Destinos cruzados
15 Capítulo 14 - Bibi, a serva leal
Notas iniciais

Algo me diz que devo ir me acostumando a ser sequestrada por Deuses ou qualquer coisa mitológica. Na verdade eu só apaguei mesmo e quando eu acordei estava em uma cama de ouro e colchoes ortopédicos. Olhei em volta e meu olhar se cruzou com o de uma garota. Uma garotinha na casa dos doze anos.
— E você é? — Indaguei.
— Sou Bibi sua guia. – Ela respondeu.
— Bibi minha guia? — Repeti sem entender.
Bibi revirou os olhos e se aproximou. Ela estava usando um vestido rosa com estampa de corações brancos. Seus cabelos ruivos estavam presos e um lacinho enfeitava sua cabeça. Ela parecia ser uma criança normal, mas eu no fundo sei que ela não é.
— Sim bobinha! — Ela respondeu.
— Certo... — Digo ainda achando estranho. — Você diz que é minha guia para o quê exatamente? — Perguntei cruzando os braços.
— Para você seguir o caminho certo, bobinha. – Ela respondeu como se fosse óbvio. – Estou aqui para garantir que você não estrague tudo com sua burrice. – Ela diz dando um sorriso dócil.
— O menina, você deveria respeitar os mais velhos que você! — Digo cansada de ser insultada.
— Tenho mais de um milênio de idade. — Bibi retrucou me calando.
— Por que você se parece com uma meninha? — Questionei.
— Por que quando Aurora me criou quis que fosse assim. – Ela respondeu dando de ombros. — Agora chega de perguntas! Estou aqui para te auxiliar a cumprir os planos de Aurora. — Ela diz parecendo estar orgulhosa.
— Eu nunca disse que iria ajudar Aurora. – Rebati.
— Meu bem, você não tem escolha! É seu destino! — Bibi revirou os olhos. – E não me venha com esse papo de que nossas escolhas moldam nossos destinos e todas essas frases tumblr e bregas. Seu destino está escrito e não há o que fazer, além de seguir o caminho. — Bibi se aproxima de mim e pega minhas mãos. — Veja minha mestre está sendo generosa com você, ela quer fazer um acordo.
— Que tipo de acordo? — Perguntei interessada.
— Calma, minha querida. Vamos por partes, primeiro irei te contar algumas coisas vitais para nossa convivência. — Ela diz se afastando e girando pela sala. — Numero um, estou apenas na sua cabeça e ninguém além de você pode me ver. Dois, não precisamos ser amigas e nem gostar uma da outra, apenas estou aqui á trabalho. Três, ouça meus conselhos e os siga, tudo que falo vem diretamente de Aurora. Se me contrariar estará contrariando a mesma. — Bibi começou a explicar.
— Ela já ouviu falar em livre arbítrio? — Indaguei. – Eu não pedi você e nem esse destino que tanto falam, apenas quero seguir com a minha vida.
— Aquela vidinha miserável de garçonete, autora fracassada e stripper? E é claro suas escapadas sexuais e festinhas? — Ela riu debochada. – Admita que ser casca de Aurora é a coisa mais legal que você está vivendo.
— Hey! Você deveria fechar a boca garotinha! — Digo entre dentes.
Uma forte luz branca invadiu a sala me cegando por alguns momentos. Quando consegui ajudar minha visão. Percebi que não estava mais com uma garota de onze ou doze anos e sim com uma adolescente de dezessete. Ela dessa vez estava usando shorts de cintura alta e uma blusa rosa bebê.
— Não sou uma garotinha! Posso ser o que eu quiser. — Ela respondeu e sorriu presunçosa.
— O que você é? — Perguntei assustada.
— Você faz perguntas demais. Vai ser extremamente chato ficar com você. — Bibi bocejou. — O que eu sou não importa. — Ela diz rudemente. — Bem, o acordo que Aurora quer propor é que assim que ela ter sua vingança, ela irá libertar seu corpo com uma condição.
— Qual a condição? — Questionei.
— Você e o Ares vão se apaixonar provavelmente. Vocês irão fazer amor e você tem que engravidar. Depois você tem que cuidar do bebê, quando Aurora estiver em você ela poderá depois de um tempo trocar de hospedeira. Ela irá ficar com o seu bebê como casca. — Bibi explicou.
— Você acha que eu tenho cara de barriga para casca de aluguel?! — Praticamente.
— Ou você pode parar de relutar e deixar Aurora ficar com o seu corpo no final. — Bibi deu de ombros e se sentou em uma cadeira. Ela começou a brincar com seus próprios cabelos.
— E se eu não quiser nenhum dos dois? — Questionei.
— Bem, ai você vai dificultar tudo. Se você falhar de qualquer forma teremos a próxima geração. — Bibi diz e olha para mim. — Todas as escolhidas veem de uma linhagem especificas. Descendentes de Amon. – Ela disse.
— Quem é esse tal de Amon? — Indaguei.
— Foi um meio-sangue filho de Aurora. — Ela respondeu.
— Espera quer dizer que eu Aurora é tipo a matriarca da minha família ou algo parecido? — Pergunto sentindo meu cérebro virar mingau.
— È por ai. – Respondeu. — Sangue clama sangue e toda essa porcaria. Por isso Aurora só pode assumir o corpo de descendentes seus.
— È muita coisa para processar. — Comentou me sentindo tonta. – Gostaria de ficar sozinha e refletir sobre tudo.
— Que seja, você está me enjoando. — Ela disse aliviada. — Odeio a parte em que vocês falam “ Estou confusa” ou “ Preciso pensar sobre isso”, vocês entram naquela fase mocinha de novela. — Bibi comenta e revira os olhos.
— Estou longe der ser uma mocinha de novela! — Falo com raiva.
— Humpf! Daqui a pouco o draminha começa. — Bibi se levanta da cadeira e caminha até mim.
— Eu não sei por que está... – Ela me interrompe.
— Nossa conversa termina por aqui. Qualquer coisa eu entrarei em contato. A propósito sobre seu probleminha com o roubo, bem é por que você é semideusa bobinha. — Ela disse sorrindo.
— Espera! Espera! — Gritei. — Para mim ser uma semideusa um dos meus pais é um olimpiano, certo? — Indago.
— Sim. — Ela afirma.
— Então...
— O que? — Pergunta Bibi. — Sério? Você é burra hein, quem é o deus dos ladrões, hein mongol?
— Hermes, eu acho. — Digo coçando a nunca.
— Então... — Bibi diz me incentivando a falar.
— Hermes é tipo...
— Isso! — Exclama.
— O QUE MAS COMO ASSIM? — Berro. Posso sentir as lagrimas se formarem.
— Já deu minha hora. — Bibi comentou.
— Eu não creio nisso, você vai simplesmente jogar a bomba no meu colo e me deixar sozinha para ela explodir na minha cara? — Pergunto chocada.
— Tudo que eu falo é em nome de Aurora. — Ela começou a explicar. – Ela mandou eu me apresentar para o serviço e sussurra em meu ouvido o que eu preciso saber, fazer ou dizer. Ela me disse para soltar a bomba e te mandar de volta. — Bibi deu um sorriso de lado e fez uma cara de não posso fazer nada.
Bibi tocou em minha testa e eu apaguei imediatamente.
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