Destiny
12 Capítulo 12
Notas iniciais
FLASHBACK
– Ainda não acredito que você me convenceu a fazer isso.- Callie reclama enquanto joga sua última peça de roupa dentro de uma mala pequena.
– Ah, vamos lá, Torres! — Mark diz se aproximando dela, um sorriso estampado em seu rosto. — Vai ser divertido!
– Divertido pra quem? — Ela resmunga, fechando sua mala e indo em direção ao balcão da cozinha para pegar seu celular.
– Ei, o que você está fazendo? — Ele corre até ela e tira o celular de sua mão antes que ela pudesse desbloquear o aparelho. — Sem telefones por este fim de semana, lembra?
– Mark, como que eu vou ficar sem telefone? — Ela questiona, frustrada. — Eu sou uma cirurgiã, posso precisar voltar para alguma cirurgia!
– Eu já falei com você que está tudo resolvido com Richard, ele nos deu esse final de semana de folga sem que eu nem precisasse insistir muito. — Ele explica. — Acho que seu surto com aquele interno semana passada foi o suficiente para que ele compreendesse que você estava precisando de uns dias longe do trabalho.
– O que você queria que eu fizesse? Aquele garoto era um estúpido, não sei como sobreviveu a faculdade de medicina! — Ela diz irritada, se jogando no sofá.
– Eu também não sei como ele fez isso, mas ele fez. — Mark disse, se sentando no sofá ao lado de Callie, batendo a palma de suas mãos em seu colo, indicando para que ela colocasse suas pernas em cima. — Mas a ideia é não falar sobre trabalho esse fim de semana. É pra falar sobre a gente.
– Eww... — Ela disse olhando pra cara dele. — Do jeito que falou agora parece até que somos um casal.
– Fala sério, Torres... não é como se não tivesse experimentado o método Sloan antes. Digo... temos a prova viva disso. — Ele diz, colocando sua mão sob a barriga de Callie que já havia começado a crescer. — E não me lembro de você ter reclamado antes. — Ele diz levantando uma sobrancelha sugestivamente, e ela começa a rir. — Como foi a consulta ontem?
– Ah... aquela que você não apareceu? — Ela pergunta com sarcasmo, se levantando do sofá e indo em direção a sua bolsa, da onde retira uns envelopes.
– Torres, já te pedi desculpa por isso... você não acha que eu ia preferir estar lá com você, ouvindo o coração dos meus bebês, do que preso em uma cirurgia? — Ele indaga.
– Eu sei, seu sei... — Ela diz rindo e se sentando ao lado dele. — Aqui... abre. — Ela diz entregando o envelope com os exames nas mãos dele.
– Está tudo bem? — Ele pergunta quando o tom de Callie muda de um brincalhão para um tom um pouco mais sério.
– Abra! — Ela encoraja. — Não é nada ruim.
Após a olhar por mais alguns segundos, Mark abre o envelope e começa a ler os exames. De acordo com o pouco que ele entendia daquela área, ele pode perceber que estava tudo bem, mas foi quando seus olhos se voltaram para o canto inferior esquerdo do papel, onde havia alguma coisa escrito em letras bem pequenas, que seu coração disparou. Aquilo nunca havia aparecido em nenhum dos exames...
– Torres... — Ele diz, levantando sua cabeça para olhar a mulher nos olhos.
– Leia! — Ela diz apontando para o papel.
Sem esperar mais nenhum segundo, os olhos de Mark mais uma vez caíram sob aquelas letras pequenas que depois de alguns segundos e de aproximar mais um pouco o papel dos olhos, formaram uma frase.
"São duas lindas menininhas."
Naquele momento Mark não pôde se conter e deu um pulo do sofá, com o papel ainda em mãos, ele lia e relia a frase diversas vezes para ter certeza de que não havia entendido errado. Meninas. Eles estavam esperando duas meninas... era um sonho se tornando realidade.
Desde quando Callie descobriu que estava grávida, Mark assumiu suas responsabilidades como pai. Ele sempre quisera ter uma esposa, filhos e construir uma família, aquilo que eles tinham agora era um pouco distante de seus planos, já que um bebê fora do casamento não era bem o que ele queria, mas descobrir que Callie estava esperando um filho seu não poderia deixá-lo mais feliz. Ele já considerava a morena sua família, moravam no mesmo prédio, trabalhavam no mesmo hospital, tinham amigos em comum... Callie era quase como uma esposa, tirando a oficialização, é claro.
Quando Mark começou a namorar Lexie Grey, os dois pararam com suas bebedeiras que geralmente terminava com os dois nus em uma cama. No começo, para Lexie, havia sido difícil aceitar o fato de que Callie sempre estaria por perto, era quase impossível se passar um dia no qual a mais nova das Greys não sentia ciúmes da latina, ela só se convenceu que os dois não eram mais do que amigos quando Callie começou a namorar a chefe da cardiologia, Erica Hanh.
Com Lexie, Mark finalmente havia sentido que tinha encontrado o grande amor de sua vida, nunca havia gostado de alguém com tanta intensidade. Callie sempre brincava com ele dizendo que agora ele havia se tornado um daqueles caras que descobrem seu lado sensível quando encontram alguém que amam de verdade. Essa brincadeira o irritava as vezes, mas ele nunca negou. Quando seu relacionamento com Lexie terminou, Mark ficou arrasado, eles haviam conversado sobre o futuro, o casamento, uma casa grande e cachorros... mas quando o assunto se direcionou para filhos, os dois tinham ideias totalmente diferentes, o que os levou a brigas, desentendimentos e, eventualmente, ao término de seu relacionamento.
– Mark, você precisa dizer alguma coisa! — Callie disse preocupada, a expressão de Mark havia ido de feliz para pensativo em um milésimo de segundo. — Está tudo bem? — Ela se levanta, se colocando ao lado de seu amigo e colocando sua mão esquerda sob o ombro do rapaz.
Ele apenas se virou e a olhou nos olhos, os olhos claros de Mark expressavam tanta coisa ao mesmo tempo que Callie havia ficado confusa, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa ele a puxou para um forte abraço e começou a chorar novamente.
– Obrigado, Torres. — Ele disse repetidas vezes, e ele não precisava dizer o porquê de estar agradecendo, pois Callie o conhecia tão bem ao ponto de entendê-lo apenas através de entrelinhas.
Largando dos braços de Callie, Mark se abaixou na frente da Latina e levou sua mão à barriga da mulher, começando a acariciá-la. — Olá, meninas... eu sou o seu pai. — Ele disse com a voz embargada, fazendo com que Callie se emocionasse com o momento também.
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Uma hora depois os dois já estavam na rodovia que os levaria para fora da cidade. Observando a vegetação que ficava para trás conforme eles avançavam na estrada com muita atenção, Callie não ouviu o que seu amigo havia acabado de dizer e só foi acordada de seus pensamentos quando o homem pigarreou.
– Como? — Ela pergunta, finalmente parando de olhar pela janela e se virando para seu amigo.
– Você está bem? — Ele pergunta preocupado.
– Estou um pouco enjoada. — Ela responde, se ajeitando de maneira mais confortável no banco do carro e colocando uma mão sob sua barriga. — As meninas estão um pouco agitadas hoje. — Ela diz sorrindo e de volta, recebe um sorriso maior ainda.
– Elas estão animadas com a viagem, nosso primeiro fim de semana fora em família. — Ele ri.
– Essa animação toda está embrulhando meu estômago. — Ela diz, fazendo uma cara enjoada. — A mamãe aqui realmente agradeceria se vocês descansassem um pouco. — Ela fala com sua barriga, arrancando uma risada de Mark. — O que foi? Não é como se você não falasse com elas o tempo inteiro. — Callie dá um tapa no ombro dele.
– Ei, ei, sem necessidade de se tornar agressiva. — Ele brinca. — É só que... na universidade eu jamais teria imaginado que nós estaríamos aqui hoje, não da forma que estamos. — Ele confessa. — Pensei que fossemos nos afastar depois que você decidiu se especializar em carpintaria.
– Ei! — Ela repreende, dando outro tapa no ombro dele. — Você sabe muito bem que detesto quando se referem a ortopedia assim... o que eu faço é bem mais importante do que dar peitos maiores a uma mulher.
– Plástica não é só implante de silicone, tá legal? — Ele diz de volta, fingindo estar ofendido.
Os dois riem um do outro, era como se nada houvesse mudado desde a faculdade.
– Eu estive pensando... — Ele começa, apreensivo com o que Callie pudesse achar sobre o que ele ia propor. — Já que estamos esperando duas meninas eu... o que acha do nome Elena? — Ele pergunta.
– Já pensando sobre os nomes? — Ela brinca.
– Você não?! — Ele se assusta, desviando os olhos da estrada por um segundo.
– Olhos na estrada, rapaz! — Ela chama a atenção dele. — E sim... penso em nomes desde o dia que descobri que estava grávida. — Ela confessa, um grande sorriso aparecendo em seu rosto.
– E então... o que acha do nome Elena?
– Elena? — Ela experimenta o nome o nome em sua boca. — É um nome bonito... da onde tirou ele? Significa algo pra você?
– Na verdade é mais uma homenagem que eu queria fazer... — Ele começa a explicar, seu rosto corando um pouco. — Quando meus pais morreram a mãe de Derek me criou praticamente como seu filho, aquela mulher me ajudou nos momentos mais difíceis da minha vida e se não fosse por ela não sei onde eu estaria hoje... ela é como minha segunda mãe.
– Claro, como não fiz a conexão com a famosa Elena Shepherd? — Callie diz sorrindo.
– Mas... se você tiver outro nome em mente, não tem problema, eu só pensei que... — Ele diz rapidamente conforme o nervosismo tomava conta de si.
– Ei, está tudo bem. — Ela diz, colocando uma mão sob a perna do rapaz para acalmá-lo. — Elena é um nome muito bonito e é uma linda homenagem. — Ela afirma.
– Sério? — Ele pergunta, nervosismo agora se dissipando e sendo substituído por felicidade. — Você não iria se importar?
– É claro que não, Mark! — Ela afirma. — E eu também havia pensado em homenagear uma pessoa... minha avó Sofia. — Ela confessa. — Ela é a única pessoa da minha família que se importa comigo e sempre foi alguém muito importante pra mim. — Callie diz com a voz um tanto embargada, emoção começando a se fazer presente conforme a morena lembrava de sua avó.
Quando a família de Callie descobriu que a morena estava em um relacionamento com uma mulher, foi como se o mundo tivesse acabado. E de certa forma acabou... pelo menos para Callie. Seus pais bloquearam sua poupança e não falavam mais com ela, sua irmã, Aria, não retornava suas ligações nem respondia seus e-mails, sua tia Georgina havia ligado para ela uma vez só para usar a bíblia contra ela e dizer como aquele "estilo de vida" era um pecado e que por causa daquilo ela iria queimar no inferno... foi uma época bem conturbada na vida de Callie, sua família a deixou de fora... exceto por uma pessoa.
A pessoa que ela pensava ser a mais conservadora fora aquela que mais a apoiou, sua avó Sofia Laura.
"Você não deve se importar com o que eles pensam, não deve mudar quem você é para agrada-los porque se assim fizer, jamais será feliz de verdade. Se esta moça te faz feliz e você se sente bem com ela, é com ela que deve ficar. Você é minha neta, parece que foi ontem que chorei quando segurei você nos braços pela primeira vez, Calliope... eu amo você e de maneira alguma te daria as costas por causa disso. E se não der certo... não se preocupe, eu sempre estarei aqui, não para dizer "eu bem que te avisei" como eles todos provavelmente fariam, mas sim para te segurar quando você cair. Eu espero que você seja muito feliz, pois se você estiver feliz... ah meu anjo... eu também estarei."
Foram as palavras de sua avó no meio de toda aquela situação, Callie jamais esqueceria aquelas palavras porque se não fosse por sua avó, Addison e Mark, ela não sabia o que teria acontecido.
– Torres, você está bem? — Ele pergunta se virando para ela ao ouvir a mulher soluçar.
– Sim, estou. — Ela responde com uma voz tremula, secando suas lágrimas com as costas de sua mão direita. — É só que eu estava lembrando da minha avó, ela sempre esteve lá por mim e... eu só queria que ela estivesse aqui hoje.
– Sra. Sofia ia ficar muito feliz em saber das duas meninas que estão a caminho.
– Nossa, se ficaria! — Callie diz rindo, sua avó sempre fora uma pessoa muito feliz e nem um pouco egoísta, era capaz de ela querer se mudar para Seattle pra ajudar Callie com as meninas. — Eu só queria que meus pais também pudessem ser assim... — Ela diz, sua voz falhando no final da frase e sendo substituída por um soluço.
– Ei, ei, Torres! — Ele diz apertando a mão dela que estava a seu alcance para chamar sua atenção. — Eles que estão perdendo, tudo bem? Eles que estão perdendo... — Ele repete.
Ele a olha nos olhos por uns segundos e ela apenas balança a cabeça em confirmação, dando um outro aperto na mão da mulher ele se vira para frente e antes que qualquer um deles pudessem piscar, suas vidas passaram diante de seus olhos quando um caminhão cargueiro que vinha na direção contrária entrou na contra mão vindo na direção deles e...
Frio. Era tudo o que Callie conseguia sentir ao acordar.
Ao abrir seus olhos, mesmo que devagar, a latina os fechou rapidamente por causa da claridade que invadia o quarto através da janela, os abrindo de novo lentamente. O barulho que havia acordado a morena continuava a ecoar persistente pelo apartamento, não era um barulho ruim... não era sequer um barulho, era um som... quase que uma música para os ouvidos de Callie.
Se levantando lentamente, calçando seu chinelo e enrolando seu roupão em volta de seu corpo para tentar amenizar um pouco o frio, Callie sai de seu quarto e vai em direção a sala.
– Mark!? — Ela chama, mas não obtém nenhuma resposta.
O som continuava e agora a cada segundo que passava o seu volume aumentava, era um som que enchia o coração de Callie de alegria, fazendo com que um sorriso se formasse em seu rosto.
Seguindo o som, que a levava até o outro quarto do apartamento, Callie franze a testa quando vê o quarto lilás vazio. Se apressando para olhar dentro dos dois berços brancos presentes no quarto, o coração da latina dispara em desespero ao perceber que ambos estavam vazio, e os sons, que eram as risadas de suas filhas acompanhadas pela risada mais grave Mark agora se transformaram em choro e em pedidos de ajuda do rapaz.
– Torres! — Ele gritava. — Torres, por favor, nos ajude!
Callie corria pela casa inteira, olhando em todos os cômodos, todos os lugares possíveis em que suas filhas e Mark poderiam estar. Sem os encontrar em canto algum, Callie novamente corre para o quarto das meninas na esperança de que daquela vez elas e Mark estivessem lá.
– Mark! — Ela berrava por seu amigo. — Onde vocês estão!?
– Aqui!! — Ele gritou em resposta e dessa vez o som parecia ter vindo da sala, pra onde Callie correu.
Quando suas pernas finalmente foram capazes de desacelerar os passos rápidos de Callie, havia sido tarde demais e a morena já estava no chão, tendo escorregado em um líquido que ali havia sido derramado. Enquanto se levanta devagar e esfregando a cabeça para tentar amenizar a dor causada pelo atrito da mesma com o chão, Callie dessa vez se deixa cair sob o sofá atrás dela ao perceber seu robe todo sujo de vermelho e chão coberto pelo líquido vermelho que cada vez mais parecia se espalhar e aumentar de volume, começando a inundar o local.
– Torres! — Mark deu um último grito e depois disso nada mais foi escutado.
A dor de cabeça não passara, muito pelo contrario, esta havia aumentado como se a cabeça de Callie fosse explodir a qualquer momento. Vagarosamente abrindo seus olhos para evitar que a luz intensa piorasse sua dor, o cenário que ela encontra quando sua vista se ajustou foi de pura catástrofe.
Seus olhos percorrem o local rapidamente, tendo absorver em apenas alguns segundos o que havia acabado de acontecer, havia sangue para todos os lados mas não como em seu sonho. Ao tentar se mexer um pouco uma pontada fortíssima é sentida em sua barriga e é quando ela tenta levar sua mão direita até lá para apertar um pouco na tentativa de aliviar a dor que ela finalmente toma dimensão do que havia acontecido.
Sua mão não se movia, ela tentava puxá-la mas ela não se movia e uma onda de dor tomava conta de seu corpo toda vez que ela tentava um movimento.
– Mark... — Ela sussurra. — Mark...
Nenhuma resposta é obtida e é então que ela olha pelo para brisa do carro e vê o corpo de seu amigo jogado contra ele, metade de seu corpo para dentro do carro e outra metade para fora.
– Mark! — Ela grita. — Mark por favor, fale comigo! — Ela continua a gritar, sua cabeça doendo a cada grito que saia de sua boca.
Ao tentar novamente puxar sua mão que estava presa com força, seu puxão fez com que a parte já danificada da lataria por conta da batida, prendesse sua mão entre a porta e o banco ainda mais, fazendo com que essa estalasse e a Latina pudesse sentir cada dedo de sua mão quebrar ao mesmo tempo.
Ela soltou um grito alto e doloroso, as lágrimas já escorriam por seu rosto, a dor em sua barriga cada vez aumentava mais, sua cabeça parecia que havia alguém dentro dela a martelando com força e Mark... ele continuava imóvel.
Do lado de fora ela conseguia escutar a agitação de umas pessoas, todas falando ao mesmo tempo dificultando para Latina entender o que estava acontecendo a sua volta. Não demorou muito para que uma sirene pudesse ser escutada ao longe significando que o socorro já estava chegando... mas Callie nunca o viu chegar pois sua visão ficara mais uma vez preta, a mergulhando na escuridão do desespero.
FIM DO FLASHBACK
– Eu sinto muito, Callie. — Arizona diz uma vez que Callie termina de lhe contar a história, apertando mais seu braço em volta da latina que agora soluçava.
– Nós estávamos tão felizes, era pra ter sido um fim de semana divertido, mas eu acabei perdendo meu melhor amigo e minha filha no mesmo dia... por que o universo é tão bagunçado assim? — Ele soluça no ombro de Arizona, o coração da loira apertando ao ouvir toda a dor da latina.
– Eu não sei... eu queria saber e te dar uma resposta, mas infelizmente eu não sei... — Ela sussurra nos cabelos negros de Callie.
– Eu jamais vou esquecer a sensação de acordar e sentir um vazio dentro de mim... — Ela diz. — Foi uma cesárea de emergência, eu não queria fazer... disse isso em um momento que estava consciente no hospital... elas ainda eram muito pequenas para nascer, sabe? Mas infelizmente não teve outro jeito e quando eu acordei e descobri que uma das minhas meninas não tinha sobrevivido... foi como se meu mundo houvesse acabado. Eu sabia que eu ainda tinha uma delas, mas...
– Eu entendo, você não precisa falar mais nada.
– Mark ficou em coma por um mês... lembro do desespero da pequena Grey chegando no hospital e o vendo naquele estado, ela pediu perdão a ele mais vezes do que eu pude contar, ela ficou ao lado dele todos os dias segurando sua mão... ela me visitava de vez em quando também, visitava Sofia... mas passava mais tempo no quarto dele. — Ela continua a falar sobre seu melhor amigo. — Ele chegou a mostrar uns sinais de melhora mas fora apenas isso... ele nunca acordava e no final do 30º dia eu tive de autorizar que os médicos desligassem seus aparelhos... e mais uma vez eu perdia uma pessoa importante na minha vida.
– Eu sinto muito, Callie... — Arizona sussurra novamente, em situações delicadas como aquela não havia muito o que se falar.
– Eu também... o que me conforta as vezes é pensar que eles dois estão juntos, que ele está tomando conta de nossa filha e os dois estão olhando por mim e Sofia em algum lugar, sabe? — Ela diz com um sorriso fraco. — Sei que parece bobo, mas é o que me ajuda a respirar um pouco mais tranquila todos os dias.
– Não é bobo, longe disso. — Arizona sorri.
– Sofia Elena... — Callie diz lentamente. — Eu não podia deixar de fazer isso por ele, sabia o quão importante era essa homenagem e não pude deixar de fazer.
– É um lindo nome. — Arizona diz sorrindo.
– Também acho. — Callie balança a cabeça.
– Sua mão? — Arizona pergunta, lembrando-se deste detalhe. — É por isso que não opera mais?
– Sim... os danos nos nervos foram muito severos e eu não conseguiria mais recuperar 100% de função... tentei umas cirurgias, mas nada adiantou então... eu deixei pra lá e fui trabalhar em outros ramos. Cirurgias não são mais para mim. — Ela diz com uma voz triste.
– Aposto que você está errada. Nunca pensou em tentar de novo?
– E ficar despontada pela milésima vez? — Ela pergunta. — Não, muito obrigada. Eu estou feliz assim, estou trabalhando e sou capaz de sustentar minha filha, garantir a ela uma boa educação e... é isso que importa pra mim.
Arizona apenas balança a cabeça, tentando não forçar o assunto, afinal não era hora para isso... e também não era da conta dela.
Percebendo que haviam ficado naquela posição por muito tempo, embora fosse confortável elas resolveram se afastar e ficar apenas uma do lado da outra, olhando para frente, assistindo o pavio das velas queimarem lentamente.
– Seu paciente? — Callie pergunta depois de um tempo.
– Wallace... — Arizona pigarreia para limpar a garganta. — Ele sofria da síndrome do intestino curto, consegui dá-lo mais anos de vida do que esperávamos mas... há dois meses atrás ele morreu na minha mesa de cirurgia.
– Eu sinto muito... — Callie diz, apertando a mão de Arizona que estava a seu alcance.
– Eu também... — Ela repete as palavras da latina.
– Bem... — Callie diz se levantando. — Eu acho que eu vou subir... ver a Sofia; já tive tempo o suficiente pra tomar minha decisão.
Arizona se levanta e a olha nos olhos, Callie apenas balança a cabeça em afirmação.
– Prometo fazer meu melhor e ajudar Derek no possível. — Ela diz.
Callie respira fundo antes de responder: — Eu sei. Eu confio em você.
E tendo dito isto, as duas seguem para fora da pequena capela, Arizona se dirige até a creche do hospital para buscar a menina e Callie vai em direção ao quarto para receber sua filha quando ela chegasse.
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