Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo, espero que gostem! (Como sempre, peço desculpas por todo e qualquer tipo de erros de português e digitação)

Desde que Callie havia deixado o hospital há duas semanas atrás ela não conseguia parar de pensar na cara de preocupação de Arizona quando viu seu estado. A loira havia cuidado de seu ferimento com todo cuidado do mundo, Callie havia insistido que não era necessário, que um interno poderia fazer aquilo, mas Arizona fez questão de que ela mesma cuidaria de Callie e usando Addison como desculpa ela disse que não poderia deixar que um interno a tocasse ou Addison a mataria.

Durante estas duas semanas o acordo que elas haviam feito estava correndo bem, elas se viam com mais frequência, geralmente na hora do almoço de Callie, as vezes ela passava no hospital para levar um café ou então quando Arizona tinha um tempo livre ela ia até o spa visitar Callie e também Addison que, surpreendentemente, também se tornara uma ótima amiga.

O dia mais estranho, no qual as duas se sentiram desconfortáveis, foi quando Arizona precisou de uma sessão depois que um de seus pacientes não havia sobrevivido a cirurgia, Callie a atendeu e mais uma vez foi difícil fazer aquilo, porém dessa vez havia algo diferente, ela se sentia na vontade de abraçar Arizona e a consolar pela perda, mas como Callie bem sabia, este não fora o primeiro e nem seria o último paciente que Arizona perderia e se ela fizesse isso todas as vezes, essa coisa de apenas amizade iria pro espaço. Já estava sendo difícil manter o acordo, com Arizona sensível e se abrindo com ela, a situação se tornava mais difícil ainda.

– Arizona? — Addison pergunta quando vê Callie digitando freneticamente em seu celular.

– É. — A mulher responde com um sorriso. — Ela está me contando sobre a cirurgia que ela fez hoje, fico feliz em saber que ela está bem melhor. Perder um paciente é sempre muito difícil.

– É, lembro que Derek costumava chegar arrasado em casa. Ele me disse que na escola de medicina eles aconselham a não se apegar aos pacientes, mas em algumas situações é bem difícil isso não acontecer.

– É verdade. — Callie concorda, sem tirar os olhos do celular.

– O que ela vai fazer hoje?

– Não sei, acho que ela deve ir pra casa descansar, estava de plantão desde ontem.

– Ah sim... — Addison responde. — Como vocês estão?

– Como assim? — Callie pergunta, finalmente tirando os olhos do telefone e olhando pra Addison.

– Ah, você sabe o que eu quero dizer. Vocês não... se entregaram de novo?

– Addison, claro que não! — Callie responde, seu tom de voz indicando que ela bem que gostaria que tal fato tivesse acontecido. — Nós temos um acordo e pretendemos mantê-lo. Se eu acho Arizona atraente e está sendo difícil resistir? Claro que sim. Mas não estou disposta a fazer mais uma besteira na minha vida.

– O que te faz pensar assim? E se der certo e ela for sua alma gêmea?

– Eu não acredito nessas coisas e você sabe disso. — Ela diz com um tom sério, apontando para sua amiga. — E pode parando por aí, tudo bem? Não quero falar sobre isso. Somos amigas e ponto final.

– Tudo bem, me desculpe, não precisa ficar chateada. — Addison diz levantando as mãos em rendição. — Tudo certo pra hoje à noite? — Ela pergunta, mudando de assunto.

– Claro, tudo certo. Joe's às 20h.

– Por que você não chama Arizona pra ir com a gente?

– Não sei se é uma boa ideia. — Callie diz com uma voz baixa.

– Por que não? Vocês são amigas e amigos saem juntos para se divertir.

Callie processa as palavras de Addison por alguns momentos, ela sabia que existia uma segunda intenção naquelas palavras, mas ela não poderia deixar de pensar sobre o assunto. Haviam dois dias que ela não via Arizona, pois a loira estava de plantão e seria legal se elas saíssem pra beber e conversar um pouco.

– Tudo bem, na hora do almoço eu passo no hospital e vejo se ela quer ir.

As horas passaram rápido depois daquela breve conversa com Addison. Callie havia atendido todos os seus clientes da parte da manhã e estava pronta para ir almoçar.

– Você vai falar com ela? — Pergunta Addison da recepção.

– Vou. — Callie responde simplesmente e sai em direção ao hospital.

Durante o caminho Callie não podia deixar de pensar em como o destino era engraçado, se Arizona tivesse aparecido em sua vida uns três ou quatro anos atrás ela não pensaria duas vezes antes de se jogar nesta aventura que chamam de relacionamento, mesmo que não fosse nada sério. Mas depois do que havia acontecido Callie não podia se deixar entregar, ela tinha que pensar muito antes de tomar qualquer decisão que pudesse interferir em seu futuro.

Ela sempre fora uma pessoa muito aberta, se deixava apaixonar rápido e na maioria das vezes acabava se machucando. Quando Arizona pareceu pela primeira vez no spa Callie sentiu algo diferente, uma vontade que não sentia há anos desde sua última experiência desastrosa, mas ao mesmo tempo que aquela vontade surgia seu coração e seu cérebro entravam em colapso, pois ambos processavam a mesma coisa ao mesmo tempo, porém com pontos de vista diferentes. Ela sentia seu coração dizendo que já estava na hora de ela começar a viver, em pensar que ela não poderia ficar sozinha para sempre, que precisa se colocar por aí em busca de uma aventura, mas seu cérebro gritava para que não fizesse tal estupidez e vivia repetindo seu último relacionamento como exemplo repetidas vezes, ela já estava ficando cansada de lembrar disso. Nos momentos em que Callie considerava seguir seu coração outra dúvida surgia em sua cabeça: como isto aconteceu tão rápido? Ela acabara de ver Arizona pela primeira vez e uma faísca já acendeu dentro dela... será que realmente existe essa coisa de alma gêmea e Arizona era a dela? Será que Addison estava certa?

Para de besteira, Calliope Torres. Ela repetia, logo colocando tal pensamento atrás de sua cabeça, enterrado juntamente com tantos outros que ela evitava processar.

Ao entrar no hospital o cheiro familiar de éter invade seu olfato, nas últimas semanas Callie acabou conhecendo cada canto do hospital, pois Arizona e Teddy, quem Callie havia conhecido alguns dias depois do ocorrido quando veio retirar os pontos de sua testa, faziam questão de fazer um tour com a mulher pelo lugar, mostrando a vida delas e a correria de cada dia. O coração de Callie disparava a cada novo andar que elas percorriam, mas ele nunca bateu tão rápido quanto havia acontecido quando elas finalmente chegaram ao andar da ortopedia.

Ah se fosse possível voltar no tempo...

– Callie, hey! — Teddy diz quando encontra com a latina no lobby do hospital.

– Teddy, Oi! — Ela diz animadamente abraçando a loira. — Como você está? Arizona me disse que você ficou na SO por quase dez horas ontem.

– Eu não sei como estou, parei de sentir quando alcançamos a quinta hora e não estávamos nem na metade da cirurgia. — A mulher diz, cansaço estampado em sua voz. — Mal posso esperar para chegar em casa, tomar um banho quente e me jogar na cama.

– Imagino como deve estar cansada, mas espero que tenha corrido tudo bem.

– No final deu tudo certo e conseguimos salvar o Sr. Miles. Seria um grande furo no meu ego se eu perdesse um paciente depois de dez horas de cirurgia. — A mulher diz com uma risada fraca. — E você, está tudo bem? O que veio fazer aqui? — Um pouco de preocupação pôde ser percebido no tom da mulher.

– Não, eu estou bem, obrigada. — Callie responde e o alívio na expressão de Teddy é imediato. — Vim ver a Arizona, perguntar se ela não quer sair comigo e com a Addison hoje à noite para beber. Pensei em chamar você também, mas do jeito que está sua cara você precisa de cama e não de álcool. — Callie brinca.

– Acho que eu preciso dos dois. — Teddy diz rindo. — Mas hoje eu vou passar, quem sabe uma próxima vez? — Ela dá uma piscadela. — Última vez que vi Arizona ela estava indo almoçar, se você correr é capaz de ainda encontra-la no refeitório.

– Obrigada, Teddy. — Callie agradece, começando a andar em direção ao elevador. — Bom descanso!

A mulher responde um obrigada com um fraco sorriso.

Já sabendo o caminho de cabeça, quando as portas do elevador se abrem Callie sai em direção ao refeitório. Pelo caminho ela não podia deixar de perceber a quantidade de rostos diferentes rondando por ali, eles vestiam o uniforme azul claro que deixava claro a posição deles na hierarquia do hospital. Internos. Era aquela época do ano em que tudo no hospital era uma loucura por causa da nova leva de internos idiotas, que viviam competindo por cirurgia, chegava.

Ela lembrava de como Derek e Mark costumavam fazer apostas por causa dos novos internos. Quanto tempo durariam, quem seria o mais promissor, aquele que ia desistir no meio do caminho, quem seria o primeiro a fazer uma cirurgia, quem seria o primeiro a perder um paciente e, a mais importante de todas, com qual interna Mark dormiria primeiro. Aqueles eram bons tempos que não voltavam mais.

Ao chegar na altura do refeitório Callie avistou de longe a loira que ela procurava almoçando em uma mesa com uma mulher morena que estava rindo demais para o gosto de Callie. A mulher estava sentada de frente pra Arizona, que tinha suas costas viradas para entrada do refeitório assim não podendo ver Callie. Ela era uma morena alta, magra com longos cabelos castanhos que combinavam perfeitamente com a cor de seus olhos, os quais, naquele momento, pareciam estar com um tom diferente, uma expressão que Callie conhecia muito bem, era a mesma expressão que Mark usava quando partia para o ataque.

Conforme Callie se aproximava da mesa a risada da mulher diminuía e seu olhar se revezava entre Callie e Arizona, meio que sem saber o que fazer. Quando Callie finalmente chega até a mesa ela não pôde deixar de se sentir encantada pela risada que saia da boca da loira, provavelmente por causa de algo engraçado que a tal mulher havia falado.

– Será que eu posso rir também? — Callie brinca.

Ao ouvir a voz de Callie, Arizona rapidamente se vira na cadeira e o sorriso que estava estampado em seu rosto por causa de sua risada apenas aumenta.

– Calliope! — Ela diz se levantando e dando um abraço em Callie. — Faz uns dias que não te vejo, como você está? Seu olho está bem melhor e quase não dá pra perceber o corte.

– Eu estou muito bem, Dra. Robbins. — Callie implica com a mulher.

– Fico feliz em saber. — Ao ouvir alguém pigarreando atrás dela Arizona se vira e percebe que ainda tinha que apresentar sua amiga para Callie. — Ah, Calliope essa aqui é a Colleen, uma amiga minha que trabalha no departamento de ortopedia. — Ela introduz. — Colleen, essa daqui é a Callie uma outra amiga minha.

– Olá. — Colleen diz com um sorriso que Callie percebeu na hora ser falso. — Prazer em te conhecer, Arizona já havia me falado um pouco sobre você.

– Só boas coisas espero. — Callie diz com um sorriso, se virando para Arizona e lhe dando um olhar desafiador, mas ao mesmo tempo brincalhão.

– Claro que sim, Callie, falei pra ela sobre suas mãos mágicas.

Naquele momento a garganta de Callie seca quando sua mente automaticamente implica um segundo sentido nas palavras de Arizona.

– É... eu... eu... — Ela tenta dizer, um leve rosado aparecendo em suas bochechas.

– Não precisa ficar vermelha, é verdade. Você deveria tentar qualquer dia, Colleen, realmente ajuda a relaxar. — Arizona diz, finalmente se virando novamente para a outra morena. — Enfim, o que você veio fazer aqui em pleno sábado?

– É meu horário de almoço. — Callie diz. — Vim pra chamar você para ir ao Joe's hoje comigo e com a Addison, é sábado e a gente sempre sai pra beber. Encontrei com a Teddy no lobby e perguntei se ela queria ir, mas ela está muito cansada e deixou para uma próxima vez. — Callie explica. — Você não vai dizer não, vai?

– Não, claro que não vou dizer não. Eu topo! — Arizona diz com um largo sorriso. — Depois de uma boa massagem nada que ajude a relaxar melhor do que álcool.

– Amém! — Callie diz brincando.

– Por que você não vem com a gente, Collen? — Arizona pergunta para a mulher, não percebendo o olhar de desaprovação no rosto de Callie.

– Claro, por que não? — Collen diz com um sorriso maldoso de lado.

– Ótimo, que horas encontramos vocês lá? — Arizona pergunta.

– Às 20h. — Callie simplesmente diz.

– Ótimo, vejo você mais tarde então?

– Claro. — Callie responde. — Preciso ir agora, comer alguma coisa antes que minha hora de almoço acabe.

– Por que não se junta a nós? — Arizona pergunta.

– Não, não quero incomodar. — Ela responde. — Deixa pra próxima.

E aquelas foram as últimas palavras de Callie antes de dar um abraço rápido e um tanto desajeitado em Arizona, um tchauzinho para Colleen e sair.

0000

O dia havia passado em um piscar de olhos e neste momento Arizona já se encontrava em frente ao espelho de seu quarto, checando seu visual pela milésima vez.

Desde que Callie a convidou para sair hoje à noite Arizona não pôde parar de pensar na situação. Ela, Callie e álcool não seria a melhor mistura então antes que pudesse pensar duas vezes a loira acabou convidando Colleen para se juntar à elas. Ela sabia que Addison estaria lá, mas pelo pouco tempo que elas se conhecem ela sabia que Addison colocaria mais lenha na fogueira e passaria a noite inteira provocando as duas, sem Teddy sua única opção foi Collen e se ela pudesse ser sincera, no fundo ela sabia que aquela não havia sido uma escolha muito inteligente.

Quando Arizona começou a trabalhar no hospital Seattle Grace Colleen já era enfermeira ali há mais ou menos uns dois anos, as duas se aproximaram e acabaram se tornando algo que podemos chamar de amigas, as coisas mudaram quando a situação entre as duas começou a ficar um pouco mais tensa, tensão sexual é do que estamos falando aqui. Colleen não escondia mais suas tentativas de dar em cima de Arizona e em uma noite parecida com essa Arizona acabou se deixando levar e acabou dormindo com a mulher que, depois de alguns dias, confessou para Arizona que tinha sentimentos por ela, pegando a loira de surpresa. Aos pouco Arizona foi se afastando de Colleen, pois ela não estava procurando por nenhum tipo de compromisso, ela queria se divertir e nada mais, então para não machucar a mulher, Arizona se afastou. Elas continuavam a se falar, almoçavam juntas e até chegaram a sair uma noite juntas para beber, sendo que dessa vez Arizona fez questão de deixar bem claro que aquilo ali não passaria de uma noite de bebida entre amigas, o que a mulher pareceu aceitar bem.

Arizona não sabia se usar Colleen hoje a noite para não se deixar perder para Callie era uma boa ideia, mas foi a única coisa em que ela conseguiu pensar. Não havia dúvidas de que aqueles sentimentos estranhos e repentinos que Arizona havia sentido por Callie ainda estava ali, mas ela estava disposta em manter sua palavra e ser apenas amiga da latina, afinal, melhor ser apenas amiga do que ser nada.

Conforme Arizona tentava desamassar mais um pouco sua blusa ela escutou um "beep" vindo de sua bolsa sinalizando que ela havia recebido uma nova mensagem. Quando a loira alcançou sua bolsa e pegou seu telefone, ela não pôde conter o sorriso.

Já estamos todas aqui, cadê você? Resolveu me dar um bolo? :( — C

Jamais! Estou saindo de casa. Acabei dormindo mais do que devia e perdi a hora, mas em vinte minutos estarei aí.– A

E sem esperar por outra resposta, Arizona guarda seu telefone no bolso de sua calça jeans e sai em direção ao bar.

Vamos ver o que esta noite nos reserva.

Notas finais
Este foi um pouco mais curto, mas prometo compensar no próximo capítulo. Não esqueçam de comentar!