Destiny
6 Capitulo - You'll keep Warm
Notas iniciais
O trajeto parecia não ter fim, Belle encostou a cabeça no vidro do carro e fechou os olhos, precisava reagir ou acabaria mergulhando de cabeça no abismo escuro.
– Já percebeu o quando o céu está azul? — perguntou ainda com os olhos fechados.
Kevin observou por um minuto o céu através de sua janela, estava perfeito e tranqüilo, ao virar-se para encará-la, se deparou com os olhos azuis da jovem fixados nele, mostrou um sorriso automático.
– Você tem fé, doutor Carter?
Ele engoliu seco deixando evidente que a havia perdido a tempos, apertou o volante tentando formular alguma resposta sensata.
– Talvez, não sei ao certo. — respondeu sem encará-la — Acho que isso é algo que os homens inventaram para nunca desistirem de seus planos.
– Não acredita em Deus?
Ele virou-se na direção da jovem que continha uma expressão serena no pálido rosto.
– Acho que não, mas.- balbuciou.
Belle endireitou sua cabeça e fixou seus olhos na rua deserta e cheia de entulhos. O silêncio pairou entre ambos, não faltava muito para chegar ao distante condomínio de luxo onde Kevin havia comprado a casa dos sonhos de Lana.
– Meu pai me dizia que quando perdemos a fé na vida — pausou enquanto impedia uma lágrima teimosa, logo prosseguiu — Começamos a morrer por dentro, agora sei o que isso significa.
Kevin franziu o cenho e voltou-se para ela, segurou a mão esquerda da jovem e apertou-a, fazendo-a encará-lo.
– Esta sentindo? — perguntou enquanto apertava a mão dela, Belle assentiu — É por que ainda está lutando, não deve desistir com ou sem a talvez fé. — soltou a mão da jovem e voltou sua atenção para a rua — A vida tem seus modos complicados de fazer as pessoas voltarem à superfície, precisamos cair para aprender a se levantar, a chorar para sorrir.
Belle sorriu.
– Tem um bom coração, doutor Carter.
Kevin por um instante sorriu, o que não fazia há tempos, fez uma pequena conversão para a direta que dava acesso ao imenso portão do condomínio.
– Por favor, apenas Kevin. — pediu.
A jovem concordou, assim que adentraram ao condomínio, pôde ver o quanto aquele lugar era lindo com casas enormes a perder de vista em variadas cores, alguns homens estavam retirando as árvores caídas, outros limpando as ruas. Não demorou muito para que ele estacionasse o carro.
– Chegamos. — anunciou.
Os olhos da jovem percorreram a bela fachada da casa, antes que pudesse terminar de observar o local, Kevin abriu a porta para ajudá-la a descer, retirou o cinto que a prendia no banco e com uma agilidade a enlaçou em um abraço para suspendê-la e colocá-la na cadeira de rodas.
– Tem bom gosto Doutor Car.... Quero dizer Kevin. — disse encarando-o.
Kevin retribuiu o gesto, empurrou a cadeira na direção da porta de entrada, retirou o molho de chaves do bolso de seu jaleco.
– Seja bem vinda — anunciou de forma gentil enquanto a encarava.
Belle mostrou um pequeno sorriso em forma de gratidão, mesmo estando em um lugar completamente estranho com um desconhecido, mas isso não lhe parecia perigoso, não naquele momento difícil. Estava tudo organizado, como se nunca ninguém tivesse morado ali, os quadros perfeitamente colocados nas paredes de texturas claras e homogêneas, mas não tinha retratos em nenhum canto da sala de estar, nem sobre a lareira que estava vazia deixando o ambiente triste.
– Vejo que não gosta de cores vivas — disse Belle enquanto terminava de observar o local.
Kevin não conteve uma risada, deixando-a encabulada, talvez não devesse ter dito aquilo, mas era tarde para voltar atrás.
– Na verdade foi minha ex-esposa que decorou esse lugar. — disse em um tom baixo enquanto observava a sala — Segundo o que ela dizia essa cor dá o toque de modernidade sutil.
– Desculpa, não quis ser intrometida. — disse de forma desconsertada.
Kevin se aproximou da jovem e ajoelhou a sua frente, tomou uma de suas mãos entre as suas.
– Não tem que se desculpar e de forma nenhuma está sendo intrometida, apenas sincera. É que nesses últimos meses andei viajando em convenções do hospital, e não tenho prazer em retornar para essa casa.
Era evidente nos olhos dele o quanto estava sofrendo, Belle retirou sua mão de entre as dele, mas segurou o rosto de Kevin erguendo-o.
– Lembra-se que temos que aprender a chorar para depois sorrir?
Ele assentiu desviando seu olho para um canto deveria modificar daquele lugar para tentar esquecer-se das tristes lembranças e recomeçar uma nova vida. Terminou de enxugar as lagrimas de seu rosto e levantou-se.
– Vou te levar até o quarto de hóspedes. — anunciou.
Belle agradeceu, estava sentindo-se cansada por causa do efeito das fortes anestesias que tinha recebido e os dias que permanecera no hospital, Kevin guiou-a para um dos quartos no andar térreo, pois devido a sua paralisia passageira não teria como subir os degraus da escadaria.
– Espero que fique a vontade, se precisar de algo é só chamar que tenho o sono leve. — disse parado na porta encarando-a — Aliás, irei pedir comida chinesa.
Belle assentiu.
– Obrigada, mas não estou com muita fome apenas necessito dormir um pouco. — anunciou.
–Tudo bem, mas se mudar de idéia estarei na sala de estar, tenha uma boa noite.
A jovem sorriu, assim que fechou a porta atrás de si, Belle observou o belo quarto que dava duas vezes o tamanho do seu, apertou o botão da cadeira e se aproximou da macia cama de lençóis brancos que estava bem feita, segurou a borda da cama dando o impulso para sentar-se sobre ela.
– Não se esqueça de rezar antes de dormir. — a voz de seu pai lhe veio à mente trazendo consigo as tristes lembranças, seus olhos se afundaram em lágrimas, mas as conteve, deveria ser forte mesmo que não conseguisse.
– Sinto sua falta. — murmurou enquanto encarava o teto branco — Mas serei forte, assim como me ensinou.
Deitou-se sobre os macios lençóis e permaneceu com os olhos fixados no teto, podia ouvir o passar dos ponteiros do pequeno relógio de cabeceira, aos poucos sentia suas pálpebras se pesarem não demorou muito para se entregar ao sono.
– Olha papai, veja o que encontrei no jardim — anunciava toda eufórica com a pequena joaninha sobre o dedo indicador
Tommy encarou-a com um olhar divertido.
– Minha pequena descobridora da natureza.
Ele a suspendeu e a girou como sempre fazia todos os domingos depois dos cultos, podia-se ver refletida nos olhos azuis escuros de seu pai que sorria, mas pôde notar que eles se modificavam, pareciam escurecer e aquela sensação de felicidade estava se transformando em uma angustia e desespero, as mãos dele pareciam duas barras de ferro presas em seus delicados braços.
– Pai! — berrou desesperada.
Não houve resposta as paredes começaram a escurecer e começaram a se desmoronar, mas continuava a girar, até por fim algo cair sobre ambos, mas o pesado corpo de seu pai lhe protegera.
– PAI — berrou desesperada enquanto tentava acordar.
Até por fim sentir as mãos de Kevin lhe puxar para a realidade, seus olhos estampavam o medo.
– Fique tranqüila foi um pesadelo, estou aqui não vou deixá-la. Ficarei aqui com você essa noite. — anunciou enquanto a envolvia em um longo e forte abraço.
Belle se entregou aos soluços desesperados do choro enquanto afundava seu rosto contra o peito de Kevin. Ele se ajeitou na cama abraçando-a de forma carinhosa, afagou os macios cabelos louros da jovem, não poderia deixá-la naquele momento doloroso.
"E um instante é muito pouco pra sonhar" – Oswaldo Montenegro
Fale com o autor