Destiny
2 Capítulo 2: Magic
Notas iniciais
Stu e Destiny chegaram a Honey-Mineral City, finalmente. Ela estava particularmente curiosa por ver aquela cidade que passara por tantas mudanças nos últimos tempos, e se surpreendeu ao ver que ali onde estavam a única construção visível era a estação de trem. Enquanto Stu pegava sua mala, ela reparou que não possuía roupa alguma, tirando a que carregava nas mãos e a do corpo. O homem percebendo em seu rosto um novo ar de preocupação indagou:
- Algum problema?
A jovem anuiu, sem graça, e então disse de uma vez:
- Roupas. Eu não tenho outras que não sejam as que você pode ver. E onde estamos?
Stu olhou para ela, surpreso que alguém que viveu tudo que ela provavelmente já havia vivido ainda pudesse ter um aspecto tão puro, leve. Ele rio despreocupado e disse a ela:
- Acalme-se, eu já havia pensado nisso. Antes de realmente chegarmos à cidade, porém, temos de passar a noite numa hospedaria que fica a uns poucos passos daqui. Lá há uma loja de roupas, não é nada realmente luxuoso, são roupas vindas de outras regiões do País, e as moças da cidade vêm comprá-las para ocasiões especiais, mas são apenas roupas comuns. Você tem dinheiro?
Destiny anuiu com desgosto. Então, lembrou-se da bolsinha de contas que trouxera enrolada nas roupas.
- Eu possuo o dinheiro que roubei do cabaré, mas esse eu não quero usar pra patrocinar minha nova vida. Contudo, eu tenho boa quantia que juntei na época que eu trabalhava honestamente nas minhas folgas do prostíbulo.
Ela entregou para ele o dinheiro furtado do cabaré e disse:
- Por favor, de um fim digno a esse dinheiro. Doe para caridade, não sei...
Uma família de mendigos pedia esmola para os outros viajantes que chegavam, ao ver aquela cena Destiny pegou o dinheiro das mãos de Stu e correu até a família. Eram três, homem, mulher, e uma jovem menina. Eles primeiro olharam assustados para ela, então quando o patriarca ia pedir-lhe algum trocado, ela adiantou-se entregando o dinheiro, que na verdade era uma quantia realmente muito generosa. Ela disse:
- Por favor, aceitem. Fico muito honrada de estar ajudando-lhes. O senhor pegue o dinheiro e compre comida para sua família, e depois abra algum negócio para que o dinheiro multiplique-se. Eu desejo, do fundo do meu coração, que vocês sejam muito felizes, e que a fome não lhes atinja mais.
Ela abaixou-se e acariciou o rosto da criança que a olhava.
- Uma menina tão linda, que a partir de agora vai ter a chance de levar uma vida digna. Nada de mal vai lhe acontecer mais.
A mulher com os olhos embaçados pelas lágrimas e tomados pela emoção agradeceu, e o homem fez o mesmo, e a criança deu-lhe um sorriso e um abraço. Ela retribui um sorriso a todos, e então se despediu. Stu assistia aquilo impressionado. Realmente, como há espaço para bondade no coração de alguém que comeu o pão que o diabo amassou? Era isso que ele pensava. Ela aproximou-se e disse:
- Por que está me olhando assim? Vamos andando, você ainda tem de me levar até aquela loja de roupas-hospedaria que tanto falou!
- Certo, mas sobrou dinheiro para comprar as roupas?
- Claro que sim. Eu dei apenas o dinheiro sujo, o dinheiro que eu consegui honestamente está comigo, e vai ser o suficiente para que eu compre um punhado de roupas descentes.
Eles caminharam um pouco até chegarem à hospedaria. Stu pediu dois quartos separados, a dona da hospedaria logo providenciou. Ele também pediu que levasse Destiny até a loja de roupas, ela anuiu e mostrou o caminho à Destiny. Ao chegar, ela impressionou-se com a quantidade de roupas, e a diversidade. O preço era bom, logo, ela passou a manhã na loja escolhendo vestidos mais simples e, a sua maneira, bonitos. Ela acabou por comprar também dois vestidos mais detalhados, provavelmente de festa. Ao meio-dia, Stu chegou a loja perguntando:
- Posso entrar, ou você não está vestida?
Ela riu, e então disse:
- Claro que estou vestido. Há um vestiário caso eu quisesse me despir. Eu não imaginei que fosse dar pra comprar tantas roupas com meu dinheiro. Eu escolhi vinte lindos vestidos, e mais um especial.
- Hum... Façamos assim, compre mais cinco vestidos no lugar desse especial, e eu lhe pago o tão especial, o que acha?
- Ora, que cavalheiro você está se revelando, Stu. Certo, aceito sua proposta, mas sob a condição de pagar-lhe depois que arranjar um trabalho.
- Ai não seria um presente. Por favor, Destiny, aceite de bom grado.
- Você é realmente persuasivo. Certo, aceito.
A dona da loja e da hospedaria ficou feliz ao ver que ela iria levar tantas roupas, e embrulhou todas enquanto ela e Stu almoçavam. Ao terminarem o almoço, ela subiu para tomar um banho e provar um dos vestidos que comprara. Ela desceu quando já era noite, e então, os outros poucos hóspedes festejavam, o que ela ficou sabendo ser um festival local.
- É o festival de fogos do verão. Eu costumava ir com minha irmã mais velha ver os fogos, era ótimo. Deste lado da cidade só podemos ver os fogos de longe, mas na praia é muito mais bonito.
- Imagino que sim. Em Steel Town não tinha nada parecido. Sua irmã, ela...?
- Morreu? – Stu riu levemente – Não, não. Ela está muito viva, aliás. Casou-se há anos com o médico da cidade. Ela era enfermeira dele, mas isso não vem ao caso agora. Quando chegarmos à cidade realmente você conhecerá todos. Agora, que tal você me conceder uma dança, senhorita?
- Com prazer, senhor Overstreet – Ela levantou-se e deu a mão para Stu. Eles começaram a dançar.
Todos foram subindo de volta aos seus quartos. A festa acabou e eles já iam se despedindo quando Stu disse:
- Bom, melhor irmos também. Amanhã um carro irá vir nos buscar para levar até a cidade em si, e é bom estarmos de pé cedo. Boa noite, Destiny.
- Certo. Boa noite, Stu.
Eles subiram e cada um foi para seu quarto. Na manhã seguinte, Stu levantou-se e foi bater a porta de Destiny para acordá-la, porém não veio nenhum som de dentro em resposta. Ele desceu e então encontrou Destiny servindo as mesas para ajudar a dona da hospedaria. Ela sorriu ao vê-lo e disse em tom brincalhão:
- Então, finalmente meu cavaleiro em sua armadura reluzente acordou! Bom dia, dorminhoco.
- Bom dia. Você está ajudando aqui, mas por quê?
- Eu gastei uma fortuna naquele punhado de vestidos e não paguei a hospedagem. Mas não foi por isso, eu quero ajudar, realmente. E eu também adoro cozinhar, quando tenho tempo.
- Você cozinhou? Você realmente é realmente uma caixa de surpresas. Não precisava fazer isso, eu acertei nossas contas ontem mesmo.
- Que seja, mas eu me senti bem ajudando, de toda forma. Bom, prove da minha comida. E se fizer careta vai levar uma tapa.
Ele riu, e anuiu por fim:
- Que a deusa me abençoe!
Eles tomaram o café da manhã juntos, e todos elogiaram Destiny pela ótima comida. Quando todos terminaram, Destiny se despediu da sua hospedeira e dos funcionários da hospedaria. Então, com sua nova mala cheia de novas roupas, seguiu com Stu para o carro que os aguardava do lado de fora. Eles entraram e se deixaram levar pelo carro.
Stu percebeu no semblante de Destiny uma preocupação mais séria do que a pelos vestidos, então perguntou:
- O que foi? Não me vá dizer que são os vestidos, não gostou deles?
- Os vestidos são ótimos. Estou nervosa por essa nova vida, e... Meu pai. Não sei o que esperar desse encontro.
Ele desviou o olhar dela e então disse:
- Você não verá seu pai quando chegarmos.
- Como?! Por que não posso vê-lo?
- Não me culpe. Você pode imaginar como é pra ele ver ano após ano, impostores e impostoras vindo até ele, tentando arrancar algum dinheiro dele com falsas informações do filho perdido? Você terá de se estabelecer na cidade, e após isso, te apresento como filha dele.
- E quem me garante que você não é um desses impostores?!
Stu deu uma tapa na face de Destiny. Ela, perplexa, ficou sem palavras.
- Eu não admito que me acuse disso. Eu respeito muito seu pai, sei da dor que ele vem sentindo todos esses anos, e JAMAIS tentaria enganá-lo. Ele oferece uma recompensa para quem trouxer a verdadeira filha dele, mas não é para uso meu, é para pagar o tratamento de minha irmã mais velha. Minha avó, que criou e cuidou de nós, morreu de uma doença que paralisou suas pernas e dificultava sua respiração. Minha irmã, mesmo ainda sendo bem mais jovem que ela, também está com essa doença.
- E-e-eu sinto muito. Desculpe-me, você tem sido tão bondoso, e eu desconfiei de você. Entendo o que meu pai deve ter passado todos esses anos. Eu farei o possível para que você consiga essa recompensa.
- Obrigado. Perdoe-me pela tapa, eu me exaltei.
- Certo, não foi nada. Bom, é impressão minha ou chegamos?
O carro foi parando, e ao descer com a ajuda de Stu, Destiny deparou-se com uma bela cidade. Desenvolvida a sua maneira, porém com um ar pitoresco e simples.
- Seja muito bem-vinda à Mineral Town, Destiny!
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