Destiny

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Olá pessoal! Já que hoje tem um episódio especial de Grey's, por que não podemos ter um capítulo especial (extra) de Destiny? HAHA' Mais uma vez agradeço todos os comentários que tenho recebido, vocês são demais! Peço desculpas por qualquer erro, aquele velho bla bla bla... boa leitura!

Quando saiu do quarto de Sofia para dar os dez minutos de privacidade que Callie havia pedido, Arizona foi em direção a recepção das enfermeiras da pediatria, que ficava bem em frente ao quarto de Sofia, e de lá observava a cena que se passava dentro do quarto através da janela.

Callie já não estava mais sendo abraçada por Addison, a mulher havia se deitado ao lado de sua filha na cama, acordado a menina devagar para que pudesse falar com ela. O coração da loira se quebrou em mil pedaços quando Callie não aguentou e começou a chorar novamente em desespero, a menina, assustada ao ver a mãe daquela forma, envolveu rapidamente seus bracinhos em volta de seu pescoço e a apertou, fazendo com que Callie se ajeitasse melhor na cama e posicionasse a menina em seu colo, chorando enquanto a balançava para frente e para trás. Addison se encontrava de costas para as duas, mas Arizona podia perceber pela postura da mulher que ela também estava a se desabar em lágrimas.

– Robbins. — Alex diz se aproximando dela, a aparição repentina do homem a fez se assustar e dar um pequeno pulo para o lado, sendo retirada de seus pensamentos. — Desculpe, não quis te assustar. — Ele se defende, encostando no balcão ao lado de Arizona.

– Não, está tudo bem eu só... eu só estava pensando. — Ela diz com uma voz cansada, levando sua mão para esfregar seus olhos.

– Como elas estão?

– Bem... devastadas acho que seria a melhor palavra pra descrever.

– Imagino... — Ele responde, pensativo. — Eu não sabia que Torres tinha uma filha, não lembro de você ter mencionado.

– Eu também não sabia. — Ela sussurra. — Descobri há dois dias atrás.

Ele apenas olha para a mulher sem saber o que dizer.

– Enfim... — Arizona diz, olhando pela milésima vez para o relógio pendurado na parede. — Precisamos entrar lá e discutir o que vamos fazer.

– Você... acha que dá para operar?

– Eu sinceramente não sei...

E tendo dito isto, Arizona fechou seus olhos e respirou fundo, isto não seria nada fácil.

Ao escutar a porta do quarto abrir Callie colocou Sofia de volta na cama e se levantou, respirando fundo para se preparar para o que estava por vir. Em um segundo Addison estava do seu lado, segurando sua mão para lhe dar todo o apoio possível.

Enquanto Alex conversava com Sofia, Arizona explicava para as mulheres a delicadeza do caso. Aneurismas são complicados, se desenvolvem através dos anos e poucas vezes podem ser percebidos antes de se romperem, o caso de Sofia se tornava ainda mais delicado por se tratar de uma criança de cinco anos, o que não era comum já que estes são mais propícios as pessoas com mais de cinquenta anos.

– Então você está querendo me dizer que... não dá pra operar? — Callie pergunta com sua voz tremula, seu coração disparado em seu peito.

– Não, o que estou dizendo é que é complicado. — Arizona esclarece. — Não é muito comum aneurismas aparecerem em crianças e quando aparecem na maioria das vezes é porque este já atingiu grandes proporções e os vasos começam a estourar. No caso de Sofia nós ainda temos uma vantagem, como fizemos logo o exame e o diagnóstico foi rápido, o aneurisma não teve tempo de crescer tanto... mas já cresceu ao ponto de fazê-la começar a sentir os sintomas. — Arizona retira os scans de um envelope e os entrega nas mãos de Callie para que ela pudesse os analisar. — Como você pode ver ele se encontra em uma parte bem delicada do cérebro e caso você escolha fazer a cirurgia... vale deixar claro que esta pode deixar sequelas.

– Eu... eu não sei o que fazer. — Callie suspira.

– Eu posso chamar a Dra. Goméz pra te explicar melhor, Callie, neuro não é minha área de especialização, tenho certeza de que ela poderá te orientar e ajudar na hora de fazer uma decisão. — Arizona explica.

– Não. — Addison diz com um tom sério, secando suas lágrimas. — A gente precisa chamar o Derek.

– Addison... eu...

– Callie, não. — A ruiva a interrompe. — Derek é o melhor cirurgião neurologista do país, Sofia merece o melhor.

– Derek está em Nova Iorque, Addison. — Callie a lembra.

– Não seja por isso, ele vem até Seattle. — Addison insiste. — Ela é filha do Mark, Callie... melhor amigo dele, ele não vai se negar a fazer isso.

– Vocês dois não...

– Não é pra mim. — Addison a corta. — Pela minha afilhada eu faço qualquer coisa. — Callie respira fundo e apenas acena com a cabeça, concordando com a ideia da amiga. — Eu volto já. — E tendo dito isto a ruiva sai do quarto, retirando seu celular do bolso.

– Se... se eu optar pela cirurgia... você vai estar lá? — Callie pergunta apreensiva, se virando para Arizona.

– Se você quiser... — Callie apenas balança a cabeça afirmativamente. — Então sim, se assim você decidir eu vou estar lá.

– Obrigada... — Callie sussurra.

– Não acha melhor avisar ao pai dela? — Arizona pergunta.

– Ele... — Ela respira fundo antes de continuar. — Mark faleceu há cinco anos. — Seu coração se quebrou ao lembrar de seu melhor amigo.

– Eu sinto muito. — Arizona diz.

– Eu também.

Depois de um silencio um tanto constrangedor entre as duas, Alex que até agora estava brincando com Sofia se levanta e juntamente com Arizona sai do quarto para começar a trabalhar na melhor maneira de cuidar da menina, deixando mãe e filha a sós para aproveitarem um momento só delas.

– Mamãe... — Sofia chama, recebendo a atenção de Callie quem novamente se deita na cama ao lado da menina. — Quando a gente vai pra casa?

– Eu não sei, meu bem. — Callie diz, colocando um beijo leve e carinhoso no topo da cabeça da menina. — Mas eu espero que logo.

A menina apenas balança a cabeça e esconde seu rosto no peito de Callie, agarrando-se na blusa de sua mãe como se aquilo garantisse que ela nunca fosse sair dali, que continuaria ali abraçada com ela.

Quase nada havia mudado conforme as horas iam passando, Callie continuava no quarto de Sofia aninhando a menina enquanto Addison ficava sentada em uma cadeira no canto do quarto alternando sua atenção entre a revista que estava pajeando e um pouco de conversa fiada com Callie e Sofia.

Assim que Addison contara a Derek o que estava acontecendo, o homem não pensou duas vezes antes de dizer que estaria pegando o próximo voo para Seattle.

Derek e Mark sempre foram muito próximos, quando crianças foram criados como irmãos pela mãe de Derek o que contribuiu para que esse laço forte fosse feito entre os dois. Quando Callie descobriu que estava grávida e foi contar para Mark, para a infelicidade do homem, Derek estava presente, quando Callie finalmente revelou a notícia Mark soltou um grito tão alto e ao mesmo tempo tão agudo que Derek nunca mais parou de o perturbar, contando para todos sobre o grito de "mulherzinha" do maior pegador do hospital.

Callie sorriu ao lembrar daquele dia tão feliz, ela desejava poder voltar no tempo para reviver aquele momento e também para poder mudar algumas coisas que aconteceram, como por exemplo o acidente em que estiveram 8 semanas depois daquele dia tão feliz.

– Eu vou pegar um café. — Addison diz, se levantando e colocando a revista de volta em seu lugar. — Você quer alguma coisa?

– Não, obrigada. — A morena respondeu balançando a cabeça. — Eu estou bem.

– Callie, você não comeu nada o dia inteiro.

– Addison, eu estou bem. — Ela repetiu, agora com um tom impaciente.

– Tudo bem, então. — Addison sem questionar mais nada saiu e foi em direção a cafeteria.

Aquela fora a noite mais longa da vida de Callie. A mulher nunca tivera problema algum para dormir, mas naquela noite eram tantas coisas, tantas lembranças passando por sua cabeça que era quase impossível a chegada do sono. Depois de rolar para lá e para cá na desconfortável cama que haviam colocado para ela ao lado da cama de Sofia, finalmente a mulher deixou que o cansaço do dia de grande estresse tomasse conta de seu corpo e tendo por última imagem o rosto angelical de sua filha dormindo um sono tranquilo, ela se entregou ao sono.

No dia seguinte, Callie acordou com sussurros sendo trocados dentro do quarto da menina, abrindo seus olhos aos poucos ela percebeu a figura de três pessoas dentro do quarto conversando. Sua vista demorou um pouco para se ajustar a claridade, mas assim que isso não fora mais um problema, ela reconheceu as três formas como sendo as de Arizona, Alex e Derek.

– Ei Callie. — Derek diz amigavelmente. — Desculpe, não queríamos te acordar, mas eu precisava dar uma olhada nessa menina.

Olhando para o lado Callie percebeu que Sofia já estava acordada e segurava um livro de colorir, em cima de sua cama, lápis de cores estavam espalhados por todo canto.

– Bom dia, mamãe. — A menina diz com um sorriso que logo foi espelhado por Callie. — Viu, tio Derek, fiquei quietinha.

– Mas é claro que ficou, você é uma ótima menina! — Ele diz, afagando carinhosamente o cabelo da pequena.

– Vocês não me acordaram... está tudo bem. — Ela mentiu. — Onde está Addison?

– Bem... ela saiu assim que eu cheguei. — Derek explica e Callie logo compreende, Addison ainda o odiava por tê-la traído de tal forma.

– Agora acho que podemos começar? — Arizona pergunta, voltando o foco para o caso.

– Bem, eu vou deixar vocês a sós, Robbins agora está responsável pelo caso. Preciso tratar dos outros pacientes. — Alex explica e acenando a cabeça ele se retira do quarto.

– E então Derek, o que você acha? — Callie pergunta apreensiva, se levantando da cama e se sentando na cama de sua filha.

– Bem, o aneurisma se encontra em uma região bem delicada, mas não é impossível de operar se formos aos poucos. — Ele explica.

– Mas e quanto a sequelas?

– Quanto a isso Dr. Sheperd disse que há risco sim, mas as chances estão equilibradas. — Arizona responde, finalmente se dirigindo a outra mulher.

– Equilibradas? — Callie pergunta.

– Sim, há 50% de chances de haver sequelas... e 50% de chances de não haver sequela alguma.

Os dois doutores esperam uma resposta de Callie mas nada sai da boca da mulher. Ela estava confusa e sem saber o que fazer... ela precisava de tempo... mas também sabia que tempo era algo que eles não podiam perder.

– Por que você não faz o seguinte: vá para casa, tome um banho e pense no assunto. — Derek propõe. — Sei que você deve estar pensando que não podemos perder tempo, mas isto é algo delicado, você precisa pensar com calma. Umas duas horas não farão mal.

– Duas horas? — Callie pergunta.

– Callie... — Arizona diz com uma voz suave enquanto se aproxima da mulher. — Você não está bem, por mais que diga que está você não está e você precisa ficar bem pela sua filha. Vá para casa, tome um banho e pense.

Callie olha nos olhos de Arizona pela primeira vez desde aquele dia em que a loira apareceu em sua porta, aqueles azuis lhe passavam uma sensação de segurança que era difícil de explicar.

Ela olha de Arizona para Sofia e finalmente resolve: — Tudo bem... eu vou em casa e...

– Mamãe, você vai embora? — A menina estava perdida no assunto que estava acontecendo entre os adultos, mas a parte que sua mãe disse que ia embora ela entendeu e fez com que seu coração disparasse. — Você vai me deixar aqui?

– Não, claro que não. — Callie diz rapidamente para acalmar a menina. — A mamãe vai em casa, mas volta.

– Não, mamãe, não vai, por favor, não vai! — A menina começa a chorar e se agarra na blusa de Callie. O coração da mulher partia ao ver o desespero de sua filha e lágrimas já começavam a se formar em seus olhos.

– Sofia... — Arizona tenta chamar a atenção da menina. — Sofia olhe para mim. — Ela repete em um tom meigo. — Você não precisa ter medo, sua mãe vai em casa e volta rapidinho, você não vai nem perceber.

– Não, mamãe, fica por favor! — Ela continua a choramingar.

– E o que você acha de eu te levar para brincar com as outras crianças enquanto sua mãe não volta? — Arizona propõe. — Tem muitos amiguinhos legais na creche.

– Arizona, eu não trabalho aqui... — Callie diz. — A creche é para filhos de funcionários.

– Não se preocupe com isso, Callio... Callie. — Ela se corrige antes que o nome da mulher pudesse escapar de sua boca. — Não terá problema algum, a cuidadora da creche é minha amiga, aposto que ela não vai se importar de ter Sofia lá por algumas horinhas.

Callie estuda a proposta e depois de pensar um pouco decide que esta seria a melhor opção.

– Sofia, você poderia levar o Sr. Urso que a tia Addie te deu para mostrar para as outras crianças, acho que elas iam gostar de conhecer ele. — Callie tenta convencer a menina. — Lembra que a tia Addie disse que ele iria te proteger quando você tivesse medo? — A menina apenas balança a cabeça, ainda soluçando. — Então, você não precisa ter medo porque ele vai estar lá com você, é igual na escola, lembra? Você gosta de ir pra escola!

– Gosto... — A menina diz com uma voz fraca.

– E então, vai ser igualzinho... só que a mamãe quem vai te buscar em vez da tia April.

– Você? — Os olhos da menina brilham ao ouvir as palavras de sua mãe.

– Sim, eu. — Callie responde rindo, a apertando um pouco em seu abraço. — O que acha?

– Eu posso mesmo levar o Sr. Urso? — Ela pergunta para Arizona, quem assistia a cena de perto, encantada com o jeito que Callie falava com sua filha.

– Ah, mas é claro que sim! — Arizona diz sorrindo. — Ele pode até fazer amizade com uma ursinha muito bonita que eu conheço.

E finalmente concordando com a proposta, Sofia balança a cabeça sorrindo.

– Obrigada. — Callie diz apenas movendo os lábios, Arizona sorri de volta e sai em direção a creche para preparar as coisas para que pudessem receber Sofia.

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Uma hora mais tarde Arizona se encontrava sentada em um dos bancos que ficava do lado de fora do hospital observando o nada. Quanta coisa havia acontecido em tão pouco tempo... Callie tinha uma filha, a menina tinha um aneurisma e Arizona quem ia operar na menina.

Por mais que ela tenha ficado com raiva de Callie por não lhe contar sobre a menina assim que as duas começaram a se aproximar, quando ela olhava o relacionamento entre a menina e a mãe, a forma como Callie a abraçava e acariciava até que ela se acalmasse, como o sorriso dela se tornava mais bonito quando estava perto da menina, embora devido a situação atual ela não estivesse sorrindo muito, chegava a ser encantador como aquelas duas se completavam e como Sofia parecia tanto com a mãe, não só fisicamente, mas também em sua personalidade. Arizona havia passado pouco tempo com a menina, mas este pouco tempo havia sido suficiente para que ela percebesse que Sofia era, definitivamente, uma mini Callie.

Enquanto bebia seu café Arizona não conseguia parar de pensar em como faria aquilo, ser a médica responsável pelo caso sem se envolver pessoalmente. Quando Addison mencionou o acidente que Callie havia sofrido quando estava grávida de apenas 24 semanas, a loira sentiu seu coração apertar só de imaginar o sofrimento da latina. Um bebê de vinte quatro semanas é um bebê muito novo e definitivamente não preparado para vida fora do útero, Sofia ter sobrevivido provavelmente fora considerado um milagre.

A todo momento que Arizona pensava nessa história da qual ela sabia tão pouco, ela não podia deixar de pensar em como deve ter sido difícil para Callie passar por isso tudo sem um parceiro já que, mais cedo, a morena havia dito que o pai da menina havia falecido.

– Sua cabeça vai explodir, Arizona. — Teddy diz ao se sentar do lado da amiga, a loira dá um pulo se assustando com a presença repentina da amiga.

– Nossa, Teddy, você tem que parar com isso! — Ela diz, levando sua mão livre ao peito para acalmar seu disparado coração.

– Me desculpe, mas é você quem têm andado muito distraída.

– São muitas coisas na minha cabeça. — Ela confessa, soltando um suspiro.

– Escutei que você quem vai ser a responsável no caso... você tem certeza disso? — Teddy questiona.

– Ela me pediu...

– Então ela realmente optou pela cirurgia?

– Ainda não sei... ela foi pra casa tomar um banho e tentar pensar com mais calma nas coisas. — Arizona explica, se virando para sua amiga. — Acho que ela vai optar pela cirurgia, ela é... ou era, não sei, cirurgiã e sabe que em casos assim a cirurgia é a melhor opção. Acho que ela só precisou de um tempo pra respirar fundo e nos confirmar.

– Como vocês estão?

– Não estamos... com tudo que têm acontecido não tem nem como pensar em falar sobre a gente agora. — Ela diz, se virando para frente novamente e se permitindo perder-se novamente em seus pensamentos.

Alguns minutos de silêncio se passaram entre as duas, Arizona perdida em seus pensamentos e Teddy a observando. Seu coração estava apertado em ver sua amiga em uma situação tão delicada. Mas no fundo, Teddy sabia que Arizona era forte, afinal ela carrega o nome de um navio de guerra, não poderia ser o contrario... ela aguentaria este desafio e o encararia como ninguém.

Antes que qualquer outra palavra pudesse ser dita o pager de Teddy começou a gritar sinalizando que precisavam da mulher na emergência para um trauma que havia acabado de chegar.

– Me chame se precisar de qualquer coisa, tudo bem? — Ela pergunta, colocando sua mão sob o ombro direito de Arizona.

– Eu sei. — Arizona diz levando sua mão até a de sua amiga, a apertando levemente para garantir que ela assim faria se precisasse.

Ao terminar seu café Arizona decidiu que era hora de entrar, sua próxima cirurgia estava agendada para a próxima hora e ela precisava começar a se preparar.

Quando estava a caminho do elevador, Arizona viu uma cabeça de cabelos negros conhecidos indo em direção a capela do hospital. Curiosa e também preocupada, ela decidiu seguir a mulher e checar como ela estava antes de desaparecer por pelo menos quatro horas dentro de uma sala de cirurgia.

Se encontrando de frente para a porta com uma pequena janela de vidro que permitia que quem estava do lado de fora pudesse ver tudo que estava acontecendo dentro da pequena capela, Arizona resolveu observar por alguns instantes antes de entrar.

Callie se dirigiu até o pequeno altar e de seu bolso retirou uma caixa de fósforo, de onde retirou um palito e o riscou, levando-o até uma vela que logo se acendeu, repetindo a mesma coisa com mais duas velas. Quando Callie se virou para ir se sentar em um dos bancos, Arizona logo se escondeu na parte da porta que não tinha vidro. Como Callie se sentiria se ela entrasse lá? Será que a morena ficaria desconfortável?

Resolvendo se entregar a sorte, Arizona abriu a porta vagarosamente e com passos lentos se dirigiu até o banco onde a morena estava sentada. Callie estava de olhos fechados e sua boca se movia rapidamente como em uma oração.

Ao observar a cena, Arizona foi remetida a lembrança de um mês atrás quando ela havia ido até a capela acender uma vela para seu paciente e amigo Wallace, e foi quando remetida aquela lembrança que a cabeça de Arizona finalmente clicou fazendo com que ela se lembrasse que dia era hoje. Dois meses desde que o menino havia partido.

Decidindo não atrapalhar Callie em suas orações, Arizona se dirigiu até o altar e com a caixa de fósforo que Callie havia ali deixado ela acendeu uma quarta vela.

O barulho de alguém riscando um palito de fósforo fez com que Callie finalmente abrisse seus olhos, e logo depois de murmurar um "amém" ela levantou sua cabeça e viu quem estava ali.

– Arizona? — Ela pergunta confusa.

– Oi... — Arizona responde um tanto sem graça. — Me desculpe, eu não queria te atrapalhar.

– Tudo bem, eu já havia terminado.

– Pensei que ainda estivesse em casa. — Ela diz enquanto começa a andar em direção a latina, se sentando ao seu lado no banco frio de madeira.

– Ficar naquele lugar vazio estava me deixando pior. — Ela explica. — Apenas tomei um banho, comi alguma coisa e voltei para cá.

– Como você está? — Arizona pergunta com uma voz suave, preocupação presente em seu tom.

– Arizona... você não precisa fazer isso. — Callie diz, olhando nos olhos da outra mulher. — Eu sei que você provavelmente me odeia agora e...

– Eu não odeio você. — Arizona a interrompe. — Eu apenas... fiquei surpresa... e magoada. — Ela confessa. — Mas agora não é hora pra gente falar sobre isso. Como você está?

– Eu estou. — Callie disse simplesmente, mas sua voz já começava a ficar trêmula. — Apenas estou. Não sei o que sentir ou se consigo sentir... minha cabeça está confusa e eu não sei o que fazer. — Ela começa a chorar.

– Callie... — Arizona diz, seu coração se partindo ao ver o estado da mulher ao seu lado.

– Desde o acidente eu temia que algo assim fosse acontecer. — Ela desabafa. — Sofia ter sobrevivido foi um milagre, todos os médicos disseram isso, mas eu sempre tive medo de que ela pudesse ter alguma sequela no futuro e sempre fiquei atenta a isso. Cada tombo que Sofia levava meu coração disparava em desespero, cada vez que ela se queixava de qualquer dor, meu coração apertava com medo. — Ela seca uma de suas lágrimas com as costas de sua mão. — Teve um período em que ela caiu doente no qual toda noite eu sonhava com isso, que algo acontecia e que eu nunca mais poderia segurar minha joaninha nos braços.

Naquele ponto Callie não aguentava mais segurar suas lágrimas, elas escorriam livremente por seu rosto e seu corpo inteiro balançava com seus soluços.

– Eu não consigo nem imaginar pelo que você deve ter passado. — Arizona diz, levando sua mão até a da latina para passar algum tipo de conforto.

Callie apenas olha para suas mãos juntas e antes de levantar sua cabeça e olhar nos olhos azuis de Arizona, ela entrelaça seus dedos.

– As vezes eu me pergunto se teria sido mais fácil se Mark estivesse aqui. — Ela confessa.

– Mark é o pai de Sofia, não é? — Callie apenas balança sua cabeça. — Ele... ele era seu marido?

– Mark? Não! — Callie responde com uma risada um tanto triste. — Mark era meu amigo, a pessoa com quem eu podia contar em todas as horas. Ele sempre esteve lá por mim, assim como Addison. Nos conhecemos na faculdade, estudamos juntos até antes de começarmos o internato. — Arizona apenas escutava com toda atenção do mundo. — Nós dormimos juntos algumas vezes... mas depois que ele conheceu a Lexie e se apaixonou nós paramos é claro... e logo depois eu conheci a Erica. — Callie faz uma cara feia ao lembrar da mulher.

– Término ruim? — Arizona pergunta ao perceber a expressão da latina.

– Você não tem ideia. — Callie ri. — Mais ou menos um mês depois de ela me largar no estacionamento do hospital em que trabalhávamos, Lexie também terminou com Mark, pois os dois não conseguiam chegar a um acordo quanto a filhos. Ele queria, ela não queria... acabaram terminando por conta disso.

– Deve ter sido uma época difícil pra vocês.

– Você não tem ideia. — Callie repete. — Quando eles terminaram eu ainda estava mal pelo meu término com a Erica, havia me apegado demais, sempre me entrego aos meus relacionamentos e algumas vezes acabo quebrando a cara... que foi justamente o que aconteceu, então levou um tempo para que eu conseguisse me recuperar... e um dos métodos que encontrei para me distrair foi voltar a dormir com Mark... e foi aí que Sofia aconteceu.

Arizona tentava processar aquilo tudo de uma vez, eram muitos detalhes e sua cabeça estava a mil por hora.

– Ele ficou tão feliz quando contei para ele que estava grávida que aquilo me trouxe um certo alívio. Lembro que saímos para jantar e comemorar a boa notícia aquela noite, nos divertimos bastante... mas mal a gente sabia que 8 semanas depois o destino passaria a perna na gente.

– Mark... ele morreu no acidente? — Arizona pergunta com um pouco de receio, ela não sabia se tinha o direito de perguntar algo tão delicado.

– Sim... e aquele também foi o dia em que Sofia nasceu... — A voz de Callie começa a ficar trêmula de novo. — Ele nem chegou a conhecer a filha dele, a criança que ele tanto desejou...

– Eu sinto muito, Callie. — Arizona disse, resolvendo ultrapassar um pouco a barreira e envolver seu braço em volta do ombro de Callie, quem pareceu não se importar e encostou sua cabeça no ombro da loira.

As duas ficam em silêncio por um tempo, apenas aproveitando ao máximo o conforto que uma pode oferecer para outra.

– Você acendeu uma vela... — Callie observa depois de um tempo.

– Sim... Wallace. Ele foi meu paciente durante muitos anos, mas infelizmente faleceu há dois meses atrás no meio da cirurgia.

– Eu sinto muito. — Callie diz com uma voz suave, apertando a mão da loira em sinal de conforto.

– Eu também. — Arizona responde. — Você acendeu três. — Callie apenas balança a cabeça. — Para quem são?

– Uma é para o Mark, uma para Sofia e a outra é para Elena.

– Elena? — Arizona pergunta confusa.

Respirando fundo Callie se solta dos braços da loira para poder a olhar nos olhos. — Eu estava grávida de gêmeos... gêmeas... eram duas meninas, mas Elena não sobreviveu ao acidente.

O coração de Arizona apertou mais ainda ao ouvir as palavras da Latina.

– Callie... eu... eu não sei o que dizer.

– Tudo bem, eu mesma não sei o que dizer... não sei como consegui sobreviver... — Ela confessa. — Eu lembro de tudo como se tivesse sido ontem...

Notas finais
Sinto cheirinho de flashback... o que acharam deste capítulo? Vejo vocês no próximo, até!