Destinos Ligados
6 Último dia de férias
Notas iniciais
POV Merida
Noite passada foi tão divertido ficar um tempo com o pessoal, que quando cheguei em casa, só deu tempo de tomar um banho e me atirar na cama para cair em um sono profundo.
Ouvi um barulho da porta e disse que podia entrar. Astrid ocupava o quarto de frente para o meu, que na verdade, eram bem parecidos. A diferença era que no dela, havia o papel de parede alternado entre machados, patins e bolas de futebol; Já o meu, era arco e flecha, bolas de basquete e skates.
De resto, ambos possuíam: cama de solteiro perto da porta da varanda; escrivaninha; bancada para estudo; um enorme espaço livre no meio; estantes com livros; pufs e por aí vai.
– Bom dia, Merida. – ela me cumprimentou e se atirou no puf. Estava com cabelo preso em sua típica trança lateral, de saia um pouco acima do joelho, botas de cano longo, regata e um suéter.
– Bom dia. Que horas mesmo vamos encontrar nossos novos colegas? – perguntei me sentando
– Apenas daqui algumas horas. O que achou deles?
– Bem legais, tirando, é claro, o irritante do Jack. – revirei os olhos e me levantei de uma vez para procurar alguma roupa.
– Eu gostei de todos. Mas admito que estou muito ansiosa pra treinar logo. – fez uma expressão sonhadora
Assenti, e desisti de procurar roupa. Peguei a primeira a minha frente: um short, meia calça desgrenhada, regata e uma blusa xadrez que serve de agasalho. Depois era só pegar qualquer allstar e pronta!
Tomei um longo banho, ciente que minha prima estava me aguardando; mas ela estava acostumada com essas coisas.
Em menos de 10 minutos, como sempre, fiquei pronta. Não penteava meu cabelo, o que influenciava muito no tempo; pus qualquer gorro e descemos para o café da manhã.
~ * ~ * ~ Após o café ~ * ~ * ~
– Vamos dar uma volta antes de irmos ver os outros? – Hubert perguntou
Eles haviam se dado super bem com o irmão da Violeta, e pelo visto, iriam aprontar juntos.
Astrid e eu concordamos. Saímos andando aleatoriamente, não era um lugar muito grande. Portanto fomos até uma parte mais alta, que parecia ser desabitada.
A vista lá de cima era linda, um perfeito cenário de quadro. Via-se claramente que a ilha, na verdade, era maior do que pensava-se.
O centro da cidade era um espaço enorme, onde lojas de todos os tipos espalhavam-se por quarteirões; então vinham ruas habitacionais, e logo após, a praça que os irmãos Frost nos levaram; ao leste da praça, era a pista onde disputamos ontem; a oeste o local que só podia ser onde havia a floresta e o centro de hipismo. O que significava que estávamos no norte, e a nossa casa era nordeste.
Descemos após nos localizar e fomos para a sorveteria. Punzie e Soluço já estavam lá, debatiam sobre algo, e quando nos viram, acenaram.
Cumprimentamos todos, logo após os outros chegaram sucessivamente e foram se espalhando. Eu estava na janela, com Astrid do meu lado esquerdo e Soluço a minha frente. A paisagem nebulosa era linda, e havia começado a chover, o que deixava as linhas d’água formando desenhos no vidro pelo qual eu observava.
– Um doce pelos seus pensamentos. – Soluço estalou os dedos na minha frente. Punzie me olhava com uma cara de dúvida e os outros não pareciam ter notado meus devaneios.
– Só estava observando a paisagem. Onde está o cardápio? Quero o meu doce. – sorri e ele estendeu-me um chocolate, que eu não havia notado que estava ali na mesa antes, o peguei e guardei no bolso. Punzie já havia voltado conversar com Astrid sobre patins; Violeta e Elsa sobre desenhos e os outros meninos, sobre jogos.
Olhei para Soluço e levantei uma sobrancelha.
– Não sente-se incomodado por estar longe dos meninos e sem conversar?
– Na verdade, geralmente eu escuto mais do que falo. Fico meio perdido em novas invenções. – ele sorriu e pôs a mão na nuca. Me interessei pelo assunto, não era todo dia que se conversava com um inventor
– O que você cria? – ele me olhou surpreso, como se eu fosse uma espécie rara
– Bem...o que me pedirem. Diga-me algo que gosta bastante – sem piscar ou pensar, respondi na lata
– Arco e flecha. – ele sorriu de forma misteriosa. Nesse momento Astrid voltou sua atenção para nós
– Sobre o que conversam? – me olhou de lado
– Invenções que ele faz – apontei com o queixo para Soluço
– Sério? – ela ficou surpresa – Você cria, tipo, qualquer coisa?
Ele assentiu, e acho que nunca vi Astrid com um sorriso tão grande.
– Quando custa a encomenda de um machado? – a cara do garoto foi hilária! Ele arregalou os olhos e não sabia se ria dela ou se falava sério – Não estou brincando, quanto custa?
Ele ficou sério e deu de ombros.
– Não sei, depende do material que você quer. De preferência, aqueles super resistentes? — semicerrou os olhos intrigado, ela assentiu – Tudo bem, nunca fiz nada parecido. Mas posso tentar, se quiser.
– Quero! – ela estendeu a mão para ele com os olhos brilhando de alegria e eles se cumprimentaram. Então se voltou para Elsa, que a chamava.
– Gostos bem diferentes das meninas daqui. – o moreno a minha frente sussurrou para si mesmo, fingi não ouvir e sorri para mim mesma.
Um por um fomos saindo da mesa para pegarmos o que quer que fosse de sorvetes ou picolés. 12 jovens bem normais, não? Um lugar frio, que está com neblina e uma chuva que tende a aumentar, e o que fazem? Compram sorvete! Tradicional em várias partes do mundo, aposto.
Praticamente apenas nós estávamos naquele lugar; além das janelas, via-se jovens correndo para sair da chuva, e vez ou outra eu imaginava se algum deles seria da minha turma na escola.
Astrid pegou seu sorvete da balança, e quando ia na direção da mesa, chocou-se com um cara grandalhão, espalhando todo o conteúdo pela camisa dele.
Era branco, tinha cabelos e olhos castanhos. Músculos típicos de academia e não a olhava com uma cara muito boa.
– Quem é você, garota? Nunca te vi por aqui. – ele inclinou-se um pouco para olha-la nos olhos e a pegou pelo braço. Minha vontade foi de soca-lo, mas ela sabe se defender. Eu agiria se fosse preciso.
– Te interessa quem sou? Não sabe que deve ficar atrás das pessoas quando elas estão prestes a se virar? – ela bufou irritada e tentou se soltar. Porém ele apertou com mais força. Os meninos ficaram tensos, como se prestes a interferir.
– Ora ora, nova na cidade e já bravinha?! Vou te ensinar uma lição. – ele fechou o punho livre e o levantou ao lado da cabeça. Astrid se preparou e acertou um belo chute entre as pernas do cara, que urrou de dor, e acabou afrouxando a mão que a segurava.
Foi a deixa para ela se soltar. Mas ele se ergueu novamente e deu um passo na direção dela. Caso eu tentasse ajuda-la, acabaria atrapalhando, já que estava longe e não conseguiria alcançar a tempo de evitar um golpe.
– Calma aí, Ralph. Você não vai machuca-la. – Jack, o mais próximo dela, ficou ao seu lado e segurou sua mão.
– E quem ela é para você, Jack Frost? Acha que tem chance contra mim? – minha vontade de socar aquele garoto aumentava
– Se não reparou, somos 7 meninos e 5 garotas contra você. – apertou a mão de Astrid, a olhou de lado e completou – E eu a incluo – levantou as mãos entrelaçadas daquele jeito – Porque não seria covarde como você. Quem ela é para mim? Minha namorada.
– O pegador ta encoleirado? – Ralph gargalhou – Até parece que eu acredito nisso!
– Precisa de provas? Aqui vai uma. – se virou para Astrid e tascou um selinho, já que ela se afastou rápido, apesar de “selinho” não aparentar ser a vontade do garoto para provar sua palavra.
Minha vontade era de rir da situação. Se conhecia a loira, ela espancaria o Frost por aquilo depois. E eu não parecia ser a única; Soluço mordia o lábio; Punzie pôs o sorvete de lado e cobriu a boca; Violeta e Elsa chupavam seu picolé tranquilamente, como se aquela cena fosse algo normal no dia a dia; enquanto Wilbur e os outros meninos pareciam assistir a um filme super interessante, devida velocidade que consumiam suas casquinhas.
– Melhor se retirar, Ralph. Não há espaço para você aqui. – Jack indicou a porta com o queixo. O grandalhão bufou, fez um gesto tipo “estou de olho em você” para Astrid e saiu.
Quando a porta se fechou, explodimos em gargalhada. Inclusive Astrid; mas quando se lembrou da tentativa do Jack, o socou tão forte no estômago que me admirou o fato dele não pôr para fora o almoço.
Após um tempo jogando conversa fora, e do horário que nos veríamos na escola, para sentarmos perto um dos outros, era hora de ir para casa.
Soluço e Punzie moravam na mesma direção da casa da Violeta e do Flecha; e Jack separavam-se apenas por 3 ruas da habitação um do outro; e nós fomos para a nossa direção.
Os garotos zombaram um pouco de nós duas. Alegaram perceber algo entre mim e Soluço, e sobre o quase beijo de Jack e Astrid.
Após isso, correram para chegarem antes de nós e decidimos aproveitar aquele momento para conversar, sem risco da minha mãe ou irmãos ouvirem.
– Então, Astrid, qual sabor dos lábios do Frost? – sorri maliciosa para ela, que ficou ainda mais irritada
– Por que você não experimenta? – retrucou semicerrando os olhos
– Calma aí, nervosinha. – revirei os olhos e estirei a língua para ela – Nunca beijaria o Jack! – afirmei decidida
– Mas beijaria o Soluço. – foi a vez dela de sorrir de lado. Levantei uma sobrancelha sem entender onde queria chegar – Acha que não percebi o clima entre vocês, assim como os pirralhos?
Gargalhei alto, que clima? Pessoas alucinadas.
– Não negue, prima. É um cara bonito, não parece ser má influência. – ela sorriu e esticou os braços para cima – Ele até te deu um chocolate.
Tateei os bolsos em busca e me lembrei da existência do doce, que agora estava amassado.
– Bastante observadora, não? – abri o portão do jardim de casa e ela entrou atrás de mim
– Quando o assunto me interessa, tenho olhos de águia. – sorrio e correu para dentro de casa.
Ia segui-la, mas deixei para saber mais sobre aquilo depois. O que ela quis dizer com isso? E por que ele realmente me deu um chocolate?
Argh, Merida, pare de pensar besteiras! Você conheceu o garoto a dois dias! Ele só estava sendo legal.
Peguei um copo de água e fui para o meu quarto. Meus pais ainda deviam estar no trabalho, e os garotos jogando. Astrid devia estar tocando seu baixo, devido o som que ouvi ao entrar no meu quarto.
Decidi seguir o exemplo dela, peguei minha guitarra e repassei novamente algumas músicas AC/DC.
Aquilo me acalmava, e era tudo que eu precisava antes de um primeiro dia de aula me esperando pela frente.
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