Destiny
38 Conversa entre garotas
Notas iniciais
Ostentando o seu barrigão de oito meses e quase 4 semanas, Samantha faltava bufar de impaciência enquanto me encarava.
— Desembucha. -falou.
— O que você quer, Sam? Caso não tenha percebido, eu estou tentando estudar! -foquei minha atenção no livro à minha frente.
— Eu quero que me conte tudo!
— O que, sua louca? Não tenho nada para te contar!
— Tenho quase certeza que você está de caso com alguém.
— Como é? -a encarei.
— Eu sei das coisas, Sophie Masoni. -sorriu de lado.
— Você anda muito sensitiva com esse negócio de gravidez.
— Eu não sou do dar tiro no escuro.
— Mesmo no claro sua mira é péssima!
— Ah Sophie. Por favor. Você sabe que eu não posso passar vontade.
— Eu te neguei comida?
— Pior. Está me negando informações. -fez drama- Tá vendo, filho? Essa sua tia é muito má. -falou com a barriga.
Leonardo Masoni, ou simplesmente Leo, foi o nome escolhido para o meu querido sobrinho.
Eu estava louca para que esse serzinho nascesse logo. Tenho certeza que ele será loirinho dos olhos acastanhados que nem o pai dele.
Dizem que o primeiro filho sempre parece mais com o pai.
— Helloooww. Tem alguém aí?
— Ahn? O quê?
— Me conta. Você está namorando?
— Não!
— A prova de que você está mentindo são essas bochechas vermelhas aí. -apontou.
— OK. OK! Eu digo. Mas tem que me prometer que isso não sai daqui!
— Pode confiar. -sorriu.
— Eu meio que estou de rolo com o... Dylan... -terminei em um sussurro.
— Esp- O quê? Acho que não ouvi muito bem e...
— Claro que ouviu, Sam.
— Mas assim... Dylan Thompson? Desde quando vocês se falam?
— Ahn... Alguns dias atrás...?
— Isso é sério?
— Sim.
— Sabe o que eu acho? Que o destino de vocês dois é ficarem juntos. -começou a comer alguns marshmallows direto do pacote.
— Não dá pra saber!
— Claro que sim!
— Como pode falar com tanta certeza?
— Simples! Pelos fatos!
— O quê?
— Primeiro vocês se encontraram quando crianças e se apaixonaram. Certo que naquele tempo era algo bem inocente ainda, pois vocês ainda eram muito pequenos e tudo mais. Depois se encontraram no ensino médio. E eu digo, o ponto alto foi os dois terem feito aquele trato ridículo! Mas tudo bem. Então acabaram se apaixonando -de novo- e dessa vez era algo mais concreto. Passaram por dificuldades, terminaram, voltaram, brigaram, terminaram de novo, e agora tão de rolo?! É claro que você vai ter que me explicar isso tudo tintin por tintin, Sophie Masoni!
— Nossa... Você está vermelha de tanto falar.
— Respiro por dois. -respirou fundo antes de voltar a comer.
— Pois é.
— Desembucha!
Confesso que até me assustei com o grito da criatura.
— Isso é só porque eu não quero te stressar, OK? Fica quietinha ouvindo, ta?
— Não me enrola, Sophie.
— OK. O Dylan me ligou dois dias atrás. Não, não, espera. Não foi bem assim. Ah não. Foi isso mesmo.
— Vou te matar.
— Foi mal. Então. Ele me ligou dois dias atrás, dizendo que não queria as coisas ainda mais estranhas entre nós -não mais do que já estava- e disse que, mesmo que não estivéssemos namorando, era legal termos uma amizade e tudo... Pan pan pan... Conversa vai... Conversa vem... Ele disse que o REECE deixou sair que eu estava quase namorando com o Victor. É, aquele loiro nerd que estuda comigo mesmo. Desmenti na hora, depois de uma longa crise de risos, e ele acabou confessando que tinha ficado com um misto horrível de ciúmes e raiva, e que, apesar de às vezes acompanhar seus amigos um algumas festas, ou até mesmo o Dean, ele até via e era cortejado por muitas mulheres, mas não conseguia parar de pensar em mim... Falou que associava muitas coisas à mim, e mesmo a gente estando brigados ele nunca quis realmente terminar o nosso relacionamento. E eu... Eu não sabia nem que tipo de expressão fazer diante de tudo o que ele disse! Imagine formular alguma frase coerente! Mas, passado o meu choque, ele perguntou se a gente não podia recomeçar... E eu obviamente disse que não! É, Sam, ele fez essa mesma expressão. E sim, era chamada de vídeo. Ele perguntou porque não? E eu disse que a gente já tinha passado por muita coisa, nos envolvido muito para tentar recomeçar do zero. E ele meio que me pediu em namoro. Não! Namoro não. Foi algo mais pra... "Vamos ser ficantes e ver se ainda dá certo". E eu aceitei porque... Porque... Porque eu ainda gosto muito dele. E nosso término não foi por causa de traição nem nada do tipo. Foi só porque decidimos precipitadamente que o melhor seria dar um tempo entre nós. E sabe o que esse tempo nos fez perceber? Que ainda gostávamos muito um do outro para ficarmos muito tempo separados. E mesmo assim... Ficamos anos sem nos falar direito. Ai, Sam, eu acho que o amo e... EI! Não faça parecer que você está assistindo um filme no cinema! E pare de comer!
— E depois eu que falei muito... -debochou.
— Mas falou mesmo. -resmunguei.
— Sabe, Sophie, pode parecer que eu falei brincando aquela parte de que você e o Dylan ainda ficariam juntos por causa do destino... Mas estou começando a acreditar que isso realmente é possível. Eu sabia! Eu sempre soube que vocês se amavam. Mas eu não podia colocar palavras na boca de vocês dois, certo? Até porque os dois são cabeças duras.
— Como sabia que a gente se gostava?
— A forma como os dois se olhavam já dizia tudo. Vocês riam só de se verem, com os olhos brilhando de paixão. Muito fofos. -fez uma careta.
— Precisava fazer essa cara? -franzi o cenho.
— Não, e que... Eu realmente espero que o destino esteja a favor de vocês dois e que possam ser felizes juntos.
— Obrigada. -sorri.
— E... Sophie. Não entre em pânico. -me encarou.
— Por quê?
— É a hora.
— Já quer ir dormir?
— Não sua idiota! Seu sobrinho quer dar as caras! Vai chamar o Ethan AGORA!
E o que eu fiz? Saí correndo feito louca pela casa gritando o meu irmão. E provavelmente despertando quem quer que estivesse cochilando.
— O quê aconteceu? -ele correu até o quarto.
— Seu filho quer nascer!
Juro que pensei que ele fosse desmaiar quando viu que a bolsa da esposa tinha estourado e ela estava sentindo as primeiras contrações.
— Não desmaie agora! -falei.
A pessoa que mais queria desmaiar naquele quarto era eu.
— O que houve? Ouvimos gritos. -mamãe e papai apareceram também.
— O neto de vocês quer nascer e o Ethan vai desmaiar! -comecei a gesticular que nem louca.
— Calma Sophie. E se acalme também, Ethan. Leve-a para o carro. Vamos sara o hospital. -minha mãe parecia querer rir da nossa cara.
— Esse aqui não nega esse sobrenome... Forte... Apressado como o pai. -Sam resmungava.
— Eu que o diga. -comentei.
Foi uma correria maluca para o hospital. Enquanto eu pegava as malas do bebê, Ethan levava a mulher para o carro.
...
Quase duas horas depois, ouvindo gritos e mais gritos, o médico finalmente saiu da sala de parto.
— Um menino grande e forte. -sorriu.
— Podemos vê-los? -papai perguntou.
— Estão no quarto 201. -e saiu.
— Olha como ele é lindo... -Sam nos olhou.
— A cara do Ethan. -comentei- Eu disse que seria a cara do pai.
Eles riram.
Vi meu irmão pálido, com um sorriso idiota no rosto.
— Quer água com açúcar? -o cutuquei.
— É bom. -me encarou.
— Ele parecia sofrer mais do que eu! -sua esposa alfinetou.
Ele ficou vermelho.
— Vem cá, amor. -ele se aproximou e ela o beijou.
— Vamos. -falei e saímos dali, deixando eles curtirem o momento família em paz.
Eles dois pareciam realizados. Uma família.
E depois de hoje eu aprendi que...
Dor do parto? Filhos? Não quero isso tão cedo!
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