Destiny
1 Capítulo único
Notas iniciais
Chegamos á praia as quatro da tarde, e era realmente a praia mais linda que já ví, ela havia me descrito uma praia isolada, com rochas a tampando por toda a volta, e que você só a encontrava com um mapa e para tê-lo tinha que fazer amizade com alguém porque não era vendido em nenhuma loja, mas nunca foi uma dificuldade para ela fazer amizade, mas a praia era bem mais do que ela descreveu, a praia era realmente perfeita, assim como ela, como eu gostaria de nunca ter feito aquele contrato.
Tudo começou á 3 meses atrás quando fui a antiga estação de trem da minha cidade, costumo ir lá porque sinto uma nostalgia incrível ao ver as pessoas embarcarem nos trem como os antigos faziam, apesar de não ter vivido nessa época, e ví uma menina chorando em um banco, ela era ruiva com o cabelo na altura dos seios, e as pontas eram descoloridas e onduladas, usava um calça preta e uma camiseta longa azul marinho ou preto, não sei, ela chorava descontroladamente, e apertava a alça de sua mochila verde cheia de broches de bandas de rock, e foi só ai que percebi que ela estudava na minha escola, e foi a primeira vez que a ví, claro, já havia a percebido nos corredores da escola, ms aquela foi a vez que ví ela realmente por trás da armadura que ela vestia todo dia.
Me sentei ao lado dela e permaneci em silêncio até que ela me percebesse ali, ela coçou os olhos vermelhos e fitou meus olhos por alguns instantes
-Você tem um lenço?
-Sim- disse tirando um pacote de lenços do bolso e entregando a ela
-Obrigada- ela limpou os olhos- porque está aqui?- ela me perguntou e juro que não soou rude.
-te ví chorar... oque.. que... oq... aconteceu?- eu tropeçava nas palavras oque era de costume.
-minha mãe sofreu um acidente de carro -ela começou a falar sem protestar nem nada- bêbada... como sempre... esta em coma agora, eu gostaria sabe? De ser forte, mas eu não sou, não aguento vê-la emagrecendo, definhando, morrendo em silêncio, não quero te-la em minha mente assim, quero lembrar dos momentos sobrios dela, que ela me abraçava e me dava chocolates, e assistíamos novelas juntas, não quero lembrar dela em coma, nem bebada, então decidi mochilar por aí, ir me distrair, estamos nas férias mesmo.
Permaneci em silêncio, porque não sabia oque falar, ela se virou para mim e fez a pergunta que mudou minha vida:
-quer vir comigo?
Franzí o cenho achando que ela estava brincando mas percebi nos olhos dela, que aliás eram verde esmeralda, que ela não estava brincando
-Não tenho mochila.
-Lhe empresto minhas roupas.
olhei para ela novamente sem entender e dessa vez ela gargalhou, e ela tinha uma risada bonita, e ela não chorava mais, e por algum motivo que até hoje não intendo disse a frase que mudaria minha vida:
-Posso pegar uma mala em casa, você me esperaria?
Ela sorriu e em menos de uma hora estavámos dentro de um trêm, com destino ao desconhecido.
Dentro do trêm ela olhou em meus olhos e disse:
-Preciso que façamos um contrato, não podemos nos envolver, nada além de amizade está tudo bem?
-Ok
Ela desfiou um longo fio verde de sua bolsa e me mandou levantar o dedinho:
-Nem vamos nos pegar sem compromisso -Ela enrolou o fio no meu dedinho e pode parecer algo realmente infantil, mas tenho certeza que nenhuma criança juraria esse tipo de coisa.
E agora estávamos nessa praia perfeita também chamada de praia dos amantes e eu realmente amava ela, mas não podia fazer nada em relação a isso pois era só amizade, e tínhamos um contrato.
Ela pegou um biquíni da bolsa e o colocou no meu ombro, puxou um tecido que havia comprado numa feirinha Hippie, e achara lindo então comprou um metro por cinquenta centímetros, mandou eu segurá-lo e virou de costas pra mim e eu fiz uma espécie de biombo e ela se trocou na minha frente, já a havia visto apenas de lingerie mas nunca nua, então me virei, pois isso me atrapalharia muito em relação ao meu amor, e quando ela se trocou, usou o tecido como saída de praia apesar da praia estar deserta.
Ela andou na minha frente e eu tirei a câmera da bolsa e tirei uma foto panorâmica dela e da praia, adorava tirar fotos dela sem fazer pose, porque ela sempre estava linda, sempre.
Me sentei ao lado dela e senti a briza do mar esverdeado no meu rosto, ela tinha os olhos perdidos, e eu sabia que ela filozofava sobre algo, então ela se virou e disse:
-Será que estarmos juntos agora foi uma obra do destino?
assenti com a cabeça em silêncio.
-Será que devemos ficar juntos para sempre, ou só devemos dar adeus um dia, e seguir nossas vidas?-ela ainda falava, e eu franzia o cenho.
-O destino agente que faz, o destino é bom se você fizer as escolhas certas.- ela disse enquanto eu ainda olhava para o mar quando me virei ela estava tão próxima de mim que eu podia ver cada pequena sarda no seu nariz e em baixo dos olhos, e sentir o seu cheiro de maçã delicioso, oque a deixava mais adorável, e os olhos dela tinham um brilho quase lacrimoso, como eu queria beijá-la, eu adoraria faze-lo e acho que ela também queria pois se aproximou mais fazendo nossos lábios roçarem de leve. Cheguei mais perto dela e beijei-a, e ela retribuiu colocando a mão em minha nuca fazendo nossas bocas encaixarem perfeitamente, e eu realmente não poderia descrever aquele beijo, pois foi simplismente o melhor, quase como se fosse o primeiro, como se fosse o único de toda uma vida, e eu queria que ele fosse infinito, desejei que fosse, mas precisávamos nos separar para respirar.
-droga nosso contrato!-ela exclamou ainda com os lábios inchados e vermelhos e virou-se fitando o mar. Coloquei minha mão no queixo dela e o puxei gentilmente pra mim.
-É o nosso destino. -disse fitando os olhos verde esmeralda dela, agora com as pupílas dilatadas fazendo-a parecer mais linda.
-É a escolha certa- ela disse suspirando e tirando o fio já velho e quebradiço do meu dedinho.
E nos amamos naquela praia deserta, pela primeira, de muitas vezes que ainda viriam.
Notas finais
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