada e dando uns amassos num garoto? Lexy, você mudou muito em três meses... -a mais alta cruzou os braços e sorriu maliciosa.
Leona: Espera, esse é aquele ruivinho lindo de antes!
Fiquei com a maior vontade do mundo de sair correndo ou de cavar um buraco ali mesmo, entrar e nunca mais sair. E pelo visto, Yamada também.
Lexy: Espera, o que vocês ainda estão fazendo aqui?
Maggie: Resolvemos dormir aqui para te esperar.
Lexy: Façam meu favor... Vamos, pra fora as três, agora.
Angie: Ah, você quer um momento mais particular com o ruivinho gato...
Lexy: Para de chamar ele assim. Se eu quisesse eu podia ter todo e qualquer momento particular com ele, afinal, é meu namorado, agora saiam!
Praticamente as empurrei porta a fora, mas tudo o que eu não precisava era delas fofocando e dando gritinhos histéricos sobre isso. Por que eu ando com patricinhas mesmo? Ah, é, eu era patricinha. Eu realmente preciso de amigas novas.
Olhei para trás e vi Mada segurando o riso.Voltamos para a cozinha e achamos a chave, que estava no chão, demos ter derrubado e nem percebemos.
Lexy: Aqui está, até mais.
Yamada: Até. Boa noite. -ele me deu um beijo na testa e se dirigiu até a moto.
Lexy: Boa noite.
Agora vem a parte difícil, acordar Luna.
Pov. Saori:
Estava tudo pronto para minha saída. Abri a porta de meu quarto devagar e me deparei com Seiya e Shiryu parados lá.
Seiya: É melhor você não sair dai...
Saori: Já disse que tenho que ir, esse é o meu dever, Seiya!
Seiya: Pois eu já disse que não vai! Não vou suportar saber que você foi sem proteção e com certeza irá morrer!
Pensei em um outro plano que me deixaria um passo a frente deles. Como eu sou inteligente! Vou sair pela janela!
Saori: Você está certo, Seiya. Eu estou de cabeça quente, vou voltar a dormir.
Shiryu: Faz muito bem senhorita, até amanhã.
Entrei e bati a porta do quarto. Corri em direção à janela e abri-a. Me sentei na borda e quando estava quase pulando, ouvi alguém me chamando.
Jabu: É melhor a senhorita não fazer isso..
Voltei para dentro e fechei a janela com força. Sentei em minha cama, bufei e revirei os olhos. Foi então que percebi, um duto de ar. É isso!
Arrastei minha cama, subi e precisei pular para conseguir tirar a tampa e me pendurar na pequena saída. Fui engatinhando até que vi uma outra sala com pouca luz e julguei ser a entrada. Conforme me aproximei para levantar a tampa, despenquei de lá de cima. Caí de cara no chão e quando me ajoelhei para poder me levantar avistei uma cama e nela estava Shun, esfregando os olhos assustado.
Shun: Saori?!
Saori: E-eu p-posso explicar...
Shun: Sei muito bem por que está aqui, vamos, vou te levar de volta.
Andrômeda me ajudou a levantar e me guiou pelo braço até meu quarto. Recebi olhares desaprovadores de Seiya e Shiryu, que ainda estavam lá e entrei de volta em meu cômodo.
Pense Saori... Você é a deusa da Sabedoria, não devia ser tão difícil... Já sei! A janela do banheiro!
Corri até o cômodo anexo e subi no granito da pia para conseguir chegar até a janela. Conforme passei pouco mais do pescoço pelo local, pude ouvir uma voz grossa e com belo sotaque russo.
Hyoga: Eu não faria isso, a senhorita pode ficar entalada...
Desci e voltei para o quarto. Me joguei na cama e desisti de tentar sair. Parece que eu não sou tão mais inteligente assim...
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