Destiny

4 Capitulo - Never Counting Regrets


Notas iniciais
...Às vezes eu só quero de alguém que me abrace e diga que tudo no fim ira ficar bem...

As horas custavam a passar, a jovem perdera as contas de quantas enfermeiras já a tinham visitado naquela manhã, sentia a solidão crescer dentro de si, permanecia com a cabeça encostada sobre o macio travesseiro que estava praticamente ensopado com suas lagrimas.

Perdia-se nas velhas e fatídicas lembranças, os churrascos de domingo depois do culto dominical, as risadas, as brigas.

Estava viva, mas em cacos, lembrava da velha musica que seu pai sempre cantarolava quando se sentia nervoso ou ansioso.

Sem perceber estava cantarolando tentando evitar as lágrimas que a puxavam para baixo deixando-a sem saída e em pânico.

– Bela musica, ainda me lembro de quando o coral cantava. — anunciou a velha enfermeira que segurava uma bandeja com medicamentos. Lourdes tinha um sorriso amigável nos lábios.

Belle se virou para ela e retribuiu o gesto, ela se aproximou da cama, depositou a bandeja sobre o pequeno criado mudo ao lado e segurou na mão delicada da jovem.

– Tudo tem que ser dessa forma não é? Estamos aqui para apreender a perder, mesmo que isso doa e carregue consigo um grande pedaço de nosso coração? — questionou.

Lourdes desviou seus olhos para um canto.

–Está aqui, era isso que seus pais desejariam apenas essa manhã já visitei alguns idosos que perderam seus filhos nessa tragédia. — anunciou com a voz tremula — A dor de um pai perder um filho é bem pior.

Belle mordeu o lábio inferior tentando não cair novamente no choro, limpou os olhos com as costas das mãos.

– Devo agradecer a Deus, por minha vida e a morte de meus pais? Ou talvez me passe por uma arrogante e continue a respirar? Não vê que perdi tudo, minha casa meus pais e agora estou completamente sozinha e sem moradia para voltar. — respondeu com uma pontada de ironia.

Antes que a enfermeira Lourdes pudesse responder, a voz de Kevin interrompeu seus pensamentos.

– Pode ficar na minha casa o tempo que for necessário — respondeu encostado no batente da porta.

A atenção de ambas se voltou para ele que continha uma expressão de cansaço evidente em seu rosto.

– Talvez seja um incômodo, doutor, posso abrigá-la em minha casa. — disse Lourdes.

Belle franziu o cenho, não esperava aquele gesto espontâneo do médico, pois ambos eram desconhecidos, de costumes bem diferentes e classes econômicas distantes.

– Posso não estar enxergando bem, mas posso responder por mim mesma. — disse surpreendendo a velha enfermeira que a encarava espantada — Agradeço por seu ato de gentileza, doutor Kevin, mas mal me conhece e seria muito estúpido de minha parte rejeitar sua oferta. — pausou enquanto recuperava seu ar — Aceitarei com muito bom gosto e uma eterna gratidão, pois falta menos de um ano para me mudar para Harvard.

Kevin assentiu.

– Pode ficar o tempo que desejar, minha casa está vazia e talvez uma companhia possa trazer um pouco de luz. — disse enquanto seus lábios se curvavam um pequeno sorriso. — Com sua recuperação rápida talvez possa ter alta no final da tarde de hoje.

Lourdes permaneceu entre ambos sem entender, Belle retribuiu o gesto com um sorriso franco, não demorou muito para que ele desaparecesse na direção do corredor, deixando-as a sós.

– Quem diria que em meio a tanto caos se pode encontrar um bom samaritano? Não podemos negar uma boa ação. — respondeu a jovem encostando sua cabeça sobre o travesseiro.

Lourdes permaneceu calada enquanto preparava o coquetel para injetar no soro, parecia séria e cansada.

– Bom vindo do doutor Carter posso ficar tranqüila, pois o conheço desde quando entrou. — anunciou enquanto ajeitava o soro para injetar o coquetel — Mas minha oferta ainda esta em pé, minha casa não tem luxo, mas será um imenso prazer hospedá-la por la.

Belle mostrou-lhe um sorriso e segurou o rosto da velha enfermeira com sua mão esquerda.

– Agradeço sua gentileza, mas não pode me trazê-los de volta. — respondeu enquanto seus olhos se afundavam em lágrimas — Sei que tem um grande apresso pelo que meu pai lhe fizera no passado, mas creio que me será doloroso relembrar um passado que nunca mais voltarei a ter.

Lourdes sabia do que a jovem estava falando, pois com o dinheiro arrecadado pela igreja, o reverendo Tommy ajudou a reformar sua nova moradia, em uma época difícil para ela, quando foi abandonada pelo marido vagabundo que bebia igual a um louco, deixando a sozinha com seus dois filhos pequenos.

– Aliás, o Cody me pediu para te entregar isso. — disse enquanto retirava um pequeno medalhão de São Loyola e entregou para a jovem que mostrou um sorriso nervoso — Ele me disse que iria entender, agora que mora longe.

Belle segurou o velho medalhão contra o peito enquanto a encarava, ainda podia se lembrar daquela manhã ensolarada que entregara o medalhão para o revoltado garoto que parecia nervoso no último banco da igreja. Era seu medalhão favorito, São Loyola o protetor dos desprovidos de força e dos órfãos.

– O guardarei e agradeça Cody pelo gesto — pediu.

A velha enfermeira assentiu.

– Lembre-se que um gesto de gratidão nunca se é esquecido mesmo que os anos se passassem sempre haverá alguém para lhe ajudar. — disse enquanto afagava os cabelos da jovem — Um dia entenderá que na vida temos que cair para apreender a se levantar e caminhar sozinhos, como me dizia meu pequeno Harold, mamãe finja que o papai viajou para um lugar distante e em breve iremos o ver.

Belle mostrou-lhe um sorriso triste, não demorou muito para as lágrimas se apoderarem de seus olhos, Lourdes abraçou-a.

– Em algum lugar e em uma hora certa, iremos nos reencontrar, não importa os dias e quanto levará para isso acontecer, saiba que carregaremos o velho sorriso que me ensinou a mostrar para as dificuldades da vida. — cantarolou Lourdes enquanto abraçava a jovem tentando se manter firme. — Saiba que mesmo quando quiseres chorar, não impeça de limpar sua alma. — por fim segurou o delicado rosto de Belle entre as mãos, fazendo-a encará-la.

A loura encarou entre as lagrimas.

– Deve prometer a si que irá seguir em frente não importa o quanto doa, era isso que seus pais iriam querer. -disse.

Belle assentiu, a enfermeira se afastou dela e aplicou o coquetel no soro, fazendo a jovem começar a se sentir sonolenta, quanto enfim sentiu que seu corpo se entregou por completo e um pequeno e tímido sorriso ainda curvava seus delicados lábios, Lourdes enxugou o rosto da loura antes de sair do quarto.

"Que as palavras que eu falo, não sejam ouvidas como prece" Oswaldo Montenegro

Notas finais
Boa Leitura!