Notas iniciais
Oi, gente! Resolvi acabar um pouco com a ansiedade de vocês e decidi postar hoje o capítulo que iria postar apenas na segunda. Para quem está no grupo do facebook, minha explicação já foi feita, porém acredito que nem todos aqui estejam lá então explicarei de maneira rápida aqui. Minhas aulas voltam na semana que vem, então decidi que durante minhas duas últimas semanas de férias me dedicaria a adiantar o máximo de capítulos possíveis, pois com as aulas não terei tanto tempo de escrever. Como dito anteriormente, este capítulo era para ser postado na segunda, mas resolvi adiantar. Prometo não deixar vocês esperando o mesmo tempo que os fiz esperar por este. Mais uma vez gostaria de agradecer todo o "feedback" que tenho recebido, é realmente gratificante saber que vocês estão curtindo a história, espero não decepcionar vocês no futuro! Mas enfim, chega de explicação e vamos ao que interessa, boa leitura!

Era o dia após a noite no bar. Noite a qual tinha saído bem pior do que Callie esperava. Seu maior medo antes de ir para lá era de que acabasse fazendo alguma besteira como agarrar Arizona na frente de todo mundo ou algo do tipo; brigar com Arizona não era nenhum dos diversos cenários que se passaram na cabeça dela e, mesmo assim, aconteceu.

Quando Arizona chegou no bar Callie sentiu como se sua capacidade de respirar houvesse sido roubada, a loira, embora estivesse vestida com uma roupa simples — calça jeans e uma blusa de botões — encantara Callie de tal maneira que ela havia perdido as palavras; a cada passo que Arizona tomava em direção a mesa delas, o coração de Callie batia mais rápido e quando ela finalmente as alcançou Callie queria se mover e envolver seus braços em volta da mulher em um abraço, como havia feito mais cedo, porém era como se seu corpo não a obedecesse mais e seus pés não se moviam, mas quando seus olhos se encontraram com aqueles azuis encantadores... ah, era como se houvessem fogos de artifício explodindo dentro dela.

Conforme a noite prosseguia Callie não podia deixar de notar a maneira como Colleen olhava para Arizona, ela tinha aquele olhar de quem estava pronta para atacar novamente e isso a incomodava mais do que deveria. Apesar de estar confusa sobre seus sentimentos intensos e repentinos por Arizona e estar em conflito consigo mesma sem dar a loira o que as duas sabiam que queriam, Callie não queria que acontecesse alguma coisa entre Colleen e Arizona, ouvir aquela mulher falar de como um dia elas haviam sido mais do que amigas foi um soco no estômago de Callie, ela realmente não precisava saber daquilo, embora já desconfiasse. Graças aos céus Addison estava lá pra dar cobertura e mostrar a mulher o lugar dela. Callie quase não conseguiu segurar o riso quando a expressão de Colleen mudou quando Addison apontou que o relacionamento dela com Arizona havia sido mal sucedido.

Apesar dos ciúmes, o que realmente pegou Callie aquela noite foi o comentário sobre seu incidente no trabalho, o que levou a sua briga com Arizona. Ela não queria brigar, mas aquele era um assunto tão delicado para ela que a simples menção dele trazia memórias ruins de um passado um tanto obscuro que Callie gostaria de esquecer, e quando a loira insistiu no assunto Callie não aguentou e acabou sendo rude, se retirando logo após para não tornar a situação pior.

Enquanto estava afastada tentando esfriar a cabeça Callie observava todos a sua volta. As pessoas bebiam como se não houvesse amanhã e dançavam como se nunca mais fossem fazer isso se não fizessem agora. Como o universo é engraçado, não é? Ela pensava. Sua vida era tão bagunçada, ela havia passado por tanta coisa que já havia perdido a esperança de que qualquer coisa boa pudesse acontecer na vida. Aquelas pessoas ali dançando, esquecendo seus problemas por uma noite... como ela gostaria de ser capaz de fazer o mesmo. Esquecer, nem que fosse por uma única noite.

Conforme ela continuava a observar as pessoas na pista de dança, dois rostos familiares lhe chamaram a atenção. Callie estava ali para respirar fundo, se acalmar e tentar agir racionalmente, a primeira coisa que queria fazer era pedir desculpas a Arizona, pois ela estava apenas tentando ajudar, ela se importava. Mas quando Callie assistiu as duas juntas na pista de dança, seus corpos balançando ao som da música que tocava como se fossem uma única pessoa, as mãos de Colleen em volta do corpo de Arizona, tirando proveito de qualquer oportunidade para sussurrar alguma coisa no ouvido da loira que não parecia se incomodar com tal proximidade, Callie chegou a conclusão de que Arizona não se importava de verdade. Se ela realmente se importasse ela não estaria rindo, se entregando a outra na pista de dança.

Depois de sair do bar Callie foi direto para casa, raiva e álcool subindo sua cabeça. Ela sabia que não deveria se sentir assim, mas não conseguia parar aquele sentimento. Ela queria quebrar alguma coisa ou chutar alguma coisa para que pudesse sentir alguma coisa, qualquer coisa, porque agora que seus pensamentos estavam mais embaralhados ainda, a raiva de Arizona e a raiva de seu passado se juntaram e tomaram conta dela, mas antes que ela pudesse fazer qualquer absurdo daquele, ela se jogou no sofá onde dormiu por aquela noite.

Mas aquilo tudo havia acontecido na noite anterior, agora Callie ainda estava jogada no sofá, sua perna direita havia escorregado durante a noite e metade de seu pé tocava no chão.

Os fracos raios de sol que entravam pela janela da sala fizeram com que ela finalmente abrisse os olhos, rapidamente os fechando novamente por causa da claridade, o que a fez sentir uma pontada na cabeça, como se esta fosse explodir. Agora ela se arrependia de cada gota de álcool que bebeu na noite anterior.

– Ei, Bela Adormecida! — Addison disse da cozinha, onde passava um café. — Pensei que nunca mais fosse acordar.

– Como você pode parecer tão bem enquanto eu estou quebrada? — Callie perguntou, se levantando do sofá e indo em direção a cozinha, onde se sentou no banco do balcão. — O que você está fazendo aqui?

– Bem, eu não sei porque você perguntou isso tão surpresa, eu sempre estou maravilhosa. — Addison brincou. — E... eu resolvi que hoje talvez seria o dia perfeito para experimentar a chave que você me deu. Você foi embora tão atordoada ontem, você não estava bem, então, como a amiga incrível que eu sou, resolvi passar aqui pra ver como você estava e te fazer um café. Você estava morta no sofá quando eu cheguei, nem se mexeu quando eu fiz barulho na hora de fechar a porta.

– É, eu meio que desmaiei quando cheguei em casa... quer dizer, depois que tomei uma garrafa de cerveja e xingado um pouco.

– Isso fez você se sentir melhor?

– Um pouco, sim.

Addison a observou por um momento, um sentimento de pena escrito em seus olhos.

– Pare de me olhar assim. — Callie pede.

– Você vai ligar pra ela? — Addison perguntou, indo direto ao ponto.

– Por que eu faria isso?

– Porque... — Addison disse exasperada. — Ela estava realmente chateada, ela disse que tentou falar com você, mas você a ignorou.

– O que você queria que eu fizesse? Eu estava chateada. — Callie disse. — Eu me estourei com ela e me senti mal por isso, ela estava tentando ajudar e acabei magoando ela. Quer dizer, pelo menos foi o que eu pensei. Não poderia estar mais enganada. — Ela disse rindo de sua estupidez. — Sou muito estúpida, não sou? Porque enquanto eu estava me sentindo mal, ela estava na pista de dança se esfregando com outra mulher.

– Callie, para com isso! — Addison diz, quase gritando, fazendo a cabeça de Callie doer novamente. — Ela se sentiu mal sim, okay? Você está com ciúmes e isso está te deixando burra.

– Addie! — Callie disse espantada. — Eu não estou com ciúmes!

– Sim, você está. Você e eu sabemos disso, então não se faça de boba. — Addison disse enquanto colocava uma caneca em cima do balcão e a enchia com o café que havia acabado de fazer para que Callie pudesse beber. — Você está descontando em Arizona algo que não é culpa dela. Colleen. Colleen te provocou o tempo inteiro e você caiu na provocação dela. Ela sabia que aquilo ia te chatear e você, cabeça quente, jogou o jogo dela direitinho.

Callie apenas olhou para Addison, sua cabeça indo a mil por hora conforme ela processava o que sua amiga havia falado. Como eu pude ser tão estúpida? Ela pensou.

– Então... você vai ligar pra ela? Ela provavelmente ainda está em casa, lembro de ter escutado ela falar que o seu turno no hospital hoje só começava às 17h.

– Sim, vou ligar. — Ela resolveu ceder. — Mas não agora. Agora tudo que eu preciso é de um banho. Minha cabeça está explodindo, meu corpo está pesado, estou me sentindo um lixo. Eu realmente preciso de um banho quente pra me ajudar a relaxar.

– É, acho que um banho faria bem, você realmente está acabada.

– Nossa, obrigada! — Ela brinca, se finjindo de ofendida. — Pensei que fosse tentar me convencer do contrario.

– Minha mãe me ensinou a mentir... e não tem de quê. — Addison brinca de volta. — Agora vai, tome seu banho, estou de saída pois meu trabalho já está feito aqui. Quer que eu passe na casa da April pra ver como estão as coisas?

– Você pode fazer isso?

– Claro que sim.

– Tudo bem então, muito obrigada. Fale com ela que passarei lá mais tarde.

– Darei o recado.

E colocando um beijo amigável na bochecha de Callie, Addison pega suas coisas e vai embora, deixando sua amiga mais a vontade para fazer o que deveria fazer.

Uma hora depois Callie já se sentia um pouco melhor, sua cabeça já não doía tanto e seu corpo estava mais relaxado. Enquanto ela sentia a água escorrer por todo seu corpo ela se permitia pensar, mais uma vez, sobre a noite anterior, só que agora com um ponto de vista diferente. Addison havia aberto seus olhos. A raiva que Callie sentiu momentaneamente enquanto pensava sobre o assunto, não era nem tanto de Colleen, mas sim dela mesma por se deixar ser manipulada tão facilmente.

Agora que já havia cansado de pensar no assunto, Callie se encontrava sentada em sua cama com seu celular na mão. Ela observara a tela por longos minutos, ela esperava ter pelo menos uma mensagem de Arizona, mas sua tela não continha nenhuma notificação. Mas novamente, por que ela mandaria uma mensagem quando estava tão chateada com Callie?

Depois de respirar fundo, a latina apertou o botão de desbloqueio e inseriu sua senha, logo abrindo seus contatos, procurando pelo número da loira. Quando o encontrou, ela fechou os olhos e tentou controlar sua respiração, ela não sabia o que ia falar, tudo sairia no improviso, ela precisava estar calma para fazer tal coisa e então, quando finalmente se sentiu calma o suficiente, colocou seu polegar sob o ícone verde e trouxe o telefone ao seu ouvido. Você consegue.– Ela pensou.

O telefone chamou uma... duas... três vezes, e quando o quarto toque estava prestes a acontecer, um barulho diferente pode ser escutado. Ela havia atendido.

– Alô. — A voz sonolenta do outro lado da linha respondeu.

– Arizona? — Callie perguntou, aquela não era a voz doce a qual ela esperava ouvir.

– Sim, é o celular dela. Quem deseja?

– É... é a Callie. — Ela diz depois de hesitar por um momento.

– Ah, oi! — A mulher diz um pouco mais animada.

– Colleen? É você... no telefone da Arizona? — Ela pergunta confusa.

– Ah... é. — A mulher responde. — Ela está tomando banho agora, toda aquela bebida noite passada acabou com ela. Quer deixar algum recado?

– É... eu... não, tá tudo bem. Apenas peça pra ela me ligar de volta? — Callie pede.

– Claro, assim que ela sair do banho eu falo com ela.

– Obrigada. — São as últimas palavras de Callie antes dela desligar.

Assim que desligou o telefone Callie conferiu o horário no seu celular, 9 horas da manhã. Era cedo demais para Colleen estar na casa de Arizona, o que ela teria ido fazer lá?

Ou será que nunca havia deixado o local?

UMA SEMANA E DOIS DIAS DEPOIS

Era outro dia normal de trabalho e até agora nada. Nenhum mensagem de texto, nenhuma ligação... nenhum sinal de vida.

– O que se passa nessa sua cabecinha? — Teddy pergunta quando se aproxima de Arizona na recepção do hospital.

– Teddy, oi. — A mulher diz com uma voz fraca. — Tanta coisa têm se passado aqui que eu nem sei te dar uma resposta certa.

– Semana difícil?

– Mais do que imagina. — Arizona diz. — O que você está fazendo agora?

– Nada, só esperando minha próxima cirurgia. — A mulher responde.

– Vem comigo para um café? Preciso de um conselho.

Enquanto as duas caminhavam para o carrinho do café que ficava do lado de fora do hospital, Arizona havia contado tudo o que havia acontecido naquela noite, há uma semana atrás, quando tudo desandou.

– Uau. — Teddy diz, se sentando em um dos bancos. — Uma noite cheia de eventos.

– Nem me fale. — Arizona diz, tomando um gole de seu café. — O ruim é que depois daquela noite eu não tive mais nenhum sinal de vida dela. Ela não liga, mas também não responde minhas ligações. Não me manda mensagem e também não responde as minhas. Não sei o que fazer.

– Você realmente gosta dela, não é? — Teddy pergunta, a observando.

– Sim. Tanto que isso até me assusta. — Ela confessa. — Digo, nos conhecemos há um mês e algumas semanas e eu já sinto como se a conhecesse a anos... mas também sinto como se não conhecesse ou soubesse nada sobre ela. É tudo tão confuso.

– Por que você não vai falar com ela?

– Tenho medo do que posso encontrar. Ela estava tão... estranha naquela noite, foi embora de uma maneira tão repentina e fingiu que não me ouviu chamar por ela. Tenho medo de que ela ainda esteja com raiva de mim, então estou dando um tempo pra ela esfriar a cabeça.

– Não acha que uma semana já foi tempo demais?

– O que você acha?

– Eu acho que é mais fácil dar opinião na vida dos outros, então... acho que você deveria ir até o spa, tentar falar com ela. — Teddy diz, olhando Arizona nos olhos. — Se você não for você nunca vai saber.

Arizona ficou com as palavras de Teddy em sua cabeça o dia inteiro. Será que ela deveria ir até Callie tentar falar com ela? E se tudo desse errado? E se Callie dissesse que nunca mais queria a ver novamente?

E se?

No dia seguinte àquela noite conturbada Arizona acordou para descobrir um problema maior ainda. Quando abriu seus olhos, ela esperava encontrar a foto sua e de seu irmão que ela mantinha na sua mesa de cabeceira, mas em vez disso, o que encontrou foi um monte de cabelo escuro tampando a visão do porta retrato. De primeira Arizona abriu um sorriso, mas quando a noite anterior veio a tona em sua cabeça, seus olhos se arregalaram e ela deu um pulo da cama.

A mulher que estava do seu lado ainda estava dormindo, seu movimento brusco não a acordara. A primeira coisa que Arizona fez foi checar seu próprio corpo, um suspiro aliviado deixou seus lábios quando percebeu que estava de roupas.

Mas como aquela mulher tinha ido parar ali? Ela passou um tempo tentando se lembrar e foi aí que a lembrança de uma Colleen vomitando no banheiro do bar veio a sua cabeça. A mulher havia bebido tanto que seu estômago não aguentou, para não deixá-la sozinha, Arizona a levou consigo para sua casa e a colocou no sofá após tirar seus sapatos... mas pelo visto a mulher havia trocado de lugar no meio da noite. Quase meia hora depois, enquanto Arizona estava na cozinha preparando um café da manhã reforçado para a mulher que provavelmente acordaria acabada, Colleen levantou e foi ao encontro dela. As duas conversaram um pouco e logo depois Arizona emprestou uma muda de roupas para que Colleen pudesse tomar um banho antes de ir para casa. Aquele dia tinha sido basicamente um dia preguiçoso, ela esperara por uma ligação ou qualquer mensagem de Callie para que pudessem conversar sobre o ocorrido, mas nada havia chegado.

Quando seu turno terminou, por volta das 19:30, Arizona resolveu seguir o conselho de sua amiga, uma semana havia sido tempo suficiente, então ela tomou um banho e saiu em direção ao spa onde pretendia conversar com Callie e tentar esclarecer as coisas.

Ao entrar no local Arizona logo se deparou com Addison, quem a olhou de cima a baixo e logo depois voltou a escrever umas anotações. Haviam duas outras clientes esperando serem atendidas, o que era estranho, pois elas já estavam próximas da hora de fechar.

– Se atrasaram hoje? — Ela pergunta, tentando começar qualquer tipo de conversa. Addison a olhou por uns segundos e voltou para seus papéis. — Digo, é que ainda tem clientes aqui e vocês já estão quase na hora de fechar.

– Nós conhecemos nosso próprio horário, obrigada. — Addison respondeu secamente.

– Nossa, foi só uma pergunta. Não precisa responder assim. — Arizona disse, se sentindo um tanto ofendida.

Addison ao ver o olhar no rosto da loira sentiu um aperto no coração por trata-la daquela forma, mas tinha sido algo tão automático que ela não pôde controlar.

– Me desculpe, tá bem? — Ela diz. — O dia hoje não é o melhor. E se você veio para tentar um encaixe não vai dar, todas as meninas estão ocupadas, já encaixei essas duas clientes, mas mesmo assim não sei se poderemos atendê-las.

– Não, eu não vim pra isso. — Ela responde, se sentindo menos desconfortável agora que Addison havia a tratado melhor. — Na verdade eu estava pensando se... se eu poderia falar com a Callie?

– Não acho que seria uma boa ideia.

– Por que?

– Olha... — Addison disse, retirando seus óculos e apoiando seus cotovelos em cima do balcão. — Ela não está tendo um dia muito bom, ela teve uns problemas de manhã, o quê explica nosso atraso, e ela está bem estressada. — Ela explica. — E sinceramente... não sei se ela vai querer falar com você tão cedo.

– Como? — Ela pergunta confusa.

– Arizona, eu gosto muito de você, acho você uma excelente pessoa, mas até eu estaria puta com você se estivesse no lugar dela.

– Addison... eu... eu não estou entendendo. Eu quem deveria estar com raiva, ela me ignorou completamente.

– E isso foi motivo suficiente pra você dormir com a sua ex? — Addison pergunta, levantando sua sobrancelha.

– Como é que é?! — Ela perguntou quase gritando, chamando a atenção das mulheres que estavam na recepção esperando.

– O que você está fazendo aqui? — A voz que Arizona tinha sentido tanta falta perguntara por trás delas, só que dessa vez aquele tom doce que sempre a derretia por dentro não estava ali, este havia sido substituído por um tom seco e gélido.

– Callie... — Ela diz com um sorriso fraco quando seus olhos se encontram com os de Callie. — Eu... queria falar com você.

– Eu não tenho nada pra falar com você. — Ela diz passando por Arizona e entregando a ficha de sua última cliente nas mãos de Addison, quem observava a conversa.

– Você não precisa falar. — Arizona diz com um tom brincalhão. — Eu vim falar com você.

Ao ouvir as palavras de Arizona, Callie se virou bruscamente para a loira, e com seu dedo indicador apontando na direção dela, disse: — Eu não estou nem um pouco interessada em ouvir o que você tem a dizer. Quando eu quis falar, você não quis ouvir, e como eu sou uma pessoa muito justa eu também estou te negando esse direito.

– Você não me ligou, não mandou mensagens, simplesmente sumiu depois que saiu por aquela porta. O que você queria que eu fizesse?

– Você me enganou, você me fez acreditar que gostava de mim, que se importava comigo quando no final das contas tudo que você queria era só que eu abrisse as pernas pra você para que você pudesse ter um pouco de diversão e depois você iria embora como se nada tivesse acontecido.

– O que? Do quê que você está falando? Isso não faz sentido nenhum!

Novamente o tom que as duas estavam usando chamara a atenção daqueles que estavam ali no momento, o que fez com que Addison tomasse uma atitude e chamasse a atenção delas.

– Vocês duas! — Ela disse. — Se vocês tem roupa suja pra lavar, façam isso lá dentro, por favor. — Ela diz apontando para a porta da sala de Callie. — Tenham um pouco de respeito com as outras pessoas.

As duas ficaram um pouco sem graça, mas mesmo ainda com raiva, Callie puxou Arizona pelo braço para dentro de sua sala.

– Me solta, você está me machucando! — Arizona reclama quando Callie bate a porta atrás delas. — Qual é o seu problema?

– Você! — Callie diz com raiva. — Você é o meu problema!

– Mas o quê eu fiz pra você?

– Você apareceu, Arizona! — Callie gritou. — Você apareceu e fingiu se importar, foi isso que você fez!

– Não se atreva a me chamar de mentirosa, Calliope.

– Não, não me chame de Calliope. — Callie corrige. — Eu me preocupei com você, eu me senti mal por ter falado com você daquela forma, mas quando fui pedir desculpas percebi que toda aquela "tristeza"... — Ela faz aspas com as mãos. — não passava de fingimento e você já estava se esfregando com a Colleen minutos depois.

– Você viu? — Arizona pergunta, machucada. — Eu não queria fazer aquilo, eu realmente estava chateada e não diga que era fingimento de novo. Eu me preocupo com você, porque eu gosto de você. Colleen me arrastou pra pista de dança naquela noite.

– E você foi.

– Eu não sabia o que fazer! Você estava brava comigo, ela enchendo meu saco, quando me chamou pra dançar foi a oportunidade que eu vi de fazer ela calar a boca. Eu não...

– Eu liguei no dia seguinte. — Callie a interrompeu. — Addison me disse como você ficou depois que eu saí, então eu liguei pra você no dia seguinte.

– Não, não ligou. Eu olhava meu telefone a cada cinco minutos esperando qualquer sinal seu e nada.

– Mentira! — Callie exclama. — Eu liguei pra você e pra minha surpresa quem atendeu foi Colleen.

– O quê? — Arizona pergunta assustada, se encostando na mesa de massagem que estava no meio da sala para manter seu equilíbrio.

– Eu liguei pra você e Colleen falou que você estava no banho, pedi pra ela avisar que eu havia ligado... e mesmo assim você não ligou.

– Callie... eu não...

– Não, quer saber? — Callie pergunta, levantando a mão para impedir a loira de falar. — Eu não quero nenhuma explicação, não mais. — Seu coração quebrava ao dizer aquelas palavras. — Eu... eu só queria que você não tivesse mentido porque você me fez gostar de você Arizona... como eu não tenho gostado de ninguém há um bom tempo. Mas eu sabia que era bom demais pra ser verdade... você aparecer aqui e me beijar e... se importar. Quais são as chances disso acontecer pra valer, não é? — Naquele ponto da conversa a voz de Callie já estava trêmula, ela estava se segurando para não chorar, mas não sabia por mais quanto tempo iria aguentar.

– Eu não menti. — Arizona sussurra. — Ela nunca me disse que você tinha ligado. Depois que saímos do Joe ela estava muito ruim pra ir pra casa sozinha e foi por isso que ela estava na minha casa, nada mais. Ela nunca me disse que você havia ligado e não havia nenhum registro de ligações. Se ela mexeu no meu celular, provavelmente deve ter apagado o histórico.

As duas se olharam por alguns momentos. Callie ainda queria sentir raiva de Arizona, ela queria gritar com ela por ter feito ela sentir todas aquelas coisas que ela mal sabia definir o que eram, mas ela não conseguia... quando ela olhava pra Arizona, havia alguma coisa naqueles azuis que a diziam que a mulher estava falando a verdade mesmo que seu cérebro gritasse com ela dizendo para não acreditar. Seu cérebro e coração estavam em conflito novamente.

– Por quê não ligou de novo? — Arizona perguntou com uma voz calma.

– Eu... eu fiquei com raiva. — Callie confessa, com a cabeça baixa. — Eu pensei que...

– Que eu tinha dormido com a Colleen? — Arizona pergunta assustada. — Callie, não! Claro que não... as coisas entre eu e ela... jamais aconteceria de novo, nunca!

– É só que... eu não sei, tá legal? Eu fiquei com ciúmes. — Ela confessa, se afastando da mulher. — E o que você queria que eu pensasse? Era o que a situação dava a entender.

– Callie... — Arizona diz, se aproximando da mulher. — eu jamais faria isso com você.

– Mas eu não sou nada sua, eu não tinha nem o direito de ficar com raiva, ciúmes ou seja lá o que for, porque eu... eu não sou nada sua.

– Mas mesmo assim você ficou. — Ela diz, levando sua mão ao queixo da mulher e o levantando, fazendo com que Callie a olhasse nos olhos. — Eu também ficaria com ciúmes.

– Ficaria? — Callie pergunta com um tom meio infantil.

– Ficaria. — Arizona responde com um sorriso. — Olha, eu entendo que você tenha ficado com raiva, o que me fez ficar com raiva também, mas será que... será que dá pra gente deixar isso pra trás? Digo... eu gosto de você, Callie. De verdade. Eu quero continuar a ter o que a gente tem.

– Eu não sei se consigo. — Callie diz, e o olhar esperançoso de Arizona logo é substituído por um de tristeza. — Eu não sei se eu consigo continuar sendo apenas sua amiga.

Arizona a estudou por uns segundos e quando as palavras de Callie foram registradas, um sorriso se abriu em seu rosto. — Você não precisa.

E antes que qualquer uma das duas pudesse dizer mais alguma coisa, as mãos de Callie seguiram para trás do pescoço de Arizona a puxando para mais perto fazendo com que seus corpos agora ficassem colados um no outro, com sua mão livre ela acariciava a cintura da mulher, enquanto Arizona havia envolvido seus braços em volta do pescoço de Callie, se levantando um pouco na ponta dos pés e colando seus lábios aos da latina.

Segundos se passavam e as duas continuavam na mesma posição, não era um beijo desastrado com aquele que haviam compartilhado há semanas atrás, este era lento, carinhoso e havia sido muito esperado. Arizona pede passagem com sua língua o quê Callie prontamente dá, e quando suas línguas quentes se encostam pela primeira vez é como se o ar naquela sala tivesse ido do mais frio inverno ao mais quente dos verões, e conforme a temperatura continuava a subir a intensidade de seu beijo aumentava proporcionalmente.

Arizona cambaleou para trás puxando Callie consigo, separando seus lábios apenas por alguns segundos para pegar um pouco de ar e se sentar na mesa. Callie ajustou seu corpo entre as penas da loira e suas mãos subiam e desciam freneticamente nas costas de Arizona, fazendo sua blusa levantar um pouco dando Callie a oportunidade perfeita para escorregar suas mãos para debaixo do tecido.

– Você não sabe quanto tempo eu esperei por isso. — Arizona diz desajeitadamente entre beijos, as mãos das latina em suas costas fazendo seu corpo todo se arrepiar.

– Eu também. — Foi a resposta de Callie antes de arrancar a blusa da loira em um único movimento rápido e certeiro.

Ela admirou a imagem a sua frente, seus olhos agora quase dez tons mais escuros, cheios de desejo. A dor entre suas pernas aumentava conforme a necessidade de qualquer tipo de contato se tornava cada vez maior.

– Vai ficar só olhando? — Arizona questionou e assim que as palavras escaparam sua boca Callie selou seus lábios mais uma vez.

Callie se inclinava cada vez mais para cima de Arizona, o corpo da mulher indo para trás e para frente conforme as duas brigavam por dominação, as mãos de Arizona rapidamente se dirigiram ao cadarço que amarrava a calça larga branca que Callie usava para trabalhar, desamarrando-o e deixando suas mãos atravessarem a barreira do tecido. O gemido que saiu da boca de Callie quando a mão de Arizona fez contato com sua pelo, próxima a seu centro que já estava em chamas, fez com que a loira gemesse também, mas antes que Arizona pudesse puxar a calcinha da morena para o lado e fazer contato direto com seu clitóris, um barulho retirou as duas de sua bolha.

– Meu telefone. — Callie diz, ainda tentando se afastar dos beijos de Arizona.

– Agora? — Ela diz com uma voz sexy, atacando o pescoço da latina que tentava retirar o aparelho do bolso de sua blusa de botões. — Diga pra Addison que está tudo bem e que ela pode ir embora.

– Não é a Addison. — Callie diz quando finalmente consegue sair dos braços de Arizona e ler a mensagem na tela de seu celular. Sua expressão muda completamente.

– Callie está tudo bem? — Arizona pergunta, empurrando Callie levemente com seus braços para poder olhar o rosto da mulher, enquanto descia da cama. — Você ficou pálida de repente.

– Eu... eu preciso ir.

– Agora? — Arizona pergunta um tanto desapontada.

– Agora. — Callie responde. — Mas prometo te compensar. Passe aqui amanhã perto da hora de fechar, prometo que farei uma sessão especial.

Um sorriso aparece no rosto de Arizona ao ouvir as palavras de Callie. — Tudo bem. — Ela responde, novamente vestindo sua blusa. — Tem certeza de que está tudo bem?

– Tenho sim, mas precisamos ir agora, Addison já foi embora. Ela mandou uma mensagem há dez minutos atrás, mas não ouvimos o toque.

– Estávamos meio ocupadas. — Arizona brinca.

– Sim, estávamos. — Callie ri. — Mas agora precisamos ir, vamos. Vou fechar a loja.

Depois de trocar de roupa Callie e Arizona saíram juntas do local, seus braços interlaçados, quando tiveram de ir em caminhos separados Callie deu um selinho rápido em Arizona e disse que iria espera-la no dia seguinte.

Quando Arizona havia se afastado Callie pegou seu telefone em sua bolsa e releu a mensagem que havia recebido há alguns minutos atrás.

Você precisa vir pra cá agora. — April.

Mas que droga! Ela pensa antes de ir correndo em direção a seu carro.

Notas finais
A maior das ironias é que enquanto este não é meu capítulo preferido, ele é o maior que postei até agora. Peço desculpas por qualquer erro e como sempre, críticas são bem vindas. Esqueci de avisar no capítulo passado e não quis avisar nas notas iniciais para não dar spoiler, mas como podem perceber a classificação da fanfic precisa ser mudada, portanto a partir de hoje, em vez de 16 anos, a classificação passará a ser 18. (Sei que a gente não liga muito pra isso, mas avisando só em caso usem filtros e por causa do controle parental.) Até o próximo capítulo!