Destiny

17 Capitulo - I Wonder How


Notas iniciais
... chegamos tão longe sem antes pensar nas consequências...

Assim que conseguiu alcançá-la, ele tentou explicar lhe sobre o que havia acontecido, mas Belle recuou igual a um animal ferido na direção do elevador. A expressão dela era de tristeza. Era como se pudesse sentir o mundo desmoronar ao seu redor. Mas teria que ao menos tentar, mesmo que não funcionasse- ele tentou-.

– Pelo amor de Deus, não fiz nada. Ela se aproveitou do momento. – disse enquanto gesticulava de forma nervosa.

Belle franziu o cenho, ironizando.

– Realmente não sei se posso confiar em suas palavras, e novamente fui passada para trás. – disse encarado o com os olhos cheios de raiva e afogados nas lagrimas. – Talvez toda aquela história que me contara, não passa de uma mentira, não é? – berrou. – Tudo que venha de você é mentira, seu desgraçado mentiroso. Já se divertiu comigo, agora é hora de voltar com o rabo entre as pernas. Droga como não vi naquele dia na reserva, você ainda ama.

Lágrimas brotaram nos olhos dela. Ela fungou e olhou para um ponto distante e invisível, por um longo momento, antes de se focar em Kevin mais uma vez. Quando voltou a falar, sua voz soou fraca.

– Não sabe o quanto lamento ter te conhecido, por favor me deixa em paz. – pediu antes de entrar no elevador.

Kevin ameaçou segui-la, mas sentiu a forte mão do Dr. Lamarck sobre seu ombro direito.

– Da um tempo pra ela meu caro – disse com sotaque carregado – Tudo que ira dizer,só ira acrescentar a raiva dentro dela.

Ele respirou fundo, fechou os olhos por alguns segundos, acabaria daquele jeito, algo que planejara para sempre – talvez o para sempre não exista — novamente o destino havia interrompido seus planos.

Assim que saiu do elevador, com o rosto vermelho e os olhos inundados em lagrimas, Lourdes estava encostada no balcão com uma expressão – já sabia – Belle caminhou na direção da enfermeira que a envolveu em um abraço maternal e protetor, afagou os cabelos da jovem enquanto essa se entregava aos fortes soluços do desespero.

– Tenha calma minha menina. – sussurrou no ouvido dela – Pois tomamos decisões precipitadas, principalmente nessas horas. – a jovem se afastou dele e a encarou – Você tem que ouvir o que ele tem a dizer, pois pelo que o conheço jamais faria isso, Doutor Carter tem um bom coração.

– Não me faça ter que vê-lo novamente, por favor. – pediu entre lagrimas.

Lourdes respirou fundo e abraçou novamente, ambas caminharam na direção da saída, Belle precisava sair daquele lugar antes que surtasse de vez. Mas ao ver Kevin perto da saída a jovem Becky tentou impedi-lo, mas sem sucesso, ele passou por ela conseguindo se aproximar.

Estava em um beco sem saída, sentia-se tão perdido quanto Belle.

– Não menti para você e continuo dizendo que foi armação da Lana, ela descobriu que o pai do Jordan esta morrendo e não deixou a fortuna para ele. – disse tentando se explicar sobre o olhar perdido da jovem – Ele esta praticamente falida.

Belle arqueou a sobrancelha.

– Acha que vou acreditar, não é? Mas engano-se, eu o vi com ela, poderia ao menos ter me contado. Agora é tarde, não pretendo desperdiçar meu futuro com algo que nunca ira se modificar. – disse com uma expressão serena – Tenho pena de você, esse será o único sentimento que sinto agora, PENA.

Ele tentou se aproximar, mas acabou tomando um tapa em forma de protesto, a jovem fechou seus olhos tentando se controlar.

– Eu te odeio, não tente se explicar, pois não quero ouvir o que tem a dizer. – grunhiu ainda com os olhos fechados – O tempo se caberá de apagar suas palavras. – pausou por fim abrindo os olhos que se modificaram para um azul intenso – Isso é um adeus, daqui um mês irei para bem longe de você.

Ela suspirou.

Lourdes permanecia parada observando a cena próxima ao carro, a jovem girou sobre os calcanhares e continuou seu trajeto. Kevin ficou parado observando a partir, seu mundo havia desmoronado, sentia um turbilhão de sensações em seu peito, sua cabeça parecia querer explodir. Mas controlou se – ao menos o que sua expressão passava — estava novamente vazio e sozinho.

Assim que voltou se para dentro do hospital, sobre os olhares curiosos na recepção, ele parou próximo ao balcão.

– Mandem tirar Lana da minha sala e desmarque aquela cirurgia das 14h00. – pediu sem encarar Becky, caminhou na direção da porta dos fundos.

A jovem discou para o ramal do outro medico residente, Dr. Edgard Lamarck. Todos sabiam sobre o passado do doutor Carter e de sua depressão profunda, mas quando o tentaram impedi-lo de deixar o hospital, era tarde havia partido. O segurança havia lhe entregado as chaves do belo sedan executivo.

Dizem que a momentos que a solidão é tão grande que pode nos esmagar com suas garras sem percebermos, Kevin sentia se – vazio- isso o definia naquele momento de desespero. Talvez não tinha motivos para continuar a tentar, não havia mas um caminho por onde tentar – esgotara se tudo, fé, esperança e o destino já lhe era novamente incerto – a única coisa que podia ouvir era o roncar do potente motor 2.0 turbo de seu sedan.

Esperou que a pequena onda de frustração se dissipasse.Estava novamente diante dos antigos problemas, mas de um ponto diferente. Déjà vu!

– Doutor Kevin acredita em destino? — questionou a jovem de forma espontânea sem encará-lo.

Pensamentos desconexos ecoavam em sua mente.

– Não deve pensar assim, nada acontece por acaso. — respondeu.

Ela mostrou um sorriso seco.

– Então devemos culpar o destino? Ou o acaso, nunca entendi isso. Meu pai sempre me dizia que tudo é escrito por Deus. — disse enquanto arrumava uma mecha teimosa que estava sem seu rosto — Ele praticamente respirava as teorias que pregava, todos os dias.

Não deveria culpar o acaso nem o destino, pois pecara em suas decisões, se ao menos tivesse recusado receber Lana naquela tarde nada daquilo haveria acontecido, as lagrimas escorria de seus olhos. Não havia perdão, apenas remorso de não ter feito o que era certo.

Estava sozinho, voltara novamente para o mesmo ponto, descrente de tudo que o mantinha respirando. Estacionou o veiculo na garagem encarou por um longo período a fachada de sua casa – como em um adeus — e entrou.

"A dor rindo da minha solidão" – Oswaldo Montenegro

Notas finais
Boa Leitura!