Destiny
32 Casais
Notas iniciais
(...)
— Samantha? -me virei e encarei a pessoa.
— Ethan? Este... Este quarto é seu? -desviei o olhar.
— Sim. Não quero ser indelicado, mas... O que faz aqui?
— Eu não sei bem. Eu estava conversando com a sua irmã agora a pouco e ela me trouxe pra cá.
— Sophie? -riu baixo- Eu sabia que ela ia aprontar alguma.
(...)
— Eu? Te deixando desconcertada? Samantha, meu anjo, você não faz ideia do efeito que tem sobre mim? -tocou meu braço de leve.
— Co- Como assim? E do que m- me cha- chamou? -meu rosto fervia a cada palavra.
— Sim, meu anjo, lembra daquela noite? Da festa em que nos beijamos?
— Falando assim, fica até difícil esquecer. -resmunguei.
— Esquecer? Quer dizer que você quis esquecer o que aconteceu naquela noite? -se afastou rapidamente, indo até o outro canto do quarto.
— E-E-E- Eu... Não... -que diabos ele queria que eu falasse?
(...)
Meu corpo foi puxado bruscamente para a frente, de encontro ao dele. Meus lábios foram esmagados contra os seus. Ah como era bom ter aquela sensação de novo... O toque de seus lábios contra os meus...
— Por que fez isso? -perguntei- Não me confunda mais! Não me beije se não gosta de mim! Eu... -fui interrompida novamente por seus lábios.
— Olhe para mim. -fiz o que foi pedido- Pareço não gostar?
— Eu...
— Responda. Pareço não gostar disso? De você? -seus olhos castanhos brilhavam.
— Mas eu nunca imaginei isso...
— Eu também me sinto atraído por você. -me beijou novamente.
(...)
Ai. Meu. Deus!
— Ethan, acorda! -gritei e imediatamente ele levantou o tronco, me encarando.
— Samantha... O que foi? -se virou, deitando agora de lado.
— Nós realmente fizemos... aquilo? -engoli em seco, apertando o lençol contra o meu corpo.
— Foi. -um sorriso brincou em seus lábios rosados- Mas eu juro que não forcei, você estava de acordo. -falou rapidamente.
— Eu... Eu sei. Só... É muito constrangedor. -virei o rosto.
— Não se preocupe. O que aconteceu aqui, vai ficar aqui. -puxou meu rosto de leve e me beijou.
Correspondi o seu beijo depois de alguns segundos. Ainda não consegui acreditar que isso é mesmo real! Todos os seus beijos, suas carícias, sua pele contra a minha...
(...)
— Sam! -gritei assim que a vi entrar pela porta.
— O- Oi... -sorriu sem graça.
— Vem aqui e pode começar a contar tudo!
— Você acordou agora?
— Sim. E não tente mudar de assunto!
Ela trancou a porta lentamente e veio até mim, sentou-se ao meu lado, na cama, e não me encarou.
— Pra que essa cabecinha baixa, mulher? Se não tivesse dado nada certo entre você e o meu irmão, eu acredito que você não teria passado a noite fora. -sorri maliciosamente.
— Como sabe que deu certo? Você trancou a gente a noite toda lá, sua ruiva maníaca. -puxou meus cabelos com força.
— Ai. Ai. Ai! -dei um tapa estalado em sua mão- Eu coloquei a chave do quarto por baixo da porta! Se vocês não perceberam, quer dizer que... -a encarei.
— É, a gente acabou se resolvendo. -sorriu que nem boba.
— Não! -gritei.
— Como assim "Não", Sophie? -me encarou confusa.
— Não nesse sentido. Quer dizer que vocês já... Err... Passaram o sinal. -falei meio envergonhada.
— Ahn?
— Deixa de ser burra, criatura! Quer dizer que vocês já fizeram... Hmm... Amor...?
Ela ficou extremamente vermelha e abaixou a cabeça.
— Sim ou não, Samantha?
— Sim... -murmurou.
Por pouco eu não a escuto.
— Usaram camisinha?
— Sophie!
— O que? Você é minha amiga e ele é o meu irmão, e eu os amo muito. Mas você ainda é nova demais pra estragar sua vida tendo um filho. -expliquei melhor meu posicionamento.
— Sua vida estragaria com um bebê? -me encarou.
— Agora? Sim. Mas eu e o Dylan ainda não fizemos nada! -senti meu rosto esquentar.
— Mas um dia irão fazer. -me encarou toda assanhada.
— Não agora! -cruzei os braços.
— Espero que sejam gêmeos. -seus olhos brilharam.
— Credo. Vira essa boca pra lá. Dizem que o parto de só um já dói pra caramba, imagina dois seres com cara de joelho. -fiz uma careta.
Ela gargalhou e me deu uns tapas nas costas.
— Se puxarem ao Dylan, serão lindos. -sorriu.
— É melhor parar por aí, ou eu te mato. Não sei nem se vamos ficar juntos até lá. -revirei os olhos.
— Claro que vão. Acho que você iria atrás dele por qualquer coisinha.
— O que? Eu? Se ele quiser, ele que venha correr atrás de mim. -bufei.
— Ok. Ok. Não falo mais. -elevou as mãos e suspirou.
— O que foi? Fala logo, vaca. -falei.
— Eu estou apaixonada...
— Sempre esteve né, palhaça. -recebi um tapa e me calei.
— Seu irmão é incrível... -suspirou.
— Deixa de tanto suspiro, por favor.
Ela me encarou com uma cara do tipo "Me poupe, né querida".
— Você era, e é, do mesmo jeito sempre que fica de pega com o Dylan.
— Samantha!
— É a verdade minha cara.
— Ok. Agora me conta tudo.
— Tudo não né. Mas a maior parte. -sorriu.
— Pervertida. -rimos.
Ela me contou como foi a noite com o Ethan, da discussão de ambos até a parte em que se acertaram. Claro que ela nem entrou em detalhes. E eu nem queria saber dessa parte aí.
Passamos o resto da manhã fuxicando, deitadas na cama, até ficarmos com fome e decidirmos nos arrumar para ir comer. O básico sabe... Escovar os dentes, tomar banho e tal.
...
— Estou morrendo de fome. -falei já entrando na cozinha.
— Quando não está? — meu loiro lindo beijou minha testa assim que me viu.
— Quando eu como. -rimos.
Ele e a Sam ficaram se encarando, parecendo meio constrangidos.
— Por favor né, gente. -peguei um bolo no pote e uma colher- Vou deixar o casalzinho à sós. -mandei um beijinho para ambos e saí dali.
Sentei no sofá, liguei a televisão em algum canal que passava desenho animado e comecei a comer tranquilamente. Parecia até que o pessoal não estava em casa, já que estava bem silencioso. Provavelmente todos estavam dormindo. Pessoas preguiçosas.
— Bom dia. -me assustei com a fala repentina.
— Oi... Chegou agora? -voltei meu olhar para a televisão e ele se sentou ao meu lado.
— Isso é jeito de receber seu namorado? Nem um beijo de bom dia?
Beijei sua bochecha.
— Pronto. -sorri.
Eu sei. Eu sou má. Estava o provocando e já sabia das consequências. Então eu era uma pessoa pervertida e má? Má e pervertida? Que seja...
Ele sorriu de canto e virou o meu rosto. Meu olhar se perdeu naquele azul profundo de seus olhos, que pareciam brilhar quando ele sorria. Nossos lábios chocaram-se e eu fechei meus olhos, aproveitando. Sua língua entrou na minha boca com facilidade e logo enroscou-se na minha, em movimentos lentos e delicados, que logo tornaram-se mais... Carnais.
— Hmm. Você sempre está com um gosto doce na boca. -encostou nossas testas, me encarando.
— Eu devo enfiar pimenta ou sal na minha boca, agora? -ele riu.
— Eu ainda iria te beijar do mesmo jeito. -me deu um selinho.
Claro que logo estávamos nos engolindo novamente.
— Crianças entrando na saaaalaaa! Parem de se engolir!
— Sua irmã é super discreta. -ele resmungou.
— Bom dia Saphira. -joguei uma almofada nela.
— Eu atrapalho mesmo! E vocês dois, casal de loiros, não pensem que vão fugir! -gritou novamente e os dois saíram da cozinha, vindo de mãos dadas e sentando no sofá.
— O que eu perdi? -o moreno me encarou, sorrindo.
— Ah... E eu também... Agora que eu me toquei. -falou minha gêmea e todos riram.
Menos a Samantha, que parecia querer se enfiar em algum buraco.
— Buracos não vão aparecer aí, Sam. -cantarolei e ela me encarou com um olhar de ódio.
— Eles se acertaram? -o Reece entrou bocejando.
— Claro que sim. Graças à minha pessoa. -levantei e comecei a dançar uma dancinha idiota.
— Senta aí, ruiva. -me puxou de volta para o sofá.
— Dylan, como você é chato. -fiz bico.
— Também gosto de você. -beijou minha bochecha e foi minha vez de ficar sem graça, e todos riram.
— Bom dia, crianças. -minha mãe entrou na sala.
Credo. Que tanto de gente ainda vai chegar aqui?
— Bom dia. -todos responderam em uníssono.
— Ora. Finalmente, hein Ethan. -ela fez um "joinha" para ele.
— Mãe! -ele ficou vermelho.
— Eu disse. -falei e ele e a Sam vieram pra cima de mim, em um ataque de cócegas.
— Aaahh! Alguém me saaaalveeee! -gritei.
— Para de escândalo!! -o meu irmão reclamou, sorrindo.
Logo começou um barulho maldito lá na sala. Pessoas rindo, conversando, gritando, comendo... Enfim. Tudo.
— Pessoas lindas do meu coração! -a loira começou a bater palmas- Vamos em um encontro de casais? -seus olhos brilharam.
— Não. Eu não vou segurar vela! -o Reece reclamou.
— Por mim tanto faz. -falei.
— Eu já vou sair com alguém.
— Hmmm. O Evan disse a mesma coisa hoje de manhã, Saphira. -alfinetou o meio asiático.
— Calado, Shaw! Eu não disse que ia ser com ele! -gritou, mas estava toda vermelha.
Oh. Minha pobre irmã.
— Pronto. Agora você já pode ser um pouco menos ciumento, Dylan. -sorri e ele afagou meus cabelos.
— Certo. -respondeu.
— Então vamos lá, ruiva! -minha amiga loira me puxou até a saída.
— O Ethan vai mimar mais você do que eu agora. -choraminguei, fazendo drama.
— E é por isso que agora essa função é minha. -meu namorado super fofo segurou em minha mão, enlaçando nossos dedos.
— Mas seu mimo é diferente do dele. Porque ele é meu irmão, e você meu namorado. -fiz bico.
— Tanto faz. Posso fazer os dois tipos. -sorriu de canto.
— Nossa. Sophie, não sei você, mas até eu me apaixonaria depois dessa. -brincou a loira.
— Saia de perto dele, loira. -o Ethan a abraçou por trás.
— Credo. Vocês dois são muito possessivos. -revirei os olhos quando eles trocaram sorrisinhos cúmplices.
— Certo. Vamos. -chamou a loira.
...
— Eu quero assistir Batman vs Superman! Tchau pra vocês! -saí, puxando o Dylan comigo.
— Você só queria deixá-los a sós, ou queria mesmo ver esse filme?
— As duas coisas. -sorri- Agora compra os ingressos enquanto eu pego a comida.
Depois de pegar a comida, fui encontrar o Dylan. Entramos na sala de cinema e sentamos nas poltronas mais do fundo.
— Pega. -me entregou um óculos.
— Em 3d?! Cara, eu te amo! -sorri, feliz da vida.
Só Deus sabe como eu tava morrendo de vontade de assistir aquele filme!
— Eu sei. -me dei um selinho- Mas é uma pena que você só queira assistir... -fez bico.
— Idiota. -deitei em seu ombro.
Ainda faltavam uns 15 minutos para começar o filme.
— Sophie?
— Hmm.
— Próxima semana começam as provas...
— Eu sei -suspirei- E você ainda tem que me ajudar com algumas matérias.
— Tudo por você, minha ruiva. -beijou o topo de minha cabeça.
— Você está sendo um fofo. -apertei sua bochecha- Obrigada por isso.
— Tudo pela minha ruiva. -sorrimos.
— Ei. Vai sentir minha falta? Digo... Quando eu me mudar.
— Sophie. -levantei meu rosto pra encará-lo- Você é a primeira garota com quem me envolvi de verdade. Me apaixonei por você aos poucos, eu te conquistei, e você à mim. Você vai embora pra longe, e apesar de que vamos ter que nos separarmos por um tempo, eu vou atrás de você... E é claro que eu vou sentir sua falta.
— Isso é pra mim gostar mais ainda de você?
— Também... -nos beijamos.
Ficamos naquela troca de carícias até começar o filme, já que eu deixei o Dylan de lado para aproveitar o filme. Maldade de minha parte, eu sei.
...
— Onde vamos agora? -perguntei, enquanto me espreguiçava.
— Não sei. Espera.
— O que foi?
— Ali não é a sua irmã? -apontou para a nossa frente.
— É. Se esconde, rápido!
— Por quê?
— Vamos segui-los.
— Tem certeza? -me olhou
— Toda. Olha! Ela está com o Evan, e... Espera aí. Ela tá com o Evan?! É impressão minha ou ela está dando mole para ele? -estreitei os olhos, tentando ver melhor, já que eles estavam um pouco longe.
— Sophie Masoni. Posso saber por quê está tão interessada no que se passa entre esses dois? -o moreno bufou.
— Relaxa. Eu não estou a fim dele, nem nada do tipo, só estou curiosa. -o puxei um pouco para baixo, pela gola da camisa, e o beijei.
O Dylan amenizou sua carranca e sorriu, me retribuindo.
— Então não precisamos ir atrás deles, certo?
— Certo. Vamos segui-los. -sorri para ele.
— Eu realmente espero ser recompensado depois. -bufou.
— Ok.
— Vou cobrar. -beijou minha nuca.
— Dylan! Não tire minha concentração! -deu um tapa em seu braço e ele repetiu o ato- Dylan...
— Ok. Parei.
Os seguimos por diversas lojas, praça de alimentação... Sem deixar de aproveitar nosso encontro, claro.
Estávamos andando um pouco atrás do Evan e da Saphira, até que ela parou e virou para trás. Virei também, quase instantaneamente, e puxei o Dylan para ficar na minha frente, de costas para os outros dois e o beijei.
Que lindo hein. Um casal sem vergonha aos beijos no meio de um shopping.
— O que foi isso? -ele perguntou, meio bobo.
— Ela tinha se virado -abaixei um pouco a cabeça- Me Desculpe.
Ele inclinou-se um pouco para a frente, aproximando nossos rostos.
— Vocês tem ideia de quantas vezes vocês já se beijaram hoje? Quer dizer... Nesse shopping?
Nós viramos para o lado, só para ver o casal de loiros com sorrisos nada inocentes.
— E eu espero que vocês não passem dos beijos, ok Thompson? -o loiro cutucou o ombro do moreno.
— Ce- Certo...
— Vocês já fizeram pior. -resmunguei.
— Como é, mocinha?
— O que estão fazendo aqui? -perguntei, mudando de assunto.
— Não é óbvio? O mesmo que vocês. -a Sam apoiou o braço no meu ombro.
— Namorando?
— E seguindo sua irmã! -completou ela.
— Ah...
No fim, passamos o resto da tarde seguindo os dois. O Ethan faltava só ter um ataque quando os caras passavam assoviando pela Samantha, e ela tentava o acalmar, enquanto eu só ria da cena. Se bem que eu ainda discuti com o Dylan, porque ele tinha cismado que um vendedor estava olhando para a minha bunda!
— Ai, ai... Namorar dá tanto trabalho. -suspirei.
— Pensasse nisso antes de aceitar minha proposta. -balbuciou.
— E ele não estava me secando, ok?
— Estava sim.
— E o que tem? -o encarei.
— O qu...
— Você não deveria se preocupar tanto, sabia? Afinal, você é o meu namorado, você que me toca... E é você o ciumento pelo qual me apaixonei.
— Te amo, ruiva. -me abraçou.
— Eles estão tão melosos...
— Deixe eles, Samantha. Agora é a nossa vez de aproveitar a noite.
— Só eu que acho que eles vão pra um motel?
— Dylan! -bati em seu braço.
Mas eu também pensava que eles iam para um motel.
— Olha. Eles já estão saindo, acho que vão embora. -falei olhando para os dois... Morenos...?
Os seguimos até o estacionamento, onde eles conversaram por algum tempo, e a Saphira o beijou.
— Ela o beijou! -falei.
— E parece que não foi muito correspondida...
Realmente. Ele a afastou com calma e, sem uma palavra, montaram na moto e saíram.
...
— Será que vai ficar tudo bem?
— Talvez. Sua irmã é forte. -sorriu.
— Dylan?
— Oi.
— Me ama?
Paramos em frente à porta da minha casa. Me virei para encará-lo.
— Com certeza. -sorriu.
— Eu amo suas covinhas...
— E quanto à mim?
— Eu... Err... Bem... -desviei o olhar.
— Sophie. Responda.
— Eu também...
Trocamos um singelo beijo cheio de sentimentos.
— Vai me ajudar com os estudos a partir de amanhã? Só temos uma semana para as provas. E... Duas para a... Mudança. -suspirei.
— Ei. Não se preocupe com isso. -me abraçou- Estarei aqui para você.
— Obrigada. -me separei dele.
— Boa noite. -beijou minha testa.
— Até. -sorri e entrei para dentro de casa.
Meu coração estava disparado. O dia estava cada vez mais próximo. Em pouco menos de um mês teríamos de nos separar... Não só os dois, mas eu deixarei meus amigos, professores e colegas aqui.
Sem previsão de volta.
Fale com o autor